Os socráticos são pessoas de fé. Acreditam na inocência do seu ídolo e, até os que duvidam dela, desculpam-no. Outros afiançam que mesmo tendo escorrido uns milhões para os bolsos do engenheiro isso não será – a ter ocorrido - especialmente preocupante. Não terá sido, alegam, coisa que financeiramente os tenha afetado. Ao contrário do que tem feito o actual governo, concluem parvamente.
Esta admiração e este raciocínio, ainda que parvo, têm alguma lógica. Quem os desenvolve é, na sua maioria, reformado e gente que no reinado do prisioneiro quarenta e quatro não foi afectada pelas medidas de austeridade então tomadas. Poucos, de entre esses, se importaram que o abono de família tivesse sido roubado a quem ganhava a fantástica soma de oitocentos euros e o aumento dos impostos tivessem atacado os bolsos de quem trabalha.
Claro que quando os cortes lhes bateram à porta tudo mudou de figura. O outro que nada lhes tirou é que era bom e os que cortaram a todos é que são umas bestas. São desabafos desta natureza intercalados com relatos de cruzeiros, jantaradas e passeatas diversas pela estranja, que me levam a concluir que o gajo do “aguenta, aguenta” afinal tinha razão.
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