terça-feira, 6 de setembro de 2016

Deve ser aquilo do pobretes mas alegretes…

Se um gajo que ganhou o prémio Nobel diz que o melhor para mim – e para os portugueses em geral – é o país abandonar a moeda única, não vou ser eu, pobre ignorante, a contraditar a solução que o homem apresenta para os nossos problemas. Não é o único a pensar assim. E deve ter razão, pois gente a partilhar desta opinião não falta por cá. Não sei é se dizem isto antes ou depois de pensar durante algum tempo – trinta segundos, vá – no assunto. Deve ser o suficiente para fazer duas ou três contas. Para calcular, por exemplo, quanto passariam a custar os combustíveis e uns quantos produtos daqueles que metemos no carrinho do supermercado, depois de convertidos para a nova moeda e imaginando que esta – numa perspetiva optimista e para facilitar as contas – perderia um terço do valor face ao euro. O mesmo se aplicaria às economias – muitas ou poucos – que cada um de nós guarda no banco ou debaixo do colchão. Trinta e três por cento, quiçá mais, levariam sumiço.


Mas pronto, se um prémio Nobel garante que os meus problemas se resolvem pagando os bens que preciso para viver ao mesmo preço de agora mas com um ordenado significativamente menor e que, a juntar a isso, ainda levo um enorme rombo nas minhas economias, então acredito piamente que assim será. Não sei é se o Tribunal Constitucional aprova este brutal corte dos rendimentos. Ou se vou voltar a ouvir aquele fantástico argumento que “apesar de não ser o melhor para os portugueses será o melhor para o país”.

8 comentários:

  1. O melhor para o país nem sempre é o melhor para todos os portugueses! ;)

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  2. O problema desses prémio nóbeis e dos nossos ministros (das finanças e economia) é que são académicos.
    Vivem no mundo do excel, das regressões, das derivadas, dos polinómios e das variáveis. Falta-lhes conhecimento real do dia-a-dia. A maior parte deles entrega às empregadas e às esposas a gestão do orçamento familiar e os que têm empresas apenas vêm o cash a cair na conta bancária não estando na gestão operacional e de tesouraria do dia-a-dia. Falta-lhes sentido realista do dia-a-dia empresarial e das famílias.

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  3. Mas neste caso não consigo ver para quem seria melhor. Ficaríamos todos muito mais pobres. O país incluído.

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  4. Por mim até gosto do excel...se calhar o problema - para além daqueles que muito bem enumera - é também que essa malta não sabe usar a folha de cálculo...

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  5. Os portugueses mais abastados não têm interesse nesse cenário...

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  6. Os mais abastados não teriam problemas, essa malta safa-se sempre. A chatice seria para os mais pobres que nem para comer teriam dinheiro.

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  7. Cada vez mais os nobéis são gente com quem se pode aprender. Ver o Günter Grass. Sabia tanto...

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