quarta-feira, 3 de junho de 2020

Pobretes, alegretes e outros desconfinados.

Esta cena do vírus chinês está a dar a volta à mioleira de muito boa gente. Desde o pacato cidadão, que antes até parecia uma criatura normal, à classe política. É cada um pior que o outro. Mesmo o primeiro-ministro, que me parecia dos poucos com juízo no meio disto tudo, começa a dar mostras de já estar a variar. Hoje, no parlamento, rejeitou liminarmente a criação de um cerco sanitário na zona de Lisboa. Seria, acrescentou, uma medida discriminatória. Não consta que tenha tido esse tipo de preocupação quando impôs idêntica medida em Ovar e num concelho da Madeira. Se calhar, para resolver o problema da discriminação, o melhor será declarar um cordão sanitário ao resto do país. Assim como assim é só paisagem.


Mas, nisto da maluqueira, os portugueses não estão melhores. Diz que são festas do desconfinamento até mais não. Parece que há até quem faça centenas de quilómetros para ir a uma dessas festanças. E depois, naturalmente, fique “covidado”. O estranho desses festejos é que, muitos deles, ocorrem em bairros ou zonas usualmente designadas como “socialmente desfavorecidas”. Onde, garantem os especialistas da especialidade, há desemprego, miséria e fome. Tudo em simultâneo, presumo. Não vou, naturalmente, discordar quanto aos fracos recursos desses pândegos. Só me questiono, se vivendo na penúria fazem festarolas de arromba, o que seria se estivessem cheios de guito.




8 comentários:

  1. Silêncios10:14 p.m.

    Ora, aí está! Muito bem visto. SE há dinheiro para uma coisa... mas deve ser aquela história do: um leva as cervejas, o outros as salsichas ou o entecosto. As meninas, se não forem das que emborcam mais do que eles, levam os doces e pronto. Está a festa feita
    O "desfavorecimento" agora tem as costas largas, Por isso é que há grandes máquinas, carros, à porta de barracas. E esses ainda recebem o rendimento social, porque são... desfavorecidos.
    É como a cerca sanitária. Para Ovar pôde existir, para Lisboa e arredores... é chato. Enfim... Uma boa noite.

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  2. Anónimo8:37 a.m.

    Digo-te apenas que não queria estar na pele do 1º.ministro que a meu ver tem estado bem. Se fosse eu já tinha "finado".
    Quanto à cerca concordo com ele e fazer-se seria onde ocorrem os focos que lamentavelmente são quase todos onde sabemos.
    Ontem começou o futebol e deu para tudo num tal escape que todos sabemos.
    Sim há precariedade e fome em Portugal e junto o racismo...mas com esta pandemia - perca de empregos etc, etc. ganha a cerveja para muitos e a maioria das mulheres e filhos é que passam o que passam. Também te digo que há muita gente a "mamar" à custa de milhares de desgraçados e que até os escravizam.
    Para falarem desta classe teríamos que fazer uma tremenda "cerca" à volta de quem mais explora e poderia dar-te vários exemplos...porque já vivi uma guerra civil, já vivi com fome e já vivi com alguém que era dependente do jogo onde gastou rios de dinheiro até ao dia que lhe fiz as malas.

    Vamos p'ra frente com calma e coragem porque melhores dias virão.

    Abraços

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  3. Anónimo12:42 p.m.

    Um cerco sanitário a Lisboa teria consequências catastróficas a todos os níveis. Muito diferente, para pior, do que a Ovar, por muito respeito que tenha, e tenho, pelas boas gentes de lá.
    Não ouvi/li nada sobre a 'desculpa' de Costa mas acredito possa ter sido uma espécie de politicamente (in)correcto.
    A malta, toda, está cansada e o cérebro poderá não estar a corresponder.
    Cumprimentos, caro KK.

    Ass. António

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  4. Aqui na Madeira já abriram os bares de poncha e é o mesmo ... todos apinhados, uns em cima dos outros
    Parece que já não há problemas com o vírus


    Beijinhos Kruzes
    Resto de Dia Feliz

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  5. E como no outro dia não têm de ir trabalhar, que o rendimento está garantido aquilo dura até às tantas!

    Cumprimentos

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  6. Festas dessas também há por aqui e toda a gente sabe quem, como e porque as faz.

    Racismo? Talvez. Mas não é exclusivo de uma cor ou de uma etnia. Uma cigana que experimente casar com alguém de fora da comunidade que vai ver o que lhe acontece.

    O Costa é como escrevo, até parece ajuizado. O que não é difícil, no meio de tanto maluco.

    Quanto à pobreza...há, houve e haverá. É a vida. Só que a pobreza de agora pode não ter para comer mas não falta para telemóveis topo de gama, roupa de marca e sei lá mais o quê. Como uma vez me disse uma jovem do RSI olhando com desdém para o meu telemóvel : "tive um desses há muitos anos".

    Cumprimentos, Fatyly

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  7. Podiam fazer ao contrário, um cerco ao resto do país! Cá havíamos de sobreviver...

    Cumprimentos, caro António.

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  8. O pessoal não tem mesmo juízo nenhum!

    Cumprimentos, Luísa.

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