Acho deveras curioso que, quando se fala de edifícios degradados ou em risco disso, surja sempre alguém a sugerir, quase à laia de obrigação, que o dito prédio seja comprado pelo Município. O país, autarquias incluídas, não tem dinheiro para mandar cantar um cego. Os portugueses não se cansam de reclamar – e com toda a razão – do enorme saque fiscal a que estão sujeitos. O Estado – logo, também, as autarquias – são financiadas com o produto do enorme rombo que as finanças provocam nas nossas algibeiras. Mas, ainda assim, há quem insista na tese que cabe aos municípios comprar tudo o que está a cair. Pois que caia. Ou, como sabiamente diz o povo, que se vão os anéis e fiquem os dedos. No caso, que caiam essas “relíquias” mas fiquem as pessoas.
Há, ainda, quem acene com fundos comunitários para que, mesmo sem dinheiro, as câmaras desatem a comprar e restaurar tudo o que é ruína urbana. Não sei se sabem, mas o financiamento europeu ao desbarato já foi chão que deu uvas. E, mesmo que seja obtido, resta sempre a componente nacional. Para a qual não há graveto. Nem quem o empreste. Em boa hora a banca nacional foi impedida de financiar as autarquias...










