Passou pelos pingos da chuva uma proposta de criação de mais um imposto. Taxa Covid, propõem chamar-lhe e visará taxar os ricaços. Será, segundo a explicação avançada pelos seus proponentes, uma cena fofinha que abrangerá apenas quem tem muito graveto e que nada terá a ver com austeridade. Apenas solidariedade, esclarecem.
Não estivesse eu farto de ser solidário – ando a sê-lo para aí desde 2009 – e ainda era gajo para achar que se tratava de uma ideia simpática. Não soubesse eu que quem ganha pouco mais do que o salário mínimo já é considerado rico, talvez não me parecesse despropositada uma taxazinha qualquer que permitisse minorar o impacto da crise. Se desconhecesse a maneira como o Estado esbanja os recursos que nos saca, era capaz de acreditar que o produto do esbulho proposto não iria parar aos bolsos dos do costume. Fosse eu parvo de todo, talvez acreditasse que isso dos ricos pagarem a crise não acontece apenas no país das maravilhas.
Mas, confesso, essa cena da solidariedade agrada-me. É por isso que via com bons olhos um impostozinho qualquer sobre todos aqueles que se reformaram na casa dos cinquenta anos de idade – ou menos se tiverem sido políticos – e que levaram a reforma completa após trinta e seis anos – ou menos – de serviço. Era capaz de ser justo solidarizarem-se comigo que, após quarenta anos de trabalho, se me aposentar agora ficarei, de acordo com o simulador on-line da CGA, com uma pensão de quatrocentos e trinta e oito euros e oitenta e um cêntimos. E é porque, parece, não pode ser menos.
Com o valor de aposentação conseguido ao fim de 45 anos de trabalho - disse bem, trabalho - já não vou em solidariedades.
ResponderEliminarSei que posso ser considerado um gajo rico, uma vez que os 650 euros mensais que aufiro da CGA me dão esse estatuto.
Pago IRS e não é pouco. E como bife, de vez em quando, ao contrário do que seria a ideia da senhora Isabelinha 'Xoné'. E bebo um café por dia. E pago contas mensais relativamente elevadas.
Ora diga-me lá, caro KK, se sou ou não um caso de êxito garantido!?
Solidariedade? Importa-se de repetir?
Cumprimentos solidários, meu caro.
Ass: O António
Há pouco menos de vinte anos saiu do meu local de trabalho, para a aposentação, uma "fornada" de gente entre os 49 e os 55 anos e 30 a 36 anos de serviço. Todos eles - graças aos descontos serem menores - ficaram em termos líquidos a receber mais do que estando a trabalhar. No caso reformas que rondarão, actualmente, os mil a dois mil euros mensais. Hoje eu tenho mais anos de idade e de serviço e se cometer a loucura de me aposentar fico com o equivalente ao IAS. Onde está a justiça, se mal pergunto? Isto não podia ser a dividir um bocadinho por todos? Por que raio a minha vizinha, que ainda está ali para as curvas, com uma reforma de 2700 euros não pode ser relativamente solidária? Tudo questões (im)pertinentes, reconheço...
ResponderEliminarCumprimentos, caro António.
A supervisora nacional do banco alimentar não disse que não se comesse bifes. Já nessa altura [com o paiseco falido] disse por outras palavras, quem tem dinheiro para luxos [BMW e Mercedes] não o tem para comer.
ResponderEliminarE ninguém ainda sonha o que vai ser de miséria neste paiseco ainda neste ano.
O gajo do PAN é que não quer que a malta coma bifes. O governo se calhar também não, até inventou uma taxa qualquer para isso.
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