sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tropa fandanga


Titula hoje o Correio da Manhã - e outra imprensa segue-lhes as pisadas embora em letras mais pequenas – que a Defesa, entenda-se a tropa, não terá dinheiro para pagar salários. Pois que não posso acreditar. Aliás, é absolutamente impossível que isso aconteça ou esteja prestes a acontecer. Ou, a ser verdade, alguém terá de ir preso. Não acredito que não haja carcanhol para vencimentos porque, é publico e está publicado, nas ultimas semanas foram promovidos centenas – talvez milhares, mas não me vou dar ao trabalho de os contar – de militares dos três ramos das forças armadas. É evidente e sou o primeiro – o segundo ou terceiro, vá – a defender que todos os profissionais tem direito à carreira e a progredir na dita mas, se não há dinheiro, tem que ser estabelecidas prioridades. E a primeira terá de ser, qualquer besta o sabe, assegurar os recursos para pagar ordenados. Se não houver para isso então as promoções, por mais justas que sejam, terão de esperar. 
A marosca nem sequer fica por aqui. Como é possível ver nos despachos publicados no Diário da República – e ainda hoje são publicados vários – as promoções tem, quase todas, efeitos retroactivos. Como é o caso, por exemplo, do Despacho nº 17407/2010, publicado hoje mas que produz efeitos a 29 de Dezembro de 2009. E depois queixam-se que não há dinheiro para vencimentos... Andam mazé todos a brincar com a tropa!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Xico, trata-te.

Louçã, o Anacleto, discursa por esta hora. O homem aparenta estar com problemas. Pior. Pela forma forma como vocifera parece nem tomar os medicamentos. Ou então não estão a fazer efeito. Outra hipótese é o discurso ser a consequência de um efeito secundário deveras estranho. Acha-se, logo ele, um lutador pela paz. Destila ódio contra os lideres europeus. Nomeadamente Sarkosy e Merkel. E amanhã estará na Assembleia da República. Diz que é uma espécie de deputado. Porque alguém – vá lá saber-se acometido de que patologia – votou nele.

Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço


Ainda sou do tempo em que o Benfica apenas tinha jogadores portugueses. Mesmo que, em algumas épocas futebolísticas, o contingente africano constituísse mais de meia equipa. Hoje, graças à globalização e a outras parvoíce por demais conhecidas, já não é assim. Infelizmente. Muitos são os jogos em que, dos onze que entram em campo para representar o glorioso, apenas um ou dois nasceram em terras lusas. 
Neste contexto não posso deixar de considerar absolutamente ridícula a adesão do Benfica à campanha "COMPRO o que é nosso", que visa promover os produtos portugueses. Uma instituição que, ano após ano, compra os passes de dezenas de atletas estrangeiros, das mais variadas modalidades, preterindo claramente aqueles que são formados em Portugal e que, salvo raras excepções, apresentam uma qualidade futebolística idêntica ou superior e um preço muito mais em conta quando comparado com os milhões pagos aos que se trazem de fora, não me parece ser a entidade indicada para transmitir alguma credibilidade à campanha que se pretende promover.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma desgraça a que chamam país


Duas televisões exibiram hoje no telejornal da noite outras tantas reportagens em se abordava a relação difícil que os portugueses mantém com o fisco. Numa abordava-se a transferência de capitais para offshores sonegando, através de facturas falsas e esquemas manhosos, milhões de euros ao fisco. Noutra, eram divulgados os muitos milhões relativos a impostos que os portugueses se “esqueceram” de pagar às finanças. Dos números apresentados, conjugando um e outro caso e se, por remota hipótese, os portugueses fossem gente honesta – até mesmo aqueles que não andam na politica – pode-se facilmente concluir que o país ostentaria um saudável equilibro orçamental e que todos os sacrifícios por que agora temos de passar seriam evitáveis. 
O combate à fraude e evasão fiscal é o principal caminho- não descurando outros, obviamente - a percorrer no combate ao défice. Escrevo isso desde, pelo menos, o inicio deste blogue e é como muita estranheza que leio e ouço verdadeiras sumidades nestas matérias menosprezarem este aspecto. Alguns consideram-no mesmo de valor residual e insistem na velha cassete do corte de direitos e salários, bem como na concessão de mais e mais benefícios a empresas e empresários. Provavelmente para estes colocarem “ao largo”. 
Os números desta mega-fuga às obrigações fiscais constituem um verdadeiro escândalo e revela bem que tipo de gente vive cá pelo rectângulo. Ladrões, pantomineiros, vigaristas e aldrabões. Uns estarão no governo, outros terão lá estado e outros ainda terão vontade de para lá ir. De fora também não ficam os muitíssimos caloteiros, uma verdadeira manada de chicos-espertos, párias que vão vivendo à conta da sociedade e à margem de qualquer contributo que ajude a pagar o quanto nos custa a sua existência. Por fim todos os outros. Os que permitimos, com o nosso silêncio e inacção, que toda essa cambada assim vá vivendo e burlando quem cumpre. O resultado está à vista. Esta desgraça a que ainda chamamos país.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Os lixados do costume


Acho absolutamente ridículo o discurso de lideres políticos, sindicais e outros, garantindo a mobilização dos trabalhadores para a greve geral, ou para outras manifestações de repudio contra as politicas de austeridade promovidas pelo governo. Uma greve, uma manifestação ou qualquer forma de protesto pretende demonstrar, quanto a mim, que um determinado grupo de indivíduos está unido na defesa dos seus interesses comuns que, nesse momento, estão a ser postos em causa. 
Embora os ataques à generalidade dos portugueses que trabalham sejam violentos, aquilo a que se assiste nada tem a ver com um forte – nem sequer fraco – sentido de solidariedade e de união. Cada grupo de vitimas tenta safar-se por si, procura encontrar subterfúgios para que a sua classe não seja atingida e tenta escapulir-se bramindo argumentos que quase nunca potenciam um sentimento de unidade com aqueles que, pelos menos teoricamente, seriam companheiros de infortúnio. 
Nem vale a pena estar para aqui a dar exemplos. São mais que muitos, sobejamente conhecidos e todos os dias surge alguém a considerar que, por uma série de motivos, as medidas de alegada contenção não se deviam aplicar ao seu grupo profissional. Também não vou perder tempo a condenar este tipo de atitude. É um sinal dos tempos, das divisões que os governantes – principalmente os actuais – têm sabido provocar na sociedade para melhor impor as suas politicas e constitui uma prática com que todos nos temos de, cada vez mais, habituar a viver. Cada um por si e o do lado que se lixe. Até que estejamos todos lixados.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ocupação da via pública


Quando se fala de impostos idiotas é frequente dar-se como exemplo a licença de isqueiro que os portadores deste utensílio tinham de pagar nos idos anos do Salazarismo. Mais tarde foi a Sisa a ser considerada, pelo então primeiro ministro António Guterres, como o imposto mais estúpido do mundo. Fazendo jus à competência que evidenciou no desempenho do cargo, o curiosamente também engenheiro e socialista, mudou-lhe o nome e, com isso, mais ninguém achou o imposto que tributa a transacção de imóveis uma coisa absurdamente estúpida. 
Nos últimos dias muitos têm sido os que dão como exemplo de suprema parvoíce fiscal a taxa municipal de direitos de passagem ou taxa de ocupação do subsolo, que taxam, respectivamente, as operadoras de telecomunicações pela ocupação do espaço aéreo com os cabos e as distribuidoras de gás canalizado pela passagem das condutas no subsolo e que estas, obviamente, fazem repercutir na factura que apresentam ao cliente. 
O assunto veio a propósito da intenção de alguns municípios passarem a cobrar aos bancos uma taxa por ocupação da via pública com as máquinas multibanco. Apesar da ideia, pelo menos aparentemente, gerar algum consenso – se calhar por envolver os bancos como pagadores – a mim parece-me ainda mais estúpida que a tão gozada licença do isqueiro. Só com muito boa vontade, uma grande dose de imaginação e uma argumentação algo perversa, é que se pode concluir que uma máquina encastrada numa parede está a ocupar a via pública. Há até quem, num momento de invulgar delírio, compare a pobre ATM com uma esplanada de um qualquer restaurante que ocupa vários metros quadrados de passeio! Se os argumentos não primam pelo brilhantismo são, valha-nos ao menos isso, de rir até às lágrimas. 
Se o objectivo é endireitar as finanças autárquicas era capaz de haver muito por onde agir. Mas se não quiserem começar por cortar em despesas extravagantes podem, acredito com vantagens, pensar em receitas alternativas. De preferência daquelas que, para além de contribuírem para que os cofres municipais estejam menos vazios, possam representar também uma melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Estou, assim de repente, a pensar na introdução de portagens para acesso ao centro das cidades. Mas, como não há gente com tomates para isso, podem optar por soluções que embora igualmente parvas parecem um pouco mais lógicas. Como, por exemplo, taxar as antenas de televisão ou os marcos do correio. Com taxa agravada para os do correio azul.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ideias parvas


Todos os dias surgem na internet movimentos espontâneos de cidadãos. Uns contra qualquer coisa, outros a favor de uma coisa qualquer, alguns antes pelo contrário e, outros ainda, simplesmente parvos. É o caso de um alegado “movimento popular” que pretende mobilizar os cidadãos europeus – ou da parte ocidental do mundo, sei lá – para que no dia sete de Dezembro se dirijam aos bancos de que são clientes e levantem todas as suas economias. 
Pretender-se-á com esta acção, nas palavras de um entusiasta da causa, mostrar aos bancos e aos governos que não terão assim tanto poder e que dependem do povo, que roubam descaradamente, para manter o seu negócio. Afirmam pretender instaurar uma nova ordem mundial – seja lá o que for que isso quer dizer – fazendo colapsar a actual sociedade assente no poder do dinheiro. Ou, digo eu, quererão fazer um ataque organizado ao sistema financeiro internacional e dar o passo que falta em direcção ao abismo fazendo a humanidade regredir até ao tempo em que vivíamos em cavernas. 
Claro que iniciativas destas estão, obviamente, condenadas ao fracasso. Nem, aliás, merecem esse titulo, porque iniciativa pressupõe que se trate de alguma coisa inteligente e uma ideia destas é um perfeito exemplo de idiotice. Até porque, mas isso sou só eu a suspeitar, os palermas que estarão por detrás desta proposta, bem como o tipo de malta que prevejo possa aderir, não terão dinheiro suficiente para esgotar as reservas de uma só caixa de qualquer agência bancária. Mas, caso esteja enganado e até tenham as contas relativamente bem providas, calculo que o dinheiro levantado depressa regresse ao banco. É que os traficantes de droga não costumam guardar o dinheiro debaixo do colchão...

sábado, 13 de novembro de 2010

Onde páram os defensores dos galináceos?!


Alguns defensores do direitos dos animais ficarão com certeza chocados com esta foto. Nada que me incomode. Aliás é até uma reacção bastante apropriada ao conteúdo da imagem. 
Todos os Sábados dezenas de galináceos são transaccionados no mercado de Estremoz e alguns destes estarão, por esta hora, no interior de uma panela. Lamentarmente ainda nenhum bacoco, militante de causas não menos bacocas, teve a ideia de, como forma de protesto pelo destino desta bicharada, se acorrentar a um sinal de trânsito, candeeiro de iluminação pública ou, numa demonstração de inusitada ousadia, à própria gaiola. Era parvo, mas lá que ia ser divertido lá isso ia.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espionagem

Não sei se os meus leitores se interessam por espionagem. Se calhar não. Mesmo assim sugiro uma visita ao site a que nos conduz o banner publicitário, situado na barra lateral direita do blogue, e dar uma olhadela pelo fantástico material que ali é promovido. Coisas que farão, acredito, a delicia de qualquer espião. Ou de quem esteja interessado em espiar. Por mim prefiro os “chinelos detectores de metais”, que também constam da vasta gama de produtos que podemos encontrar à venda na loja on-oline a que a hiperligação nos leva. Chinelos esses que nem imaginam a falta me faziam neste momento. E não, não é por falta de calçado.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pobres e desinformados.


Jornais, rádios e televisões mostraram-nos ontem, de forma mais ou menos indignada, o quanto é inadequada a ajuda alimentar que a União Europeia envia para Portugal com a finalidade de ser distribuída a famílias carenciadas. Manteiga, arroz e cereais em quantidades astronómicas, muito para além da capacidade de consumo de qualquer família, constituíam no essencial o motivo da critica. Até porque, salientava um autarca particularmente chateado, apenas se podem candidatar a este tipo de ajuda famílias em que o rendimento per capita, depois de deduzidas uma série de despesas básicas, não ultrapassem os cento e oitenta e nove euros. Valor excessivamente baixo, no entender do Presidente de Junta ouvido pelas reportagens. 
Surpreende-me que nenhum jornalista, dos vários que abordaram o assunto, tenha questionado os valores exigidos como requisito para ter acesso aos apoios e a, pelo menos aparentemente, fraca adesão a este programa de ajuda alimentar. No actual contexto salarial parece-me que uma larguíssima faixa de portugueses se enquadra neste padrão de rendimentos. Um casal empregado em que cada um aufira quinhentos euros mensais, tenha dois filhos, pague uma renda de trezentos euros, cinquenta de luz e vinte de água, mesmo que todos sejam saudáveis e não tenha cada um mais que uma ou duas constipações por ano, cumpre as regras necessárias para ter acesso aos produtos alimentares que a Europa nos manda e que, pelos vistos, temos dificuldade em distribuir. Das duas uma. Ou, afinal, os portugueses não ganham assim tão pouco, ou andam distraídos e não conhecem os apoios a que se podem candidatar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estarei a ver bem?!


Vá lá saber-se porquê, a manchete de hoje do “Correio da Manhã” fez-me lembrar aquela velha história do homem que mordeu o cão. Não sei porque raio tal me terá ocorrido e, se calhar, é só uma associação de ideias completamente descabida. Ou então  encontrei aqui uma (i)lógica qualquer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os garganeiros


Intriga-me a absoluta necessidade de qualquer evento ou acontecimento da mais variada natureza, realize-se a norte ou a sul, terminar invariavelmente num repasto. Por vezes chega a dar a ideia que a realização de uma manifestação artística, recreativa, desportiva, cultural ou até mesmo de tipo indiferenciado ou difícil de enquadrar num conceito lógico e conhecido de manifestação, serve apenas de pretexto para, como diria o outro, encher a mula. 
Obviamente que comer, beber ou petiscar parecem-me actividades nada condenáveis. Antes pelo contrário. Desde que cada um pague aquilo que come, bebe ou petisca. Ou, se for à borla, que as despesas corram por conta da casa ou de algum patrocinador mais generoso. Mas, infelizmente, não é isso que acontece quando, no final dos eventos a que aludi, os participantes se transformam em comensais. São quase sempre as entidades públicas, com as autarquias à cabeça, que arcam com o pagamento das despesas e, como recentemente foi objecto de noticia na comunicação social, estão em causa montantes que, no todo nacional, assumem proporções verdadeiramente escandalosas. 
Numa altura em que os gastos públicos começam a ser esquadrinhados até ao mais ínfimo dos pormenores, são cada vez mais os que questionam a realização de despesas que não contribuem em nada para a melhoria de vida  da generalidade dos cidadãos e que, antes pelo contrário, apenas servem os interesses de um reduzido número de habituais garganeiros. É por isso tempo de os decisores, para além de fazer contas e pensar que há coisas mais úteis onde gastar o dinheiro de todos, comecem a perceber que talvez já não seja pela barriga que se ganham eleitores. A menos que seja a barriga dos que têm fome. Mas essa é outra história que hoje não vem ao post.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Badalhocos!


Muitos badalhocos do regime estão a fazer um alarido despropositado por causa das palavras do líder do PSD acerca da necessidade de responsabilizar, civil e criminalmente, quem gere demasiado mal os dinheiros públicos. (O demasiado resulta da minha interpretação do discurso do senhor Coelho). Como se isso não devesse constituir um dos princípios básicos a ter em conta por quem tem como responsabilidade administrar o dinheiro de todos. 
Os políticos, que nos conduziram à actual desgraça, gozam de total impunidade. São verdadeiros inimputáveis. Escudados nos resultados eleitorais acham que apenas o povo – e mesmo assim só nas urnas de voto – os pode condenar. Foi para isso que prepararam um emaranhado de disposições legais que lhes permite fazer praticamente tudo aquilo que querem sem que daí lhes possam ser apontadas responsabilidades de qualquer ordem. Excepto as eleitorais, claro. Mas, até essas, raramente acontecem. Basta ver os resultados eleitorais em Oeiras, Gondomar e muitas outras autarquias ou, em termos nacionais, as reeleições de Guterres e Sócrates. 
A coisa atinge um nível de absurdo de tal ordem, que é possível a qualquer governante ligeiramente mais visionário – seja autarca ou ministro – gastar os recursos que muito bem entender, sejam milhares ou milhões de euros, na construção de uma base de aterragem e respectivo centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Desde que cumpra todos os procedimentos legais para realização da despesa não há nada que o criminalize por isso. Tenha ou não dinheiro para tão inovador quanto desnecessário projecto. 
Mais tarde ou mais cedo, espero que mais cedo do que tarde, malucos deste quilate terão de responder perante a justiça pelos seus actos tresloucados. Por muito que isso custe a engolir aos Vitalinos, Jerónimos ou Anacletos desta vida.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tristes

Para escapar a uma turba enraivecida – sem que se vislumbre uma única razão válida para tanta raiva - é quase necessária uma operação militar para colocar uma equipa de futebol dentro de um Estádio. No entanto, no mesmo país, são cometidas as maiores atrocidades de que as actuais gerações terão memória contra os direitos sociais e nada acontece. Nem uma pedra, uma bola de golfe, uma moeda vá, é atirada a um politico. Reconheço que é mais fácil atingir um autocarro em que a maioria dos ocupantes são estrangeiros, até por uma questão de tamanho, do que um automóvel ocupado por um ou dois governantes portugueses. Mas, por outro lado, mesmo que o Benfica ganhasse por dez a zero ao clube do porto daí não viria qualquer prejuízo para a qualidade de vida dos javardolas que por ali andam a vociferar. Se aqueles bandalhos protestassem com tanta energia quando um qualquer governante se deslocasse ao Porto, as coisas talvez fossem diferentes. Até porque, acho eu, cem ou duzentos euros a menos no pecúlio mensal é coisa para aborrecer muito mais que que perder vinte campeonatos do pontapé na bola. Mas não. Para aqueles doentes mentais o maior problema da vidinha deles chama-se Benfica. Tristes.

Choque tecnológico



sábado, 6 de novembro de 2010

E você, comprava um automóvel ao suposto engenheiro?

Se acho que os apaniguados, seguidores, apoiantes ou simples admiradores de José Sócrates, o ainda primeiro-ministro e relativamente engenheiro, são todos burros? Obviamente que não. Um ou outro não será. Até porque há gente que tem de defender o seu job e, portanto, é compreensível que inteligentemente vá manifestando apoio ao chefe. Embora, como vai sendo cada vez mais visível, de forma cada vez menos convincente. 
Quanto às qualidades do ainda líder do PS – por pouco tempo, espero – nada melhor do que ler a entrevista de Henrique Neto ao Jornal de Negócios. Segundo este histórico militante socialista, Sócrates "é um vendedor de automóveis" que "está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto". Será preciso dizer mais alguma coisa?!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O estado ladrão ou o ladrão do estado


Como era de esperar Alberto João, o rei da Madeira, já veio a publico manifestar o seu desagrado com a perspectiva de em Janeiro – caso a lei não seja inconstitucional ou as excepções não se transformem em regra - deixar de poder acumular a sua pensão de reforma com o vencimento que aufere como presidente daquela região autónoma. Tem, obviamente, toda a razão em expressar o seu lamento. E, mais ainda, quando não se coíbe de se indignar por este procedimento do Estado que apelida de ladrão. 
Alberto João tem, no entanto, uma grande vantagem relativamente a todos os portugueses. Depende apenas dele e só dele continuar ou não a poder auferir da reforma por inteiro. Basta apenas para isso que vá trabalhar para a iniciativa privada. Onde, com toda a certeza, alguém lhe pagará muito mais do que o tal Estado-ladrão lhe paga actualmente. Infelizmente a generalidade dos portugueses não tem essa opção. Por uma ou outra razão quase todos teremos no próximo ano menos dinheiro disponível nas contas bancárias e poucos terão a oportunidade de que dispõe o Alberto João. 
Sou desde a primeira hora – mesmo antes de o homem ter ganho as primeiras eleições – um critico convicto de Sócrates. Para mim é perfeitamente inconcebível que pessoas que tenho como muitíssimo mais inteligentes, cultas e letradas do que eu manifestem uma estranha admiração pelo primeiro ministro e consigam quase sempre justificar o comportamento do suposto engenheiro. No entanto não me custa reconhecer que neste caso, tal como na lei de proibição de fumar em recintos fechados, o governo esteve bem. Mas, para seis anos de poder, é manifestamente pouco.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Penso eu de que


Uma reputada jornalista, conhecida apoiante de causas fracturantes, manifestou no blogue em que habitualmente escreve a sua indignação contra os pensos rápidos. Não que, aparentemente, tenha alguma coisa contra este artigo de tão grande utilidade quando fazemos um pequeno golpe – daqueles que sangram, claro está – mas porque não acha adequado que os ditos pensos tenham, por norma, a cor da pele. Têm, argumenta em defesa do seu ponto de vista, a particularidade de uma resoluta recusa da diversidade do mundo. Ou, por palavras minhas, são uma forma intolerável de discriminação de todos os cidadãos não brancos. Imagine-se o desagrado de um negro, por exemplo, que quando se corta tem de passar pela humilhação de colocar um penso da cor da pele de um branco. Embora não sejam conhecidas estatísticas acerca de tão preocupante tema, acredito que haja por aí muitos negros que preferem esvair-se em sangue a colocar um adereço daqueles. Será, portanto, mais uma situação de racismo a que é urgente pôr cobro. 
Claro que tão fracturante assunto não podia passar despercebido à blogosfera e as reacções não se fizeram esperar. Nem o levantar de outras questões, de igual importância, em que igualmente se verifica uma preocupante insensatez na côr dos produtos que nos passam pela epiderme. Houve quem lembrasse, muito acertadamente, que a linha de sutura é preta. Coisa para causar danos psicológicos irreparáveis a qualquer cidadão de pele branca - ou rosácea, vá – que de repente se veja cozido com fios de uma cor que nada tem a ver com a sua. 
A mania do politicamente correcto e de ver em todo o lado, mesmo nas coisas mais insignificantes, algo que pode ofender alguém provoca-me níveis de irritabilidade bastante elevados e faz aumentar em proporções alarmantes o desprezo que esta intelectualidade me causa. Embora não aprecie contendas confesso que, perante disparates destes, sinto vontade de atacar alguém. À bofetada. De luva branca, evidentemente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O estado (social) a que isto chegou

O Estado social terá, a acreditar nas profecias de conhecidos arautos da desgraça, os dias contados. Deve ser por isso que, numa tentativa de lhe prolongar a vida, o Partido Socialista decidiu que centenas de milhar de agregados familiares ficam a partir deste mês privados do abono de família. O país não produz riqueza suficiente para se dar a estes luxos e, de resto, se o pessoal tem dinheiro para estragar os pirralhos com mimos não tem que se queixar de não receber umas miseras dezenas de euros. Que até podem ser aplicados em coisas mais úteis, como festas e almoços de gente importante ou, se acreditarmos nos papagaios de serviço, para apoiar quem realmente precisa. Como acontecerá, por exemplo, a comerciantes de antiguidades, donos de lojas de pronto a vestir, agricultores e outras profissões igualmente nobres. Entre muitos outros. Todos, reconhecidamente, uns desgraçadinhos. 
O mesmo se passa com os subsídios escolares. Apesar de toda a transparência com que certamente decorre o processo de candidatura, selecção e atribuição dos apoios da acção social escolar, a lista de nomes dos beneficiários não deixa de surpreender. Embora a mim o que mais me surpreende é constatar que alguns que a integram não se envergonham de ver a sua chico-espertice exposta publicamente. Pobres eles são de certeza. Pelos menos de espírito.

O silêncio dos culpados

Eu, que até nem sou intrigas, ando intrigado com o silêncio ensurdecedor de uns quantos a propósito do sequestro e posterior assassinato de umas dezenas de católicos numa igreja de Bagdad. Parece-me, mas isso sou só eu a supor, que se fossem israelitas – sim, porque os restantes ocidentais são bananas demais para isso – a atacar uma mesquita havia já por aí muita idignaçãozinha. 
Obviamente que não esperava declarações inflamadas. Nem, tão pouco, manifestações de repúdio pelo acto bárbaro praticado pelos amiguinhos da malta do politicamente correcto mas, vá lá, uma reacçãozinha, nem que seja um post, a lamentar o ocorrido. Ficava-lhes bem ó malta da esquerdalha. Embora, claro, eu compreenda que para vocês um terrorista é como um santo e cada atentado em que um deles mata uns quantos ocidentais constitui para vós um momento de regozijo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meninos rabinos


Corre na blogosfera afecta ao Partido Comunista uma onda de indignação contra a detenção de alguns jovens – definição actual de meliante, na nossa comunicação social – pela PSP e pelos eventuais maus tratos que alegadamente terão sofrido na esquadra para onde foram conduzidos. Foram, ao que alegam, sujeitos a humilhações várias, entre as quais uma revista mais pormenorizada onde, segundo o que se escreve, terão sido obrigados a tirar a roupa. Toda, ao que garantem. 
O motivo que levou a policia a deter os tais jovens terá sido a tentativa de vandalizar uma parede borrando-a com tinta. Um mural, como eles fazem questão de afirmar, embora a mim não me pareça existir entre um e outro conceito uma diferença substancial. Ainda assim não creio que valha a pena as forças da ordem perderem tempo com este tipo de criancice. Castigo exemplar teria sido deixá-los pintar as suas palavras de ordem e dar-lhes um bom motivo para, daqui por mais uns anitos, sentirem vergonha do que andaram a escrever na sua mocidade. 
Como não podia deixar de ser o episódio tem dado azo às mais variadas leituras. Há quem solidariamente com os aprendizes de comunistas – ou de pintores, sei lá - compare a acção da policia com os métodos das tropas americanas no Iraque. Enquanto isso, outros entendem que a revista a que foram sujeitos se deveu à necessidade de procurar as armas do crime – os pincéis – nos locais mais recônditos da dita rapaziada. 
Por mim acho que esta malta é mimada em demasia. Apesar de os pais levarem a vida a falar de trabalho e de trabalhadores, falharam redondamente na tentativa de passar a mensagem aos filhos. Estes, embora revelem uma imensa generosidade naquilo que supõem ser a defesa dos interesses de quem trabalha, manifestam um profundo desprezo por essa forma de ganhar a vida.

domingo, 31 de outubro de 2010

“Não deixe que a verdade estrague uma boa história”.



A imagem que quem nos visita leva de Estremoz  aparenta não ser a melhor relativamente à forma como por cá nos relacionamos com o automóvel. O  carrinho parece ser, a par do canito, o melhor amigo do homem – e também da mulher – estremocense de tal forma o levamos para todo o lado por mais pequeno que seja o percurso a efectuar. E, numa cidade como a nossa, quase todos o são. 
Também a maneira como arrumamos o nosso imprescindível meio de transporte é alvo de especial critica. Quase sempre o mais perto possível do local de destino, mesmo que isso signifique deixar o "boguinhas" em cima do passeio, da passadeira ou em local proibido para o efeito. Tal como acontece em qualquer outra aldeia, vila ou cidade. 
A par de fotos onde ilustra o que refiro acima, o autor de mais um post sobre esta temática lamenta que não utilizemos o parque de estacionamento gratuito, junto às Portas dos Currais, que, segundo ele, a Câmara atenta ao problema mandou construir. Acredito que alguns até gostassem de o utilizar. Há, no entanto, um pequeno pormenor. No caso nada pequeno nem menor. O espaço é privado,foi construído pelo promotor da unidade hoteleira vizinha para utilização exclusiva dos seus clientes e, como é fácil de constatar até ao mais desprevenido visitante, trata-se de um parque fechado. O que faz todo o sentido dado o fim a que se destina.
No mundo dos blogues não é de esperar grande rigor informativo nem um especial apego pela verdade dos factos. No caso em apreço, da ausência  de ambos não virá grande mal ao mundo. Mas, embora o autor do texto tenha toda a razão nas considerações que tece acerca do estacionamento cá do burgo, não cumpriu uma das regras de ouro que se deve seguir quando se fala ou escreve acerca de um tema que não dominamos. Não aprofundar demasiado...A menos que usemos aquela velha máxima que, também a mim, é tão querida: “Não deixe que a verdade estrague uma boa história”.

sábado, 30 de outubro de 2010

Passos certos


Como  está por demais evidenciado em diversos posts que tenho vindo a publicar aqui no Kruzes, não tinha a miníma simpatia pelas ideias do líder do Partido Social Democrata. Até ontem. Nas últimas horas a minha admiração por Pedro Parvus Coelho disparou para um patamar  que até a mim surpreende e que deve situar-se ao mesmo nível daquilo que qualquer intelectual de esquerda nutria por Barack Obama por alturas das eleições americanas. O que, penso, dará a quem me lê uma ideia aproximada do quanto o homem subiu na minha consideração. 
Tudo graças à frase mais marcante que qualquer titular de cargo público, ou aspirante a isso, ousou pronunciar desde que me lembro de ter algum interesse por estas coisas da politica. De facto não é para todos – até agora não tinha sido para ninguém – afirmar peremptoriamente que “os direitos adquiridos caiem quando for preciso”. Mais nada! Haja alguém que tenha coragem de fazer cair interesses instalados de magistrados, políticos de toda a espécie, reformados com reformas milionárias, gestores públicos, criminosos – independentemente da cor do colarinho – com direitos que escapam ao senso comum que conduzem quase sempre à impossibilidade de serem condenados, malta do Banco de Portugal e de todos os outros que se andam por aí a pavonear à custa da imensa maioria.
Nem coloco a hipótese – ninguém de boa fé o pode fazer – que o chefe social democrata esteja a falar de outra coisa. Até porque neste campo dos direitos adquiridos pouco mais restará do que acima enunciei. A menos que Pedro Parvus Coelho esteja a pensar em reintroduzir no país a aplicação da pena de morte. Sim, porque à generalidade dos portugueses o direito à vida – e ainda assim relativamente – é das poucas coisas dadas como adquiridas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fantasias no país das crises

Na crise de 2009 – aquela em que, recorde-se, gastar dinheiro dos contribuintes era bom e que fazê-lo constituía quase um imperativo patriótico – os autarcas portugueses, seguindo o exemplo do governo, esmeraram-se naquilo em que tradicionalmente melhor sabem fazer. Gastar o que têm, o que não têm e aquilo que sabem nunca irão ter. 
Cheios de generosidade, de amor ao próximo e imbuídos de um espírito altruísta que costuma atormentar os políticos na proximidade dos actos eleitorais, trataram de inventar planos de apoio aos extractos sociais mais desfavorecidos, medidas de emergência para auxiliar eleitores em situação de carência, estímulos ao emprego ou incentivos a tudo e mais alguma coisa. De caminho fizeram obras, arranjaram empregos, contrataram os cantores da moda, organizaram passeatas e tudo o mais que ocorreu à sua fértil imaginação. 
A crise de 2010 é, ao invés da anterior, daquelas tradicionais. Conservadoras, mesmo. Parece que nesta não se pode gastar. Terá, pelo contrário, de se cortar muita despesa. Inútil ou não. Embora a mim o conceito de despesa inútil com dinheiro público me faça uma certa confusão. Se calhar quem gasta o dinheiro de todos em coisas que não são úteis devia ser preso. Ou levar um par de estalos. Não sei, digo eu assim de repente. 
O certo é que agora não basta poupar. É preciso deixar de gastar onde antes de distribuía magnanimamente. Mas isso, suspeito, é tarefa impossível para os autarcas tugas. Não conhecem essa realidade, diria que nem suspeitam que exista, e fazer um esforço para reequilibrar as depauperadas contas da esmagadora maioria das autarquias não é assunto que mereça qualquer relevância. 
Nada disto me surpreende. Só me entristece que não encontre ninguém que queira apostar comigo em como o país se vai iluminar com milhões de luzinhas de natal, muita gente se vai empanturrar e embebedar nas múltiplas festas alusivas à quadra, pistas de gelo não vão faltar no centro de qualquer vilória e pai-natais barrigudos cheios de prendas, de que putos mimados desdenharão, andarão por aí numa roda-viva. Tudo com o alto patrocínio da quase falida autarquia lá da terrinha.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os empresários nossos amigos


Se de repente uma central sindical – ou outra organização qualquer, não interessa - se lembrasse de exigir uma redução das taxas de irs sobre os rendimentos do trabalho na ordem dos oitenta e cinco por cento, era muito bem capaz de ver esta intenção apelidada de irresponsável, demagógica e populista. No mínimo. E com razão. 
Se uma associação de aforradores, revoltados com a elevada taxa fiscal que incide sobre os juros dos depósitos a prazo, viesse a terreiro reivindicar uma baixa significativa – aí para um virgula cinco por cento – sobre o imposto que incide sobre os resultados da sua poupança, quase de certeza provocaria a ira do Ministro das Finanças. E do Bloco de Esquerda, também. Desagrado que, acredito, reuniria largo consenso.
Já um estudo, elaborado por uma universidade, sugerir como medidas para melhorar a competitividade das empresas nacionais o aumento do iva – provavelmente mais do que aquilo que o governo propõe – e reduzir a contribuição patronal para a segurança social de 23,75 para 3,75% é, digamos de uma forma simpática, parvo. E a atirar para o alarve.
Contrariamente ao que se possa pensar numa apreciação mais ligeira a universidade em causa não é a Independente. Embora não haja certezas quanto a isso - as fontes não o referem - suponho que a análise desta problemática e a conclusão obtida para a sua solucionática terá ocorrido num Domingo. De manhã, quase de certeza. Depois de uma noite de muito álcool, umas brocas e, se calhar, algumas gajas. Provavelmente até, mas isso sou eu a divagar dado o adiantado da hora, tudo patrocinado por algum “empresário” recentemente regressado da China.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tramar a ladroagem

Segundo alguns analistas destas coisas da economia, provavelmente os negativistas mais exacerbados e que urdem campanhas negras contra o PS - que é como quem diz contra o país – uma contracção do consumo na ordem dos dez por cento teria consequências catastróficas. Nem desconfio se tudo o que tem sido anunciado irá originar uma quebra dessa grandeza. Mas, aos olhos de um leigo, esse parece ser um número facilmente atingível se  os recos que se governam lá por Lisboa concretizarem todas as ameaças e mal-feitorias que pretendem impor aos portugueses. 
Por mim tudo farei para que o consumo tenha mesmo a queda tão temida pelos analistas económicos. Nem terei de me esforçar muito. Neste aspecto os cevados do governo irão usufruir de toda a minha colaboração. 
Apesar de sentir na carteira os efeitos das más intenções desta gente sem escrúpulos, nem categoria para gerir um clubezeco de bairro quanto mais governar o país, não acredito por aí além em greves. Desse acto pouco advirá de bom para quem aderir. Antes pelo contrário. Perder um dia de vencimento só beneficiará o governo que poupará uns trocos, no caso dos funcionários públicos, e nos privados irá certamente dar azo a mais uns quantos despedimentos. Prefiro outras formas de resistência individual e de boicote a pagamento de impostos que, no conjunto, acredito terão um impacto muito maior e que ainda podem trazer alguns benefícios à nossa bolsa. É tudo uma questão de imaginação. E se ela não falta à ladroagem que nos anda a tramar a nós também não.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Chegou o circo?!



Não gosto de ver o Rossio Marquês de Pombal transformado em parque de auto-caravanas. Dá mau aspecto. Não deve ser por acaso que o seu aparcamento é proibido em muitos locais turísticos. Para além disso a sua permanência em pouco ou mesmo nada beneficiará a cidade, até porque nem todos os que optam por este meio de fazer turismo demonstram um grau de civismo digno de nota. Não é que queira correr com eles á pedrada mas, de verdade, que não aprecio a sua presença num local nobre bem no centro da cidade. E o pior é que este espaço surge nos diversos fóruns de auto-caravanismo como local aconselhado para este pessoal abancar. 
Também não acho que se tenha de encontrar um lugar alternativo para esta gente estacionar o seu veiculo e pernoitar. Era o que mais faltava. Existe um parque de campismo dotado de todas as condições necessárias a este tipo de actividade a poucos quilómetros e, caso não queiram, a berma de qualquer estrada serve plenamente para o efeito. Agora montar o circo por ali é que não me parece nada bem.

sábado, 23 de outubro de 2010

Poupar não rima com autarca

As autarquias locais, em especial os municípios, sempre viveram à margem de qualquer austeridade orçamental, nunca se preocuparam em racionalizar custos e para os autarcas o esbanjamento à tripa forra do dinheiro dos contribuintes em inutilidades, daquelas que até chateiam de tão inúteis que são, é algo de tão natural como o ar que respiram. 
Apesar do apertão generalizado de que já estamos a ser vitimas e da tragédia social que, lá para Fevereiro, começaremos a sentir, escasseiam noticias que nos dêem conta de uma mudança de atitude por parte dos autarcas relativamente ao que tem sido a sua conduta pouco responsável em matéria financeira ao longo dos últimos trinta anos. E um bom exemplo seria começar por não despender nem um cêntimo em almoços, jantares ou ceias de Natal para idosos ou funcionários nem, tão pouco, em iluminações alusivas à data. 
Nem se pense que tal medida seria impopular. Pelo contrário. Existe já um grupo no Facebook onde se apela ao corte neste tipo de despesas, onde se inclui um modelo de carta a enviar ao Presidente de Câmara respectivo a solicitar que não sejam colocadas iluminações e que o dinheiro seja antes canalizado para apoio aos mais necessitados. Também nos blogues e sites de orgãos de comunicação social onde estes assuntos são abordados, a posição dominante é claramente contra a realização destas iniciativas que, é sublinhado com insistência, mais não são na maioria das circunstâncias que exibicionismo bacoco dos seus promotores. 
De resto, quando todos vamos ficar com menos rendimento, seja através da redução de vencimento, do aumento dos impostos e contribuições ou porque nos retiram apoios sociais como o abono de família e outros, é altura de começarmos a exigir a quem, nacional ou localmente, gere o nosso dinheiro que tenha muito cuidado e rigor na forma como o gasta. É que, para além de ser pouco, dói vê-lo ir-se embora pelo cano abaixo ou esvair-se em fumo, sem que daí nada resulte de positivo para o futuro da terra de cada um.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recos!


Sou, por principio, contra a redução de salários. Já aqui o escrevi vezes suficientes para que a minha opinião acerca do assunto, mesmo não interessando a ninguém ou tendo qualquer espécie de relevância, ficasse mais do que esclarecida. Acho que não é esse o caminho nem é através dessa via que se conseguirão recuperar as finanças públicas. 
A maioria dos entendidos no assunto – que ao contrário de mim sabem realmente do que falam quando emitem as suas distintas opiniões – considera, no entanto, que os cortes previstos em matéria de vencimentos e apoios sociais são imprescindíveis, chegando mesmo alguns a considerar que se devia ter ido ainda mais longe. Pena que, na maior parte dos casos, esta gente apenas olhe para baixo e aplauda apenas os cortes ao rendimento de quem ganha menos e não tenha vergonha de classificar como demagogia a pretensão de ver essa redução aplicada a quem tem salários obscenos, como já alguém chamou a algumas roubalheiras que por aí existem. 
A incoerência desta gente – uma cambada de bandalhos e javardos – enoja-me. No seu douto entender, reduzir – roubar é capaz de ser mais adequado – em cinquenta ou cem euros o vencimento e abono de família a quem ganha uma miséria é o caminho correcto que levará à recuperação do país. No entanto não ouvi um pio, provavelmente tenho andado distraído, acerca da trafulhice a que chamam contribuição extraordinária de solidariedade. Propõem as inteligências supremas que se governam neste país que um aposentado que receba cinco mil e cem euros passe, solidariamente, a contribuir com dez euros da sua reforma para o esforço colectivo de redução do défice... 
Parece por demais evidente que o esforço é demasiado desigual. Mas isso devo ser eu, negativista exacerbado e demagogo incorrigível, a depreciar mais uma vez o magnifico trabalho que o alegado engenheiro está a realizar em prol do país. Trabalho em que, garanto, tenho esperança de ainda um dia acreditar. No dia em que ele for preso.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Promessas

A Justiça é demasiado lenta. Esta afirmação não constitui qualquer espécie de novidade - toda a gente sabe isso – mas mesmo assim desagrada-me. Aborrece-me, vá. 
Faz agora um ano que um leitor deste blogue, que por acaso não conheço de lado nenhum nem me recordo de ter visto mais gordo, prometeu dar-me a honra de ser por ele processado judicialmente. Não sei se o dito leitor – pelo teor dos comentários que então me deixou será um verdadeiro poço de virtudes e que reunirá em si qualidades tão raras como a honestidade, integridade, o amor ao próximo e mais umas quantas que me escuso de referir para não maçar os meus estimados leitores – cumpriu ou não a sua amável promessa. Claro que tal honraria não me era destinada em exclusivo. O cavalheiro – sim, o senhor será um verdadeiro cavalheiro – terá como hábito prometer que processa pessoas. Por tudo e por nada, a julgar pela facilidade e pelo desembaraço com que o faz, a magnânima criatura distribuirá promessas de encontros em tribunal. 
Há, no entanto, dois problemas. A Justiça é lenta. Um ano depois não me notificou nem, ao que sei, há noticias de ter feito o mesmo a outros a quem o distinto cidadão – que, reitero, nem desconfio quem seja – terá feito igual promessa. O segundo problema é que é cara. Demasiado cara. Mais cara do que a água que corre nos canos, que a renda que alguns especuladores cobram por um lúgubre casebre e quase tanto como os impostos que às vezes esquecemos de pagar.