As noticias, ontem amplamente difundidas, que davam conta de uma intempestiva entrada de Armando Vara no gabinete de uma médica, num Centro de Saúde de Lisboa, com a finalidade de obter um atestado médico são, entre outras coisas, mais um ataque ao actual PS - quiçá, até, ao primeiro ministro - e indiciadoras de mais uma campanha negra visando caluniar e desprestigiar uma conceituada figura pública. Mesmo que o homem não tenha aguardado, como os outros pacientes, pacientemente a sua vez de ser atendido. O que, vendo a coisa pelo lado positivo, não revela má educação, como sugerem a peça jornalística e a directora do serviço, mas apenas impaciência. Ou, como preferem José Sócrates e os lambe-botas de serviço, um saudável dinamismo.
Irromper hospitais e centros de saúde adentro, sem respeitar filas de espera e outras normas vigentes nesses locais, acontece todos os dias. Veja-se o caso dos ciganos. Quem não assistiu já a cenas semelhantes protagonizadas por esses cidadãos? Apenas quem nunca, para felicidade sua, necessitou de recorrer aos serviços públicos de saúde. Mas com isso, a TVI e outros orgãos de comunicação que criticam o comportamento do ex-ministro, nunca se preocuparam. Era, se calhar, politicamente pouco correcto relatar os constantes desacatos que essa malta provoca ou mencionar o tratamento vip de que gozam só para o pessoal hospitalar os ver pelas costas.
O politico socialista em causa não terá, ao que se sabe, ameaçado bater ou dar tiros a ninguém, nem recorrer a outras formas de violência já vistas por sítios como aquele. Não foi agressivo para com os outros utentes, pelo contrário até os terá cumprimentado de forma cordata e pacifica, e não causou qualquer espécie de distúrbio. Não se percebe, por isso, o tratamento diferenciado, comparativamente aos ciganos, de que está a ser alvo por parte dos jornalistas. Questiono-me - com uma certa inquietação, diga-se - acerca do que haverá de diferente entre Armando Vara e um cidadão de etnia cigana. Nada, parece-me.