domingo, 23 de janeiro de 2022

Inquietações eleitorais

Mais de uma hora na bicha para exercer o meu direito de voto foi tempo bastante para me ocorrerem umas quantas inquietações. Quase todas, diga-se, relacionadas com o acto eleitoral em curso. Uma delas tem a ver com o dia de reflexão. Se é uma cena assim tão importante – uma vaca sagrada, pelos vistos – ontem e hoje não devia ser permitido fazer campanha. Nem, tão pouco, falar-se de eleições e assuntos relacionados nos meios de comunicação social ou nas redes sociais. Pouca será, portanto, a legitimidade dos que nos próximos dias vinte nove e trinta reclamarem de eventual propaganda eleitoral.


Outra inquietação tem a ver com o próprio sistema eleitoral. Quem o arquitetou entendeu – vá lá perceber-se a ideia – transformar uma eleição nacional em vinte pequenas eleições regionais. O que, como é óbvio, limita a escolha dos eleitores residentes nos círculos menos populosos. No distrito de Évora – em Portalegre ainda é pior – se não quiser que o meu voto seja absolutamente inútil, apenas tenho três opções. Qualquer outra escolha para além do PS, PSD ou PCP constituirá um voto que não serve de nada. A existência de um único circulo nacional seria a solução para que todos os votos fossem iguais e contribuiria, também, para uma maior diversidade na representação parlamentar. Mas isso, por mais que proclamem o seu eterno amor à democracia, pouco interessa aos dois maiores partidos.

7 comentários:

  1. Zé Onofre5:54 p.m.

    Boa Tarde
    Um voto inútil é aquele que é dado àqueles que não nos representam. A teoria do voto útil apenas serve para uma bipolarização artificial. Eu votarei sempre no partido com quem me identifico, ou não o encontrando voto Branco ou Anulo o boletim, independentemente dessa lista partidária eleger ou não deputados. O importante é votar em consciência, livre de pressões que nos querem empurrar para o "branco ou preto".
    Entre o branco - todas as cores misturadas - e o negro - ausência de cor - há o arco-íris que só será belo com todas as cores no seu esplendor.
    Vote no "seu" partido, seja ele qual for, não vá pelo caminho do mal o menos.
    Resto de bom Domingo.
    Zé Onofre

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  2. João Barreiros9:06 p.m.

    Ninguém muda a não ser que seja obrigado a mudar.
    Os partidos que têm partilhado o poder, não querem qualquer mudança, ainda que ela já esteja prevista na Constituição da República.
    http://bdjur.almedina.net/citem.php?field=item_id&value=842761

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  3. Podemos encontrar as razões que quisermos para votar neste ou naquele partido e, de certeza, todas muito válidas. A realidade é que, com o actual sistema eleitoral, um voto que não contribua para a eleição de deputados é um voto inútil. Em Évora, por exemplo, votar no BE serve para quê?

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  4. Não tenho acesso ao link que enviou...

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  5. Barreiros João11:36 p.m.

    Peço imensa desculpa, pois coloquei um link de acesso restrito.
    Deveria ter colocado este, por exemplo:
    https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49281675

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  6. Zé Onofre1:00 a.m.

    Boa noite
    Serve para afirmar que somos o que somos votamos de acordo com a nossa consciência, que desprezamos aqueles que com o "chamado voto útil" ou o "do mal o menos", foi o quer nos trouxe a este pântano, como dizia Guterres.
    Já pensei formar, com todos que os que votam em partidos por "ser o mal menor", o PB - Partido Branco -. Concorrer às eleições, mas não assumir lugares no parlamento, nem que fosse uma só cadeira e talvez os partidos que nos governam há maior número de anos sentissem vergonha de verem cadeiras vazias e sentirem-se culpados de fazerem promessas que não cumprem ou porque é contrário aos seus princípios - mas rendem votos - ou porque sabem que o Diretório da (Des)União Europeia não lhos permite cumpri-las.
    Boa noite, continuação de boa semana
    O ingénuo desiludido
    Zé Onofre

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