terça-feira, 22 de julho de 2025

O banquinho

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A alguém da Câmara de Oeiras deve ter parecido boa ideia mandar pintar cada ripa dos bancos de jardim com uma cor diferente. Para promover a inclusão, dizem. Receio não estar a acompanhar o raciocínio do génio que idealizou a coisa. É que, assim de repente, os assentos não me parecem especialmente inclusivos. Inclusivamente não estão equipados com uma almofadinha para o rabinho. Apetrecho que, se calhar, daria jeito a algumas criaturas que possam ter dificuldade em sentar-se sobre a superfície de madeira - geralmente dura, como sucede com todo o tipo de madeira. Por exemplo, entre outros, todos aqueles que sofrem de hemorroidas ou que tenham acabado de sair do urologista. Para esses, tenha aquilo a cor que tiver, não há ali vislumbre de inclusão. Também ninguém pensou nos daltónicos. No caso destes ainda é pior. É discriminatório. Imagine-se alguém a dizer “Olha ali um banco tão colorido!” e o daltónico, coitado, a perguntar “Onde?! Onde?!”. Muito menos se importaram com os anões. Para quem sofre de nanismo deve constituir um martírio acomodar-se ou levantar-se de bancos tradicionais. Ainda assim, desconfio que aquilo seja moda para pegar. Nem que seja de empurrão. Podem, a seguir, pintar as carruagens dos comboios cada uma de sua cor. E mais o que lhes dê na real gana, também. Que esta cena da inclusão é uma coisa modernaça. Mesmo que inclua pouco e exclua muito.

4 comentários:

  1. Alvaro Guerreiro8:51 a.m.

    Qualquer dia estão a pintar de várias cores... os peeidos!

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  2. Como alguém costuma dizer ... 'não há c* que aguente'!
    Esta publicação deu-me vontade de rir, pela assertividade.
    Cumprimentos, caro KK.

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  3. Depois admiram-se...põem-se a jeito!!

    Cumprimentos, caro António.

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