sábado, 7 de março de 2015
Obviamente já se devia ter demitido
Obviamente já se devia ter demitido
Ninguém gosta de pagar impostos. Por isso mesmo é que há a necessidade do seu pagamento nos ser imposto. Se não fosse pela via da imposição, de certeza, não havia quem os pagasse. E o mesmo se aplica a todas as outras taxas, taxinhas e demais roubalheiras a que os governos têm de recorrer para alimentar o monstro.
Nisto se incluem também as contribuições para a segurança social. A não ser os que já estão reformados, poucos valorizarão este contributo cívico para o sustento dos que deixaram de trabalhar. Principalmente as novas gerações. Estas dão como adquirido que, no futuro, não terão os mesmos direitos dos actuais pensionistas e é com muito desagrado que olham para o esbulho que é feito aos seus parcos rendimentos. Exigir a um jovem recém-licenciado, pago a recibo verde, que dos seiscentos euros – ou menos – que aufere, retire cento e vinte seis para a segurança social - isto para além, claro, do IRS - se não é crime, não sei o que lhe chame.
Esperava eu que o caso do primeiro ministro servisse, entre outras coisas, para também debater esta problemática. Mas não. A guerrilha politica parece ser mais importante. Quanto ao resto, e como que quem manda tem de dar o exemplo, não tenho dúvidas que o homem já se devia ter demitido.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Então vá... onde?!
Há certas expressões no nosso vocabulário que, apesar de utilizadas no dia-a-dia por muita gente, não fazem sentido. Pelo menos para mim. E nem sequer estou a pensar no linguarejar mais do que esquisito que aquela malta toda javardola, de boné ao lado e calças ao fundo do cú, usa para comunicar entre si ou para se fazer entender pelas pessoas. O que, diga-se, quase sempre se revela uma tarefa difícil, quando não impossível, para ambas as partes.
Uma delas, talvez a que esconde os desígnios mais misteriosos e simultaneamente mais repetidas, é o célebre “então vá”. Quando no final de uma conversa alguém diz ao seu interlocutor “então vá” quer dizer exactamente o quê?! Que o outro “vá” a algum sitio impronunciável? Que, simplesmente, vá à sua vida? Ou é apenas algo que se diz quando já não há mais nada para dizer? Provavelmente esta última hipótese será a mais plausível, mas nem por isso a mais convincente para justificar o seu uso.
Prefiro, sem dúvida, o clássico “passe bem”. Pode argumentar-se que não difere muito e que o “passe” poderá esconder sub-repticiamente uma intenção de mandar alguém passear, no sentindo mais pejorativo da expressão. Até pode, mas, pelo menos, deseja-se que o faça bem.
Quase gaja. Nua.
Como é reconhecido, este blogue não é um espaço de informação nem de debate. Tão pouco pretende ser uma espécie de serviço público - nem privado – para os leitores que assídua, ou ocasionalmente, por aqui vão passando. Não encontro uma forma fácil de o dizer mas, há que assumi-lo com toda a frontalidade, este blogue optou desde o seu início pelo culto do desagradável. E, sempre que possível, pelo inconveniente.
Raras são as ocasiões em que aqui se procura ir ao encontro dos gostos ou sugestões dos visitantes. Fazê-lo constituiria uma cedência intolerável e podia conduzir-nos por caminhos mais ou menos tenebrosos, até que um dia isto se tornasse num sítio razoavelmente agradável. Ou, pior ainda, com alguma “Qualidade”. Por “iso” não trilharei esse caminho.
No entanto hoje estou disposto a quebrar essa regra que impus a mim próprio. A foto que acompanha este post visa, na medida do possível, satisfazer os visitantes que insistentemente continuam a pesquisar no Google por “gajas nuas”, “gaijas nuas”, “mulheres peladas” e outras expressões assaz curiosas, que só não reproduzo por, apesar de tudo, pretender manter alguma dignidade neste espaço. Talvez não corresponda inteiramente às expectativas de quem faz este tipo de pesquisas, mas é o que se pode arranjar.
Os séniores
Tenho fundamentado receio de nunca chegar a ser velho. Não que tencione morrer cedo – antes das vinte e três horas não me dá jeito – ou acredite que a ciência vai descobrir qualquer coisa que me impeça de envelhecer. Nada disso. A mania do politicamente correcto vai encarregar-se de tudo e fazer com que eu daqui por uns anitos seja algo que, por enquanto, nem consigo imaginar.
Vejamos o que me leva a esta conclusão. Quando era miúdo, aos velhos chamava-se isso mesmo. Velhos. Num tratamento cordial podíamos apelidá-los de velhotes ou, mais ternamente, velhinhos e alguém menos educado chamar-lhe-ia, depreciativamente, velhadas.
No pós “vinte cinco do A” a intelectualidade de esquerda achou mal esta designação e, vai daí, passaram a ser a “terceira idade”. Mas como no singular não dava muito jeito desatámos a tratá-los por idosos. Ultimamente é ainda pior. Já não são nem uma coisa nem outra. São conhecidos agora como seniores.
Ora isto suscita algumas questões de carácter linguístico que considero assaz pertinentes. Por exemplo, o que devo dizer em lugar de velhinho? Seniorzinho?! Não me parece. Idosinho soaria ligeiramente melhor, mas demasiado demodé. E depreciativo? Não encontro pior do que veterano. E como se substitui o sempre simpático e afável velhote? Por qualquer coisa impronunciável, certamente… Era nestas coisas que os gajos que andam sempre a inventar estas mariquices deviam pensar antes de se porem com ideias.
Noutra perspectiva e vendo o lado positivo, reconheço algumas vantagens nesta nova semântica. Nomeadamente ao nível do piropo de andaime. Imagine-se um destes dias um trolha, perante uma senhora que apesar da idade mantenha ainda intactas algumas qualidades, a gritar: “Olha-me aquela sénior… toda jeitosa! Ainda fazia uma perninha nos juniores.”
quinta-feira, 5 de março de 2015
Afinal onde é que é a porra do churrasco?!
Afinal onde é que é a porra do churrasco?!
Acabo de ler num blogue que “Estremoz já está arder”. Ora sendo Estremoz a minha terra, esta afirmação deixou-me alarmado. Mesmo sem enxergar fumo a elevar-se aos céus nem o meu nariz sentir o cheiro a esturro não fiquei descansado sem descobrir que espécie de tragédia se estava a abater sobre a cidade.
Esmiuçando a noticia conclui-se que a mesma é manifestamente exagerada. Trata-se, afinal, de um alegado arrufo entre gajos que gostam de touros em que parte deles não terá gostado que a outra parte tivesse ficado a cagar estacas na praça onde torturam os ditos. Podemos, portanto, dormir tranquilamente. A cidade não vai ficar reduzida a cinzas. Duvido, até, que tão parva questiúncula seja capaz de, sequer, acender um fogareiro. Ninguém quer saber. Nem os bois, coitados.
Os optimistas de serviço
Acho alguma piada àqueles que, por missão ou convicção, demonstram todo o seu optimismo garantindo-nos que o país é hoje um lugar melhor do que num passado não muito distante. Não mais distante que a duração da legislatura.
Este estado de espírito, ora optimista e confiante, ora pessimista e descrente, vai variando consoante o partido que apoiam – ou a que se apoiam - está no poder ou na oposição. Mesmo que as melhorias de que falam não sejam enxergáveis aos olhos de qualquer cidadão que não veja as coisas com a paixão da partidarite a toldar-lhe as emoções e o raciocínio.
Por mim, que já não tenho idade para acreditar em políticos mas que, obviamente, reconheço a infeliz impossibilidade de vivermos sem eles, divirto-me a assistir a este alternar de opinião e ao esforço, quase sempre inglório, que uns e outros vão fazendo para nos convenceram da sua razão. Ou para se convencerem a eles mesmo.
O papel (higiénico) da discórdia
A propósito da avaliação na função pública contaram-me recentemente uma história que terá ocorrido numa autarquia local e que ilustra bem a maneira como o sistema é encarado e, através de uma ironia e sentido de humor muito próprios, os portugueses tratam estas coisas. Ou seja, ao nível que elas merecem ser tratadas.
Ao que me contaram, para avaliação da equipa responsável pela limpeza do edifício sede da dita autarquia teria sido estabelecido entre outros objectivos a redução em dez por cento relativamente ao ano anterior do número de rolos de papel higiénico consumidos no edifício. Compulsadas todas as fichas de monitorização preenchidas ao longo do ano e cruzados os dados obtidos com a documentação do armazém, ter-se-á constatado que o objectivo não teria sido atingido e, em consequência disso, a nenhuma das funcionárias terá sido atribuída a classificação de Muito Bom.
Obviamente insatisfeitas as funcionárias terão reclamado evocando, entre outros argumentos, o facto de cada rolo de papel higiénico ter um menor número de folhas do que os utilizados no ano que servia de comparação. Vários papéis, análises e reuniões depois, ter-se-á concluído que, em resultado de consulta promovida pelo Aprovisionamento, o fornecimento deste produto foi adjudicado a outro fornecedor que apresentou um preço mais favorável. E com menos folhas por rolo, também.
O imbróglio não terá ainda sido resolvido. O conselho de coordenação da avaliação lá do sítio, pese as muitas horas gastas a discutir tão delicado assunto, contam-me, parece hesitar na decisão a tomar. O que se compreende. Decisões fundamentais para o interesse público não se tomam de ânimo leve.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Plástico bom e plástico mau
Plástico bom e plástico mau
terça-feira, 3 de março de 2015
Pulga maldita
Pulga maldita
O pulguedo é lixado. Tramado, mesmo. Do piorio, a bem dizer. E ataca quando menos se espera e sem olhar a quem. Nem o lugar. A vitima, desta vez, terá sido José Sócrates. As pulgas terão efectuado um ataque surpresa e concertado que, alegadamente, deixaram o homem cheio de comichões. Algo deveras incomodativo, convenhamos. Entretanto, enquanto a coisa não se resolve, ele que se vá coçando. Tempo para isso não lhe falta.
Por falar em afanípteros. O que cresceu que nem isso foram as empresas do amigo do ex-primeiro ministro. Trintas e tantas, ao que parece. Um homem que revela um inusitado dinamismo empresarial, o Carlinhos. Capaz mesmo de ombrear com outros vultos do nacional empreendedorismo. Curioso, curioso – mas, se calhar, só isso – é a clientela. Câmaras municipais, na sua maioria. Para as quais as ditas empresas projectam, executam e fiscalizam obras como se não houvesse amanhã. O que a mim, que não sou de intrigas, me deixa com a pulga atrás da orelha.
Avaliações
Desde alguns anos para cá parece que descobriram a necessidade de todos nos avaliarmos uns aos outros. São empresas especializadas que avaliam o grau de satisfação dos clientes, chefes que avaliam os seus subordinados, chefes que avaliam outros chefes, directores que avaliam tudo e mais alguma coisa e por aí fora até onde a imaginação nos queira conduzir.
Promovem-se reuniões, congressos, seminários, simpósios, criam-se fichas de avaliação, inquéritos, modelos, instruções para preencher os inquéritos, os modelos e as fichas de avaliação, consomem-se horas infindáveis de trabalho, esbanjam-se recursos e energias a debater, estudar e analisar esta recente necessidade de avaliar o próximo e, pergunto eu que gosto muito de perguntar coisas, para quê?! Dir-me-ão que a resposta é óbvia. Para que muita gente ganhe dinheiro com esta novel arte de avaliar.
Revolta-me pensar em todo o tempo que passei, de forma completamente gratuita, a avaliar os atributos físicos, as formas constitutivas e outras qualidades menos visíveis das moçoilas com quem me cruzava. Parvo. Devia ter-lhes apresentado a conta.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Eu pagava, tu pagavas, ele pagou agora...
Eu pagava, tu pagavas, ele pagou agora...
A doutrina divide-se. Para uns terá sido um lapso. Para outros um esquecimento. Por mim prefiro somar. A essas duas desculpas apetece-me juntar mais duas. Manivérsia e vigarice. Isto a multiplicar por cinco. Que terão sido os anos que o senhor se esqueceu de subtrair a devida contribuição para a segurança social aos seus rendimentos. Tudo isto alegadamente, claro.
Mistérios na agricultura da crise
Mistérios na agricultura da crise
Há coisas estranhas a crescer no meu quintal. Estas, que as imagens documentam, nomeadamente. Assim, ao primeiro olhar, quase sou tentado a pensar que se tratam de cabelos. Alguém que, por exemplo, após remover as pilosidades excessivas as tivesse depositado no espaço reservado à minha lavoura. Que, esclareça-se, de momento está em pousio. Mas não. Analisado mais de perto aquilo não são resquícios de depilações. Minhas ou alheias. Fica o mistério. Ou a ignorância quanto ao que efectivamente é esta coisa.
domingo, 1 de março de 2015
Tradições
Nos jornais locais leio sempre com especial atenção as diversas colunas de opinião. São, por norma, textos interessantes com os quais nem sempre me identifico mas que gosto de ler pela clarividência e desassombro com que os autores transmitem as suas ideias.
Um destes colunistas, no último número do Brados do Alentejo, relativamente ao bairro das Quintinhas em Estremoz, manifestava a sua mágoa por os cidadãos que ali habitam levarem uma vida de ócio, subsidiada pelo Estado e de nem sequer aproveitarem a água em abundância, que tal como a electricidade lhes é fornecida gratuitamente pela autarquia, para cultivarem o terreno circundante à sua "habitação".
É, de facto, lamentável que recursos de toda ordem, energéticos, financeiros e humanos, estejam ali a ser desbaratados. No entanto o povo cigano tem uma relação inconciliável com o trabalho. A aversão ao trabalho faz mesmo parte da sua cultura, das suas tradições. E as tradições devem, a todo o custo, ser preservadas. Coisa em que o país investe anualmente muitos e muitos milhões de euros. Basta lembrar a tradição de proteger o lince da Serra da Malcata...
Por mais bucólica que se afigure a imagem de uma família cigana a plantar couves ou a sachar batatas, a perda da sua identidade cultural teria consequências bem piores. Para além de toda a criação artística que a figura do cigano preguiçoso inspira, intelectuais de esquerda e assistentes sociais perderiam a sua principal referência...
Publicado originalmente aqui.
Para deitar cedo e tarde erguer boa companhia se há-de ter.
O que leva alguém a levantar-se às seis da manhã para passear o canito na relva em redor do Rossio? O animal estar com uma valente dor de barriga é uma forte hipótese. Insónia do dono ou má companhia na cama são outras causas bastante prováveis. Aproveitar a escuridão e a ausência de olhares reprovadores que este tipo de comportamento provoca, é igualmente uma hipótese a não descartar. Seja como for não deixa de ser curioso encontrar a hora tão matutina, enfrentando estoicamente o frio da madrugada, tanta gente (uma meia dúzia de pessoas pr'aí) a passear o seu fiel amigo. O que constitui uma irrefutável prova de amor ao próximo. Mesmo que este tenha quatro patas e uma vontade madrugadora de cagar. Como dos meus escritos é frequentemente feita uma leitura que nem sempre corresponde ao que pretendo transmitir, fica desde já o esclarecimento que os/as transeuntes apenas passeavam o cão… e a uma distância bastante razoável uns dos outros.
Originalmente publicado aqui.
A pato "dado"...Ou a estória de um dado pato.
Desde a abertura do Modelo em Estremoz, dentro do espírito concorrencial que move estas coisas, que o Pingo Doce "oferece" um produto, previamente anunciado, a quem efectuar compras superiores a determinado montante, normalmente 25 ou 30 euros. Uma iniciativa simpática e que já distribuiu pelos clientes bacalhau, polvo ou bolo rei. Hoje, a promoção do dia era pato congelado. Dentro da arca frigorífico acomodavam-se patos de vários tamanhos, a maioria tipo Gastão ou Peninha, o meu herói preferido e ao qual obviamente me estava a afiambrar. Mas, como tenho tanta sorte para estas coisas como o Donald, acabei por trazer um do tipo Zézinho. O que é muito bem feito, diga-se, para não me armar em Patacôncio e desatar a encher o carrinho só para trazer a ave. Que nem sequer é Maria. Como sempre, quem tem razão é o Patinhas que protege as suas moedas destas bruxarias.
Publicado originalmente aqui.

