
Afinal não vai ser preciso aquilo do racionamento. Os tais quinze litros por abastecimento, ou lá o que era. Mas fica o aviso. É assim sempre que iniciamos o caminho para o socialismo. Por isso, já que esta gente parece estar para ficar no poder por mais uns anos, é bom que nos habituemos. Nomeadamente aqueles que nunca passaram por experiência semelhante.
Por mim apenas vivenciei isso do racionamento era ainda um puto imberbe, nos idos do PREC. Quando, recorde-se, quem estava no poleiro a conduzir-nos rumo ao glorioso paraíso socialista eram os mesmos que lá estão hoje. Havia escassez de alimento – milho, ou algo parecido - para os galináceos e, para garantir que a bicharada da minha avó não passava fome, fui arrastado para a fila que pela madrugada se formava no “Grémio da lavoura”. Uma maneira expedita de duplicar a dose. Nunca cheguei a saber, nem isso na altura me interessou muito, de quem era a culpa da falta do dito produto. Devia ser dos contra-revolucionários, dos fascistas ou da direita em geral. Do governo de então – fantástico e amigo dos trabalhadores e do povo, como este – é que não era de certeza. Tal como agora. Ou não estivéssemos, tal como então, a caminhar para o socialismo. Ou para a venuelização, que é mais ou menos a mesma coisa.
No cartaz está lá o martelo. A foice está na camponesa, bem disfarçada. As gentes estão muito bem retratadas. Bimbis, como eu sempre achei.
ResponderEliminarO 'caminho' anunciado provou ser fonte de misérias em todo o lado aonde foi ensaiado. Sobretudo porque há uns ricaços que se divertem a lixar, a aplanar, as experiências sociais.
E como escreveu o outro: Conservador é persistir nos mesmos erros; progressista é criar erros novos.
Eu lembro-me de um racionamento feito pelos façistas do Caetano porque numa guerra entre Israel e Egipto, entupiram o canal de Suez e a Óropa ficou sem pitrol. E sem gasolina. Na época gasóleo era para veículos pesados, táxis e donos de bimbis.
Ora bem, como se diz, venham mais racionamentos, Para irmos treinando.
Estes aprendizes de comuna podem racional o que quiserem. Enquanto Espanha se aguentar pouco nos afecta... Uma das poucas vantagens de morar no interior.
ResponderEliminarSe bem me lembro isso foi por altura da famosa "operação Pirâmide" dita para dar de comer aos pretinhos que estisicavam á fome na pós independência da Guiné Angola e Moçambique. Angariou-se muito graveto e muitos géneros (não sexo), que deviam para lá ir, mas pelos vistos nada lá chegou e o dinheiro que não era pouco 150 mil contos (quando o ordenado mínimo era de três contos e quinhentos escudos). Tudo se volatizou e ninguém soube para onde foi. Foi bruxedo! Eu não acredito em bruxas, mas que as há. Há!
ResponderEliminarA operação pirâmide foi mais tarde, já os revolucionários estavam mais mansos. O que relato era racionamento. Lembro-me disto mas muitos outro produtos, como em qualquer país socialista normal, estiveram racionados naquela época.
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