quinta-feira, 18 de abril de 2019

A caminho do socialismo

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Afinal não vai ser preciso aquilo do racionamento. Os tais quinze litros por abastecimento, ou lá o que era. Mas fica o aviso. É assim sempre que iniciamos o caminho para o socialismo. Por isso, já que esta gente parece estar para ficar no poder por mais uns anos, é bom que nos habituemos. Nomeadamente aqueles que nunca passaram por experiência semelhante.


Por mim apenas vivenciei isso do racionamento era ainda um puto imberbe, nos idos do PREC. Quando, recorde-se, quem estava no poleiro a conduzir-nos rumo ao glorioso paraíso socialista eram os mesmos que lá estão hoje. Havia escassez de alimento – milho, ou algo parecido - para os galináceos e, para garantir que a bicharada da minha avó não passava fome, fui arrastado para a fila que pela madrugada se formava no “Grémio da lavoura”. Uma maneira expedita de duplicar a dose. Nunca cheguei a saber, nem isso na altura me interessou muito, de quem era a culpa da falta do dito produto. Devia ser dos contra-revolucionários, dos fascistas ou da direita em geral. Do governo de então – fantástico e amigo dos trabalhadores e do povo, como este – é que não era de certeza. Tal como agora. Ou não estivéssemos, tal como então, a caminhar para o socialismo. Ou para a venuelização, que é mais ou menos a mesma coisa.

4 comentários:

  1. No cartaz está lá o martelo. A foice está na camponesa, bem disfarçada. As gentes estão muito bem retratadas. Bimbis, como eu sempre achei.

    O 'caminho' anunciado provou ser fonte de misérias em todo o lado aonde foi ensaiado. Sobretudo porque há uns ricaços que se divertem a lixar, a aplanar, as experiências sociais.
    E como escreveu o outro: Conservador é persistir nos mesmos erros; progressista é criar erros novos.

    Eu lembro-me de um racionamento feito pelos façistas do Caetano porque numa guerra entre Israel e Egipto, entupiram o canal de Suez e a Óropa ficou sem pitrol. E sem gasolina. Na época gasóleo era para veículos pesados, táxis e donos de bimbis.

    Ora bem, como se diz, venham mais racionamentos, Para irmos treinando.

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  2. Estes aprendizes de comuna podem racional o que quiserem. Enquanto Espanha se aguentar pouco nos afecta... Uma das poucas vantagens de morar no interior.

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  3. alvaro silva1:09 p.m.

    Se bem me lembro isso foi por altura da famosa "operação Pirâmide" dita para dar de comer aos pretinhos que estisicavam á fome na pós independência da Guiné Angola e Moçambique. Angariou-se muito graveto e muitos géneros (não sexo), que deviam para lá ir, mas pelos vistos nada lá chegou e o dinheiro que não era pouco 150 mil contos (quando o ordenado mínimo era de três contos e quinhentos escudos). Tudo se volatizou e ninguém soube para onde foi. Foi bruxedo! Eu não acredito em bruxas, mas que as há. Há!

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  4. A operação pirâmide foi mais tarde, já os revolucionários estavam mais mansos. O que relato era racionamento. Lembro-me disto mas muitos outro produtos, como em qualquer país socialista normal, estiveram racionados naquela época.

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