
Mas querem, ao certo – mesmo ao incerto também serve – referendar o quê? Que qualquer cidadão, num momento de aborrecimento ou apenas porque sim, faça um cartaz e vá para a rua reivindicar o que lhe dê na realíssima gana não tem mal nenhum. Antes pelo contrário. È o exercício de um direito legitimo, por maior que seja a excentricidade da reivindicação. Eu é que sou curioso e gosto de saber o que propõem os meus concidadãos no sentido de melhorar a vida de todos. Manias.
No caso trata-se do cartaz de um movimento, supostamente apartidário, que pretende a realização de um referendo local em Lisboa. As perguntas a referendar ainda ninguém sabe quais serão - diz que estão em período de recolha de propostas – mas na página do movimento o alvo escolhido, identificado como principal responsável pela falta de habitação, é o alojamento local. Já quanto aos hotéis de grandes cadeias internacionais, que também ocupam prédios e isso, nem uma palavra. Cá para mim são fachos, ou direitolas. O que, hoje em dia, é a mesma coisa. Gente que prefere atacar quem ganha a vida e se esfola a trabalhar nesse sector e prefere deixar em paz o grande capital, só pode ser da direita mais reaccionária. E bafienta, já se me escapava. Não tarda, ainda estão a culpar os quase oitocentos mil imigrantes, que por cá aportaram, pela falta de casas acessíveis à bolsa dos portugueses. Ou, vá, a pretender referendar se devemos aceitar ou não a vinda de outros tantos que, ao que tudo indica, também irão precisar de casa para morar. Não me admirava, que dessa direita xenófoba espera-se tudo.
Creio que essa ideia é proveniente das mesmas pessoas que andaram a ameaçar bloquear estações de metro, contra a linha circular, que eram os mesmos "jovens" que chegaram a cortar estradas, na baixa e no cais de sodré, a reclamar contra o fim da privatização da Carris e do Metropolitano. Depois de vários movimentos cívicos, alguns deles em que André Pestana (actual paladino dos 80000 sindicatos da educação e dos funcionários judiciais) era porta-voz, na altura pelo MAS.
ResponderEliminarAlém dessa há um grupo paralelo que quer deitar 3 prédios abaixo (na zona do quartel do Carmo) e fazer 2 silos automóveis com 15 andares cada. O projecto foi apresentado por uma empresa, ligada a um membro do CDS, em 2014, foi recusado, voltou a aparecer em 2019 pela mão de um consórcio financeiro, ligado a uma empresa de Malta, foi recusado. Há poucos meses, surgiu esse grupo, no FB, e alguns cartazes junto ao Príncipe Real, ao lado de cartazes do PSD e do Chega, que lá estiveram umas 3 semanas, até saírem todos no mesmo dia, portanto era a mesma empresa que alugou os espaços publicitários.
O BE está a apadrinhar a ideia...
ResponderEliminarEu nunca morei em Lisboa, mas sempre trabalhei em Lisboa e chegava e vinha todos os dias de transporte públco. Posso exigir que me seja atribuido um subsidio para ir viver para Lisboa?
ResponderEliminarVagueando,
ResponderEliminarNão venha viver para Lisboa. Agora é mau mas até ao fim do ano vai piorar dado só haver dinheiro para bola e para festivais — por enquanto...