quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O Orçamento dos autarcas e reformados

Tenho lido nos últimos dias – praticamente desde a sua apresentação oficial - que o Orçamento para 2017 é o Orçamento dos funcionários públicos e dos reformados. Será, em parte, verdade. Nomeadamente quanto aos últimos, pois a função pública, exceptuando os vinte cinco cêntimos do subsidio de refeição, não é contemplada com a distribuição de benesses, ao contrário do que acontece com os pensionistas.


Parece, no entanto, que todos se estão a esquecer dos autarcas. Esses, talvez, os maiores beneficiários da generosidade distributiva da geringonça. Para além da espécie de inimputabilidade - a ser aprovado o que é proposto – que o governo lhes pretende conceder, é ainda garantida uma torrente de dinheiro a desaguar nos cofres das autarquias como há muito se não via. E, se isso não fosse mais do que suficiente, vão dispor de inteira liberdade para endividarem as respectivas Câmaras – e, por consequência os respectivos munícipes e os portugueses em geral – em montantes que apenas conhecerão como limites a imaginação dos mais extravagantes de entre eles. O período negro, no que diz respeito aos calotes dos municípios, que terminou – salvo uma ou outra miserável excepção – em 2012, não constituiu uma lição suficiente. Continua-se, por isso, a dar fósforos aos incendiários.


Não me surpreende. Os governantes de agora são os mesmos que rebentaram o país e, na sua maioria, os autarcas que esturraram dinheiro à tripa-forra também. Já vimos este filme e sabemos como acaba. Só um tolinho pode esperar que, desta vez, tenhamos um final feliz.

4 comentários:

  1. fatima5:57 a.m.

    Como diria a "saudosa" Lurdes "á a festa, é a festa"! Ouve-se e não se acredita. Não só não aprendem como desconfio que tenham noção das proporções que o carrossel está a tomar. Esta gente, para lá de inconsciente é perigosa!!! Pudera, os do costuma é que vão pagar isto tudo, ad eternum!

    ResponderEliminar
  2. Há 40 anos que Portugal não acerta em políticos credíveis a todos os níveis. Há excepções mas são tão poucos que se esfumam no tempo.

    Não há dinheiro mas todos os dias somos surpreendidos por casos de corrupção a e ou de todos os níveis e contra isso não há orçamento que nos valha.

    Autarcas corruptos e gastadores? Só estes? Pois...

    Um abraço e bom fim de semana

    ResponderEliminar
  3. Claro que não são apenas estes. Mas lá que estão entre os piores disso não duvido. Até porque são muitos...

    Bom fim de semana!

    ResponderEliminar