segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Achar que há turistas em excesso conta como xenofobia?!

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Os turistas e o turismo parecem estar a tornar-se no novo alvo de alguma intelectualidade bem pensante. Daquela, nomeadamente, que tem influência junto dos órgãos de decisão. Aborrece-os que as cidades, particularmente Lisboa que é onde o fenómeno é mais visível e moram a maior parte destes seres, estejam cheias de gente vinda de fora. Mais ainda quando esses visitantes têm os bolsos cheios de dinheiro e invadem todos os espaços onde o podem gastar, os malandrins.


Compreendo, em parte, a sua irritação. A multidão que aos sábados de manhã – lisboetas, espanhóis e pagode oriundo de todas as vilas e aldeias das redondezas – invade a minha terra para apreciar o mercado semanal também me causa um elevado nível de irritabilidade. Perturbam-me o sossego. Impedem-me de beberricar tranquilamente o meu cafezinho matinal. Lutar por uma mesa num tasco ou numa esplanada com um casal de velhotes que quer degustar o seu brinhol, com um bando de castelhanos aos berros desejosos de comer o maior número possível de pasteis de nata ou com uns tios de Lisboa eufóricos com o penico que acabaram de comprar por cinquenta euros na feira das velharias são coisas que me deixam para lá de stressado. Quase me apetece, como a tal intelectualidade, mandá-los gastar o dinheiro deles para outro lado. Mas isso sou eu. Um reacionário-fascista-xenófobo que, ao contrário da intelectualidade bem pensante, não tem particular apreço pela malta de outras paragens…

4 comentários:

  1. Eu acho o turismo muito positivo, mas sem exageros. Os turistas trazem poder de compra, compram e geram empregos na hotelaria, restauração, artesanato, etc. Por outro lado, obrigam os municípios a serem mais informativos e asseados (mesmo que seja só para inglês ver, já é alguma coisa). No entanto, quando a identidade de um local é ameaçada, deixa de ser positiva. Não sei onde moras, mas os turistas no teu mercado, dinamizam-no. Atraem mais comerciantes, que por sua vez vão comprar mais aos fornecedores. Os negócios como cafés, padarias, etc também ganham. A Câmara consegue obter mais receita com uma maior ocupação. Mas se o mercado se tornar num desfile com barulho e sujidade e pouca gente a comprar, e pior, uma escala de inflação, aí já não vale a pena.

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  2. Boa análise, sem dúvida. Estaremos, quanto a mim, ainda muito longe do ponto de ruptura no que diz respeito ao turismo e à quantidade de turistas que nos visitam.

    Mas o que acho mais engraçado nisto tudo é o tipo de pessoas que parece estar incomodado com a "invasão" de turistas...é que é fácil acusarem-me a mim de xenófobo por não apreciar a vizinhança de um potencial criminoso mas depois ficam aborrecidos por não terem lugar na esplanada que está cheia de estrangeiros...

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  3. Não, mas conta como uma excelente crónica :D

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