sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Um delito, não ler.

Cada qual no seu blogue escreve o que muito bem entender. O cocó dos meninos, as maminhas novas ou as travessuras do Rafael – o canito mais pequeno lá de casa – constituirão, não duvido, excelentes assuntos para escrever posts memoráveis. Épicos, quiçá. Terão, acredito, o seu público. E depois há quem escreva bem sobre coisas que realmente importam. O pessoal que escreve no Delito de opinião, por exemplo. A ler. Com follow friday ou sem follow friday.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Touradas. Uma marrada no orçamento.

Diz-se hoje, em forma de lamento, que a redução do IVA das touradas significa um rombo de seiscentos mil euros no orçamento do Estado. Talvez seja verdade. Não sei de onde terá partido aquele número nem, menos ainda, quem fez as contas. Embora, assim de repente, me ocorra que a preocupação deve vir daqueles que se opunham à redução da taxa do imposto. O melhor é decidirem-se. Se apenas em diferencial de receita fiscal se perde isso, então, façam a conta a quanto se perderia, em termos de actividade económica, se os espectáculos taurinos fossem proibidos.


A confirmarem-se estes números, estranho que haja tanta gente com vontade de acabar com elas. As touradas. As que envolvem touros e toureiros, que das outras, as que metem outro tipo de bestas, ninguém quer saber.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

As saudades que eu já tenho de uma grandolada...

Ainda me lembro daquele tempo, quando a direita bafienta governou e como consequência disso as trevas se abateram sobre a terra, em que as mulheres tinham a mania de dar à luz em ambulâncias, as criancinhas desmaiavam de fome nas escolas e os adultos nas filas dos centros de emprego, o SNS estava à beira da rotura, os serviços públicos prestes a sucumbir e os transportes incapazes de satisfazer as necessidades da população. Gritámos, então, que queríamos as nossas vidas de volta, criámos comissões de utentes e cantámos a “Grândola”. Felizmente fez-se luz. O céu azul paira sobre as nossas cabeças e pelas narinas entra-nos o fresco aroma do pinho. As comissões de utentes levaram sumiço e as grandoladas passaram à história. O que mudou, entretanto? Nada. Mas fizeram-nos acreditar que sim. Foi o suficiente para nos convencermos que o sol brilhará para todos nós. Já acreditámos nisso em 1975. Com o resultado que se viu.  

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Processo de esquerdização em curso

O processo de esquerdização em curso prossegue a bom ritmo. Os sinais estão aí para quem os quiser, ou souber, interpretar. O 25 de Novembro, por exemplo. Passaram, ontem, quarenta e quatro anos sobre a data que garantiu a liberdade aos portugueses. Ninguém, pelo que me apercebi, se lembrou. Entidades oficiais, principais noticiários e jornalismo em geral optaram pelo silêncio. Não tarda, por este andar, ainda os vamos ouvir classificar esta data como o dia em que se fecharam as portas que Abril abriu, em que os cravos murcharam ou os sonhos abriláceos se esvaneceram. 


Sem que ninguém - uma alminha, sequer – os cofronte, as forças políticas de esquerda estão a apoderar-se de todas as causas. Desde a tourada à violência contra as mulheres. Como se estupidez tivesse alguma coisa a ver com opções ideológicas. A idiotice chega ao ponto de associar o crescimento da extrema-direita ao aumento dos casos de agressões tendo como alvo as mulheres. Isto enquanto deixa de fora o aumento da imigração, nomeadamente muçulmana, na interpretação do fenómeno. É por estas – e por outras – que não consigo levar estes “movimentos” a sério.  


Também os cantores de intervenção há muito enviados para o caixote do lixo da história estão a ser reabilitados pela rádio pública. Não se aguenta. Para além de “jornalistas” a destilar ódio a tudo o que se desvia da opinião politicamente correcta, temos igualmente de aturar os berros dos cantantes.  É, tudo isto, o preço de temos de pagar por, naquele final de Novembro, uns quantos não terem deixado Jaime Neves terminar o seu trabalho.

sábado, 24 de novembro de 2018

A pedreira não caiu, a pedreira não cairá...

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Desde a queda da parede da pedreira, a tal que arrastou consigo a estrada ali em Borba, esta imagem não pára de ser partilhada pelos internautas. É uma foto, de uma zona que já há mais de dez anos aqui tinha merecido referência, de uma pedreira abandonada dentro do perímetro urbano de Estremoz. O ponto de maior aproximação à avenida que a ladeia não deve chegar a dez metros mas, descansai, o buraco nunca constituiu, não constitui, nem constituirá qualquer espécie de perigo para transeuntes, automobilistas ou camiões que circulam por aquela via. Se não caiu até aqui não vai ser agora, nem num futuro próximo ou distante, que cairá. A menos que se confirmem algumas noticias que começam, insistentemente, a circular e que dão conta de muitos milhões de euros que os fundos comunitários disponibilizarão para resolver estes problemas. Aí sim. Quando o financiamento estiver à mercê dos gulosos do costume, então, a tragédia estará eminente e um cataclismo de proporções épicas prestes a acontecer. Até lá...não passa nada!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Follow friday

Tenho aversão ao politicamente correcto. Horror, diria se fosse tio. Mas aqui no Sapo nem sempre é fácil encontrar um blogue que fuja a essa condição. Estão, por norma, longe dos destaques que é coisa mais destinada a batons, promoções de supermercado e futilidades diversas. O 31 da Armada é um deles. Dos que segue o seu rumo sem querer saber dessa nova ditadura da correcção politica. Sigo-o há muitos anos. Merece uma visita, nem que seja em dia de follow friday.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Prioridades

Muita gente dirá agora que aquilo da estrada entre Borba e Vila Viçosa era uma tragédia à espera de acontecer. Até podia ser mas, pelo menos com a força necessária, ninguém apertou com os responsáveis. Não tardarão a surgir - a bem dizer até já começaram - vozes a apontar culpados.  Nem, também, figurões a sacudir a água do capote.  Em pouco tempo já se disse e  escreveu muita coisa e o seu contrário. Mas que ali - e, provavelmente, noutros locais - a responsabilidade será da câmara municipal, parece ser a tese que reune mais seguidores. Inclusivamente entre os governantes que já dissertaram sobre o assunto. O que me dá razões de sobra para ficar inquieto. Como é que as autarquias vão garantir a manutenção das estradas quando a sua prioridade é dar empregos aos amigos, camaradas, companheiros e palhaços diversos? E fazer festas com o que sobra...como o pagode que agora os critica tanto aprecia.

Quadrados, pá!

Parece que em Braga foi constituída uma alegada frente, alegadamente antifascista. Não é que ache mal essa coisa das pessoas constituírem cenas. Pelo contrário. Constituir é sempre melhor do que destituir. Faz-me é confusão que se limitem às frentes e descurem a constituição de laterais ou, até, de retaguardas. Os fascistas podem dar a volta e, quando menos se espera, surpreendem esse pagode por trás. A menos que seja propositado. Se calhar esses alegados frentistas, alegadamente antifascistas, gostam de ser surpreendidos pelas traseiras. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E dos migrantes que o Trump não quer, não trazemos nenhum?!

Os migrantes latino-americanos organizados em caravana que pretendem entrar nos States já começaram a chegar à fronteira. Estão, lamentavelmente, a ser mal recebidos. Pelos mexicanos, pasme-se. Que pelos americanos não seria de espantar. O que, também, constitui um enorme espanto é eles não terem optado por se dirigirem aos paraísos da região. Com a Venezuela, a Nicarágua e Cuba ali mesmo à mão não se percebe a opção pelo Estados Unidos, terra do capitalismo mais vil e mais selvagem, onde serão explorados e oprimidos pelo patronado mais reaccionário. Com o sol a brilhar nas terras dos amanhãs que cantam não se compreende esta demanda pelas trevas, pelo obscurantismo e onde, caso consigam entrar, lhes está reservado o mais negro e triste futuro. 


Trump não terá, provavelmente, o bom senso de deixar entrar toda esta gente América dentro. Faz mal. Mas, dada a vontade de acolher refugiados, isso pode constituir uma oportunidade para o Costa da Geringonça. O homem está desesperado – com alguma razão, diga-se – para aumentar a população cá do retângulo e aquela malta, por todas as razões, são dos que interessam. Bem que pode mandar os sequazes das ONG´s ir lá buscá-los. Se não o fizer e continuar a insistir em trazer sempre dos mesmos, ainda sou gajo para pensar que existe nessa coisa do acolhimento uma certa discriminaçãozinha... 

sábado, 17 de novembro de 2018

Pirados!

Sabe-se há muito que, contrariamente ao que garante o homem das selfies, temos por cá extremistas e radicais em abundância. Poucos se dedicarão à política, admito, mas a sua presença noutras áreas é por demais evidente. Nas novas causas, nomeadamente. O caso despoletado pela TVI é só mais um. Dos piores, por sinal. E nem me refiro aos meliantes encapuçados que apareceram na televisão. Esses mais dia menos dia vão de cana. Preocupam-me muito mais as dezenas de milhares de doidos varridos que gastaram as impressões digitais a apoiar o grupo de criminosos em questão ou a garantir a sua disponibilidade para matar e esfolar qualquer um que ouse dar um pontapé num animal. O que, vindo de gente que tem cães e gatos em cativeiro nos seus apartamentos, confirma a tese que os seguidores de extremistas e radicais são, de facto, gente de baixíssimo nível intelectual. Preocupam-me, de verdade. Por dois motivos. Votam e respiram.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Cãofé"?! Não gosto.

 


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Essa coisa da causa animal pode ser uma cena bué fixe, muito modernaça e mais aquilo que quiserem. Mas eu não gosto. E tenho o direito de não alinhar nessas parvoíces, de considerar uns perfeitos imbecis quem se dedica a isso e, ainda, de achar que muita dessa gente constitui um perigo para a sociedade.


Não sei onde nos irá levar esta mania de humanizar a bicharada. A bom sitio não será, certamente. Permitir a permanência de animais no interior de cafés e restaurantes é a tara mais recente. Como neste caso, em que mesmo tendo afixada na porta a proibição da sua entrada, uma pastelaria situada no centro de Vila Viçosa que tem no nome uma das cores do clube da fruta permite que este canito vagueie entre os clientes enquanto o pateta do dono beberrica o seu cafézinho. Um local a evitar, sem dúvida.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

A integração dos refugiados é um sucesso!

Consta que três famílias de refugiados acolhidas na região centro terão ficado sem água e luz. Por via das dividas, diz. O que não deixa de ser assaz estranho. E ridículo, simultaneamente. Num país de caloteiros, onde este tipo de serviços públicos apenas é pago pelos parvos e em que, mesmo após meses de sucessivo calote, ninguém faz nada para cobrar as dividas, não deixa de ser esquisito que estejam a implicar com estas criaturas.  


Não têm dinheiro, justificam. Nada de novo. É a desculpa mais usada por cá. Revela que o processo de integração foi concluído com assinalável sucesso. Assimilaram aquele conceito do dever acima de tudo. Ou aquilo de pagar e morrer serem as últimas coisas que se fazem na vida. E não necessariamente por esta ordem. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Ca' marados!

Nem seria preciso uma confissão pública. Já toda a gente sabia que o Bloco – ou Bloca, para usar o seu linguajar – pretende fazer parte de um futuro governo. Nada de mais, diga-se. Qualquer partido terá igual ambição. Até o PNR, que nem tem representação parlamentar, desejará o mesmo. Estranho é que, não sendo a esmagadora maioria dos portugueses absolutamente estúpidos, a quase certeza de, pela mão do partido socialista, esta hipótese se concretizar não cause alvoroço e um sentimento de indignação perante a perspetiva de ver um bando de gente – ainda mais - alucinada tomar o poder. Para já motivou o entusiasmo da generalidade dos meios de comunicação social. O que não admira. Tenho esperança que, tendo os média e a esmagadora maioria dos portugueses pouco em comum, essa desgraça nunca se concretize. 

sábado, 10 de novembro de 2018

Blasfémia, o novo crime. Só falta voltar a Inquisição.

Aprecio e comungo das preocupações de muito boa gente quanto aos perigos que ameaçam os regimes democráticos. Compreendo, igualmente, o terror de muitas galdérias e outros tantos marmanjos perante a possibilidade da sociedade democrática, tal como a conhecemos, estar prestes a dar o peido mestre. Os poucos que gostam de se torturar a ler o que por aqui vou escrevendo sabem que – de há muitos anos a esta parte – esta questão faz parte do meu cardápio de preocupações. Mas, ao contrário dos maganos e maganas urbano depressivos e verborreicos da comunicação social, não me incomodam absolutamente nada as escolhas democráticas de outros povos. O que me aborrece são, por exemplo, as decisões limitadoras da liberdade de expressão que, paulatinamente, vão surgindo em solo europeu. Vergonhosamente silenciadas por aqueles que tinham obrigação de as denunciar, diga-se.


 


Numa decisão recente, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem considerou que “criticar maomé não é liberdade de expressão” e manteve assim a condenação de uma cidadã europeia que chamou pedófilo ao alegado profeta. Noutra decisão, a mesma instância judicial condenou uma sentença da justiça espanhola que mandou prender uns fulanos que queimaram uma fotografia do rei. Neste caso o Tribunal Europeu considerou que os pirómanos estavam a usar do seu direito à liberdade de expressão… Ou seja: Na democracia que as cabecinhas bem pensantes e os novos educadores do povo concebem como ideal, podem-se queimar retratos ou chamar todos os nomes aos governantes e políticos que eles não apreciam. Já fazer o mesmo relativamente ao amigo imaginário de alguns, constitui um crime hediondo.


 


O que relato não são fake news. Antes fosse. Este assunto é amplamente tratado por inúmeros sites espanhóis, entre os quais o laicismo.org. Pelo nome, suponho, deve ser credível o suficiente...

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Merda de cão

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Algum responsável do Município cá da terra teve a ideia de cobrir com gravilha o espaço onde todos os sábados se realiza a feira das velharias e diariamente, por se tratar de uma zona central da cidade, circulam umas centenas – ou milhares, não sei porque nunca os contei – de transeuntes. Uma solução fácil, barata e eficaz para acabar com a lama no inverno e a poeira no verão. 


Pois. A ideia é uma boa ideia. O pior é o resto. O que fazem dela. E os donos dos cães fizeram dali o espaço privilegiado para o passeio higiénico dos seus familiares de quatro patas. Depois do canito arrear o calhau, os javardos empurram meia dúzia pedrinhas para cima da bosta e vão andando. Outros nem isso. E aquilo para ali fica à espera que um incauto passante lhe ponha um calcante em cima. Bonito, sem dúvida. Ter a sala de visitas absolutamente nojenta é algo que fica sempre bem. Deve ser como os adoradores de bichos têm a deles. Mas isso de viverem na javardice e na promiscuidade com os animais é lá com eles. Não me interessa o que fazem em casa. Não lhes reconheço é o direito de partilharem a sua javardice com as pessoas normais.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Quem espera...consome.

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Passar nove horas na sala de espera de um banco de urgência teria dado tempo mais do que suficiente para escrever posts que alimentariam o Kruzes durante um mês. Ou quase. Assim tivesse um daqueles telemóveis todos jeitosos como os que ostentam aquelas criaturas a quem os políticos - ou, nalguns casos, os respectivos sequazes - fazem questão de dar uma parte dos meus impostos. Embora isso, diga-se, até nem me pareça das piores acções dessa malta. Dar largas aos instintos caritativos, ainda que à minha custa, até não é das coisas mais condenáveis. Vem só logo a seguir.


Mas não. O meu telemóvel é daqueles ranhosos. Dos piorizinhos, acho eu. Sem capacidade de memória para um editor de texto minimamente utilizável e uma bateria que pouco mais aguenta do que um telefonema a encomendar uma pizza. Daí que não me tenha sido possível passar a escrito algumas estórias – que entretanto, na sua maioria, já se me varreram – envolvendo aquele microcosmos por onde se movimenta uma abundante e variada fauna.


Há quem garanta que tudo tem um propósito e nada acontece por acaso. Acredito. Mais. Sei, até, qual a razão de manter tanta gente, durante tantas horas, no local em questão. As máquinas de vending, pois claro. Ah, pois é...

domingo, 4 de novembro de 2018

O povo é fascista, pá!

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As alegadas elites alegadamente bem pensantes e os média mainstream têm tido manifesta dificuldade em explicar – já nem digo aceitar, pois isso seria pedir demais aquela gente – as sucessivas vitórias eleitorais, nos mais variados pontos do planeta, dos candidatos e partidos que não se cansam de diabolizar. As eleições no Brasil foram, talvez pela proximidade sentimental, a gota de água. Estão completamente atarantados. À beira do desespero, diria. Tanto que desistiram das explicações e passaram às ameaças. Censurar as opiniões de quem não comunga das suas ideias parece-lhes agora o único caminho. Sim que isto, garantem, quem não é democrata não pode ter lugar num regime democrático. Não é que ache mal, mas, se as propostas destes malucos tiverem acolhimento, confesso que vou ter saudades das diatribes do Bloco de Esquerda e da loucura esclerosada do PCP.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Gente chata de lidar

Para a desgraçada a quem por estes dias deram o lugar de ministra da cultura “a tauromaquia não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização”.  Se fosse eu a dizer não vinha mal ao mundo. Mesmo que a frase tivesse sido proferida pela deputada que pinta as unhas durante as discussões parlamentares também não constituiria nada de por aí além, dado que toda a gente está habituada às ideias desconchavadas da criatura. Já com a ministra o caso assume outros contornos. A senhora – ou lá o que é - está a admitir que no país, numa área sob a sua tutela, se praticam actos pouco – ou nada, vá - civilizados. Ora, se assim é, cabe ao governo a que pertence acabar com eles. Ela que proponha isso. Ou cale-se.