sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Os outros que paguem a crise!



Desde tempos imemoriais – devo ter começado por volta de 1329, mais coisa menos coisa – que escrevo, aqui e noutros locais onde o assunto tem sido debatido, a minha convicção que baixar salários é altamente prejudicial para a economia e especialmente nocivo para o equilíbrio das finanças públicas. Tenho-o feito com particular ênfase ao longo do último ano em que, por força do roubo dos dois meses de vencimento aos funcionários públicos, esta questão tem estado na ordem do dia. Não os contei mas devem ter sido algumas dezenas os posts que publiquei no Kruzes e, seguramente, centenas os comentários que deixei em fóruns e blogues onde esta temática tem sido discutida.
A minha posição, como era de esperar, foi quase sempre ignorada e  raramente suscitou reacções de outros intervenientes. Aqueles – poucos – que se deram ao trabalho de reagir aos meus desabafos fizeram-no quase sempre para, os mais simpáticos, me chamar burro. Ou, os mais condescendentes para com a minha iliteracia económica, financeira, fiscal e ignorância de uma forma geral, para me esclarecer que não era bem assim e que a diminuição da despesa do Estado contribuiria para a melhoria das contas públicas e que libertaria mais recursos que fariam a economia, um dia destes, começar um novo e promissor ciclo de crescimento.
Recordo ainda que, após o anúncio do corte dos subsídios de férias e de natal aos funcionários públicos, não faltaram os elogios a esta medida. Lembro-me até de algumas caras felizes com a notícia. Não esqueço igualmente os comentários de satisfação que encheram as caixas de comentários dos jornais on-line e de outros sites e blogues onde se escrevia sobre a novidade. Tal como parece que ainda estou a ver a generalidade dos comentadores de televisão regozijando-se com tão corajosa, tanto como necessária, medida do governo.
Por tudo isso acho absolutamente hipócrita as manifestações de indignação que hoje assolam o país. Se, antes, cortar dois salários era bom, dava gozo e ninguém – para além das vítimas - criticava, porque raio hoje cortar um ordenado já é mau e capaz de provocar esta histeria social?! Se tirar dois vencimentos aos funcionários era óptimo para a economia, para as finanças e quem sabe até para a caspa, porque diabo tirar um mês aos restantes trabalhadores é assim tão dramático?! Os mesmos que antes as aplaudiam são agora os que berram contra as políticas do governo. Apenas e só, não encontro outro motivo para a súbita mudança de opinião, porque lhes vão ao bolso. E ainda têm a lata de chamar nomes aos políticos…

É "seista-feira"



Espero que este verdadeiro artista seja melhor a cantar, a tocar ou  lá o que for que a criatura faça, do que promete o cartaz. O que, diga-se, não será difícil.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Subsidiodependência



A Direcção-Geral das Artes faz publicar hoje no Diário da República a listagem dos subsídios que atribuiu no primeiro semestre do corrente ano. A conta ultrapassa os seis milhões de euros. Seis milhões, repito. E apenas nos primeiros seis meses do ano. O que significa mais de doze milhões até final do ano se a coisa continuar a este ritmo. Os beneficiários – cerca de uma centena - deste esbanjar de dinheiro público são associações que se dedicam à música, ao teatro, à dança e actividades congéneres.
Entre elas podemos encontrar nomes verdadeiramente sugestivos e surpreendentes que, de certeza, muito contribuirão para o interesse geral do país. Temos, por exemplo, a “Associação Cão Solteiro” contemplada com 35.111,90€, a “Associação Cultural As Boas Raparigas Vão Para o Céu” a quem o Estado atribuiu 25.011,56€, a “Bomba Suicida” que viu a sua conta reforçada, à nossa custa, em 24.465,85€ e a “Associação Zé dos Bois” agraciada com a simpática quantia de 50.000 euros. Mais sorte tiveram, entre outros, os “Artistas Unidos”, que se orientaram com 230.000€, a “Cooperativa de Teatro de Animação O Bando”, com 240.000€, o “Teatro da Cornucópia", com 175.000€ ou a “Associação Cultural e Recreativa de Tondela, que levou a módica quantia de 110.490,06 euros.
Nenhuma das associações beneficiárias dos subsídios hoje divulgados se dedicam a apoiar desempregados, a ajudar criancinhas com fome, a mitigar as dificuldades de velhinhos com baixas reformas ou a promover qualquer forma de apoio social que o Estado não cubra. Nada disso. São artistas. Uma actividade respeitável, sem dúvida, mas que se devia sustentar a si própria. Não sustentando, como parece ser o caso, podemos concluir que a arte produzida não será boa o suficiente para ter rentabilidade e, por isso, necessita da mão protectora do Estado. Ou seja, que todos nós a sustentemos.
Numa altura em que tanto se protesta contra os cortes brutais nos salários – eu já me queixo há dois anos, mas parece que enquanto eram apenas os funcionários públicos não fazia mal – não posso deixar de estranhar o silêncio acerca deste tipo de despesa pública. Porra, seis milhões é muita coisa para esturrar em palhaçadas. Que, para precisarem de subsídios, nem devem ter grande piada.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Estacionamento tuga



Quando deparo com situações como a que a foto ilustra não me espanta que, com este procedimento, alguém evidencie perante os outros o direito a reservar, na via pública, um lugar para o popó. Ou não fossemos nós um país de chicos espertos. Também não me surpreende que os restantes automobilistas respeitem a “reserva” do lugar. Uns são gajos para achar que, nas mesmas circunstâncias, fariam o mesmo e outros, só para não arranjar chatices, preferem dar uma volta e procurar outro sítio para estacionar. O que num casos destes verdadeiramente me inquieta é que ninguém leve a cadeira.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Biife!



Há matriculas a atirar para o esquisito. Esta, nomeadamente. Assim, a modos que, com uma estranha derivação da pronúncia do norte…

domingo, 9 de setembro de 2012

Mal-cheirosos



Embora não adiantasse grande coisa – não adiantava mesmo nada – apetecia-me chamar nomes, com tanto de original como de feios, aos gajos que nos andam a tramar. Aqueles que se preparam para, a juntar aos três meses de vencimento em cada ano que já me roubaram desde 2011, se preparam agora para, entre aumento colossal de descontos e reformulação dos escalões do IRS, sacar mais um. Apetecia. Mas não chamo. Estou com dificuldade em ser original. Lamento apenas o mau cheiro que exala desta gente, desta politica e das consequências que provocam. Cheiram mal e não é apenas dos cascos.