terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Em cinquenta anos não aprenderam nada...

O pior inimigo de um pobre é outro pobre que se acha rico e que defende aqueles que o tornam pobre”. Vejo esta frase replicada vezes sem conta, nomeadamente em altura de eleições, em inúmeros perfis das redes sociais de gente ligada, de uma ou outra maneira, aos sectores mais à esquerda da sociedade. Por norma merece aplausos entusiásticos de pessoas que se identificam com ela, que tratam de a partilhar e, também, reproduzir em público. Até a mim, confesso, me apetece fazê-lo de tão brilhante e motivadora que a acho. É mais uma coisa – entre muitas outras – que estou de acordo com esse pessoal. A ideia expressa por um autor desconhecido – pelo menos para mim, que sou um ignorante nestas cenas das filosofices – não podia ser mais verdadeira. De facto o maior inimigo de um pobre é outro pobre que defende quem cria pobreza. Ou seja, quem aprecia o socialismo e demais políticas esquerdalhas. Que o digam, entre outros, os cubanos, norte-coreanos e todos os povos que tiveram o azar de nascer do lado de lá da antiga “cortina de ferro”.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

"Herança social"?! Não há limites para a falta de vergonha...

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Detesto ladrões e invejosos. São criaturas pouco recomendáveis das quais, sempre que posso, procuro manter uma salutar distância. Entre outras constituem também duas das principais razões para fugir, como Maomé do toucinho, dos partidos de esquerda.
Não digo – nem, sequer, insinuo - que o programa eleitoral do Livre foi escrito por ladrões. Seguramente que não. Mas algumas das propostas apresentadas configuram um verdadeiro assalto aos bens das pessoas, provavelmente em resultado de um sentimento de inveja mal disfarçado. Entre outras, a ideia de criar um imposto sobre as heranças para financiar a tal “herança social”, dificilmente poderá ser chamada de outra coisa que não roubo.
Acredito que PNS terá igual intenção. Só não quer – nem pode – dizer, para não assustar os velhinhos que, certamente, não iam gostar de saber que o resultado do seu trabalho e das suas poupanças vai servir para financiar a malandragem. E eu, que já não vou para novo, também não tenho interesse em financiar invejosos.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Livra!

A esquerda sempre gostou de proibições. Adora proibir. Seja o que for. Não admira pois que à medida que se vão conhecendo os programas eleitorais dos partidos daquele espectro político o rol de cenas com que a esquerdalha se propõe acabar vá aumentando.


O Livre – curioso nome para um partido que gosta de proibir – inscreveu no seu programa eleitoral a proibição de abertura aos domingos das grandes superfícies comerciais porque, justificam, “a situação actual favorece os maiores espaços em relação ao comercio de bairro ou de proximidade, além de prejudicar dinâmicas familiares”. Provavelmente poucos se recordarão que, com os mesmos argumentos isto já foi posto em prática durante uns tempos. E, obviamente, não resultou. Nem para os tais comerciantes de bairro – que na altura já eram poucos e agora ainda são menos – nem para os trabalhadores do sector. Estes seriam mesmo os mais afectados. Quer pelo desemprego quer pela quebra de rendimentos. Situações que, como qualquer pessoa percebe, costumam contribuir para excelentes dinâmicas familiares. Mas disso pouco sabem os tipos do Livre. Na bolha onde habitam esses problemas não os afectam, logo não existem.


Mas sim, haverá de certo quem aprecie esta ideia. Os comerciantes das lojas dos chineses, nomeadamente.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Nem todos podem morar na praça...

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Umas centenas de criaturas mal-apessoadas manifestaram-se mais uma vez pelo direito à habitação. Direito esse que, tanto quanto sei, ninguém colocou em causa. Todos continuam a tê-lo. Desde que, obviamente, o paguem. Fazem-me confusão estas reivindicações dos manifestantes. Nomeadamente quando se acham no direito a ocupar propriedade privada, quando consideram que os senhorios têm o dever de lhes arrendar uma casa pelo preço que eles entendem e quando acham que têm o direito de morar onde muito bem querem, nomeadamente no centro das cidades, sem pagar mais por isso.


Por mim, que estou a recuperar uma vivenda para eventualmente colocar no mercado de arrendamento, dificilmente a arrendaria a qualquer uma das pessoas que aparecem nas televisões a mandar bitaites. Nem eu nem ninguém com juízo. Com aquele aspecto e aquele discurso o melhor é tentarem na Palestina, já que gostam tanto que nem numa manifestação sobre a habitação em Portugal largam a bandeira daquele território. Esta gentinha não percebe que um imóvel é sempre o fruto do trabalho de alguém que poupou e que não esturrou os seus recursos em futilidades. Daí que seja normal que qualquer proprietário procure rentabilizar o investimento. Não conseguem pagar? Temos pena, mas tudo na vida tem uma alternativa. É procurá-la.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Beneficiar o infrator

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Por que carga de água é que a posse – ou a tutoria, vá – de animais de estimação dá direito a benefícios fiscais?! Nomeadamente no IRS. Além de alimentação dos bichos, se adquirida através de associações protectoras da bicharada, beneficiar de isenção de iva. Deve ser para depois fazerem – os donos, que a canzoada não tem culpa – javardices destas à porta dos outros. Que, lamentavelmente, ficam sempre impunes. Numa altura em que – e bem - se quantificam as despesas que decorreriam do aumento das pensões, da redução dos impostos sobre o trabalho e de outras medidas destinadas às pessoas ignoram-se todos os custos derivados da alucinação colectiva pelos animais de estimação. O que é pena. Pois se alguém um dia fizer as contas aos “investimentos” das autarquias em parques caninos, taxas de registo e licenciamento não pagas, benefícios fiscais e custos ambientais associados à inusitada proliferação desta bicheza nos centros urbanos terá uma desagradável surpresa.


Se calhar sou só eu que reparo nestas coisas, mas é impressão minha ou são apenas os cidadãos “brancos” que são afectados por esta maluqueira da adoração pelos animais? É que nunca vi um negro ou um asiático a passear um cão…

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Negócios com futuro

Com a mais que provável vitória do PS nas próximas eleições e consequente formação de uma nova geringonça, assistiremos a uma vaga de nacionalizações. Eles já nos andam a preparar. Mas nem valia a pena. O pessoal - ao que leio e ouço mesmo a pessoas que eu julgava que tinham juízo – não só está preparado, como até parece ansioso para que isso aconteça.


Como todos sabemos o Estado faz sempre bons negócios e é um óptimo gestor. Veja-se o caso da TAP e da CP. Depois de anos e anos de prejuízos bastou o Estado intervir para darem lucro. Seguir-se-ão os jornais e as rádios. Parece até haver um clamor nesse sentido. Ainda que, atendendo às tiragens médias, se calhar nem cinco por cento da população tenha por hábito comprar o jornal. Mas isso não interessa nada. Trata-se de um sector estratégico para o poder e com a sabedoria que caracteriza a gestão pública aquilo depressa começa a ser, também, uma actividade lucrativa.


Vão ser tempos divertidos, os que se aproximam. Mais ainda do que os do PREC. Nesses, sei porque estive lá, a diversão foi mais que muita. Agora, com redes sociais e muito mais informação, a galhofa será bastante maior. Espero que não me desiludam e estejam ao nível, no mínimo, do companheiro Vasco. Fico ansiosamente a aguardar pelo controlo público dos sectores estratégicos para a economia do país e, também, de outros não tão estratégicos quanto isso. Se, então, garantiam que “nacionalizar até as tabernas”, não se esqueçam agora de nacionalizar aquela loja que vende CD’s e disquetes e que estará em risco de fechar porque o senhorio aumentou a renda…

domingo, 21 de janeiro de 2024

E para coxos e marrecos, também é adequado?

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Estes novos conceitos todos modernaços não param de me surpreender. Agora são parques de estacionamentos adequados para LGBT não sei que mais. Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que um parque desta natureza se tratava de uma área especificamente destinada ao aparcamento de automóveis. Podendo, eventualmente, uns serem exclusivos para ligeiros e outros para pesados. Ou, quando muito, existir uma ou outra limitação em função de outras características mais especificas das viaturas. Assim de repente não estou a ver o que importam as opções técnico-tácticas dos condutores para o acto de estacionar.


A menos que se destine a automóveis que não se identificam com a marca que lhes foi atribuída pela fábrica. Com esta cena da inteligência artificial não me admiraria. O meu Dácia deve ser desses. A julgar pelas multas de excesso de velocidade que já me arranjou deve ter a mania que é um Porche, BMW ou isso. Ou, quiçá, este espaço se destine a estacionamento exclusivo de carros que só pegam de empurrão ou com problemas na centralina.

sábado, 20 de janeiro de 2024

O brócolo da crise

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Não se trata de exemplar único, mas dada a sua imponência sobressai dos demais. Dariam, se os colhesse a todos na mesma ocasião, para um molho de brócolos. Daqueles jeitosos. À séria, mesmo. Nada de comparações com outras molhadas metafóricas de legumes desta espécie que se veem por aí a toda a hora. Essas, por mais que se multipliquem, serão sempre miseráveis.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Um automóvel a cada português é que era...

A coisa promete. A campanha eleitoral ainda nem começou e as promessas já são mais que muitas. As do Chega são as que têm dado mais conversa. Parece que são caras e a serem aprovadas levariam o país à ruína. Calculo que sim. O que me espanta é que de repente e ao contrário do que acontece com outras propostas igualmente alucinadas – e têm sido tantas só nos últimos anos – toda a gente sabe quanto custam e declara com veemência a sua impraticabilidade. A menos que me tenha escapado nunca vi, por exemplo, ninguém quantificar ou, sequer, chamar nomes ao Rui Tavares, do Livre, quando propôs a criação do Rendimento Básico Incondicional. Uma medida que para além de injusta, por dar dinheiro a toda a gente só porque sim, seria muitíssimo mais dispendiosa do que a do Chega sobre as pensões. Deve ser sina dos partidos de um homem só, como é o caso destes dois, apresentarem medidas completamente desfasadas da realidade, chamemos-lhe assim.


Ando a dizer há anos que Chega, PCP e BE não são muito diferentes uns dos outros. A diferença, quando muito, estará mais no que fumam ou no que bebem. O que justifica, se calhar, que aqui no Alentejo muitos votantes do PC e do BE escolham agora o partido da extrema-direita. Bem visto, bem visto, nem precisaram de mudar de ideias. Veja-se, por exemplo, a retórica sobre os “grandes grupos económicos”, o “grande capital” ou a banca que os extremistas de esquerda fazem diariamente e os impostos que o Ventura ameaça lançar para se perceber que aquilo é tudo igual.


Seja como fôr, nisto de deitar contas às promessas eleitorais - uma preocupação nova, como referi - os custos não deviam ser mensurados em milhares de milhões de euros. Isso é dinheiro que está para além da minha fraca compreensão. Se me explicarem, sei lá, em TAP's, CP's ou resgates bancários talvez perceba melhor.


 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O último a rir...

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Muito se tem falado e escrito nos últimos dias acerca de migrações. De cá para lá e de lá para cá. Se bem que um e outro “lá” sejam sítios diferentes. Tão diferentes como as pessoas que saem são diferentes das que entram.


Há quem não se mostre especialmente preocupado com a fuga de jovens portugueses em direcção ao estrangeiro. É uma inevitabilidade, dizem. Será, mas muitos deles não tinham necessidade nenhuma de o fazer. Mesmo com salários mais altos e impostos mais baixos, acredito que nem todos ficarão a ganhar muito por demandar outras paragens. Se calhar, em muitas circunstâncias, é mais uma moda.


Não falta também quem delire e transborde de alegria ao assistir à invasão de estrangeiros pobres e pouco dispostos a adoptar o modo de vida da terra que os acolhe. Todos os que já cá estão – e muitos mais, provavelmente – serão necessários para que o país funcione. Mas parece ser do mais elementar bom senso exercer alguma selectividade na escolha de quem recebemos. E, já agora, penalizar alguns comportamentos. Deles e nossos.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Triplicação dos salários, já!

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Nem sei como ainda há quem tenha a ousadia – o topete, diria – de questionar as evidentes melhorias do país nestes quase nove anos de governação socialista. O caso dos salários, por exemplo. Aqueles que afirmam que o PS apenas se preocupou em aumentar o SMN estão redondamente enganados. Houve até quem visse o salário aumentado no triplo. Não todos, obviamente, mas é destas coisas, tinha de se começar por algum lado. E que se comece pela malta amiga que se escolheu para gerir a empresa que nacionalizámos não me parece descabido.


Razão têm aqueles que não gostam dos privados. São uns unhas de fome, esses privados. Só visam o lucro, os malandros. Já viram algum dar aumentos desta grandeza? Ah, pois é… Exploram os trabalhadores e pagam salários de miséria, os patifes. O melhor mesmo é nacionalizar as empresas todas – nacionalizar até as tabernas, já! - e triplicar os ordenados da classe operária. E das outras, também, que não queremos cá discriminações em função da actividade laboral desempenhada. Tanta generosidade salarial vai dar em prejuízos?! Nada disso. O Estado mete lá o dinheiro que for preciso para aquilo dar lucro. Se resultou na TAP e na CP, como é que não vai resultar nas outras? Que falta de literacia que tem esta malta da oposição, pá! Porra, que até aborrecem.

sábado, 13 de janeiro de 2024

O "lhes" é o Diabo do Bloco?!

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Pela habitação. Não lhes dês descanso” é um dos mais recentes slogans do Bloco de Esquerda. Sendo a habitação um problema para muita gente, parece-me bem que suscite preocupação a todas as forças políticas e que estas se empenhem em encontrar soluções. Fico é intrigado acerca do “lhes” que está ali pelo meio. Quem são os “lhes” a quem não devemos deixar descansados? As centenas de milhares de imigrantes que nos últimos anos chegaram ao país e que, obviamente, têm de morar em algum lado? As pessoas que arriscaram as poucas economias ou, por terem perdido o emprego, resolveram mudar de vida e investir no alojamento local? Os que, na sequência dos quase cem mil divórcios só nos últimos cinco anos, tiveram de procurar outro poiso?


Nem sei porque ainda me questiono. É óbvio que aquela malta se está a referir aos senhorios e especuladores tipo Robles. Todos uns patifes da pior espécie que merecem ser atirados escadas abaixo. Como, talvez inspirados pelo slogan, fizeram um destes dias uns inquilinos caloteiros a um senhorio que teve o topete de lhes bater à porta a exigir o pagamento da renda. É isso e partir a casa toda. Costuma resultar em mais casas no mercado e a preços mais em conta. Seguramente a falta de descanso que este comportamento “lhes” proporciona irá, de certeza, contribuir - e muito - para a resolução do problema habitacional. Mas isso pouco importa ao BE. Aquela gente não existe para encontrar soluções. Apenas sobrevive criando problemas.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

É cultura...

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São recorrentes as noticias acerca de coisas estranhas que acontecem nos museus. Nada que envolva fantasmas, fantasias de vária ordem ou qualquer outra cena fantástica. Nada disso. É mais acerca de óculos esquecidos no chão, bananas coladas na parede – burriés também, embora isso seja uma arte menor – ou peças sanitárias feitas em cacos. Tudo objectos que suscitam a atenção dos visitantes, que os apreciam com ar de entendidos no assunto enquanto se entretêm a divagar acerca da mensagem que o artista pretendia transmitir.


Não vejo nada de mal nessa actividade contemplativa nem, menos ainda, que a malta da cultura se aproveite da crescente imbecilização da sociedade para orientar uns trocos. Pelo contrário. Podiam, até, aproveitar para expandir o “negócio” com a introdução de novas modernaças tendências culturais. Uma exposição de merda de cão, por exemplo. Nela os apreciadores dessas artes poderiam apreciar uma vastíssima panóplia de criações artísticas que, de certeza, os deixaria boquiabertos perante a diversidade existente neste segmento cultural. Se precisarem de um curador estão à vontade.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

A culpa é sempre de quem dá mais jeito

O liberalismo funciona” é um dos principais slogans da Iniciativa Liberal. Apesar de algumas evidências, confesso o meu cepticismo acerca de tão peremptória afirmação. Nomeadamente quanto ao seu funcionamento pleno nos países do sul da Europa ou da América Latina. Relativamente aos últimos, o Chile não vale por motivos sobejamente conhecidos.


Contudo, desde que Javier Milei, tomou conta dos destinos da Argentina, as minhas convicções começaram a ficar abaladas. Se calhar funciona mesmo. Isto porque, após quase nove anos consecutivos de governos socialistas, por cá a culpa de todos os males do país ainda é do anterior governo de direita. Já no país das pampas, um mês depois do homem começar a implementar a sua agenda ultra-liberal, a culpa é do tal Milei e não dos governos peronistas que o precederam. É obra.


A bem dizer não tenho grande informação acerca do que se está a passar na Argentina. Limito-me a interpretar os muitos comentários que vou lendo e discursos que vou ouvindo, feitos maioritariamente pelo povo de esquerda, acerca da situação política que se vive nos dois países. Lá quem governa há um mês já tem culpa da tragédia em que aquilo está. Cá quem governa há oito é completamente alheio a tudo o que está mal. Mais umas explicações do pessoal do PS acerca dos problemas do país e fico completamente convencido quanto ao que funciona e ao que não anda nem desanda…

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Nacionalize-se tudo. Até a mãezinha que os pariu.

A propósito da crise numa empresa detentora de vários órgãos de comunicação social, não falta quem defenda a nacionalização dos jornais e da rádio detidos pela empresa em causa. Bom, não de todos. O desportivo “O Jogo” não entra nas exigências desses desmiolados. A menos que me tenha escapado, ninguém até agora reivindicou que o Estado tome conta naquilo. O que significa que pode muito bem fechar que não faz diferença nenhuma. Lá está o Benfica a mandar nisto tudo, como dizem os Dragartos.


Mas, futebolices à parte, por que raio há-de o Estado nacionalizar dois jornais e uma estação de rádio? Mesmo deixando de lado as vendas miseráveis dos primeiros, a baixíssima audiência da segunda e a falta de independência face ao poder político que resultaria da intervenção estatal, que beneficio tirariam daí os contribuintes? Até porque, recorde-se, já pagam o serviço público de rádio e televisão na factura da luz para sustentar a Antena Um e a RTP. Ou querem que paguemos também um “serviço público de imprensa”?! Podia, como o outro, sugerir que nacionalizem também a puta que os pariu. Mas é melhor não dar ideias.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Guito, pilim, graveto...

Uma criatura conhecida por mandar bitaites nas televisões terá feito, segundo a própria, um escarcéu numa padaria por lhe terem exigido o pagamento por via eletrónica de uma conta de cinquenta cêntimos, não aceitando que a cliente pagasse em metálico. A situação tem constituído motivo de chacota nas redes sociais, não faltando quem pretenda ridicularizar a senhora e todos aqueles que, veja-se o desplante, ainda insistem em usar essa coisa do dinheiro vivo quando têm ao seu dispor tantos outros meios de pagamento muito mais modernos. E também higiénicos, como alguns sublinham.


Terão todos muita razão. O combate à corrupção, à criminalidade, à fuga ao fisco e mais o que se queira pode, até, justificar muita coisa. O dinheiro digital, pela pegada que deixa atrás de si, será uma arma de extrema importância nessas lutas. Mal estaremos é se em nome disso acabarmos com o dinheiro físico. Nesse dia é a liberdade que está em causa. Os governos ficam com a possibilidade de fazerem o que quiserem com o dinheiro dos cidadãos e, no limite, de determinarem onde, quando e quanto podemos gastar o que é nosso.


Não faltam, ainda assim, adeptos da abolição do papel-moeda. Gente modernaça e com muitas preocupações sociais, fiscais e outras que tais. Provavelmente como pouca experiência de vida ou muito guito digital para gastar, também. Experimentem, então, chamar um canalizador para substituir aquela torneira que irritantemente não para de pingar, um electricista para trocar o interruptor que deixou de funcionar, um carpinteiro para trocar o puxador que se partiu ou outro especialista de outra especialidade qualquer. Quando chegar a hora do pagamento ele conta-lhes uma história. Se gostam de histórias, tudo bem. Eu, destas, dispenso-as.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Resumo do congresso do PS

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Após oito anos consecutivos a governar e com o país em cacos, o único discurso que conseguem articular é que a culpa é do governo que os antecedeu e que foi obrigado a aplicar o programa assinado pelo PS com a Troika, após Guterres e Sócrates terem falido o país.


Fazem-me lembrar o Belenenses quando há uns anos, apesar de no campo descer de divisão, conseguia na secretaria evitar a despromoção. A equipa era péssima, não jogava nada, mas o departamento jurídico era de excelência e encontrava sempre uma maneira de manter o clube na primeira liga. Assim é o PS. Deplorável a governar mas excelente no marketing.


A estratégia, muito provavelmente, vai dar resultado. Porque, garantem, vão continuar a fazer exactamente a mesma coisa, mas desta vez é que vai resultar. Esta estratégia diz muito acerca de quem a promove, mas diz muitíssimo mais acerca de quem acredita nela. É como aqueles apostadores que perdem fortunas, mas continuam a apostar nas esperança de acertarem na próxima. Todos sabemos como acabam…

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Chalupas

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Chalupas há muitos. Cada vez mais, parece-me. A maior parte deles à solta e a pregar a sua chalupice. O que faz algum sentido, pois de um chalupa não se espera outra coisa senão que diga – ou, como no caso, escreva nas paredes ou onde calha – as chalupices que lhe vão na sua cabeça de chalupa.


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Numa altura em que atravessamos um pico de mortalidade raramente visto, podia esperar-se que nas reuniões partidárias este assunto fosse discutido e pensadas medidas que o pudessem minimizar. Só que não. Preferem discutir a problemática da troca de bebés nas maternidades a mando, dizem, do Presidente da Republica. É o que dá os chalupas estarem em todo o lado. Até – quem diria - no Partido Socialista.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Negócios da China

Dia vinte seis do mês passado encomendei um item num desses sites em que podemos comprar quase tudo. O objecto, um cabo para carregamento de um aparato electronico, chegou hoje e foi entregue à minha porta. Vindo da China. Paguei por ele quarenta e cinco cêntimos, que incluem oito cêntimos de Imposto sobre o valor acrescentado que revertem para o Estado português. Os portes foram grátis. Desconfio da capacidade de produzir e transportar até ao outro lado do mundo seja o que for por trinta e sete cêntimos. Por maior que seja a quantidade de itens produzidos e transportados, parece-me que será necessária uma estratégia muito bem urdida para conseguir este milagre. Neste negócio terá sido a AT quem mais lucrou. Quase dezoito por cento do custo final do produto entrou nos cofres do Estado. Provavelmente nem o empresário, o Estado Chinês ou os CTT obtiveram um lucro daquela grandeza com esta transacção. Como é que se chama mesmo quem se aproveita do trabalho dos outros?


O objectivo inicial do post era apenas salientar a velocidade com que os bens circulam pelo mundo e a facilidade com que podemos comprar aquilo que precisamos. Deve ser a globalização, ou isso. E também a eficiência do capitalismo. Ou então, já que em causa está a China, do verdadeiramente verdadeiro comunismo. Aquele que está sempre ao lado e pronto a servir o povo consumidor.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O politicamente correcto mata...nomeadamente a democracia.

Tem sido amplamente noticiado nos principais órgãos de comunicação social nacional que dois cidadãos de nacionalidade brasileira terão sido violentamente espancados, por um grupo de dez jovens, quando se passeavam pela cidade de Gaia. Acrescenta a noticia que o crime terá tido conotações racistas e/ou homofóbicas. Eles lá saberão. A mim pouco me importam os motivos. Tanto se me dá que sejam esses ou outros quaisquer. Há só aqui dois pormenores – para além da pancadaria – que me irritam nestas coisas. O primeiro é que dez contra dois é cobardia. O segundo é a falta de vergonha nas trombas dos “jornaleiros”. Não têm problema nenhum em divulgar – às vezes, até, inventar – as alegadas motivações do crime e a origem nacional ou étnica, bem como outras opções de vida das vitimas, quando em causa estão estrangeiros ou uma qualquer minoria. Já quando as vitimas são portugueses e o crime é cometido por gente de fora ou por indivíduos dessas minorias, as origens e opções dos criminosos nunca são mencionadas. Reconheço que a culpa não pode ser totalmente atribuída a quem faz ou divulga a noticia. São essas as diretrizes oficiais. Mas, bardamerda para isso. A verdade acima de tudo. E se queremos ser honestos, informar com rigor e tratar todos por igual então que se lixe o politicamente correcto. É graças a ele que, se calhar, na noite de dez de Março os estúdios televisivos irão algumas ter semelhanças com o muro das lamentações...