terça-feira, 24 de abril de 2018

Uma espécie de desígnio nacional

Estou comovido. Tanta sensibilidade deixa-me assim. Isto porque o Costa acaba de anunciar, como desígnio nacional, “chegar ao dia 25 de abril de 2024 — quando comemorarmos os 50 anos da revolução – podendo dizer que eliminámos todas as situações de carência habitacional”. Acho bem. A sério. Se eu fosse gajo de lágrima fácil estaria agora a sacar de um lencinho. 


Tal como me parece muitíssimo bem que, num momento de rara sagacidade, tenha deixado cair aquela ideia parva e pró-comunoide de aplicar o conceito da reforma agrária às habitações devolutas. Era, de facto, pouco digno de um país democrático. 


Desconfio, porém, que se esteja prestes a criar outro problema. Maior, até, do que aquele que se pretende resolver. Aos idosos e deficientes, no caso. Pretende-se agora que os contratos de arrendamento que envolvam estas pessoas sejam renovados automaticamente e se garanta a impossibilidade de despejo. Já estou mesmo a ver os senhorios a franzirem o sobrolho -  e a deitarem contas à idade do outro - quando lhes aparecer alguém com alguma idade a pretender arrendar uma casa...  

2 comentários:

  1. Como 'Desígnio Nacional' os bancos estão a converter uns tolos nacionais (e há mesmo muitos) em pobrezitos.
    Já podem comprar um carro (perdão, um automóvel, caríssimo para as suas bolsas) pois estão a fazer empréstimos a 10 — dez — 10 anos para aquisição de viatura.
    Viva a banca (ainda não rota)...

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  2. Comprar um carro com recurso a um crédito a dez anos - e há quem o faça - constitui uma estupidez do tamanho do mundo. Quando acaba de o pagar já o mesmo não vale nada!

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