Ignoro o que pode levar um jornalista, no exercício da sua actividade profissional, a tomar partido por uma das partes nesta coisa do referendo na Grécia. Pior ainda quando não é apenas um a fazê-lo. São praticamente todos. É impressionante a maneira como a comunicação social se baba com a expectativa de o “Não” vencer, como faz a cobertura da crise grega e o constante elogio dos governantes gregos. Há apenas um pequeno problema que, parece-me, está a escapar aos junta-letras e pés de microfone. Os portugueses não votam para aquilo e os gregos, pelo menos na sua imensa maioria, não vêem a televisão portuguesa.
Escrevi nestas e noutras páginas logo a seguir à vitória do Syriza, quando António Costa e Catarina Martins e o povo de esquerda em geral exultavam, que aquela aventura ia acabar mal. Desta vez arrisco afirmar que o “Sim” vai ter mais votos. Isso, contudo, não muda nada. Acaba mal na mesma.