Esta cerejeira
que vai sobrevivendo no meu quintal – digo sobrevivendo porque, face à
paupérrima produtividade, um destes dias fica com as raízes ao sol – deve estar
com o relógio biológico avariado. Estamos em Novembro, acabou há poucos dias de
perder quase toda a folhagem e está a começar a dar flor. Coisa que, acho, só
devia ocorrer lá para Março. A continuar assim, por essa altura devo estar a
comer cerejas. Eu e os melros aqui das redondezas.
domingo, 6 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A rentabilidade é uma coisa boa? Depende se nos prejudica ou não...
Compreendo que
a prometida revolução no sector dos transportes das áreas metropolitanas de
Lisboa e Porto suscite a indignação de muita gente. Nomeadamente dos que serão
afectados pelas suas consequências. Ainda assim não é coisa que me inquiete por
aí além ou que motive em mim o mais leve sentimento de solidariedade. Afinal
são os residentes destas regiões quem, de um modo genérico, menos se apoquentam com as
decisões governativas de encerrar serviços - por vezes tão ou mais essenciais
do que os transportes - nas regiões do interior. Chegou, digo eu que nisto de
ser solidário sou um apreciador da reciprocidade, a altura de também os
moradores das duas grandes cidades e seus arrabaldes provarem, ainda que apenas
ligeiramente, da receita que há muito é aplicada ao resto do país em nome de algo
a que chamam rentabilidade, ou assim.
Não ter transporte
público depois das vinte e três horas não constituirá nenhum drama. É tudo uma
questão de mudança. De horário, de rotinas ou, até, de residência. O mercado –
onde é que eu já ouvi isto – acabará por se ajustar. E, se não estiverem
contentes, façam-se à vida e venham morar para o Alentejo, para a Beira ou para
Trás-os-Montes. Curioso. Com as devidas adaptações esta sugestão também me soaria
vagamente familiar…
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Javardolas
Cada dia que
passa serve para confirmar que as gorduras do Estado são, em especial, os
funcionários públicos e, de uma maneira geral, todos os restantes portugueses.
Razão tinha o outro palerma em sugerir à rapaziada que emigre e deixe quanto
antes esse país que parece condenado a ser governado por javardos. Sempre quero
ver de que vão viver este bando de merdosos quando não estiver cá ninguém para os
sustentar. Como disse o outro, eles sabem lá o que é a vida.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Perguntas desnecessárias. Parvas, até.
A acentuada
diminuição da população nos concelhos do interior devia constituir uma das
principais preocupações de quem tem por dever governar o país. Mas esse - e a
realidade está aí para o demonstrar - não parece ser o caso. Tirando uma ou
outra honrosa excepção. O Presidente da República, por exemplo. Recorde-se
aquele discurso onde Cavaco se interrogava – ou interrogava-nos a nós, sei lá -
de forma veemente, acerca do que seria necessário fazer para que nascessem mais
crianças no interior do país. Assim, de
repente, não estou a ver. Mas, ainda no âmbito das perguntas parvas, acabo de constatar
no site do Parlamento que o Presidente não está sozinho quanto às interrogações
sobre esta temática. Quatro deputados do CDS-PP enviaram dezenas de
requerimentos a outros tantos Presidentes de Câmara onde solicitam resposta
para a seguinte questão: “Quais são, na opinião de V.Exª, as razões que
conduziram à diminuição da população no concelho?”. Eu, que não sou de
intrigas, quase me sinto tentado a sugerir que a concentração do investimento
público e privado na faixa litoral é capaz de ter alguma coisa a ver com isso. Ou que o
sucessivo encerramento de serviços públicos, deixando as populações ao
abandono, pode ter tido alguma influência. Embora também suspeite que as
cegonhas tenham uma assinalável dose de responsabilidade. Mas, como isto anda
tudo ligado, desconfio que o principal motivo é já não haver daquela rapaziada
mariola a furar os preservativos com alfinetes. De cabecinha.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Se fosse grego votava não.
Os gregos
chegaram ao fim da linha. Tal como nós, mais cedo do que tarde, acabaremos por
chegar. Colocar nas mãos do povo a decisão acerca do seu futuro parece uma
decisão sensata. Ou perigosa. Depende do ponto de vista. Mas que se justifica
face à dimensão do que está em causa.
Por cá, quase
de certeza, nunca seremos chamados a pronunciar-nos acerca das novas patifarias
a que, um dia destes, seremos sujeitos. Principalmente se, como é expectável, os
referendos – sim, porque tal como noutras ocasiões serão gajos para repetir a
votação até o resultado ser do seu agrado - na Grécia não correrem de feição
para aqueles que nos querem tirar a pele. Mas, se estiver enganado e formos também
a votos, acredito que aceitaremos tudo e mais alguma coisa. Verdade que a
alternativa será a falta de dinheiro para pagar ordenados, pensões e importar comida
ou medicamentos. No entanto talvez fosse uma boa oportunidade para, definitivamente,
os portugueses – incluindo muitos políticos e seus sabujos – aprenderem que a
gestão da vida, a privada e a pública, não se faz apenas de gastar dinheiro. Principalmente
do que não temos.
domingo, 30 de outubro de 2011
Homem prevenido vale por dois. Um não se afoga e outro não cai...
Com o
aproximar da época das intempéries é altura de tomar medidas que minorem os
seus efeitos destrutivos, catastróficos ou, simplesmente, aborrecidos. Entre os
quais podemos incluir as inundações, os alagamentos e outras situações que
envolvam excesso de água normalmente associadas a uma borrasca. Deve ter sido
isso que pensou o precavido cidadão que engendrou este esquema manhoso. Estará
assim, ele e o seu quintal, a salvo das consequências desagradáveis de algum
temporal que traga uma pluviosidade mais intensa. O mesmo não se pode dizer de
quem por ali passe, não repare na canalização e se estatele no passeio. Mas,
nada de alarmismos, se tal acontecer – e esperemos que não – haverá certamente
algum seguro ou alguma instituição pública que suportará os custos associados
ao trambolhão. Tudo bem, portanto.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A bem da nação, dizem eles.
Aos poucos
estamos a ser preparados para perder definitivamente os subsídios de férias e
de Natal. O saque começou pelos funcionários públicos mas de certeza que não tardará
a ser seguido pela generalidade dos patrões. E nem vale a pena termos a ilusão
de que o seu valor será distribuído pelos doze meses do ano. Tal, a acontecer,
representará na melhor das hipóteses uma ínfima parte do montante que até agora
temos vindo a receber.
Perante um
cenário desta natureza nem sei como classificar alguns apelos, feitos por
governantes e analistas do regime, à união e patriotismo dos portugueses para
que, com o contributo de todos, ultrapassemos este momento difícil. Isto ou
coisa parecida que pretende dizer mais ou menos o mesmo. É, convenhamos,
preciso ser possuidor de uma distintíssima lata para vir com esta conversa
fiada. Principalmente vinda da parte de quem cria divisões desnecessárias – e até
perigosas – entre os cidadãos.
Não tenciono
fazer greves nem andar por aí a partir montras ou a apedrejar policias. Mas,
excepto quanto ao confisco que me fazem a parte significativa do meu
vencimento, não contem comigo para ajudar seja no que for. Tudo, mas mesmo
tudo, farei para recuperar aquilo de que me esbulham. Seja a contornar o saque
fiscal ou a comprar na economia paralela ou ali do outro lado da fronteira. Para
o peditório do Estado ladrão só dou o que de todo não puder evitar. Que é como
quem diz, o que a ladroagem me rouba.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Bicha molhada
Mesmo com os combustíveis
a preços proibitivos recusamo-nos a deixar o carro na garagem ou à porta de
casa. Ainda que seja para percorrer as centenas de metros que distam de uma a
outra ponta da cidade. No caso que a imagem ilustra, nem se pode dizer que a
culpa da enorme bicha – para as nossas dimensões - que se formou fosse por estar a
chover. Porque nós, pais extremosos, todos os dias causamos este pandemónio. A
diferença é que quando chove não há policia a controlar o trânsito. O que me parece
muitíssimo bem, não vá o senhor agente constipar-se e, por consequência,
ausentar-se do seu posto durante um período de tempo mais alargado, deixando os
automobilistas entregues à sua sorte. Nestes dias talvez se devesse chamar a
GNR. Diz que chuva civil não molha militar.
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