sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Yes, Prime Minister.

2009 vai ser um ano bom. Pelo menos se acreditarmos nas promessas de José Sócrates. O popular vendedor de Magalhães garante que no próximo ano vamos ter gasolina barata, juros baixos e – pasme-se – até os funcionários públicos terão um aumento salarial superior à taxa de inflação prevista. Se o homem diz é porque vai ser assim de certeza absoluta, sem qualquer margem para erro ou lugar a dúvidas parvas daqueles que estão sempre do contra.

Por mim - que faço os possíveis por andar a pé, não tenho empréstimos a pagar e não acredito em qualquer pantomineiro - teria preferido que o Primeiro-ministro tivesse desde já assegurado que o Benfica ia ser campeão. Isso sim é que era uma medida verdadeiramente popular e que faria a felicidade de, pelo menos, dois terços dos portugueses. Sempre queria ver se os seus apoiantes portistas e sportiguistas iam ter a ousadia de discordar de tão inteligente medida do divino, idolatrado e querido líder.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os culpados do costume

Ciclicamente, surgem na imprensa os resultados de aturados estudos que nos dizem quantos dias não vamos trabalhar durante o ano e as implicações, desse facto, nos resultados das empresas e os custos que esse descanso acarreta para o país. Quase sempre alarmantes e preocupantes, não necessariamente por esta ordem, a acreditar nos alarmados e preocupados estudiosos que produzem estas alarvidades.

Desta vez garantem que, no próximo ano, os cento e trinta e sete dias sem trabalhar vão ser responsáveis por perdas que poderão representar perto de um por cento do PIB e que isso pode constituir a diferença entre o crescimento económico e a recessão.

Obviamente não tenho dados, ou conhecimentos académicos, que me permitam pôr em causa os valores divulgados. Ainda assim, parece-me coisa própria de sabujo pretender atribuir culpas a quem trabalha pelos resultados desastrosos da economia do país.

Como gosto de números, vou estar atento a outras análises. Nomeadamente quanto custou aos portugueses - e já agora o seu peso no PIB - a salvação das fortunas dos investidores especulativos do BPP e os desmandos dos administradores do BPN. Ou, se não desse muito trabalho a estudar, as reformas obscenas obtidas após meia dúzia de anos de serviço, as indemnizações milionárias e os salários principescos dos gestores e administradores.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As inquietações do deputado

O deputado Paulo Pedroso interpelou hoje na Assembleia da Republica o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, acerca dos voos da CIA que transportaram prisioneiros para Guantanamo e que, alegadamente, terão sobrevoado o território nacional.

O deputado do Partido Socialista mostrou-se vivamente interessado nesta questão, apesar da mesma não passar de um pequeno problema e constituir apenas um tema menor da política nacional. Até porque este é mais um daqueles casos em que a verdade dificilmente será apurada e onde ninguém vai ser condenado, mesmo que não seja declarado inocente. Ainda assim ficam-lhe bem estas preocupações. É sempre bonito estar ao lado dos mais desprotegidos e desafortunados. Muito mais bonito que estar por trás. Ou pela frente.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os seniores

Tenho fundamentado receio de nunca chegar a ser velho. Não que tencione morrer cedo – antes das vinte e três horas não me dá jeito – ou acredite que a ciência vai descobrir qualquer coisa que me impeça de envelhecer. Nada disso. A mania do politicamente correcto vai encarregar-se de tudo e fazer com que eu daqui por uns anitos seja algo que, por enquanto, nem consigo imaginar.

Vejamos o que me leva a esta conclusão. Quando era miúdo, aos velhos chamava-se isso mesmo. Velhos. Num tratamento cordial podíamos apelidá-los de velhotes ou, mais ternamente, velhinhos e alguém menos educado chamar-lhe-ia, depreciativamente, velhadas.

No pós “vinte cinco do A” a intelectualidade de esquerda achou mal esta designação e, vai daí, passaram a ser a “terceira idade”. Mas como no singular não dava muito jeito desatámos a tratá-los por idosos. Ultimamente é ainda pior. Já não são nem uma coisa nem outra. São conhecidos agora como seniores.

Ora isto suscita algumas questões de carácter linguístico que considero assaz pertinentes. Por exemplo, o que devo dizer em lugar de velhinho? Seniorzinho?! Não me parece. Idosinho soaria ligeiramente melhor, mas demasiado demodé. E depreciativo? Não encontro pior do que veterano. E como se substitui o sempre simpático e afável velhote? Por qualquer coisa impronunciável, certamente… Era nestas coisas que os gajos que andam sempre a inventar estas mariquices deviam pensar antes de se porem com ideias.

Noutra perspectiva e vendo o lado positivo, reconheço algumas vantagens nesta nova semântica. Nomeadamente ao nível do piropo de andaime. Imagine-se um destes dias um trolha, perante uma senhora que apesar da idade mantenha ainda intactas algumas qualidades, a gritar: “Olha-me aquela sénior… toda jeitosa! Ainda fazia uma perninha nos juniores.”

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Neve?! Não obrigado.

Constitui para mim um mistério o que leva pessoas normais e aparentemente na posse de todas as suas faculdades mentais a aventurarem um viagem de dezenas de quilómetros, quando não centenas, em condições atmosféricas adversas e em estradas dificilmente transitáveis, colocando muitas vezes em perigo a sua vida e a dos seus, apenas com o intuito de ver neve. Só porque sim.

Mas isto sou eu a resmungar que ainda não me esqueci quando, em finais de Janeiro de 2006, no regresso de Sines, levei com o último nevão que assolou estas paragens. E ainda menos do “calor” que apanhei no percurso entre Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo onde, debaixo de intensa queda de neve, apenas consegui circular porque conduzi todo esse trajecto a trinta a hora atrás de um autocarro, numa estrada que não se sabia onde começava ou acabava a berma e que pouco tempo depois seria encerrada ao trânsito pela GNR durante quase 24 horas.

Apenas quando cheguei à EN-4, onde foi obtida a foto, consegui respirar de alívio. Mas foram precisos largos minutos para recuperar do susto e poder, finalmente, apreciar a paisagem. Por isso neve, para mim não. Só através da janela.