segunda-feira, 23 de outubro de 2017

E aquilo de não cobiçar a mulher do próximo?

A indignaçãozinha do dia anda hoje à volta daquela cena de um tribunal qualquer achar legitimo que o marido encornado chegue a roupa ao pêlo à mulher adultera. Diz, ao que rezam as crónicas, que o acórdão onde é reconhecido esse direito marital até mete citação da bíblia e tudo.


Nada disto me parece bem. Logo a começar pelo enxerto de porrada que a vitima levou. Dos dois – o amante e o marido – segundo os relatos. Mesmo que a senhora chegue para ambos, não é coisa que se faça isso de ir à figura da criatura com aqueles modos.


Também a decisão judicial não merece apreço nenhum. Ainda que perceba tanto de direito como de cozinha polaca, desconfio que é capaz de existir ali algo de contraditório. Se o marido viu a sua pena atenuada com base nas sagradas escrituras, então, já que a bíblia terá sido a referência moral, o amante devia ter sido severamente punido. É que o tal best-seller recomenda vivamente que não se cobice a mulher do próximo. Mesmo que o próximo até nem se importe. O que, pelos vistos, não seria o caso.

4 comentários:

  1. Fantástico post, adorei a alfinetada humorística! Resumindo tanto o Best-seller como a "justiça" que é representada com uma venda nos olhos e não será por acaso, deve funcionar para os dois lados. Quem não quer ser lobo não se lhe veste a pele. Depois casam-se para quê? Continuem livres e façam o que quem... ninguém obriga ninguém a "votos de castidade", mas uma coisa é certa, espera-se pelo menos de lado a lado um pouco de respeito. Mas hoje, como tudo está em vias de extinção portanto... Há decisões de tribunais (nisto e noutras coisas) que nos deixam completamente estupefactos. Boa semana! Tudo a correr bem.

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  2. Hoje em dia, no que respeita ao respeito, não há respeito nenhum!

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  3. A palhaçada da porrada na mulher, vista por magistrados, com hormonas:

    Aqui: Violência Mediática:
    http://portadaloja.blogspot.pt/2017/10/a-violencia-mediatica.html

    e Aqui: As bestas somos nós:
    http://www.publico.pt/2017/10/24/sociedade/opiniao/acordao-da-polemica-as-bestas-somos-nos-1790086

    Depois, com aquela 'calma' de Estremoz, ler o original do dito acordão. Já o li mas agora não o encontro. Está tudo muito bem explicado nas notas de rodapé. A sorte foi não ter falado no adultério no Islão; ficou-se pela judiaria e pelo código que esteve em vigor até 1983, na 'democracia'.
    Depois digamm que um corno não quer ser sozinho.

    Abraços

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  4. No islão não faz mal, é cultura. E quem achar o contrário é islamofobico. Seja lá isso o que fôr.

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