Tudo o que ontem podia correr mal ao Benfica, correu. A equipa terá feito, muito provavelmente, a pior exibição da época, o árbitro errou que nem o Pedro Proença quando apita o SLB, o Jorge Jesus parecia o Paulo Fonseca e alguns jogadores do Glorioso exibiram-se ao nível do que fizeram esta temporada a maioria dos seus congéneres do FC Porto. Foi essa estranha conjugação de factores que permitiu ao Sevilha - uma equipa sem classe onde são titulares jogadores que nem para o Sporting serviam - levar a taça para casa.
Foi apenas um jogo de futebol. Nada, convenhamos, de muito relevante. Coisa que pouco tem a ver com maldições, também. E que, sobretudo, dispensa hipocrisias. Daí achar deplorável e um atentado à inteligência as sucessivas e constantes referências a uma alegada maldição supostamente lançada, há mais de cinquenta anos, por um treinador que há muito tempo está a fazer tijolo. O mesmo que, recorde-se, afiançava que o Benfica não tinha cú para duas cadeiras, pretendendo justificar a incapacidade da equipa que liderava em lutar simultaneamente por uma prova europeia e pelo campeonato. Parece que afinal não é bem assim e as duas últimas épocas demonstraram-no. Assim como outras já muito depois do tal húngaro ter deixado o Glorioso. Mas isso parece importar pouco a quem tem por obrigação de, até por razões profissionais, contar a história toda e não apenas a parte que dá jeito.
Compreendo todos os que exultam com a derrota do Benfica. As muitas derrotas do Sporting e os recentes desaires do Porto também me deixam profundamente agradado. Tenho até, nesse âmbito, tido muitas alegrias. E para justificar a satisfação que me dão nem preciso de argumentar – como alguns totós andam por aí a fazer – com os portugueses que integram a equipa adversária. Gosto apenas que percam. Porque sim.