“Celebrar a baixa natalidade”, como propõe um bando de javardos num cartaz qualquer, é coisa para me deixar com vontade de dar com um gato morto pelas trombas, até ele gritar viva o Benfica, aos mentores da ideia e a todos os que com ela simpatizam. Vão todos para a puta que vos pariu. Ou suicidem-se e aliviem o mundo do vosso peso. Isso sim, é que constituía motivo para celebrar à séria.
Desconheço quem é esta “gente”. Presumo que entre eles – ou entre os apoiantes da ideia, tanto faz – não falte quem defenda pensões de reforma mais elevadas, melhores apoios sociais e serviços públicos de qualidade. Convinha que nos dissessem, mais que não seja por uma questão de decência, como pensam eles conseguir tudo isso – ou mesmo apenas um bocadinho, vá – se, pelo contrário àquilo que se propõem celebrar, não se verificar uma muito maior natalidade e um acentuado rejuvenescimento da população.
Para mim, que moro numa região desertificada que nos últimos cinquenta anos perdeu metade da população e, a continuar assim, daqui a outros cinquenta estará totalmente desabitada, alguém ousar sequer pensar numa barbaridade dessas constitui uma ofensa. Mais. Expressar uma opinião dessas devia ser considerado crime contra a humanidade.
Numa altura em que anda para aí meio mundo preocupado com os nazis que vêm para aí passear, não percebo a falta de indignação perante cartazes desta natureza. No fundo parece-me que ambos celebram a mesma coisa...