Sete anos a escrever em blogues, a
comentar e a ser comentado, dão-me um certo à vontade a lidar com provocações.
Sejam elas feitas on-line ou na vida real. Já perdi a conta aos insultos, às
ameaças de me chegarem a roupa ao pêlo e a reacções mais ou menos intempestivas
acerca de coisas que escrevo com uma intenção e que, espantosamente, alguém encaixa
como ofensa pessoal ou ataque desrespeitoso às suas opiniões. Continuo, no
entanto, sem entender o motivo de tanta susceptibilidade. Principalmente quando
comparada com a fraquíssima capacidade de reagir que a maioria demonstra quando
confrontados a sério – e com coisas sérias – ao vivo e a cores. Parece,
portanto, que muitos de nós apenas nos ofendemos e reagimos de forma desabrida
quando navegamos na internet.
Vem isto a propósito de um comentário
que deixei num blogue, tristonho e desengraçado, onde o seu autor, socrático devoto,
criticava o actual governo por não fazer nada para promover o emprego. Limitei-me,
sarcasticamente, a deixar um comentário interrogando o autor se ficaria
satisfeito com um eventual anúncio de criação de cento e cinquenta mil novos
empregos. Nada de mais nem de ofensivo e incapaz de, em qualquer conversa, provocar
mais do que um sorriso amarelo. Mas que, vá lá saber-se porquê, despoletou a
ira do bloguista em causa e motivou uma reacção pouco cordial que envolveu o
recurso à ofensa pessoal. Não há – senhor Manuel pequenino – necessidade de
tanta irritabilidade. Deixe lá. Nem o
Sócrates lhe agradece nem eu me aborreço com comentários bacocos.

