O governo não precisava de mudar o logótipo. Não serve de nada. Bastava mudar o “tipo”, que o “lógo” não incomodava ninguém. Mas fê-lo, segundo informação oficial, para proporcionar uma imagem inclusiva, plural e laica. O que é uma óbvia estupidez. Um rectângulo verde, um circulo amarelo e um quadrado vermelho, ainda que todos juntos e por mais que olhe para eles, não me transmitem nenhuma dessas sensações. Antes pelo contrário. Não está lá o azul e isso, desconfio, exclui uns quantos que amam o que essa cor representa para alguns portugueses. O encarnado, quase de certeza, aborrece mais uns tantos. Principalmente porque é o dobro do verde. Uma mensagem subliminar, calculo.
Entretanto a empresa que fez aquela coisa abotoou-se com setenta e quatro mil euros à conta do trabalhinho. Não será tudo lucro, que aquilo deve ter consumido horas e horas de trabalho altamente especializado e, naturalmente, essas coisas pagam-se. O preço, ao contrário do que acontece com muita gente, não me choca. Até porque estou habituado a estes valores. São uma espécie de tabela. Os contratos de prestação de serviços para as administrações públicas – nomeadamente em matérias desta natureza e outras que envolvam especialidades técnicas – têm uma estranha tendência para ficarem ali a “raspar” os setenta e cinco mil euros. Os “trocos” que faltam para aquele valor devem ser para os envelopes.



















