sábado, 29 de novembro de 2025

O Chega e toda a esquerda têm muito em comum.

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Tenho pouca paciência para aquelas conversetas onde se fala de “opções de classe”, “luta de classes”, “burguesia”, “desfavorecidos” ou, como agora se diz, “vulneráveis”. Não dou para esse peditório e, a bem-dizer, nem sei como “classificar” os patetas que enchem a boca dessas idiotices. A hipocrisia desta gente, por vezes, vai muito para lá dos meus limites de tolerância. Mesmo naqueles dias em que, por razões que me escapam, essa limitação se encontra excepcionalmente elevada.


Como estou farto de por aqui escrever que não gosto de impostos. É dinheiro que nos é retirado e, por isso, quem está mandatado para governar deve cobrar apenas o mínimo necessário para assegurar as necessidades básicas das funções essenciais do Estado e usá-lo com a mesma parcimónia com que usa o que lhe pertence. Para além disso, esse financiamento do Estado deve ser preferencialmente feito à custa do luxo, da ostentação, do vicio, dos lucros ou ganhos injustificados e o menos possível sobre os rendimentos do trabalho, das poupanças e do investimento. Não é nada disso que pensa a esquerda portuguesa. Nem, igualmente, parte da direita. É gente que gosta de penalizar o trabalho e de castigar quem tem alguma coisa de seu. Em contrapartida faz questão de beneficiar os seus e aqueles que lhes podem estragar os arranjinhos que os sustentam no poder. Os artistas e a malta da cultura, nomeadamente. E, de caminho, aqueles que têm dinheiro suficiente para gastar em arte. Nem que seja para comprar uma banana colada a uma parede. Depois venham para cá chatear por os ciganos não passarem factura dos trapos vendem nas feiras.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Ligeiramente menos discriminados...

Já escrevi noutras ocasiões, aqui ou em outro sitio qualquer, que o Partido Socialista governa muito melhor quando está na oposição. É, por estas e outras coisas, imperativo que lá fique durante muito tempo. Para nosso bem. Já assim foi no “Verão quente” de 1975 e no processo que culminou no 25 de Novembro, quando o PS liderou a oposição aos que pretendiam levar o país para o abismo comunista. De lá para cá deve ter contribuído com uma ou outra cena, igualmente jeitosa, para o bem estar dos portugueses. Assim de repente não me lembro de nenhuma, mas calculo que haja.


Agora, que é o terceiro maior partido e o vice-lider da oposição, lembrou-se que seria boa ideia acabar com as portagens na A6 para as empresas e residentes na região. Coisa que, vá lá saber-se porquê, nunca lhe ocorreu nos muitos – demasiados, diria – anos em que governou. Isto depois de ter isentado tudo e todos nas restantes autoestradas que cruzam transversalmente o país. Mais vale tarde, mas se vêm à procura de votos desconfio que esperaram demasiado para mudar de ideias. Mais ano menos ano os velhinhos que ainda votam PS perdem as carta de condução e depois nem São Cristóvão lhes vale.


Curiosamente os comentários que leio sobre este assunto parece-me pouco simpáticos relativamente ao fim da portagem exclusivamente para residentes. Ou, talvez seja mais apropriado, bastante discriminatórios em relação a nós, alentejanos, e muito pouco inclusivos. Para já não falar de uma notória falta de empatia para connosco, todos os que habitamos esta região. Recordo aos invejosos, que por cá não temos passes a quarenta euros para uma panóplia de transportes nem, ao contrário do que acontece com outras regiões, acesso a um infindável conjunto de serviços públicos. Apesar de pagarmos os mesmos impostos.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Equilibrio rigidamente precário

Tem havido ultimamente uma enorme discussão em torno das alterações que o governo pretende introduzir no chamado pacote laboral. Não é coisa, confesso, que me interesse muito. Até porque faço hoje, precisamente hoje, quarenta e cinco anos de trabalho e, com sorte, dentro de alguns meses tudo o que envolva trabalho deixa de me interessar. Ou, pelo menos, de me dizer respeito.


Por agora, relativamente aos desaguisados que a matéria tem suscitado, foco-me apenas em dois dados. Ambos, aos que julgo saber, bastante fiáveis por virem de fontes credíveis amplamente citadas por gente reconhecidamente sabedora do tema. Um é que Portugal é o segundo país da União Europeia com mais trabalhadores precários. O outro é que o país ocupa a terceira posição, também na UE, entre as legislações laborais mais rígidas. Assim de repente, parece-me, é capaz de uma coisa estar relacionada com a outra. E o melhor, provavelmente, é deixar estar assim. Quando grande parte dos patrões são broncos e quase todos os sindicatos são marionetas de um partido que luta pela sobrevivência política, o mais ajuizado é não mexer. Desequilibrar, seja para que lado for, só vai piorar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Retorcer a história

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Vai-me faltando a paciência para aturar malucos. Até porque, já garantia a minha sábia avó, um bêbado e um maluco nunca se contrariam. Nem, acrescento eu, um drogado. Isto a propósito das interpretações manhosas que muitos andam por aí a fazer dos acontecimentos que tiveram lugar faz agora cinquenta anos. Que sob o efeito de substancias de diversas estirpes, licitas ou não, devido a problemas que a psiquiatria pode, eventualmente, explicar ou por dificuldades provocadas pela cegueira ideológica há criaturas empenhadas em reescrever a história. Podem fazê-lo à vontadinha. Espaço público e tempo de antena têm-no de sobra. Infelizmente para eles o 25 de Novembro foi o que foi. Por mais contorcionismo narrativo que façam, nada altera o que aconteceu naqueles dias. Os derrotados foram o PCP e todos os outros que se situavam à sua esquerda. Foi assim. Os tipos que faziam manchetes com a da imagem, se ainda forem vivos e mantiverem a lucidez, concordarão comigo.


Obviamente que pretender equiparar a importância desta data com o 25 de Abril é simplesmente parvo. São incomparáveis e quem o pretende fazer também não percebe nada do que se passou naquela época. Mas, como escrevi, não tenho paciência para discutir com badalhocos. Limito-me a sorrir com condescendência perante aqueles que, apesar de apenas terem nascido décadas depois, me querem convencer que verdadeira é a história que eles contam e não aquela que eu vi acontecer à minha porta.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Pagagaios

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“É preciso uma visão global para a saúde”, proclamou aquele indivíduo que ocupa o palácio de Belém e que, há quem assegure, é o presidente – propositadamente com letra minúscula – de todos os portugueses. Trata-se de um diagnóstico brilhante. Tão brilhante que até eu era gajo para fazer. Alarvidades dessas digo eu a toda a hora e ganho bastante menos. De resto, quase toda a gente tem a visão que globalmente a saúde está com os pés para a cova.


Por falar em alarves. Amanhã temos mais uma greve da função pública. Ou não fosse sexta-feira. Estava com esperança que, desta vez, a luta envolvesse a diminuição da carga fiscal sobre os salários, nomeadamente o IRS, ou a diminuição da quotização da ADSE de 3,5% sobre catorze meses para 1,5% sobre doze. Mas não. Apesar de essa ter sido uma promessa da lista vencedora das eleições para os corpos directivos daquele sistema de saúde, que integrava representantes dos sindicatos, o silêncio acerca do tema tem sido sepulcral. Nem reivindicam, sequer, que o valor descontado possa ser deduzido em sede de irs, como acontece com os seguros de saúde dos trabalhadores do sector privado.
Obviamente que os tipos dos sindicatos, coitados, não têm grande culpa. Afinal, limitam-se a papaguear o que os seus mentores lá do partido mandam dizer. Que eles falam, falam, mas eu não os vejo a fazer nada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A liberdade dos outros é uma chatice

Impressionante a quantidade de criaturas incomodadas com as declarações de Cristiano Ronaldo em que este confessa a sua admiração por Donald Trump. Pior ficaram com o anuncio que o futebolista seria recebido na Casa Branca pelo Presidente Americano. Uma parvoíce. Como se o homem não tivesse o direito a ser admirador de quem muito bem entender. Gostam muito de apregoar liberdade, berrar contra o fascismo e proclamar solidariedade com os oprimidos, mas rasgam as vestes quando os outros não seguem a cartilha que a esquerda quer impor ao mundo.


Por mim, como democrata, amante da liberdade e nem por isso grande fã do CR7, acho muito bem que o melhor futebolista português de todos os tempos ou qualquer outra criatura à face da Terra, faça uso pleno dos seus direitos. Cívicos ou outros. Gosta do Trump? É lá com ele. No Benfica, já tivemos um jogador — Fabrizio Miccoli — tão devoto do Che Guevara que até se tatuou com a imagem do revolucionário e não me lembro de ninguém, benfiquista ou não, se ter importado com isso.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

(De)bater no ceguinho

A longuíssima maratona de debates entre candidatos presidenciais, a menos que resolvam incluir o Vieira, será um não menos desmesurado bocejo. Do debate de ontem retenho apenas aquilo dos estrangeiros que vêm para Portugal tratar da saúde à borla. À borla para eles, que os custos ficam por nossa conta. Que não, garante o Seguro e os gajos que fazem a “verificação dos factos” corroboram. Os estrangeiros pagam e os que ficam a dever é problema do funcionamento do sistema. Claro que sim. A gente acredita. Até porque, já dizia o outro, para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade. O caso das gémeas brasileiras, transformadas em portuguesas de gema da noite para o dia, é por demais elucidativo. Por mais que se esforcem em dourar a pílula.


Quanto ao resto foi mais do mesmo. Um candidato choninhas, um fala barato e comentadores que antes de abrirem a boca já sabemos o que vão dizer. Se debatentes fazem o seu papel e cada um escolhe, legitimamente, as suas estratégias, de quem comenta espera-se outra atitude. Desejavelmente mais séria. Mas não. Estas criaturas, como sempre, parecem os pastorinhos de Fátima. Ou os árbitros do futebol português. Vêm coisas que mais ninguém vê. Tem corrido bem, como sabemos. E por falar em futebol. Aquilo ontem foi um empate de zero a zero. Total inoperância do ataque, a defesa só deu porrada e o meio campo passou o tempo a vê-las passar. A continuar assim descem ambos de divisão.

domingo, 16 de novembro de 2025

“Aos olhos da inveja todo o sucesso é crime.”

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O Correio da Manhã chama hoje para a primeira página a “fortuna” dos ministros. Conclui, presumo que com muito espanto e bastante horror, que os dezassete ministros acumulam no seu conjunto um património total de quase vinte e um milhões de euros. Toda esta riqueza, entre outras coisas, incluirá prédios, terrenos, automóveis, acções ou depósitos bancários. Se, como informa o dito pasquim, apenas três ministras acumulam quase doze milhões restam apenas pouco mais de nove milhões para os restantes catorze. O que dará, em média, pouco mais de seiscentos e sessenta e quatro mil euros por cada um. Realmente um escândalo, como a noticia parece pretender dar a entender e como a mesma é comentada nas redes sociais por uma multidão de invejosos. Gente que, certamente, preferia ser governada por indivíduos com a conta-ordenado no vermelho, vivessem num Tê zero na Rinchoa e se alimentasse à base de latas de atum compradas em promoção.
A falta de noção é mesmo tramada. Como se alguém com um património dessa dimensão pudesse, mesmo em Portugal, ser considerado rico. Tanto assim é que, ainda não há muitos anos a segurança social pagava RSI a uma família de feirantes que tinha um milhão e setecentos mil euros no banco. Ou – uma história mais antiga - a uma outra que ganhou uma maquia choruda no Totoloto, mas que ainda assim continuava a receber o RSI “por não ter liquidez”, como justificavam as entidades “competentes” nessa coisa de distribuir o dinheiro que nos custa a ganhar.
Se há sentimento que me aflige é a inveja. Nomeadamente quando a mesquinhez envolve os pertences ou o sucesso dos outros. Neste caso nem sequer parece haver muito para invejar. A esmagadora maioria dos invejosos que hoje invectivaram os membros do governo, esturrariam todo esse património enquanto o Diabo esfrega um olho. E quando o Belzebu esfregasse o segundo já estariam endividados.

sábado, 15 de novembro de 2025

É só fumaça...

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Tenho dificuldade em perceber o alarido que por aí anda por causa da greve, supostamente geral, que o Partido Comunista resolveu promover na sequência de mais uma hecatombe eleitoral. Não será a última. Hecatombe, greve geral patrocinada pelos comunistas logo se verá. Mas, escrevia, não se justifica tamanho basqueiro. O país não vai parar e tudo aquilo que ainda vai funcionando nos outros dias também funcionará nesse. Quando muito meia dúzia dos poucos comunas que ainda restam poderão paralisar as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, impedindo muita gente, nomeadamente os mais pobres, de ir trabalhar. Ou seja, os do costume a prejudicar, como sempre, os que mais precisam. Nada que incomode os mentores destas iniciativas, que têm tanto apreço por quem trabalha como o Ventura pelos ciganos. No restante país a vida continuará, como sempre, indiferente aos entusiasmos revolucionários. Na instituição onde trabalho o único sinal de greve será, quando muito, a presença pela manhã de dois ou três sindicalistas à porta do edifício. E, mesmo assim, por pouco tempo que eles não são parvos e o sindicalismo não lhes põe o pão na mesa. Como dizia o outro: “a luta é muito bonita, mas convém ser só até à bucha. Depois tenho mais que fazer”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Em estando pago, pago está!

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O pagode queixa-se de tudo. Agora, lá porque o governo anunciou a intenção de alterar a data de pagamento do IUC para o mês de Fevereiro de cada ano, surgiu um coro de lamentações, protestos e divagações várias. Pagar duas vezes em três meses é uma violência, vi eu escrito e ouvi, algo parecido, na televisão. Pagar impostos, sejam eles quais forem, é sempre uma violência. Mas, se o raio do imposto é anual, qual é a diferença? E depois é destas coisas, quem paga em Dezembro há já um ano que não paga. Daí que não tenha muito para se queixar.
O problema será, alegadamente, a falta de graveto. O que é pior. O “selo do carro” é uma parte ínfima, diria que até  a menor, dos custos que qualquer um tem de suportar com o automóvel. Reclamar da proximidade dos pagamentos é mais lamuria do que outra coisa. Não acredito que quem tem carro, por mais velho que seja, não tenha dinheiro para essa minudência.
Quando ouço estas queixinhas lembro-me sempre do tempo em que ganhava vinte e poucos contos por mês e me cobraram trinta e cinco de seguro. Uma quantia mais elevada do que aquela que recebi quando, um ou dois anos depois, vendi o carro. Perante os meus protestos o tipo da seguradora, provavelmente farto de me ouvir, atirou: “Não tem dinheiro para pagar o seguro?! Ná, você não tem é dinheiro para ter carro!”. Ficou-me cá.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Era um muro muito engraçado...

Fez no Domingo passado trinta e seis anos que caiu o Muro de Berlim. Por incrível que pareça, o acontecimento passou despercebido nas nossas televisões, sempre tão zelosas em assinalar efemérides de gloriosa irrelevância. É natural, pois para as redacções actuais a queda do muro continua a ser um trauma mal resolvido. Um daqueles episódios infelizes em que a realidade insistiu em destruir mais um “paraíso na Terra”.


Seja pelo silêncio em torno deste tema, por burrice ou por ser o que lhe ensinam em casa ou no partido, uma jovencita comunista partilhou um texto sobre a queda do muro onde, a linhas tantas, considerava que “o muro foi construido para impedir que os alemães migrassem em massa de Berlim Ocidental para Berlim Leste. Goste-se ou não foi assim.” Numa primeira leitura, até pela falta da virgula, acreditei que se tratava de uma conta paródia a escrever piadolas. Só que não. A menina está convicta da sua verdade e, por mais que inúmeros comentadores a chamem à razão, não se “desmonta da burra”. Nem o facto de as pessoas terem corrido para o lado de cá a demove. 


É neste caldo de estupidez mascarada de inteligência que se revela o papel miserável da comunicação social actual. Um jornalismo que já não informa, catequiza. Que não questiona, lambe. Que vê na miséria planificada da RDA um modelo de justiça social. É chato que o povo prefira o “inferno capitalista” à alegria cinzenta das filas para comprar manteiga, mas, c'um catano, se tanto apreciam o encanto da RDA, façam o favor de a reconstruir no vosso quintal. Um muro, uma cancela, ração mensal e vigilância da vizinhança. A experiência será educativa. E, melhor ainda, não incomodam ninguém.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Ah e tal...fake news e isso....

A BBC foi, durante décadas, um farol da informação credível. Um daqueles nomes que se dizia com respeito, quase com reverência. Hoje, a dúvida sobre se ainda o é tornou-se mais do que legítima, é inevitável. Se fazem aquilo com o Trump — que, convenhamos, é “apenas” o Presidente do país mais poderoso do mundo e aliado histórico do Reino Unido — imagine-se o que não farão com um Zé-Ninguém desta vida, o borra-botas do costume ou qualquer outro desafinado com a partitura ideológica da moda.
O pior nem é isso. O pior é que, se uma estação com os pergaminhos da BBC já torce a informação como quem espreme um limão seco, não se pode esperar que os seus congéneres pelo mundo fora façam diferente. É o festival da manipulação, cada qual a tentar impingir ao público as percepções mais convenientes. Aliás, só um ceguinho — daqueles que se esforçam mesmo muito para não ver — é que ainda acredita na independência e na imparcialidade da imprensa ocidental. E, muito menos, no profissionalismo dos jornalistas que a servem.
Por cá a comunicação social nem se dá ao trabalho de esconder o que a move. A isenção morreu e ninguém se deu ao trabalho de fazer o funeral. Basta abrir o jornal da minha terra. Deve ser por isso que não faltam figurões a clamar pelo controlo das redes sociais e, se possível, pelo seu fim. Eles lá sabem porquê. E nós também.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Operação betoneira

Nunca gostei de lugares donde não possa sair rapidamente se isso for coisa que me apeteça. Não podia, caso tivesse nascido palestiniano, dedicar-me à tão nobre missão de aterrorizar. Andar metido em túneis não é para mim. No entanto, a malta de lá tem um fraquinho por essas actividades. Diz que gostam tanto ou tão pouco daquilo que apesar da guerra ter acabado – mais ou menos, pronto – preferem manter-se nos subterrâneos apesar das IDF insistirem que isso não é uma grande ideia. Nomeadamente porque, para além da humidade e da falta da luz solar, aquilo está a ser inundado com água do mar e selado com toneladas – muitas, segundo os relatos conhecidos – de cimento. Cento e cinquenta terroristas terão ficado lá dentro. Não se sabe ao certo em que condições. Nem, sequer, se entre o material armazenado, destinado à prática do terrorismo, restam ainda escafandros, escopros, martelos ou, vá, uma bomba que lhes acalente uma vaga esperança de evacuar a área.
Apesar das noticias acerca do assunto serem contraditórias, há quem acredite que os israelitas sabiam da forte probabilidade de existirem criaturas – ainda que desprezíveis - no interior. Por mim, prefiro pensar que taparam o buraco errado com as pessoas certas lá dentro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Borlas, borlas e mais borlas...

Parece que o Partido Socialista terá apresentado uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado para 2026 visando a criação de um regime de isenção de portagens, nos troços da A2 e da A6 que atravessam o Alentejo, aplicável a residentes e empresas com sede na região. Trata-se, ao que julgo saber, da única via que atravessa o país em que se paga portagem. Uma discriminação contra a qual me manifestei em diversos posts neste blogue ao longo dos últimos anos. Assim que me recorde, o PS terá estado – em geringonça e sozinho – cerca de nove anos no poder. Torna-se evidente que, para bem do país, é imperioso que fique muitíssimos mais fora dele. É que governa muito melhor quando está na oposição.


A esquerda portuguesa rejubila com a eleição do socialista/esquerdalho/muçulmano – um tipo cheio de defeitos, portanto – para presidente daquela cidade que, há vinte e quatro anos, sofreu o maior atentado terrorista de que há memória. Cometido, convém nunca esquecer por uma quadrilha de muçulmanos. Fica-lhes bem esta alegria. Até porque o homem promete implementar uma quantidade de medidas muito do agrado da malta da canhota. Algumas, confesso, também as considero bastante aprazíveis. Nomeadamente aquelas que envolvem congelar rendas e criar uma rede de mercearias municipais. De certeza que vai correr bem…

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Não se metam com o mercado...perdem sempre!

Diz um estudo qualquer — muito citado por cá nos últimos dias — que Portugal é o nono país da Europa com mais trabalhadores em risco de pobreza. Talvez seja. Apesar disso, haverá certamente outros indicadores em que estaremos ainda piores. No fundo, tudo em linha com o nosso honroso lugar no ranking do PIB per capita.


Deve ser a pensar nisso que o PCP propõe, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado, um aumento do salário mínimo para mil e cinquenta euros mensais. Por mim, parece-me bem. Até podia ser mais. O mercado, que é um gajo esperto, depressa se ajustará a esse novo valor e o salário mínimo continuará a valer tanto como agora. As pastelarias e os restaurantes aumentarão os preços para compensar os custos, os senhorios darão mais um esticão nas rendas e, em geral, tudo subirá para refletir o novo “poder de compra” dos bolsos do consumidor. Ou seja, ficará tudo na mesma. Talvez um bocadinho pior. Sobretudo para todos aqueles que ganham apenas um pouco mais, os deserdados do regime. Uma imensa maioria que, com os seus impostos, sustenta estes devaneios e que, a cada demagógico e populista aumento do salário mínimo, vai ficando um pouco mais pobre.

domingo, 2 de novembro de 2025

Malucos...

Pela Europa os esfaqueamentos seguem a bom ritmo. É a vida. Os europeus têm de se habituar. Mais do que isso. Têm de respeitar as civilizações – há quem insista em considerar esse modo de vida uma civilização – onde esfaquear quem não segue a mesma ideologia religiosa é uma cena comummente aceite. Há, apesar dessa ideologia ser incompatível com o nosso modo de vida, que respeitar o sagrado direito a esfaquear pessoas. Mas nada temeis, os governos locais reagem sempre com firmeza e condenam veementemente o sucedido. Seja lá o que for que isso queira dizer. No entretanto garantem, invariavelmente, que se trata de um acto isolado perpetrado por um maluco qualquer. Tal como foram todos os outros cinquenta e quatro mil cometidos no ano passado em território europeu. Isto enquanto prossegue a bom ritmo a caça a todos os que incitam ao ódio contra os esfaqueadores sugerindo, nas redes sociais ou de viva voz, que vão esfaquear para a terra deles.


Por falar em malucos. Ontem estavam quatro a debater – sendo que um é jornalista e devia abster-se dessas lides – quando um deles resolveu abandonar o cenário. Sinto-me dividido acerca da opinião a adoptar perante o sucedido. Se siga a doutrina Prata Roque, segundo a qual sair é acto de coragem e contribui para a elevação do debate político ou a doutrina Rodrigo Taxa que, garante, abandonar é cobardia. Mesmo não sendo adepto da violência estou indeciso e quase inclinado para uma terceira via. Partir-lhes os cornos. Há quem esteja mesmo a pedi-las.

sábado, 1 de novembro de 2025

Limpem o cocó dos vossos filhos, pá!

 


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Noutros tempos — quando eu vivia no campo e a sanidade mental ainda não era artigo de luxo — os meus cães passavam largas horas do dia sem que eu soubesse do seu paradeiro. Os meus e os da restante vizinhança. Faziam a vidinha deles e ninguém se ralava com isso. 


Hoje, graças à epidemia de maluqueira que tomou conta das pessoinhas, um pobre cão já não pode ir dar uma volta — nem que seja até ao fundo da rua para esticar as patas — sem que um palerma qualquer decida que o bicho está perdido, abandonado ou em risco de depressão. Segue-se, invariavelmente, o alerta dramático para o Facebook, a que se sucede uma procissão de almas caridosas que partilham a preocupação. Centenas de malucos em desespero por causa de um rafeiro que só queria cheirar uma árvore.


Curiosamente, os mesmos anjinhos que entram em histeria com o cão alegadamente abandonado não se impressionam com os cagalhões que os seus próprios bichos vão deixando nos passeios. Estão habituados a conviver com isso, lá em casa. E o mais giro é que estas oferendas fecais são deixadas sob o olhar atento e complacente dos donos. Gente que se indigna com um penico deixado ao lado do contentor, mas acha perfeitamente natural não apanhar a merda que o seu filho peludo largou no espaço público. Ora, se o animal é mesmo um membro da família ou, segundo alguns, o rebento de quatro patas então cumpram o vosso dever de pais e limpem. Tal como limparam - espero eu - a do irmão pelado.