quarta-feira, 26 de junho de 2024

Aturem-me!

Raro é o dia em que alguém não me questiona se já estou aposentado. Outras variantes da questão, igualmente frequentes, são se ainda estou a trabalhar ou quando é que me reformo. Pois que não sei. Um ano destes, talvez. Num futuro mais ou menos distante, quiçá. É que, para o bem e para o mal, não faço parte daquela geração de funcionários públicos que se aposentaram com trinta e seis anos de serviço e sem cortes. Melhor do que isso. Muitos foram promovidos dois ou três meses antes de se reformarem e, dado que deixaram de ter descontos e a pensão era igual ao último salário, passaram até a auferir mais do que quando trabalhavam. Ainda bem para eles, mas isto não dá para todos. Só para alguns. Os que chegaram primeiro, no caso. No fundo é como dizia a minha avó, quem primeiro chega primeiro se avia.


Perante este cenário de corte permanente das reformas – as futuras, claro, que esse é um corte indolor no presente e que apenas provoca uma perspectiva de maleita futura – não faço a mais pequena ideia quando atingirei a condição de aposentado. Se os direitos adquiridos fossem para todos já levaria sete anos de reforma. Assim, se calhar, terão de me continuar a aturar outros tantos porque, já estou como o outro, quanto mais trabalho mais tempo falta para me reformar. Ninguém merece. Nem eu, nem quem tem de me aturar.

4 comentários:

  1. E há quem, não sendo da função pública, seja obrigado a reformar-se mesmo contra vontade. Eu já estou reformado, nunca fui funcionário público, mas entenderam que 3 anos da idade seria mais útil não fazer nada (o ue não é o caso porque tenho smpre que fazer) do que continuar a trabalhar.

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  2. Eu não sendo da função pública reformei-me quando a entidade patronal assim o entendeu com a perda de 3 anos e reformada fui muito útil aos meus e serei sempre até partir. Sempre disse mais vale um pássaro na mão do que dois a voar!
    Beijos e um bom dia

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  3. Na verdade eu já podia estar reformado, mas o corte seria demasiado grande...

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  4. Se as coisas fossem como antes já estaria reformado e com a reforma igual ao último vencimento quase há oito anos. Assim, para ficar com 80%, só daqui por dois anos e tal.

    Cumprimentos

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