segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Investigue-se...e talvez se escrevam menos pantominices!

Quem tem a paciência de me ler sabe que não tenho os jornalistas em grande conta. Nomeadamente aqueles – e são muitos – que comem toda a palha que lhes põem na gamela. Ou, quero eu dizer na minha, que têm como boa e verdadeira qualquer historieta que lhes é contada, não hesitando em transmitir aos seus leitores, ouvintes ou que seja as patranhas que alguém lhes relatou.


Como, por exemplo, um artigo publicado no “Observador” acerca daquilo que a autora intitulou “sexo à moda antiga” e onde relatava as experiências amorosas, sexuais e afins de umas quantas idosas. Num desses relatos uma das velhotas, confidencia que “casei com 22 anos. Conheci-o nas festas e ele estava sentado num muro com outros gajos. E as minhas amigas, a certa altura disseram: “Dou-te 500 escudos para ires ter com aquele rapaz”. Pensei: “Raios, que ainda não namorei nada, vou mesmo ter com aquele gajo”. Ainda por cima 500 escudos já era dinheiro! Então fui lá ter com ele”. Ora, tendo a senhora em questão oitenta e seis anos, isto ter-se-á passado no ano da graça de mil novecentos e cinquenta e três. A outrora intrépida namoradeira pode, agora, estar confusa. Mas, digo eu, a jovem jornalista tinha obrigação de saber – ou, pelo menos, de se informar – quanto valiam então quinhentos escudos. Talvez se surpreendesse se alguém lhe explicasse que valiam muito mais do que dois euros e meio.


E se nisto dos escudos foi assim, imagino as restantes pantominices que as velhinhas contaram à jovencita...


 

8 comentários:

  1. alvaro silva8:15 p.m.

    Quando muito foi por quanto vendeu o virgo, Sempre houve clientes a pagar bem por "carne fresca" e deve ter sido o caso, pois uma novilha (de dois cornos) nas feiras, andava pelas "cinco notas". Provavelmente o contratador de gado pagou mais 500$ pelos "3 vinténs". Devia ser o preço do mercado nesse tempo. Só para lembrar que um café (de saco) na mesa custava no Porto 8 tostões. Agora é treinar na regra de três.

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  2. Perdeu-se a noção do valor do dinheiro e de muitas outras coisas...

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  3. Perdeu-se a noção do dinheiro, do respeito e do senso. É tão pobre, lamentável e pouco exigente a história "sensacional" contada, talvez como manchete de jornal, que nem sei que diga. É a pouca exigência desses caça novidades que se dizem jornalistas, e nem se incomodam com a verificação de alguns dados importantes, ou a legitimidade das fontes, que qualquer coisa lhes chega para se contentarem e temos a informação que se vê. O que importa é encher páginas. Notícia ao quilo. Parangonas tão tristes como a que se viu ontem com o lapso da Catalunha. Erro que até ferve e os ridiculariza, de onde não seria legítimo virem. Como se para quem lê, "bacalhau bastasse". Mas... será que a velhota não a estava a gozar (capaz disso era ela, há velhos astutos) e a outra nem deu por nada, com a fome da notícia. A ser verdade... também hoje se dá, até de borla, o que até parece mal possuir, ainda. A honra de uma mulher anda muito (des)valorizada. E também já não está na moda ter honra, será? Enfim, digo isto sem qualquer resquício de conservadorismo ou preconceito. Apenas acho tão banalizadas certas coisas, que hoje, nem 50 cts algum oferece pelo que pode ter, sem grande esforço. É tudo de consumo rápido. Mas, não o seria já lá atrás? Logo: Onde está a notícia? E por uma experiência, já todo o sexo à moda antiga era assim. Nem vale a pena ligar...
    Uma boa noite e tudo a correr bem, meu amigo. Um excelente feriado e obrigada pela companhia.

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  4. Foi o negócio do século.

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  5. Estive a consultar as inflações e os seus cálculos. O que é diagnóstico seguro de loucura. E mais alguma coisa...

    Ora em 1960, 100 paus valeriam agora 823. Nesse longinquo ano, aquilo que se compraria por 12,17 paus, custaria agora 100 paus.

    E nem converti para êros, que isso todas as mulas sabem fazer.

    Então, com 500 Escudos, tinha feito aquela farra (que nunca fiz).

    Acabou-se por inflacionar descomensuradamente o preço dos três vinténs.

    Tenho dito.

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  6. Esta gente mais nova deve pensar que o mundo foi criado um dia destes ou que antes deles nascerem isto era tudo uma cambada de parvos!

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  7. Pois foi. Com uma oferta daquelas até dava para falar com o Belzebu...

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  8. Nesse tempo com quinhentos mil réis quase se comprava uma herdade...

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