
Há perguntas para as quais, por mais que me esforce, não encontro resposta. Embora, convenhamos, não faça grande esforço para a encontrar. Que hei-de, por exemplo, responder aos que me questionam – com uma frequência cada vez mais inquietante, diga-se – acerca de quando tenciono reformar-me. Apetece-me responder que não sou político. Nem militar. Nem, tão-pouco, professor, policia ou qualquer outra profissão de desgaste rápido. Podia, também, explicar que devia ter começado a trabalhar meia dúzia de anos mais cedo. Mas, se o fizesse, teria de explicar a impossibilidade da coisa, visto que antes andava a estudar, ou lá o que era.
Reconheço a pertinência da pergunta. De facto não é normal um gajo, com a minha idade e quase quarenta anos de serviço, continuar a bulir. Só porque não me apetece ficar a sobreviver com um IAS. Mas é a vida. Alguém tem pagar as pensões dos que se reformaram aos cinquenta, com trinta de descontos e levaram a reforma inteirinha. Deve ser aquilo a que chamam solidariedade intergeracional. Que é, parece, uma coisa assim, tipo, uns comem a carne e os outros roem os ossos.
Perguntar não ofende. Só chateia.
ResponderEliminarGrande Título!
Mas será a sina de quem tem o defeito de gostar de trabalhar.
Ponha-se a pau pois tem, decerto, dezenas de invejosos do seu bom aspecto. Descanse (se se pode descansar) mas não têm inveja do seu trabalho (t'arrenego, maldito). Têm inveja daquilo que eles nunca serão.
Abraço