Diz que ocorreu a um esperto qualquer elaborar um estudo onde relaciona o parque automóvel de cada um dos concelhos do país com o rendimento dos seus habitantes. Não estou, confesso a minha ignorância, a ver a relação. Nem, por consequência, justificação nenhuma para o espanto por o referido estudioso ter concluído – abismado com as suas próprias conclusões, ao que consta - que existe um inusitado número de automóveis de luxo em concelhos com rendimentos declarados ao fisco ao nível do miserável.
Não tardaram os maledicentes do costume a concluir que isto é coisa de quem foge aos impostos e, afinal, existirá por aí muita gente fiscalmente pobre mas, vai-se a ver, leva uma vida de luxo. Ainda bem que assim é. O dinheiro é de quem o ganha, não é do Estado. E se a todos compete contribuir para o bem comum na medida das suas possibilidades, já chegámos ao ponto em que essa medida foi em muito ultrapassada.
Mesmo não conhecendo os dados do tal estudo, acredito que cá pela terrinha não será muito diferente. Sei é que o número de automóveis está a aumentar quase ao mesmo ritmo que a população diminui. O que, desconfio, é capaz de ser um dado interessante para analisar. Haja quem o faça.

O facto de haver automóveis de luxo num concelho nada diz de concreto. Serve para encher chouriços.
ResponderEliminarQuem são os seus proprietários? Vivem no tal concelho?
Os automóveis circulam, ou estão parados para dar nas vistas?
O rendimento de um cidadão tem alguma coisa a ver com os seus automóveis? Os bancos emprestam para que se adquira um automóvel de luxo, sem olhar ao pedinte...
Até temos o magno exemplo de um PM que viveu muito bem com o pilim emprestado pela Caixa.
E a fuga aos impostos? Quem dá o melhor exemplo senão o estado a que chegamos?
Abraço
A existência de carros, casas ou bens de luxo variados na posse de um indigente fiscal nada tem de suspeito. Pode muito bem ter-lhe saido o euromilhões ou ser filho de uma senhora a quem o destino pôs ao alcance um cofre gigantesco cheio de notas...
ResponderEliminarNão foi no Expresso que esse "estudo" foi publicado? Trata-se se uma (mais uma...) escolha de prioridades muito reveladora. Há mais de três anos, o Expresso chegou-se logo à frente para tomar conta dos documentos relacionados com os Panama Papers - e de então para cá, pouco mais fez do que sentar o seu anafado traseiro em cima das caixas de pens e discos onde guardaram os ficheiros. Se tivesse dedicado a estes uma fracção do tempo que terá gasto a cruzar os tais registos de automóveis com as declarações de rendimentos, talvez já soubéssemos algumas coisas interessantes - como, por exemplo, quais eram os jornalistas avençados por um saco-azul do GES...
ResponderEliminarNo estado em que isto está já tanto se me dá que quem tem dinheiro o ponha ao largo ou quem o pode fazer que fuja ao pagamento de impostos. Só não faço ambas por que não posso! Um país que nos tira tanto e tão pouco nos dá é o que merece.
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