Um quadrúpede perto de uma bomba de gasolina constitui um cenário
capaz de proporcionar umas quantas piadolas. Se a isso juntarmos o proprietário
da alimária e os apreciadores do bicho – potenciais compradores, quiçá –
estarão reunidos todos os ingredientes para meia-dúzia de dichotes a atirar para o
javardote. Coisa que, como se sabe, não constitui prática deste blogue. É por
isso que o post fica por aqui. Curtinho. Antes que a coisa descambe.
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Dia do cidadão de etnia cigana
Diz que se assinalou
hoje o dia do cigano. Talvez tenha estado desatento - ou mais
preocupado com isso da crise – mas não dei conta de comemorações
a assinalar a efeméride. O que, a não ter acontecido, se revela a
todos os títulos inconcebível e me deixa deveras desapontado. Não
digo a distribuição de casinhas, cheques do rendimento mínimo ou,
para as mulheres ciganas, broches com a figura de um sapo. Não era
preciso tanto. Chegava uma festa, um almoço, um lanche ao menos. Mas
não. Nada. Népias.
Vão ver esqueceram-se.
Mas pior que o esquecimento é organizar debates, colóquios,
simpósios ou o raio que os parta. E disso fizeram uns quantos. A
participação deverá ter sido intensa e as conclusões, presumo,
brilhantes. Ou não fossem os ciganos conhecidos pela intensidade das
suas participações em coisas e pelo brilhantismo das suas
conclusões. Acerca das coisas. Também. Talvez mais para a noite se
ouçam uns tiros. Para o ar ou noutra direcção qualquer. É, ao que
consta que eu não sei nada disso, a forma costumeira desse pessoal
comemorar datas importantes. Para eles, claro.
domingo, 7 de abril de 2013
Agricultura da crise
A agricultura da crise
está, também ela, em crise. A invernia, anormalmente rigorosa e
prolongada, tem inviabilizado a aposta na produção hortícola. Da
courela há muito que não tenho noticia. O estado do terreno e a
muita erva que entretanto cresceu não permitem sequer uma
aproximação à área. Salvar-se-ão, presumo, os alhos da crise
que, da última vez que foram avistados, estavam benzinho. Cá pelo
quintal só o faval tem aguentado as agruras do clima. O pior é que
já estamos em Abril e favas nem vê-las...
sábado, 6 de abril de 2013
Qual é o drama?! Sim, qual é a porra do drama?!
O roubo de um mês de
vencimento – prefiro chamar-lhe assim – aos funcionários
públicos a que o Tribunal Constitucional finalmente pôs cobro era,
insisto, uma opção apenas baseada na convicção ideológica de que é necessário
empobrecer os portugueses. A sua relevância para as finanças
públicas não é, nem de perto, aquela que os partidos da área
governativa, a generalidade dos comentadores e outros parvos, lhe
querem atribuir.
Está, de facto, em
causa muito dinheiro. Mas, como quase toda a gente sabe, um orçamento
tem duas componentes. A receita e a despesa. E, por uma razão
qualquer que me escapa, toda a gente está apenas a olhar para a
segunda em lugar de ter em conta a diferença entre ambas. Que, no
caso, é negativa originando o famigerado deficit. Os tais 1,2 milhões que
o Estado terá de despender e com os quais não contava farão,
naturalmente, aumentar a despesa inicialmente prevista. Mas – e
parece que há muita gente a esquecer isso – mais de metade deste
valor regressa aos cofres do Estado sob a forma de impostos e
contribuições. O que significa um aumento de receita que, se as
contas do Orçamento foram feitas correctamente, não estaria nas
previsões.
Em termos líquidos, o
que realmente conta para o deficit, serão seiscentos milhões de
euros. Muita massa, ainda assim. Mas Passos Coelho e os seus
comparsas deverão encarar isso como uma oportunidade. Com a falta de
hábitos de poupança dos portugueses muito desse dinheiro irá fazer
crescer as receitas do IVA. Ou, no caso dos mais poupadinhos,
aumentar as contas bancárias. O que é bom na mesma. Melhora a
liquidez dos bancos e diminui a necessidade de o governo lá injectar
mais uns milhões.
Por último, mas não
menos importante, também era bom que alguém explicasse por que raio
toda a gente achou uma esplêndida ideia a injecção de mil milhões
de euros nas autarquias, através do PAEL, e considere agora
dramático, capaz até de pôr em causa a sobrevivência do país,
que metade desse dinheiro seja colocado à disposição das famílias.
A menos que achem que os autarcas gerem melhor o dinheiro que lhe
colocam à disposição do que, por exemplo, eu faço a gestão das
minhas finanças. Mas isso já seria um caso do foro clínico.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Não percebo
Essa coisa da filosofia
nunca foi a “minha praia”. Não sou dado a filosofices e detesto
aquela malta que recorre sistematicamente a frases feitas, quase
sempre desprovidas de sentido, pensando que estão a fazer uma grande
figura. Deve ser, admito, por ter manifesta dificuldade em entender a
fantástica mensagem que se esconde dentro de tão grandes tiradas.
Isto para dizer que não
estou a ver onde quer chegar o líder do partido socialista quando
nos garante que “há uma primavera a despontar, há um Abril a
nascer em Portugal”. Não percebo. A primavera já por cá anda vai
para quinze dias e chove como o caraças. Se isto é despontar vou
ali e já venho. O Abril, esse, vai no dia quatro. Para um mês de
trinta dias não o podemos considerar propriamente um nascituro. Nem,
sequer, um recém-nascido. Vá lá, com boa vontade, um puto da
escola primária.
Prefiro os números.
Não mentem e dificilmente se prestam a baboseiras como a proferida
pelo aspirante – lagarto, lagarto, lagarto – a primeiro-ministro.
Verdade que há quem diga que, sob tortura, dizem aquilo que nós
quisermos. Até pode ser. Mas o torturador corre o sério risco de
fazer figura de parvo. Olhem, por exemplo, os apaniguados do mais
recente comentador da RTP.
terça-feira, 2 de abril de 2013
E o principio do poluidor pagador não vos diz nada?!
Este mastim é um dos
principais responsáveis pelas cagadelas de proporções épicas que,
não raramente, documentam a minha indignação perante a atitude
absolutamente javardola de gente que se acha no direito de poluir o
espaço que é de todos. Não é o único mas é, seguramente, o
maior cagão das redondezas.
Intrigam-me os motivos
que levam os gajos com responsabilidade neste país – a troika, o
governo, os autarcas – a ignorar esta potencial fonte de receita.
Se um imóvel, que é um bem indispensável a todos os cidadãos,
paga centenas de euros por ano para o município – e, recorde-se,
não provoca qualquer despesa aos cofres públicos – não se
percebe porque raio a posse de um cão não tem igual tratamento.
Deve haver aqui algo que me escapa. A coisa é de tal forma surreal
que eu pago à câmara uma taxa por causa do cabo que passa por cima
do meu quintal, mas o dono do cão que vem cá cagar não paga nada
por isso. Estranhas as prioridadezinhas da malta que nos desgoverna.
Ontem foi mentira. Amanhã não garanto.
Já dizia um figurão
qualquer que aquilo que hoje é verdade amanhã pode ser mentira.
Ou o contrário. Por isso o post de ontem, que à data era mentira,
pode muitíssimo bem transformar-se em verdade. Foi, de todo,
impossível proceder a este esclarecimento mais cedo. O que faz com
que lamente ainda mais os eventuais transtornos, nomeadamente ao
nível emocional, que esta inocente mentira do primeiro de Abril
possa ter causado. É, reitero, mentira que venha aí a tal TMIP.
Hoje. Amanhã não posso garantir.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
TMIP. A nova taxa que vamos pagar um dia destes
Os municípios
cobram-nos taxas por tudo e por nada. Mas, na opinião dos autarcas,
ainda não são as suficientes. Temos de pagar mais. Há que
financiar o regabofe autárquico que não parece dar mostras de se
conter perante a austeridade. A crise e a recessão forneceram até
uma janela de oportunidade para esturrar ainda mais dinheiro a
pretexto do combate às ditas e de um suposto auxilio às populações.
Daí que - com crises ou sem elas, com austeridade ou não – será
sempre necessário esmifrar os bolsos ao contribuinte. Pelo menos
enquanto, como até aqui, a malta apenas se chatear com os ministros
das finanças e for perdoando as tropelias dos seu autarcas.
Depois da inacreditável
taxa sobre as dormidas que alguns municípios já estão a cobrar,
cerca de um euro por noite e por pessoa em unidade hoteleira situada
na área de circunscrição do respectivo município, pensou-se que
já não haveria mais para taxar na esfera das competências
municipais. Puro engano. Vamos, em breve, ter mais uma. Lembraram-se
uns génios auto proclamados que existe ainda um serviço prestado
pelas autarquias que não é pago directamente pelos munícipes. A
iluminação pública. Trata-se de um serviço pelo qual os
municípios pagam anualmente muitos milhões de euros, que requer
investimentos avultados e do qual não têm qualquer retorno.
Adivinha-se, por isso, que na factura da electricidade, um destes
dias, apareça mais uma linha. A TMIP. Taxa Municipal de Iluminação
Pública. Para nos deixar um pouco mais às escuras.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Sites com as contas escondidas e a cultura à mostra
Isto de procurar
informação de carácter financeiro no site de muitos municípios
revela-se uma tarefa bastante complicada. Até parece que têm alguma
coisa a esconder ou que lhes desagrada que os contribuintes tenham
acesso a uma informação que, por força da lei, deve estar
acessível ao público. Acha-lá, no entanto, nem sempre é fácil.
Presumo que – nem todos, é bom de salientar – sigam o
estratagema que um autarca sugeriu, num determinado local que agora
não vem ao caso nem eu vou revelar que se tratava de uma reunião de
divulgação da lei dos compromissos, que consistia em esconder tudo
tão bem escondido que quem lá quisesse meter o nariz desistisse
antes de ver fosse o que fosse.
Vá lá saber-se porquê, o mesmo não sucede relativamente à divulgação daquilo a que
chamam actividades culturais. Essas merecem lugar de destaque nos
respectivos sites e em tudo o que é lugar para onde qualquer cidadão
seja obrigado a olhar. Desde a televisão aos sinais de trânsito.
Compreende-se. As festarolas sempre deram mais votos do que a boa
gestão.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Também tu, Sócrates?!
Como escrevi
anteriormente poucas coisas me podiam interessar menos do quer que
seja que tenha para dizer o suposto engenheiro e ex-dirigente
politico que ontem foi entrevistado na televisão. O estado do país
fala por ele. Retenho apenas uma frase que, segundo os muitos
rescaldos que têm sido feitos e a que estou com manifestas
dificuldades em fugir, o homem terá proferido: “Quando deixei
de ser primeiro-ministro pedi um empréstimo ao meu banco para,
durante um ano, ir estudar para Paris”. Ora, a ser verdade –
e quem somos nós simples mortais para duvidar do honestíssimo
cidadão – estaremos perante mais um caso de alguém que,
manifestamente, viverá acima das suas possibilidades. Um endividado, portanto. Mais uma ou
duas entrevistas e ainda há-de jurar que as fatiotas eram alugadas
e que teve de pedir um crédito à Cofidis para equipar a cozinha.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Vamos lá registar a facturazinha...
Nem é preciso procurar
muito para encontrar – na Internet e no mundo real – gente
indignada com aquilo a que chamam novas regras de facturação. Ainda
estou, confesso a minha ignorância, para saber porquê. Parece-me, a
menos que ande distraído, que pouco ou quase nada mudou na lei que
suscite tanta irritação ou que implique uma alteração radical no
dia a dia do cidadão comum. Quem vende um bem ou presta um serviço
tem de passar factura e quem o compra, caso o vendedor ou prestador
de serviços não o faça, tem obrigação de pedi-la. Nada que não
fosse já assim nem que constitua motivo para dúvidas.
Há quem se orgulhe,
até, de recusar liminarmente que lhe seja passada factura. Se calhar
será gajo para, também, se lamentar da elevada carga fiscal que lhe
incide sobre o magro ordenado. Ou mesmo refilar dos comerciantes que,
lá no colégio do filho, pagam uma mensalidade muito menor do que
ele. Está, agora, nas mãos de todos evitar que esse Estado de
coisas, embora não acabe, seja combatido. Todos, ainda que pensemos
que não, ganhamos alguma coisa com isso. Se mais não for, termos
pelo menos a certeza que o dinheiro que pagámos de imposto sobre o
consumo não fica no bolso do comerciante.
Segundo os últimos
dados são mais que muitas as “empresas” que nunca tinham emitido
uma factura. Serão também algumas as que, passando, não incluem no
respectivo ficheiro - o tal SAF-T – a totalidade da facturação. É
para isso que existe a possibilidade, de uma forma simples e
intuitiva, ser o próprio contribuinte a fazê-lo. Tal como acabei
de fazer relativamente a uma factura em que suportei mais de
cinquenta euros de iva e que, apesar do comerciante já ter carregado
o ficheiro do mês em que efectuei a compra, não constava na lista
das minhas aquisições registadas no e-fatura. Temos pena. Contas
são contas e se o valor do IVA não era para entregar ao Estado
então tivesse-me feito o desconto correspondente.
terça-feira, 26 de março de 2013
...E orgulham-se disso!
Nos últimos dias
têm-se sucedido as noticias de Câmaras Municipais e Juntas de
Freguesia que, de forma gratuita, disponibilizam os seus serviços
para preenchimento da declaração de IRS aos eleitores
residentes na sua área de circunscrição. Das duas uma: Ou não
sabem o que hão-de dar a fazer ao pessoal que têm ao serviço ou,
razão tão plausível como a primeira, ainda não ouviram falar de
crise, desemprego, falta de oportunidades ou concorrência desleal.
Embora uma terceira hipótese não seja igualmente de descartar:
Agradar ao eleitorado mais velhote para ir garantindo a reeleição.
Discordo em absoluto
que as autarquias prestem este e outro tipo de serviço. Ainda sou do
tempo em que era exigido, para tudo e para nada, o execrável “papel
selado”. Nessa altura, com uma taxa de analfabetismo muito superior
à actual, os funcionários estavam terminantemente proibidos de
fazer qualquer requerimento aos contribuintes. Ainda que estes não
soubessem ler nem escrever. Para isso existiam por perto de
repartições de finanças, tribunais ou câmaras municipais, pessoas
que ganhavam a vida a tratar destas burocracias.
Era aquilo a que hoje
se chama iniciativa. Empreendedorismo, vá. Em escala
nano-mini-micro, admito. Que, dizem, é necessário estimular.
Conversa fiada, como se vê. Se algum jovem quiser, por estes dias
“montar barraca” a preencher declarações de IRS a quem não
sabe ou não tem paciência para papeladas estará condenado ao
insucesso. Verdade que não ganharia muito mas, para quem não tem
emprego e lhe sobra o tempo, uma centenas de euros dariam algum
jeito. Mas isso é coisa que um caçador de votos não entende.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Que o Sporting nos continue a dar muitas alegrias...
O Sporting tem um novo
presidente. Será, provavelmente, mais um dos muitos a cair em
desgraça pouco tempo depois de a sua eleição ser celebrada de
forma apoteótica. A instituição estará praticamente falida, fruto
de décadas de péssima gestão desportiva e de desvalorização
continua de activos, pelo que apenas um milagre pode colocar de novo
o clube em condições de, nos próximos anos, chegar perto dos
lugares cimeiros da Liga portuguesa. Inverter esta situação será
uma tarefa ciclópica na qual o novo lagarto-mor dificilmente, este
ou qualquer outro, terá sucesso.
Reconheça-se no
entanto que o homem agora eleito parece revelar uma visão para a coisa
bastante superior à dos seus antecessores. Integrar na sua lista o
treinador do Moreirense é uma jogada ao nível de génio.
Enfraquecer os adversários, indo buscar o treinador de um rival
directo na luta pela manutenção - que para mais ainda terá de se
deslocar a Alvalade – afigura-se uma boa estratégia que não
lembrava a todos. Comparado com isto, contratar jogadores dos
adversários em véspera de jogo é coisa de meninos.
domingo, 24 de março de 2013
Venham de lá mentiras novas!
Poucos assuntos me
podiam deixar mais indiferente do que a anunciada contratação de
José Sócrates para comentador politico na RTP. Não compreendo o
entusiasmo de alguns, os muitos que ainda o veneram, nem a indignação
de outros, os que o responsabilizam por todo o mal que aconteceu ao
país. Menos ainda percebo a existência de petições – essa moda
parva e inútil – a favor e contra a presença do ex-primeiro
ministro, a mandar bitaites, na televisão pública. Deixem lá o
homem falar. Ou, os que não gostam da criatura, que mudem de canal. É, de resto, para isso que serve aquela coisa com botões a que chamamos comando.
Comentadores há muitos. Ex-políticos a botar opinião também não faltam em nenhum dos canais principais. Não vejo, portanto, motivo para tanto alarido. Neste caso até me parece que fizeram a escolha acertada, pois este é o gajo indicado para explicar aos portugueses
os motivos porque estamos nesta situação. O que, caso ele mantenha
a performance que o caracterizava antes de bazar para Paris,
contribuirá seguramente para o enriquecimento do anedotário
nacional. Valha-vos isso. Por mim dispenso. Quando quiser ver
palhaços vou ao circo.
sábado, 23 de março de 2013
A dama e o Lulu vieram ao mercado
Embora
incomparavelmente menos do que noutros tempos, o mercado de sábado de
manhã em Estremoz continua a atrair muita gente das redondezas. Mas
se as pessoas, as galinhas ou os coelhos são cada vez menos, os cães
que os visitantes passeiam são cada vez mais. Mas antigamente os
animais, excepto os destinados a venda, ficavam no “monte”. Hoje
trazem-nos à cidade. Para nos cagar as ruas.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Kruzes Kupido
O
amor é uma coisa muito linda. Não me canso de repetir. Seja
declarado na forma de um poema manhoso pintado numa parede igualmente
manhosa, com gatinhos fofinhos à mistura, ou em letras garrafais
pintadas à porta da amada. O jovem apaixonado, seja ele quem for,
merece uma oportunidade. Se é, digo eu fazendo votos para que sim,
que não a tem já.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Não era preciso ofender os varredores...
Nunca
liguei a comentários supostamente ofensivos que, de vez em quando, por aqui vão deixando. Mas, embora este nem tenha nada que me
ofenda, confesso que estava à espera de algo parecido. Foi feito às 9 horas e 54 minutos num computador, alegadamente, ligado ao servidor de uma Câmara
Municipal. Provavelmente por alguém que é pago com o dinheiro dos
contribuintes para trabalhar. Coisa que, aparentemente, não lhe
assiste. Em vez disso, por razões que só ele – ou ela - sabe
optou por utilizar o seu tempo a tentar marrar contra o autor deste
blogue. Que, pelos vistos, até sabe quem é e o cargo que
desempenha.
Está,
em relação a mim, claramente em vantagem. Não sei quem é o comentador nem o
cargo que ocupa na suposta autarquia. Se é que desempenha algum. Nem,
diga-se, é coisa que me interesse por aí além. Importa-me mais a
falta de profissionalismo. O não saber respeitar o lugar que ocupa.
A falta de respeito que demonstra pelos contribuintes. Que,
recorde-se, é também para pagar ordenados à malta que ocupa o seu
tempo a comentar blogues que serve o IMI que nos seca a carteira.
Vergonhoso, acho eu.
quarta-feira, 20 de março de 2013
De pantanas
Isto
de trabalhar para o Estado, ainda que nunca tenha sido grande coisa,
já nem sequer é o que era. Os funcionário públicos são, de uma
forma geral, mal-vistos e vitimas de uma inveja mal justificada
promovida, principalmente nos últimos anos, pelos sucessivos
governos. Nisto, tal como em muitas outras coisas, Passos não é
diferente de Sócrates. E é bom que disso se tenha memória.
Para
os agentes da forças de autoridade os tempos são ainda piores. Ao
ódio governamental e aos invejosos dos seus privilégios – sejam
lá eles quais forem – soma-se uma estranha doença que, de há uns
anos a esta parte, se espalhou de forma pandémica na sociedade
portuguesa: O politicamente correcto. De tal forma que hoje o policia
ou militar da GNR que tenha o azar de pontapear um porco, sacudir as
moscas das trombas de um meliante ou, sequer, tentar salvar a vida a
um qualquer maluco que circule de mota sem capacete, está feito ao
bife. Lixado, mesmo.
O
país está de pantanas. E não é apenas no que diz respeito à
economia ou às finanças. No plano moral não está melhor. Quando
numa sociedade a palavra de um badameco – ou mesmo de dez badamecos
- mais dado aos negócios pouco claros que ao trabalho, vale o mesmo
que a palavra de um agente da autoridade é porque está tudo virado
do avesso. O pior é que até expressar esta opinião, não tarda,
há-de ser proibido.
terça-feira, 19 de março de 2013
No gastar é que está o ganho...
O
país está a esfrangalhar-se e, ainda assim, há quem continue sem
perceber o que está acontecer à sua volta. Já nem falo dessa gente
estranha da “cultura”. Que mantém, como se sabe, uma
incompatibilidade militante com os números e nem consegue assimilar,
ainda que vagamente, a ideia de isto estar tudo falido e que não há
guito nem para mandar cantar um ceguinho. Quanto mais para pagar
programações milionárias das “casas da música” ou, em menor
escala, aos “Tóinos Carreiras” desta vida. Já não há dinheiro
para o pão mas, mesmo assim, estes desmiolados continuam a insistir
que o Estado tem obrigação de lhes de pagar o circo.
Mas,
voltando à vaca fria – que é uma bela expressão, embora
lamentavelmente caída em desuso – mais preocupante é a existência
de decisores, no âmbito politico e se calhar não só, que aparentam
não demonstrar qualquer preocupação em poupar os recursos
públicos. Não existe na administração pública a cultura da
poupança. Veja-se, por exemplo, a quase inexistente utilização de
software livre nos serviços públicos e, olhando apenas para estes
três exemplos, perceba-se a grandeza dos montantes que estão em
causa. Apenas em três municípios portugueses esturraram-se mais de
seiscentos mil euros em licenciamento de software. A Microsoft
agradece. Nós não. Pelo menos os chatos que não gostam de pagar
caro aquilo que podem ter mais barato. Ou, até, de borla.
domingo, 17 de março de 2013
Aos bancos!
Causa-me
uma certa confusão que Chipre tenha necessitado de pedir apoio
internacional. Teve até há cerca de dois meses um governo de
esquerda – daqueles patrióticos e progressistas, como se reclama
por cá, que sabem o que é bom para o povo – pelo que seria
suposto estar ao abrigo destas contingências e a salvo das
manigâncias do grande capital, especuladores estrangeiros e chulos
em geral. Não escapou, pelos vistos, a nenhuma delas.
Em
consequência disso os cipriotas foram assaltados. Pela calada da
noite, enquanto dormiam, foram vitimas de um assalto em larga escala
– um arrastão, digamos - que lhes levou uma fatia significativa
das suas poupanças. O crime foi perpetrado pelo governo local, sob
indicações da troika lá do sitio e, começo a desconfiar, é um
modus operandis que pode começar a fazer escola entre os criminosos
do ramo. Um roubo com contornos semelhantes foi, como certamente
alguns se recordarão, sugerido igualmente quando do primeiro resgate
a Portugal. Escapámos. Se calhar para a próxima não teremos a
mesma sorte.
De
resto esta é uma opção que recolherá algumas simpatias – em
alternativa a outros cortes – em alguns sectores políticos
nacionais. Excepto, talvez, no CDS os principais partidos estão
contaminados pelo vírus maoísta-blochevique transportado por muitos
que, na ânsia de encontrar tacho, procuraram nos partidos do sistema
o que não conseguiram obter com o PREC. E, assim sendo, não me
surpreenderá muito se, em desespero de causa, o vírus desperte e a opção seja sacar
umas massas a esses malandros que têm uma poupançazitas. Até
porque o deles, o mais provável, é estar ao “largo”.
sábado, 16 de março de 2013
Cagaram nos meus poejos!!!!
Que
levem os cães a cagar ao jardim ou ao relvado mais próximo, os
passeiem pelo bairro onde moram para que os gajos caguem na rua, na
calçada ou onde os filhos da puta dos donos entendam por bem, ainda,
apesar de bastante javardo, vá que não vá. Agora que um desses
animais me invada o quintal e trate de largar um monte de cagalhões
em cima dos meus poejos é que, convenhamos, já é demais.
A
plantação está, portanto, arruinada. Usar estas plantas para, por
exemplo, confeccionar uma açorda está fora de causa. Equacionava
dar-lhes uso para produzir um licor mas, depois disto, o melhor é
esquecer o assunto. Tudo graças a uma besta qualquer que não sabe
educar os seus bichinhos a cagarem naquilo que é seu. Ou, o mais
provável, que os ponha no olho da rua – e lhes feche o portão,
como já por aqui vi fazer – para que não voltem a casa sem antes
terem arreado o calhau.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Cumprir a austeridade gastando mais
Hoje,
confirmadas as noticias que já se adivinhavam, o país está ainda
mais indignado do que habitualmente. Compreende-se porquê. O que já
não se entende muito bem é – reitero o que ando a escrever desde
tempos imemoriais – a selectividade da indignação que por aí vou
vendo espalhada.
O
país está abespinhado. Não gosta da austeridade. Daí que faça
tudo o que pode para contrariar as medidas austeras que o governo vai
decretando. E se a coisa não revela particular importância se for
um qualquer cidadão a tentar, por si, furar o esquema, o mesmo não
se pode dizer quando se trata de grupos organizados. Ou, pior ainda,
detentores de cargos políticos.
No
âmbito do memorando da troika o número de funcionários públicos
teria de ser reduzido em, pelo menos, dois por cento ao ano. Não
consta que haja, por parte dos diversos organismos obrigados a
aplicar esta redução, grandes violações à regra. Mas
desenganem-se os que pensam que do religioso cumprimento desta norma
resultou uma significativa poupança para os cofres públicos. Pelo
contrário. A despesa será agora bastante maior. È que, de
imediato, as mentes brilhantes que nos representam lembraram-se de
uma forma simples, expedita e bastante cara de dar a volta à lei,
aos cortes e à impossibilidade de arranjar emprego ao séquito.
Como? Recorrendo ao maravilhoso e transparente mundo das aquisições
de serviços. Seja de trabalho temporário ou de consultadoria. E
serve para tudo. Desde a limpeza de edifícios até à observação
do atum rabilho.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Estacionamento tuga
Este
chasso está à venda. Pelo menos a acreditar no papel colado no
vidro da porta. Isto apesar de coxo. Porque, como se pode atestar
(atestar?! Isto anda tudo ligado..) tem apenas três rodas. Deve ser
por isso que não vai a lado nenhum. Ou então é para não estragar
o eventual negócio!
quarta-feira, 13 de março de 2013
Apagão blogosferico
Escrevia
um destes dias o autor de um blogue que costumo visitar
frequentemente, daqueles que estão ali na barra lateral, que os
blogues duram sete anos. Alguns, acrescento eu. Outros acabam mal
começam. Há, depois, as excepções. Os bons que pela qualidade da
matéria publicada se tornaram uma referência e aqueles que, por uma
qualquer razão ou mesmo sem ela, insistem em permanecer na
blogosfera. É a este último segmento que o Kruzes se orgulha de
pertencer. Anda por aqui a aborrecer vai para oito anos e não
estará, salvo algum imponderável, perto do fim.
Lamentavelmente
– na minha opinião, porque outros pensarão o inverso – o
universo bloguistico de Estremoz desapareceu. Sumiu-se. Finou-se,
salvo raríssimas excepções, quase tão depressa como apareceu. E
ninguém ficou a ganhar com isso. Nem mesmo aqueles que respiraram de
alivio perante a ausência de critica. Alguns terão migrado para o
Facebook. Mas não é a mesma coisa. Ainda que com perfis falsos. Uma
espécie de anonimato que parece ser muito mais tolerada mas – e
vamos ver se o futuro não me dará razão – igualmente perigosa.
terça-feira, 12 de março de 2013
Privatize-se, porra!
Dizer
que as sucessivas greves nos transportes já aborrecem é,
manifestamente, pouco. Pelo menos quando comparado com a ausência de
medidas para combater a situação por parte da tutela. Que é como
quem diz, do governo. Talvez por isso surgiu agora – um destes
dias, não sei ao certo quando – um movimento de utentes do
metropolitano de Lisboa contestando a rebaldaria que se vive no
sector. Nomeadamente o facto de serem os utilizadores os únicos
prejudicados pelas inúmeras greves.
Obviamente
que os grevistas têm todo o direito de protestarem. Principalmente
quando entendam estar em causa aquilo que consideram ser os seus
direitos há muito adquiridos. Tal como os utentes de se manifestarem
contra o fraco – ou inexistente, em caso de greve – serviço pelo
qual pagaram antecipadamente. O governo, por sua vez, tem a obrigação
de assegurar o regular funcionamento da rede de transportes. Se não
está em condições de satisfazer as exigências de uns, nem de
indemnizar os prejuízos de outros, então que obrigue os primeiros a
trabalhar ou que arranje quem o queira fazer.
Não
é que me pareça boa ideia, mas, aproveitando esta onda de simpatia
póstuma para com Hugo Chavez, podiam copiar algumas das suas medidas
enquanto presidente da Venezuela. Como, por exemplo, aquela em que
ele despediu cerca de vinte mil grevistas da companhia de petróleos
lá do sitio. A julgar pela admiração que as redes sociais dedicam
ao falecido, seria coisa para recolher um aplauso quase unânime. E
com melhor resultado do que ir cantar a “Grândola” para as
estações de metro em dia de greve...
segunda-feira, 11 de março de 2013
Sacadores ou saqueadores?
O
resultado de vinte e tal anos a sacar dinheiro a Bruxelas – como
disse em certa ocasião um ex-Presidente da República e da Câmara
de Lisboa - para fazer obras, está à vista de todos que o queiram
ver. Poucos, apesar de tudo o que estamos a passar, porque a maioria
ainda acha que é uma boa ideia gastar o que não tem com obras
desnecessárias e arranjar encargos que não vai poder pagar só
porque alguém lhe dá uma ajudinha.
Despejar
dinheiro em cima dos problemas tem sido também uma prática
corrente. Mesmo daquele dinheiro que não temos, que tivemos de pedir
emprestado e que agora alguns acham que não temos nada de pagar. As
consequências são, tal como em relação ao que sacámos à Europa,
as que podemos apreciar.
Diz
que agora o governo, que politicamente tanto diabolizou esta prática
enquanto os organismos públicos de si dependentes a continuavam a
incentivar, vai lançar umas quantas obras públicas e criar uns
quantos programas para esturrar mais umas massas e, alegadamente,
criar emprego. Para gente vinda de leste e de África, presumo.
Haverá,
ao que parece, a intenção de avançar com projectos na área da
recuperação de centros urbanos degradados. Pode ser, admito, uma
ideia razoável. Os jardins suspensos em que os telhados de muitos
prédios, em todas as cidades e vilas, se estão a transformar
deviam, digo eu, constituir motivo de preocupação. Embora, em
muitos casos, já não haja nada para recuperar. Nem, sequer, razão
para o fazer. É deitar abaixo, limpar o entulho e pronto. Ou, quando
muito, alargar a rua.
domingo, 10 de março de 2013
Eleições antecipadas
A
eleição do sucessor de Bento XVI está a suscitar teorias deveras
curiosas acerca do perfil que deve ser tido em conta quando chegar a
hora do colégio eleitoral nomeado para o efeito tomar a sua decisão.
O novo Papa, alegam uns quantos, deve ser alguém do “sul do
mundo”. Presumo que tenham em mente algum candidato australiano ou
neozelandês com especiais aptidões para o cargo. Outros preferiam
ver no Vaticano um Papa negro. Não se sabe ao certo porquê mas,
sendo escuro que breu, ficariam satisfeitos.
Por
mim - que não sou dado a essas coisas das beatices e que não podia
estar menos interessado no assunto – tanto se me dá. Só não
percebo é porque a escolha parece ter de obedecer a critérios de
proveniência geográfica, cor da pele, idade ou de outra baboseira
qualquer. Pensava eu, pelos vistos mal, que quando se trata de eleger
alguém para funções com alguma relevância, a única condição
era a competência para o desempenho do lugar. Já que não é assim,
se querem algo revolucionário e a atirar para o modernaço, escolham
um Papa muçulmano e transexual e não se fala mais no assunto.
sábado, 9 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Javardolas
Verdade que o contentor está mesmo ali. Mas isso, quando se quer sujar deliberadamente o que outros acabaram de limpar, não interessa nada. Deve dar, calculo, um gozo do caraças atirar lixo para o chão, ver tudo sujo, armar-se em alarve e, às tantas, reclamar que “esta malandragem não quer é trabalhar, vejam lá que nem o lixo recolhem, os patifes”. São javardolas desta estirpe que não faltam por aqui. Nem, se calhar, noutros lados.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Das outras não resultou...Mas desta é que vai ser!
Não
vou gastar as pontas dos dedos, nem desgastar ainda mais as minhas
quase imperceptíveis impressões digitais, a escrever o que penso
acerca das cada vez mais previsíveis reduções de vencimentos na
função pública. Já o fiz em inúmeras ocasiões e, não o digo
com grande satisfação, tudo o que tem sucedido na sequência dos
cortes já efectuados tem vindo de encontro ao que por aqui tenho
escrito.
Parece
que desta vez a coisa vai ser ainda pior. Os ordenados da
generalidade dos funcionários públicos estarão, mais uma vez, sob
a ameaça de novos cortes e, consta, agora a titulo definitivo. Será,
tudo indica, por aí que o governo vai encolher a despesa pública
nos tais quatro mil milhões de que tanto se tem falado ultimamente.
Trata-se da opção mais fácil e com menos custos em termos de
popularidade mas, ainda assim, tão inútil como as tesouradas
anteriores.
Digamos
que, pelo menos nesta fase, não estou especialmente preocupado com
esta eventualidade. Ou quase certeza. Nunca gastei mais do que aquilo
que ganho e é assim que tenciono continuar a agir. Por isso se
ganhar menos, gastarei menos. E se tivermos em conta que na economia
os meus gastos são os teus ingressos, alguém é capaz de se
lixar. Mais ainda.
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