A
primeira vez que tomei consciência de que estava a ficar velho foi quando
começaram a aparecer, nas principais equipas de futebol, jogadores mais novos
do que eu. Nada que suscite preocupação a quem quer que seja, convenhamos. Deve
ter sido por isso que não liguei. Ou, então, as alegrias que as novas gerações
nos proporcionaram foram-me fazendo esquecer essa coisa do avançar da idade.
Poucos
anos depois sucedeu o mesmo com os polícias. De repente, ou pelo menos assim me
pareceu, um número significativo de agentes da autoridade tinha uma idade inferior
à minha. Confesso que, ao princípio, achei estranho. Mas depois habituei-me.
Até porque são cada vez mais e, reconheça-se, contribuíram para melhorar
significativamente a imagem da polícia.
De há um
tempo para cá está a acontecer o mesmo com os políticos. Mas, no que diz
respeito a essa gente, estou com manifesta dificuldade em aceitar o facto com
o mesmo optimismo que o fiz em relação a polícias e futebolistas. Deve ser – quero acreditar nisso – por não nos
proporcionarem alegrias nem contribuírem para melhorar coisa nenhuma.