Mais de uma hora na bicha para exercer o meu direito de voto foi tempo bastante para me ocorrerem umas quantas inquietações. Quase todas, diga-se, relacionadas com o acto eleitoral em curso. Uma delas tem a ver com o dia de reflexão. Se é uma cena assim tão importante – uma vaca sagrada, pelos vistos – ontem e hoje não devia ser permitido fazer campanha. Nem, tão pouco, falar-se de eleições e assuntos relacionados nos meios de comunicação social ou nas redes sociais. Pouca será, portanto, a legitimidade dos que nos próximos dias vinte nove e trinta reclamarem de eventual propaganda eleitoral.
Outra inquietação tem a ver com o próprio sistema eleitoral. Quem o arquitetou entendeu – vá lá perceber-se a ideia – transformar uma eleição nacional em vinte pequenas eleições regionais. O que, como é óbvio, limita a escolha dos eleitores residentes nos círculos menos populosos. No distrito de Évora – em Portalegre ainda é pior – se não quiser que o meu voto seja absolutamente inútil, apenas tenho três opções. Qualquer outra escolha para além do PS, PSD ou PCP constituirá um voto que não serve de nada. A existência de um único circulo nacional seria a solução para que todos os votos fossem iguais e contribuiria, também, para uma maior diversidade na representação parlamentar. Mas isso, por mais que proclamem o seu eterno amor à democracia, pouco interessa aos dois maiores partidos.
Boa Tarde
ResponderEliminarUm voto inútil é aquele que é dado àqueles que não nos representam. A teoria do voto útil apenas serve para uma bipolarização artificial. Eu votarei sempre no partido com quem me identifico, ou não o encontrando voto Branco ou Anulo o boletim, independentemente dessa lista partidária eleger ou não deputados. O importante é votar em consciência, livre de pressões que nos querem empurrar para o "branco ou preto".
Entre o branco - todas as cores misturadas - e o negro - ausência de cor - há o arco-íris que só será belo com todas as cores no seu esplendor.
Vote no "seu" partido, seja ele qual for, não vá pelo caminho do mal o menos.
Resto de bom Domingo.
Zé Onofre
Ninguém muda a não ser que seja obrigado a mudar.
ResponderEliminarOs partidos que têm partilhado o poder, não querem qualquer mudança, ainda que ela já esteja prevista na Constituição da República.
http://bdjur.almedina.net/citem.php?field=item_id&value=842761
Podemos encontrar as razões que quisermos para votar neste ou naquele partido e, de certeza, todas muito válidas. A realidade é que, com o actual sistema eleitoral, um voto que não contribua para a eleição de deputados é um voto inútil. Em Évora, por exemplo, votar no BE serve para quê?
ResponderEliminarNão tenho acesso ao link que enviou...
ResponderEliminarPeço imensa desculpa, pois coloquei um link de acesso restrito.
ResponderEliminarDeveria ter colocado este, por exemplo:
https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49281675
Boa noite
ResponderEliminarServe para afirmar que somos o que somos votamos de acordo com a nossa consciência, que desprezamos aqueles que com o "chamado voto útil" ou o "do mal o menos", foi o quer nos trouxe a este pântano, como dizia Guterres.
Já pensei formar, com todos que os que votam em partidos por "ser o mal menor", o PB - Partido Branco -. Concorrer às eleições, mas não assumir lugares no parlamento, nem que fosse uma só cadeira e talvez os partidos que nos governam há maior número de anos sentissem vergonha de verem cadeiras vazias e sentirem-se culpados de fazerem promessas que não cumprem ou porque é contrário aos seus princípios - mas rendem votos - ou porque sabem que o Diretório da (Des)União Europeia não lhos permite cumpri-las.
Boa noite, continuação de boa semana
O ingénuo desiludido
Zé Onofre
Obrigado!
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