Os alegados defensores dos animais regozijam com a medida das autoridades regionais da Catalunha que proíbe a realização de touradas naquela província espanhola. É um anseio antigo de um grupo de gente, minoritário mas ruidoso, que defende um conjunto de ideias bastante originais e, no seu entender, muito avançadas que a serem adoptadas representariam um enorme progresso civilizacional. Acham, entre outras coisas, que aos animais devem ser reconhecidos um conjunto de direitos, maior ou menor conforme o grau de parvoíce do proponente, que a serem seguidos não defeririam muito daqueles que são os direitos das pessoas.
Não gosto de touradas nem da maior parte dos espectáculos com animais. Apesar disso não posso estar mais em desacordo com aqueles que os contestam. Até porque, no caso dos espectáculos taurinos, os animais que eles tanto querem proteger nem existirão se deixar de haver touradas. Mas isso, provavelmente, pouco importará às bestas urbano depressivas ávidas de abraçar uma qualquer causa que dê sentido às suas vidas.
Continua a surpreender-me a discriminação que essa cambada pratica em relação às diferentes espécies. Quase todas tem os seus protectores e defensores que as defendem e protegem dos malvados humanos que as torturam, matam ou ingerem. Mas, enquanto isso, milhões de mosquitos e insectos de diversas marcas e modelos continuam diariamente a ser massacrados sem que ninguém se importe. Atente-se nos pára-choques e zona frontal de qualquer automóvel e veja-se o morticínio a que estão a ser condenados esses seres alados que, inocentemente, por aí esvoaçam. É urgente acabar com a indiferença e pôr fim a esta matança. Ambientalistas, ecologistas, defensores dos animais e outra gente igualmente culta e de elevado QI, façam qualquer coisa, porra! Os insectos também têm direitos. Ou não?











