
Tenho pouca paciência para aquelas conversetas onde se fala de “opções de classe”, “luta de classes”, “burguesia”, “desfavorecidos” ou, como agora se diz, “vulneráveis”. Não dou para esse peditório e, a bem-dizer, nem sei como “classificar” os patetas que enchem a boca dessas idiotices. A hipocrisia desta gente, por vezes, vai muito para lá dos meus limites de tolerância. Mesmo naqueles dias em que, por razões que me escapam, essa limitação se encontra excepcionalmente elevada.
Como estou farto de por aqui escrever que não gosto de impostos. É dinheiro que nos é retirado e, por isso, quem está mandatado para governar deve cobrar apenas o mínimo necessário para assegurar as necessidades básicas das funções essenciais do Estado e usá-lo com a mesma parcimónia com que usa o que lhe pertence. Para além disso, esse financiamento do Estado deve ser preferencialmente feito à custa do luxo, da ostentação, do vicio, dos lucros ou ganhos injustificados e o menos possível sobre os rendimentos do trabalho, das poupanças e do investimento. Não é nada disso que pensa a esquerda portuguesa. Nem, igualmente, parte da direita. É gente que gosta de penalizar o trabalho e de castigar quem tem alguma coisa de seu. Em contrapartida faz questão de beneficiar os seus e aqueles que lhes podem estragar os arranjinhos que os sustentam no poder. Os artistas e a malta da cultura, nomeadamente. E, de caminho, aqueles que têm dinheiro suficiente para gastar em arte. Nem que seja para comprar uma banana colada a uma parede. Depois venham para cá chatear por os ciganos não passarem factura dos trapos vendem nas feiras.





