José Sócrates anunciou recentemente ao país a criação de mil e duzentos novos postos de trabalho, num call-center da PT, lá para os lados de Santo Tirso. O número impressiona visivelmente os mais crentes nas virtudes e aptidões governativas do primeiro-ministro, faz desconfiar os mais cépticos nessas mesmas capacidades e a mim deixa-me manifestamente preocupado. É que não gosto de “call-centers”. Associo essa coisa de nome estrangeiro às criaturas que me telefonam, pelo menos uma ou duas vezes por semana, a oferecer cartões de crédito com que poderei gastar quase tanto dinheiro como o Cristiano Ronaldo ou telefones com que posso telefonar à borla durante os próximos cem anos.
No entanto nem é isso que mais me incomoda. O que verdadeiramente me aborrece é que o fazem, invariavelmente, à hora do jantar. E mandar alguém à merda enquanto degusto uma refeição é algo que não fica bem. Nem me apraz.