Se, por um lado, este tempo esquisito não me está a dar grande
ajuda na horta da crise, por outro vai contribuindo para a eficiência
energética cá de casa. Cansado de carregar com botijas de gás - nos meses mais
frios eram duas por mês – optei, há coisa de um ano, por colocar um painel
solar para aquecimento de água. Recuperar o investimento inicial demora,
naturalmente, algum tempo mas, mesmo assim, é uma opção que recomendo. O
consumo de gás diminuiu de forma drástica, as minhas costas nunca mais se
queixaram e, com este inverno solarengo, quase nem tem sido necessário recorrer
à energia eléctrica para aquecer a água do banho matinal. O astro-rei tem-se
encarregado de a pôr a escaldar.
No processo de aquisição e instalação do sistema apenas um
pormenor me deixou escandalizado. O painel foi fabricado na Austrália.
Inacreditável. Somos um país em que o sol brilha a maioria dos dias do ano mas,
apesar disso, não aproveitamos a sua energia nem desenvolvemos uma indústria
que vise a produção de equipamentos que potenciem o seu aproveitamento e
precisamos de importar estas coisas. Afinal, ainda que o sol quando nasce seja
para todos, parece que do outro lado do mundo ilumina muito mais. Pelo menos no
que diz respeito às ideias, à iniciativa e ao que se faz com elas.