domingo, 29 de novembro de 2020

A desolação de sábado de manhã

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Desoladora. É o que me ocorre escrever acerca da imagem. Num sábado normal, às nove e picos, neste local quase não havia chão onde pôr os pés. Agora está assim. O que até torna irónica a medida de limitar a quinhentas pessoas a lotação máxima do espaço onde decorre o mercado. Que, diga-se, é a céu aberto e se estende por uma área que equivalerá, mais coisa menos coisa, a dois campos de futebol. Apesar disso, como qualquer pessoa de bem reconhecerá, um local muito mais propenso à propagação do vírus chinês do que um pavilhão fechado onde, durante horas, estão enfiados mais de seiscentos malucos a discutir a melhor maneira de nos impor – nem que seja pela força – as suas ideias manhosas.

sábado, 28 de novembro de 2020

Tontos

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Tendo a confiar muito mais nos técnicos do que nos políticos. É cá uma coisa minha, esta ideia. Embora reconheça com facilidade que, como não pode deixar de ser, que a decisão seja qual for o assunto terá de ser sempre política. Afinal é para isso mesmo que os elegemos. Mas o que não faltam são exemplos de decisões tomadas ao arrepio das opiniões dos técnicos. Com os resultados desastrosos que, quase sempre, daí resultam.


Isto da vacina para a Covid é apenas mais um caso. Aquilo que alguns técnicos recomendam – e, provavelmente, nem entre eles será uma posição consensual – pode ou não ser seguido pelos decisores políticos. O que não pode é ser considerada por esses decisores, que de saúde pública perceberão tanto quanto eu percebo de cozinha polaca, como uma ideia tonta.


Não sei porquê mas a mim quando estou doente ocorre-me consultar um médico. Recorrer a um político para verificar o meu estado de saúde foi coisa que nunca me ocorreu. Uma tontice, certamente. Daí acreditar que um técnico de saúde saberá muito melhor do que um político quem deve, ou não, integrar os grupos prioritários de vacinação. E até a mim, gajo pouco letrado e completamente ignorante nesta cena da saúde, me parece razoável que quando se pretende travar a cadeia de contágio a prioridade seja vacinar quem espalha o vírus. Mas, lá está, isso sou eu a dizer. Que, reitero, não percebo nada disto nem tenho eleitores a manter.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

25 de Novembro, sempre!

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Tirando uma ou outra coluna de opinião, a comunicação social fez questão de ignorar a data que hoje se assinala. Os órgãos de soberania, também. Nem a uns nem a outros interessará recordar o fim do PREC. A efeméride causará um enorme desconforto, para não lhe chamar outra coisa, a quem actualmente governa e a toda a vastíssima panóplia de apoiantes e seguidores. Não me surpreende por aí além. O que me inquieta é o Partido Socialista, que contribuiu decisivamente para reduzir à sua insignificância toda a corja comunista que então mandava nisto tudo, ter-lhes aberto de novo a porta do poder. E hoje, pasme-se, parece envergonhar-se desse passado.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Coisas de socialista

O parlamento acaba de inventar mais uma taxinha. Trinta cêntimos sobre as “embalagens de utilização única adquiridas em refeições prontas a consumir”, que o incauto consumidor irá pagar a partir de Janeiro de 2022. O pretexto é o da moda. O ambiente. Que é uma causa fofinha e um peditório para o qual até fica mal não dar.


Enquanto isso uma proposta no sentido de dotar as forças de segurança de “body cams” não mereceu aprovação dos deputados. Devem ter medo que os polícias andem por aí a filmar coisas. Ou, então, é por causa da privacidade dos gajos que vão às trombas aos senhores agentes. Embora, atendendo à maioria que chumbou a proposta, me pareça legitimo desconfiar que também tenham um certo receio de ficar sem tantos motivos para as indignações costumeiras acerca daquilo a que gostam de chamar violência policial.


Outra notícia parva do dia é a proibição, nos dias em que o governo concedeu tolerância de ponto, das aulas à distância que alguns colégios privados pretendiam realizar. Ou seja, o governo tolera que alguns não trabalhem e proíbe os que o querem trabalhar de o fazer. Só para saberem quem manda. Por mim só não percebo por que raios não decretaram logo folga obrigatória. Coisas de socialistas, é o que é.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Discursos fofinhos

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O senhor doutor Mamadou não quer, obviamente, limpar-me o sebo. Nem a mim nem a ninguém, acho eu. Que o homem não é parvo e não pretenderá acabar, por via do falecimento em massa, com quem lhe garante o sustento. Aquilo é tudo uma metáfora que apenas as mentes mal intencionadas fazem questão de não entender.


Entretanto foi aprovada no parlamento, por proposta da deputada Joacine, a criação de um “observatório do discurso de ódio, racismo e xenofobia”, ou lá o que chamam ao regresso da velha censura que os novos fascistas estão a promover. Não é que ache mal, que isto de odiar as pessoas não me parece bem. Temo é que pessoas como o doutor  Mamadou ou a doutora Joacine, daqui em diante, mal possam abrir a boca.


Depois há também aquela coisa do amor e do ódio estarem, ao que garantem alguns especialistas na especialidade, separados por uma linha muito ténue. Daí não me surpreender que, então, figuras como as mencionadas passem a suscitar uma inusitada simpatia e admiração por parte de muitos. Com insuspeitas declarações de amor, até. Desconfio mesmo que, quando esse comité estiver no pleno uso das suas atribuições, a criatividade da escrita e do discurso irá conhecer um significativo incremento. Quem leu textos que tiveram de passar pelo crivo da “Comissão Central de Exame Prévio” sabe do que estou a falar. E os outros, um dia destes, vão ficar a saber.

domingo, 22 de novembro de 2020

Logicamente...ninguém fez caso!

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Infelizmente as declarações da vereadora da câmara de Lisboa com o pelouro da habitação, uma tal Paula Marques, não suscitaram à comunicação social o interesse que mereciam. Diz a senhora que “temos de retirar a habitação da lógica de mercado”. Ora aí está um tema que, concorde-se ou não com a opinião da autarca, devia suscitar uma profunda discussão. Para, entre outras coisas, ficarmos a saber quem defende que sigamos o caminho para o socialismo, previsto na constituição, e quem prefere continuar a ignorar essa aberração constitucional. Seria uma discussão muito mais interessante, quer-me parecer, do que discutir o regresso do fascismo ou outras parvoíces que os intelectuais de Lisboa gostam de colocar na agenda mediática. Até porque já que discutíamos a habitação, se não desse muito incómodo, discutiam-se também alternativas ao financiamento das autarquias. Nomeadamente a de Lisboa. É que o orçamento daquela edilidade é financiado em mais de um terço pelo sector imobiliário. Privado, diga-se. O tal que é necessário excluir da lógica de mercado, mas que mete mais de trezentos milhões de euros por ano – de forma directa, fora o resto - nos cofres do município lisboeta.

sábado, 21 de novembro de 2020

Impostos bons e impostos maus.

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Não é que queira, pelo menos para já, voltar ao tema do IRS e da taxa plana. Até porque anda por aí gente suficiente a dissertar sobre isso. Ainda que, a maioria dela, saiba tanto do assunto como eu de cozinha etíope. Lavar a cabeça a burros é gastadouro de sabão, como garantia a minha avó, e como os argumentos conseguem ultrapassar o nível da imbecilidade o melhor é nem me meter com eles.


Entretanto não sei para onde migraram todos os que se queixavam do enorme aumento de impostos no tempo do Vitor Gaspar. Já se esqueceram, pelos vistos. Ou, se calhar, gostam de pagar impostos quanto o partido deles está no poleiro. São, certamente, os impostos bons – os de agora - e os impostos maus – os de antes. Mais ou menos como aquilo das armas nucleares, no tempo da guerra fria, em que havia as boas e as más. Sendo que, para essas alminhas, as boas eram as que estavam apontadas para nós...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Informaçãozinha de qualidade

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A CMTV, essa referência do jornalismo televisivo, informava um destes dias que o Benfica, a maior instituição nacional, está colado com fita-cola. Já andava desconfiado. Uma defesa de vidro e um meio-campo de porcelana não auguravam nada de bom. Agora, segundo aquele conceituado órgão de informação, confirmam-se as minhas suspeitas. Escangalhou-se tudo. Vá lá que a coisa resolveu-se com cola. Só espero é que não façam mais fitas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Vida boa...não é só em Lisboa!

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Já muita gente terá escrito coisas acerca da menina Crisálida. Aquela moçoila de pernocas tatuadas que está na capa do Público de há uns dias atrás a garantir que vive do RSI e que, não fora isso, teria de mendigar. Ainda bem que não precisa de pedir esmola. Apesar da mingua – segundo os versados no assunto – que constitui aquela prestação social. A julgar por aquilo que vai partilhando com o mundo no seu perfil do Facebook, a menina Crisálida parece até ter uma vida razoavelmente confortável. Tatuagens, uns copos à beira da piscina e telemóvel de boa aparência são indicadores mais que suficientes para revelar uma gestão cuidada e parcimoniosa dos parcos recursos que o Estado coloca à sua disposição. Que assim continue. Terá – todos o desejamos, obviamente – uma longa vida pela frente e nada como começar cedo a aproveitá-la. Que isto, quando menos esperar, estará reformada.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Entrevista?! Pareceu-me mais conversa de tasca.

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Uma lástima a entrevista de André Ventura à TVI. Entrevistado e entrevistador equivaleram-se na mediocridade. Retenho apenas três pontos. Nem um nem outro souberam – ou quiseram, sei lá – falar com seriedade da chamada taxa plana de IRS. Não, não é verdade que ponha os pobres a pagar mais e sim, é verdade que nos primeiros anos a receita proveniente desse imposto sofrerá uma queda acentuada. A solução será cortar na subsidio-dependência – de ricos e de falsos pobres – ou pedir mais dinheiro emprestado. Matéria em que, reconhecidamente, somos especialistas. O conceito foi testado em diversos países e – ele há coincidências do caraças – já quase todos nos ultrapassaram e os que ainda não nos passaram à frente estão em vias disso. Deve ser obra do acaso, se calhar.


Depois, aquela tirada das câmaras municipais onde os funcionários são tantos, para tão pouco trabalho, que dormem à secretária. É verdade, sim senhor, que eu já vi com estes dois que a terra um dia há-de comer. Mas não é apenas à secretária. Os que têm uma função que não envolve estar perto dessa peça de mobiliário, gozam de igual privilégio. Provavelmente, até, com um mais elevado nível de conforto, que dormir sentado não deve fazer lá muito bem à coluna. Mas isso, digo eu que gosto muito de dizer coisas, não é culpa dos funcionários dorminhocos. Quem os meteu para lá sabendo que não tinha trabalho para lhes dar é que não tem vergonha.


Por fim, aquilo de casar a filha com um cigano. Fica mal a quem pergunta. Até porque também não ignora qual seria a resposta se a questão do casamento fora da comunidade fosse colocada a um cigano. Uma provocação desnecessária, no mínimo. Que teve, no entanto, uma inegável vantagem. Fiquei a saber, por algumas reacções que entretanto li, que são mais que muitas as criaturas que não veriam qualquer inconveniente num matrimónio dessa natureza por parte da respectiva descendência. Ainda bem. Eu também sou muito mentiroso.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Livro de reclamações

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Muitas são as ocasiões na nossa historia recente em que toda a gente protesta e poucos têm razão. Agora também. Excluo deste grupo, daqueles a quem a razão não assiste, o pessoal da restauração. O sector foi atingido em cheio pelas medidas de combate ao vírus chinês e terá muitos motivos para se queixar. Não está, contudo, a saber passar a mensagem. São notórios os erros de comunicação e o mais certo é isso vir a custar-lhes os negócios, os empregos e os investimentos realizados.


Podem, os empresários do sector, ter toda a razão naquilo dos meses de facturação que contam para o apuramento do apoio governamental. Não lembra a ninguém incluir no calculo o período em que os estabelecimentos estiveram fechados. Uma percentagem de zero, seja ela qual for, será sempre igual a zero. Mas, igualmente mau, é exigir não “pagar” o IVA, como alguns donos de cafés e restaurantes não se coíbem de fazer aos microfones das televisões, alegando que se trata do “maior custo” do seu negócio. O IVA não é um custo deles. É dos clientes e foi pago no acto do consumo. Eximir-se à sua entrega ao Estado é, para além de um possível crime, uma burla e uma falta de respeito para com os consumidores e os contribuintes em geral.


De recordar que o sector, quando da descida do IVA para a restauração, não baixou os preços. Preferiu aumentar a margem de lucro, apesar do exponencial crescimento do negócio com o boom turístico que se seguiu. Convém igualmente não esquecer que não são assim tão raros os estabelecimentos onde se trabalha de “gaveta aberta” e que muitos ainda mostram má cara quando se pede factura. E, sobretudo, é sempre bom não esquecer quem é que no final vai pagar a continha. Com factura.

domingo, 15 de novembro de 2020

Se não quisermos comparar, não comparamos. Mas isso não muda os factos.

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Comparar o PCP ao Chega é comparar o incomparável”, porque “o PCP lutou pela democracia e contra a ditadura”, “o PCP defende os trabalhadores” ou “o PCP não persegue as minorias” são ideias que, nos dias que correm, a opinião publicada e alguns patetas insistem em transformar em verdades. Ouvi-las causa-me náuseas ao nível do vómito. Toda a gente sabe que não é assim. Excluindo, naturalmente, um ou outro analfabeto e uma chusma cada vez maiores de negacionistas da história. Uma espécie de terraplanistas da política, que ainda hão-de fazer de Lenine um democrata e de Staline um defensor dos direitos humanos.


O PCP terá, de facto, lutado contra o regime fascista que vigorou até setenta e quatro. Não pretendia era a instauração da democracia. Basta saber o que se seguiu e qualquer burro percebe que tipo de regime pretendiam os comunistas implementar por cá em substituição do fascismo.


Quanto a isso de defender os trabalhadores, então, nem é bom falar. Trabalho há quarenta anos numa organização por onde já passaram políticos de todos os quadrantes e sei quais são os trabalhadores que todos defendem. Os deles. Os que, por oportunismo ou convicção, se agarram ao pau – da bandeira, bem entendido – em tempo de eleições ou passam lustro ao cágado no resto do tempo. Ao longo destes anos já assisti a incontáveis manigâncias para beneficiar “este” e, pior do que isso, prejudicar “aquele”. Inclusivamente cá ao rapaz. Sempre, obviamente, dentro da maior legalidade. Que essa malta sabe-a toda.


Sim, o PCP é comparável ao Chega. O eleitorado, segundo os gajos que estudam estes fenómenos, até é em muitas circunstâncias o mesmo. Tal como o pouco apreço dos comunistas relativamente a algumas minorias. Ou já se esqueceram daquilo do “não há camaradas paneleiros”?

sábado, 14 de novembro de 2020

Vão...vão...vão...

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Esta fotografia tem mais de catorze anos. Foi obtida em Setembro de 2006 e o mundo era, nessa altura, um lugar diferente. Apesar disso parece-me de uma actualidade inquietante. A mensagem, para além de evidenciar algum mal-estar que à época já afligiria o dono do espaço, pode também ter outras leituras que ultrapassam o âmbito da restauração. O pior é que, no decorrer destes anos, ninguém seguiu o conselho. Não só ficaram todos como, desgraçadamente, vieram outros.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Agricultura da crise

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O meu quintal está, permanentemente,sob ataque. Nem sei como é que ainda consigo daqui colher alguma coisa, tanta é a bicharada, das mais variadas espécies, que por aqui ciranda. Os predadores, desta vez, são estas lagartas manhosas. Têm um apetite devorador, é quase necessário um olhar de lince para caçar as maganas e são tão verdes como as plantas. As vitimas destes terroristas esverdeados foram os brócolos que iam ser plantados um destes dias. Tiveram, obviamente, o tratamento adequado. Foram esborrachados liminarmente. Que o PAN todo poderoso me perdoe.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Deve ser tudo uma questão de "conquistas"...

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Ainda me lembro quando o aumento do subsidio de refeição da função pública era medido em carcaças. Ou cafés, nos anos bons. Agora, que nem subsidio nem vencimento têm actualizações, não sei que termo de comparação é usado pelos que então faziam essas contas. O mesmo para as pensões de reforma. Um rol de criticas à mingua que era acrescentado ao seu valor. Coisa capaz de fazer definhar os velhotes, tal era a miséria que aquilo representava.


Não é que estas cenas me preocupem. Nada disso. Estou extremamente confiante na bondade das decisões dos nossos queridos lideres. A ausência de aumentos é, de certeza, para o bem dos trabalhadores e do povo. Preocupado estaria eu se o governo fosse de direita – bafienta, como toda a direita – e praticasse políticas bafientas de direita. Aquele sindicalista que esteve lá no meu serviço, antes das eleições, a apelar ao voto na, então, “actual solução governativa” é que tinha razão. “Não podemos perder as conquistas que já conseguimos”. Sabia-a toda, ele. Isto nada como um governo de esquerda, com políticas de esquerda. Daquelas refrescantes. Que cheiram a pinho e tudo. Não temos aumento na mesma, mas é de esquerda. E isso já nos consola. Aos mais parvos, nomeadamente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Bonés há muitos...

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A tolerância que a sociedade democrática manifesta relativamente aos símbolos das ditaduras criminosas de índole comunista – passe o pleonasmo - é algo que me irrita. O cavalheiro desta banca tem toda a liberdade para vender estes produtos, qualquer um os pode comprar e, se for o caso, para os usar na via pública sem que, para além do notório mau-gosto, alguém faça o mais leve reparo. Agora imagine-se que o boné ostentava uma cruz suástica. Seria ilegal, dado que a nossa legislação não permite – e bem – essas coisas. Nem, naturalmente, o problema reside nessa proibição. Está, apenas, em não tratar da mesma forma os outros criminosos que ainda hoje enaltecem as práticas bolchevistas. Mas com bonés ou sem bonés, não passarão!

domingo, 8 de novembro de 2020

Operação "Risota"

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A foto, publicada na página da GNR de Santarém, mostra o armamento apreendido por aquela força policial a um pacato cidadão que se dedicava a apanhar uns passaritos. O que, como não podia deixar de ser num país governado por malucos, constitui uma actividade ilícita. O prevaricador ainda encetou a fuga, mas foi prontamente interceptado pelos bravos militares que, usando da sua habitual argucia, localizaram as armadilhas e libertaram um estorninho. Foi também confiscado, embora lamentavelmente não conste da foto, um frasco que continha formigas de asas utilizadas como isco. Quanto ao detido, foi constituído arguido e os factos encaminhados para o tribunal.


A noção do ridículo é coisa que há muito se perdeu. Uma maleita que afecta as pessoas e, pior, as instituições. Mais grave ainda quando as envolvidas nesta perda são aquelas em que os cidadãos mais deviam confiar. Que a lei é para cumprir e que os militares da GNR agiram nessa conformidade não existirão grandes dúvidas. Contudo a primeira lei que se deve cumprir é a do bom senso. Quando as leis são ridículas, exigir o seu cumprimento só ridiculariza a autoridade. A não ser que a nova missão das forças policiais seja contribuir para a boa disposição da população. Se assim for, que continuem. Ao menos a malta ri-se.

sábado, 7 de novembro de 2020

Gozar com quem trabalha

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A Misericórdia de Portalegre está a recrutar um licenciado em contabilidade. Com experiência, preferem. Oferecem, como remuneração, o chorudo vencimento de setecentos e sessenta e nove euros e cinquenta e quatro cêntimos. Acrescido, não vão os potenciais candidatos pensar que não têm esse direito, de subsidio de férias e natal. Dependendo da situação familiar do trabalhador é coisa para ficar ali entre os seiscentos e vinte e os seiscentos e cinquenta euros líquidos. Catorze meses por ano, como sublinha a magnânima instituição.


Esta oferta devia causar vergonha a quem a faz. De certeza que nenhum director daquela organização gostaria de ver um filho seu, licenciado e com experiência no ramo, auferir a miséria de ordenado que estão a propor. Mas também devia fazer corar aqueles que andam há anos apenas preocupados com o salário mínimo nacional. É que depois dá nisto. Um licenciado em contabilidade leva para casa mais sessenta euros do que a pessoa das limpezas. Ou, até, receba bastante menos por comparação com alguém que faça a limpeza numa entidade que pague subsidio de refeição.


O mesmo se passa com outras profissões. A policia é, igulamente, um mau exemplo. Depois admiram-se, como faz hoje noticia de capa um pasquim nacional, que não haja candidatos suficientes para preencher todas as vagas na PSP. Mas, por cá, não é coisa que se discuta. O que nos interessa discutir é a política interna americana.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O iphone, a manteiga e o pobre

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O iphone do pobre cai sempre com o écran para baixo. O que constitui uma boa maneira de dizer que os menos abonados são, normalmente, os mais azarados. E, segundo os mais assiduos frequentadores de esplanadas, os que possuem as mais recentes inovações tecnologicas no âmbito das comunicações. Podia ser assim uma espécie de pensamento do dia. Mas não. Até porque à hora a que me ocorreu já era noite cerrada. Tinha acabado de deixar cair o pão e, como era inevitável, a manteiga ficou para baixo. Um risco que nem todos os pobres correm, convenhamos. É que isto ou eu não entendo o conceito de “pobre” ou, então, os pobres tem cada vez mais iphones e comem cada vez menos manteiga.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

E o seu município, é amigo do contribuinte?

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Dissertar sobre o IRS nesta altura do ano é já um clássico deste blogue. Nomeadamente acerca daquele desconto que os municípios amigos do contribuinte proporcionam a quem reside na sua área de jurisdição. O desconto, convenhamos, não é grande coisa. Mas é melhor do que nada. No mapa seguinte, publicado aqui no Kruzes há coisa de um ano, dá para perceber os montantes com que o contribuinte fica a arder se tiver o azar de morar numa das cento e setenta e quatro autarquias que não proporcionam este desconto aos seus munícipes. A lista completa, dos "bons" e dos "maus", pode ser vista nesta página. Daqui por uns meses, quando forem mendigar o voto, convém tê-la por perto.


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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Sempre em festa...

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Estremoz passou dos zero aos mais de cem casos de Covid-19 em poucas semanas. Faz, por isso, parte do rol de cento e vinte e um concelhos sujeitos a medidas mais restritivas. Nada de preocupante, dirão alguns. E, se calhar, com alguma razão. Se fosse caso para inquietações as autoridades competentes – é apenas uma força de expressão – já teriam colocado fim à festa que dura há uns dias ali para os lados do Resort. Até porque a algazarra ouve-se do outro lado da cidade e, calculo, deve incomodar quem tem o azar de viver nas imediações.


Ah e tal, a malta é jovem e precisa de se divertir”, “aquilo são festas de aniversário ligeiramente mais extrovertidas” e outros dichotes parecidos são mais do que dispensáveis. Digam antes que não querem chatices, que não vão lá por não terem sido convidados ou, sendo sinceros, que quem tem cu tem medo. Mas, já dizia a minha avó, quem tem medo compra um cão. Não vai é para autoridade competente. E quem não quer aborrecimentos também não.

domingo, 1 de novembro de 2020

"Teletrabalho" envolve aquela coisa de trabalhar. Topam?

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Que a coisa não está fácil toda a gente sabe. Tirando, talvez, aquela parte da população que anda por essas redes sociais fora a pretender fechar o país. “Têm-no” garantido, daí tanto se lhes dê que outros não se possam dar ao luxo de se trancar em casa. É que isso do graveto cair na conta bancária independentemente do esforço desenvolvido não assiste a todos.


É, mais ou menos, como aquilo do teletrabalho. Até parece que estou a ver, já amanhã, toda a gente a querer ir tele-trabalhar. Só porque sim. Ou porque outros vão e eles também querem. Mesmo que as funções que desempenhem se relevem manifestamente incompatíveis com o conceito de trabalhar à distância. Que isto se é para uns é para todos, argumentarão com as habituais certezas e a inteligência que os caracteriza.


Leio apelos lancinantes ao fecho das escolas. Oriundos, alguns, de auxiliares de educação. Compreendo a preocupação. Também percebo que estar três meses sem trabalhar e o ordenado a cair na continha, como da outra vez, é uma coisa prazenteira. Desconfio que pessoal que trabalha em museus, teatros, cinemas, bibliotecas, front-offices e afins também se pretenderá recolher no aconchego do lar. Não seria coisa inédita. No entanto, ao que me pareceu ouvir, o primeiro ministro falou em teletrabalho e, que eu desse por isso, em momento algum se referiu a teledescanso. É bom que toda a gente perceba a diferença.