Um número
significativo de empresas nacionais mudou a sua sede para offshores ou para países
com um regime fiscal mais favorável. Também cada vez mais portugueses, daqueles
endinheirados é bom de ver, tratam de colocar o seu dinheiro a salvo da gula do
Estado mudando as contas bancárias para bancos, pelo menos teoricamente,
sedeados em paraísos fiscais.
Simultaneamente,
por cá, fazem-se apelos patéticos a que optemos por comprar o que é nosso. Ainda
que, quase sempre, mais caro. Parece-me que tentar convencer alguém a quem é reduzido
o vencimento, retirados benefícios sociais e sobrecarregado de impostos, a
comprar os bens produzidos ou comercializados, possivelmente em alguns casos,
por empresas que fazem de tudo para escapar ao fisco é, no mínimo, fazer de nós
parvos.
Apesar da
proximidade com a fronteira – Badajoz fica a meia hora de distância – não sou
dos que abastecem a despensa em Espanha. Para o meu padrão de consumo eventuais
diferenças de preço em relação a Portugal ainda não justificam uma deslocação
com esse único propósito. Até porque, para além dos combustíveis ou dos
honorários praticados pelos profissionais de saúde, a diferença não é significativa
e, antes pelo contrário, é até mais cara do lado de lá na maioria dos bens de
consumo corrente. No entanto, já que não tenho dinheiro para pôr ao largo a
salvo dos impostos, se o iva subir substancialmente para compensar a TSU e, por
consequência, os preços espanhóis ficarem mais competitivos, não haverá
campanha nenhuma que me convença a “comprar o que é nosso” e Badajoz poderá
passar a constituir uma alternativa. Não é que eu queira, “eles” é que me obrigam.

