quarta-feira, 20 de outubro de 2010

À atenção do PCP


“Mulheres que têm sexo com estranhos. Aproveite já!”. Eh lá! Então isto não é coisa para merecer reprovação?!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Deixem-nas trabalhar, pá!

O PCP – Partido Comunista Português, para os mais incautos – não gosta da livre iniciativa dos cidadãos. Nem das cidadãs. A bem dizer não gosta de liberdade nem de iniciativa. Prefere as coisas planificadas. E nos planos daquele partido está apresentar uma proposta no sentido de proibir a publicidade, na comunicação social, ao negócio do sexo. 
Acho, naturalmente, mal. Muito mal mesmo.  Num período como aquele que atravessamos e em que, a julgar pelas centenas – ou milhares – de anúncios que diariamente são publicados nos mais variados jornais a publicitar esta actividade, este parece ser dos poucos negócios a viver um momento de franco crescimento, a empregar cada vez mais pessoas e a provocar alguma dinamização da economia, acho profundamente errado que se criem dificuldades a quem pretende dar a conhecer o seu negócio.
Em lugar desta tentativa de esconder o negócio das vistas dos potenciais clientes, esperava eu que o PCP propusesse – quem sabe, até, na discussão do Orçamento – a taxação em sede de IRS, IVA ou Segurança Social destas – e destes – profissionais. Ou mesmo, estaria mais de acordo com os desígnios dos comunistas, uma taxa especial agravada sobre os lucros escandalosos dos proxenetas. Mas não. Nestas, como noutras coisas, o Partido Comunista nem legisla nem sai de cima. 
A propósito. Sou só eu que noto nesta intenção uma vaga semelhança com o movimento de senhoras que há alguns anos atrás ficou conhecido como mães de Bragança?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ignorantes ou talvez não

De um inquérito promovido pelo Banco de Portugal parece poder concluir-se que os portugueses são uns perfeitos ignorantes em matéria financeira. Nada mais errado. Podem não saber o que é um spread ou pensar que euribor é uma marca de tabaco. Podem, até, estar nas tintas para tudo isso. Agora que de finanças – e também de economia - sabem eles, lá isso sabem. 
Se não veja-se a quantidade de agências de concessão de crédito, a maioria estrangeiras, que por cá se estabeleceram e a maneira como foram enganadas por muitos dos que recorreram aos seus préstimos. Em beneficio próprio, é verdade, mas também com largas vantagens para a economia nacional. Que o digam os inúmeros solicitadores de execução, que puderam criar assim o seu próprio negócio, e que não têm mãos a medir para recuperar os créditos que os tugas deixaram de pagar. Os cinco, dez ou vinte mil euros com que compraram o leitor de DVD's, o LCD, o carro novo ou pagaram a viagem à Republicana Dominicana são agora descontados dos seus ordenados, em prestações suaves que perdurarão muito para lá da idade da reforma. 
Também não me parece que sejam propriamente uns nabos em assuntos financeiros todos aqueles – não devem ser poucos – que vão conseguindo sobreviver anos a fio à conta dos mais variados subsídios de um Estado que muitos acusam de ser cada vez menos social. Acredito que, com relativamente pouco esforço, não será difícil encontrar quem arranje maneira de, nos anos que medeiam entre deixar de ter abono de família e adquirir o direito à pensão de reforma, se ir orientando com o dinheiro proveniente das finanças públicas fazendo um esforço ainda menor. 
Somos, em suma, um povo de especialistas. Especialmente em falcatruas. Financeiras, quase todas. Por isso, mesmo não sabendo nada de spreads ou euribores, qualquer um podia gerir o BPP, o BPN ou até, quem sabe, ser Primeiro-Ministro.

domingo, 17 de outubro de 2010

O gang dos porreiros, pá!

Qualquer inquérito ou sondagem manhosa revela que a insegurança, os assaltos e os crimes contra as pessoas e o património estão no topo das preocupações dos portugueses. Pois esqueçam lá isso. Os “Patolas”, “Macacos” ou “Tenentes” desta vida, apesar do nome de guerra bastante sugestivo, não passam de meninos de coro quando comparados com o saque organizado de que todos seremos vitimas já a partir de Janeiro. E o pior é que, neste caso, nem sequer nos podemos defender e dar um valente par de murros nos cornos do assaltante. 
Está tudo previsto no Orçamento. Vão-nos ao bolso, à conta bancária ou onde quer que escondamos o fruto do nosso trabalho e fazem uma limpeza digna dos melhores profissionais da arte do gamanço. Saque, esbulho, extorsão são palavras que não definem suficientemente bem aquilo que vai ocorrer. Mesmo que acrescente má-fé, vigarice ou xico-espertismo receio não estar ainda a não ser capaz de definir razoavelmente  o que me parece ser a intenção do governo. De outra forma não sei como interpretar as orientações emanadas do Ministério das Finanças para a elaboração do orçamento de Estado, nomeadamente quando ordena aos serviços que “ A orçamentação da despesa, quer para o pessoal ao serviço, quer para o pessoal que se planeia contratar (independentemente da data em que se planeia fazer a contratação) inclui, nomeadamente, os seguintes itens: Catorze meses de remunerações certas e permanentes e de outras despesas de natureza certa e permanente”. Ou seja: é inscrita dotação em orçamento que se sabe, de certeza absoluta, não vai ser executada. Donde se pode facilmente concluir que existirá uma clara sobre-avaliação da despesa. 
Esta imposição decorre, naturalmente, da lei. Que, como faz em tantas outras circunstâncias, o governo podia ter optado por revogar, suspender ou alterar. Mas não. Está-se mesmo a ver com que objectivo. Poder gabar-se da “poupança” absolutamente extraordinária que conseguiu com as despesas de pessoal, ter alguma folga para o que vai correr mal e, sobretudo, arranjar justificação para o roubo mais que descarado que nos vai fazer. Isto para além de, segundo alguns especialistas, as receitas provenientes do aumento do IVA e do IRS estarem claramente subavaliadas. Maquiavélico, portanto. 
Se o que acabei de escrever se vier a confirmar não passar de “uma ilusão de óptica”, não terei qualquer problema de consciência em fazer como o aprendiz de treinador e vir aqui penitenciar-me por estas alarvidades.

sábado, 16 de outubro de 2010

Mas quem é que esta gente pensa que é para andar por aí a opinar?!

Como qualquer intelectual que se preze Pacheco Pereira gosta de fazer prolongadas dissertações sobre coisas. Nomeadamente acerca de blogues, radicalismos e bloggers ou comentadores que usam esta ferramenta para disseminar opiniões radicais – e geralmente parvas, presumo que o figurão pense assim – que não interessam a ninguém. Dois assuntos – blogosfera e radicalismo - que domina na perfeição. Como, aliás, domina todos os outros assuntos acerca dos quais seja necessário emitir opinião. Embora condene que outros façam o mesmo porque, apesar de não o dizer a gente percebe, são todos, excepto provavelmente ele e um circulo de intelectuais iluminados, uma cambada de nababos que não deviam ter opinião sobre nada e ainda que tivessem deviam guarda-la só para si e não andar a divulga-la por essa Internet fora. Uma chatice isto das pessoas insistirem em escrever o que pensam e não deixarem essas coisas do opinanço para quem realmente o sabe fazer. 
Ter opiniões é cada vez mais perigoso. Principalmente quando se expõem num blogue. Apesar de, como é amplamente reconhecido, ninguém ler esses espaços de maledicência. O melhor é o pessoal dedicar-se à farmville e não andar para aí a escrever – nem a falar - do que não sabe.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E o povo pá?!

A novela em torno do orçamento de Estado para o ano que vem tem-se revelado uma palhaçada. Desconfio, eu que não sou de acusar ninguém, que o autor do enredo será o palhaço-mor, o Zézito, tamanha tem sido a trapalhada armada em redor do documento que, ironia do destino, define as orientações da politica a seguir no próximo ano. A começar pela estranha e fantástica exigência que o seu autor – o governo – faz ao principal partido da oposição – o PSD - para que este, ainda antes de ter a proposta elaborada, diga se a aprova ou rejeita. 
Também a forma escolhida para divulgar as medidas previstas no Orçamento é bastante sui generis. Seria normal que fossem os deputados na Assembleia da República – que, parecendo que não, é o orgão com legítimos poderes para se pronunciar sobre esta matéria – os primeiros a ter conhecimento do seu conteúdo, após apresentação do mesmo ao parlamento. Mas não. Foi-se sabendo aos poucos, pela comunicação social ou por uns bitaites que um ou outro actor secundário ia deixando escapar. 
A história acabará, com toda a probabilidade, na aprovação da proposta do governo. Mais tesourada, menos remendo. Infelizmente para os portugueses. Isto porque, ao contrário da opinião dominante de gente tida como responsável e inteligente, não vejo que viesse grande mal ao mundo se o orçamento fosse chumbado. Pelo contrário. A acreditar que se concretizariam todas as previsões catastróficas que daí – dizem – resultariam, isso seria o que de melhor nos podia acontecer. Talvez assim muitos acreditassem finalmente que não podemos continuar a viver este faz-de-conta que somos ricos e se convencessem que não temos onde cair mortos. A começar pelo palhaço Primeiro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eles comem tudo...

Noticiava hoje o matutino portuense Jornal de Noticias, em grande destaque na primeira página, que as Câmaras Municipais estarão “sem dinheiro para refeições escolares”. Continuava o periódico, em subtítulo, a informar os seus leitores que os municípios estão à “beira da ruptura financeira” e que, por isso, a prestação destes serviços aos alunos estará em risco. 
Tal noticia causa-me uma enorme surpresa. Mais do que isso. Deixa-me de pé atrás, a desconfiar que temos aqui marosca e que alguém terá encomendado o sermão. Ou então lá pelo jornal estarão distraídos ou não terão feito o trabalho de casa. Isto porque a forma como a noticia é apresentada – e desenvolvida na edição online - não leva o jornal a interrogar-se acerca das opções que possam existir para debelar as dificuldades que, todos concordarão, muitas autarquias estão a atravessar. Embora, diga-se, por culpa própria ou, se preferirem, de quem as tem dirigido. 
Recorde-se que os municípios recebem, pontualmente ao dia quinze de cada mês, o denominado Fundo Social Municipal que serve para, entre outras coisas, assegurar os serviços de alimentação das criancinhas. De salientar que esta verba não está – nunca esteve – em atraso nem foi objecto de qualquer corte no último PEC. Mas mesmo que, apesar disso, as autarquias sintam algumas dificuldades em honrar todos os compromissos decorrentes do sector da educação é perfeitamente compreensível. O que já não merecerá tanto a compreensão do cidadão com um senso comum dentro dos limites da normalidade é que sejam precisamente estas despesas a estar em risco. Se calhar, digo eu, seria mais óbvio equacionar a realização de festas de natal para os trabalhadores, para os reformados, para os dirigentes municipais e toda uma catrefa de realizações de índole gastronómica que apenas muito raramente tem uma justificação razoável para onerar as depauperadas finanças autárquicas.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Coisas com uma actualidade do caraças!


O mundo mudou. Queixa-se o relativamente engenheiro que, por enquanto, ainda é primeiro ministro. O Partido a que pertence também mudou. Muito. É por isso que muitos portugueses não se importariam de subscrever hoje este apelo que o Partido Socialista fazia aos seus militantes por alturas do Verão quente de mil novecentos e setenta e cinco, na convocatória de mais uma das muitas manifestações que então se faziam. O apelo permanece actual. Vão-se embora. Não estraguem mais.

domingo, 10 de outubro de 2010

Quem foi o javardão que perdeu isto?


Voltemos, por hoje, ao tema que celebrizou este blogue. A merda de cão. Celebrizou é como quem diz, tornou conhecido entre dez ou quinze pessoas que, simpaticamente, o passaram a designar como o blogue da merda de cão ou o blogue do gajo da merda de cão. Entre outras coisas mais ou menos, na sua maioria bastante menos, simpáticas. 
Este vistoso monte de merda, fresco e ainda quase fumegante quando o fotografei, está esparramado a poucos metros da minha porta. Será, portanto, com toda a probabilidade pertencente a alguém que mora na vizinhança. Alguém que não sei quem é mas que certamente terá um elevado nível de instrução, detentor de um gosto cultural refinado fruto de uma superior formação intelectual, mas que denota uma tremenda falta de educação. E de respeito para com os demais cidadãos e, também, para com os seu próprio cãozinho. Se assim não fosse não o deixava circular pelo bairro ao Deus dará - sujeito a ser atropelado ou coisa pior - e passeava-o com a trela recolhendo os excrementos que este fosse largando. Mas não, como é um javardo, não faz nada disso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Questões (que não se põem) da politica local

Tenho, ao longo dos cinco anos e meio de existência deste blogue, mantido afastado do Kruzes Kanhoto os temas e as polémicas relacionadas com a politica local. Assim continuará a acontecer. Isso não significa que não tenha por ela algum interesse, ou que me demita da condição de cidadão e eleitor relativamente aos problemas da minha terra. Há mesmo questões acerca das quais, se um dia se colocarem, não hesitarei em expressar a minha opinião. Por mais irrelevante ou pouco fundamentada que se revele. 
Vem isto a propósito de algumas opiniões expressas por leitores e/ou paineleiros do jornal “E” desta semana acerca dos habitantes do Bairro das Quintinhas. Nomeadamente quando alguém sugere a construção de bairros sociais pela Câmara Municipal, destinados a alojar essas pessoas. Vá lá que a autora da proposta – que termina perguntando se achamos boa ideia - não se esqueceu do pormenor de mencionar o pagamento de uma renda. 
A resposta é claramente não. Não acho boa ideia. Pelo contrário. Muitissimo bem tem estado todos os executivos camarários que, sem excepção, não embarcaram nessa aventura. Iguais experiências tem sido realizadas noutras localidades com as consequências sobejamente conhecidas e das quais, felizmente, apenas vamos tendo conhecimento pela comunicação social. De resto – e que ninguém tenha dúvidas quanto a isso – Presidente que “dê casinhas” nunca mais ganha eleições em Estremoz. 
Dispondo as agências imobiliárias de uma vasta carteira de imóveis, para venda e arrendamento, não se afigura que haja necessidade de investimento público na área habitacional. Principalmente se tivermos em linha de conta que alguns dos cidadãos em causa dispõem de um parque automóvel muito acima daquilo que é comum entre o cidadão médio, ou que praticam um nível de consumo muito pouco de acordo com as possibilidades de quem possui fracos recursos. Sinais mais do que evidentes que viver ali, naquelas condições, constituirá uma respeitável opção de vida. Nem todos, obviamente, terão o mesmo poder aquisitivo. Mas esses poderão sempre recorrer à segurança social que, como é sabido, também comparticipa nos apoios ao arrendamento. Quanto aos restantes, a solução passará pela construção do quartel da GNR e a conclusão da variante que liga a zona industrial à rotunda do Modelo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Estudos incompletos

Foi hoje dado amplo destaque à violência que alegadamente – o alegadamente sou eu a dizer porque, ao contrário do habitual, os difusores da noticia não empregaram esta palavra tão em voga no meio jornalístico – é exercida sobre os idosos. O conceito de violência é, no estudo que fundamenta a noticia, bastante lato e engloba no mesmo saco as agressões – cobardes, acrescento eu – de que os mais velhos são vitimas até aos internamentos contra sua vontade, mas muitas vezes inevitáveis, em lares da terceira idade. 
O mesmo estudo identifica como potenciais agressores, nas suas vertentes física e psicológica, familiares próximos e vizinhos da vitima. Deixam os seus autores fora do rol de agressões, no entanto, outras formas de violência não menos negligenciáveis. Ou não será também - a ocorrer -  um acto de extrema violência uma qualquer instituição, dita de solidariedade social, acolher preferencialmente os idosos que se mostrem disponíveis para contribuir com uma generosa doação à instituição ou, sabe-se lá, para quem a dirige? Doação absolutamente voluntária, saliente-se, que jamais alguém sugeriu e que se deve apenas ao espírito altruísta do candidato ao acolhimento. 
E a malta do social, aquela que se diz assistente mas mais valia não desse assistência, não é violenta sobre os idosos que têm o azar de ir parar ao internamento de um qualquer hospital? Após a alta médica esses “profissionais” exercem todo o tipo de pressões sobre as famílias, ainda que estas não tenham condições para o fazer, para que cuidem dos seus familiares em casa mesmo que estes estejam às portas da morte ou fiquem das oito da manhã às oito da noite sozinhos em casa dos filhos. Isso não é violência? 
Gosto de estudos. Muitos deles ensinam-nos coisas. Parvas, quase sempre. Tenho é pena que os estudiosos abordem os problemas pela rama e pretendam publicitar os seus trabalhos através de mensagens-choque, que mexam com as consciências, sem se preocuparem com outras vertentes igualmente importantes. Deve ser de serem jovens.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os novos inimputáveis

Parece que já são umas largas dezenas os portugueses que se queixam de ver as suas contas bancárias penhoradas pelo fisco de forma ilegal. Isto porque, alegam, dispõem de rendimentos abaixo do limite da penhorabilidade. Obviamente podemos, perante estes casos, estar na presença de irregularidades praticadas pela máquina fiscal, pela banca ou, até, por ambas. Estaremos também, não tenho qualquer motivo para pensar o contrário, a falar de pessoas honestissimas e possuidoras de uma credibilidade acima de qualquer suspeita. Mas estamos igualmente a ser regidos por uma legislação que em matéria de dividas protege claramente o caloteiro, privilegia escandalosamente o aldrabão e deixa totalmente desprotegido quem tem a infeliz ideia de pensar em recuperar os calotes que lhe ferraram. 
Na verdade, por cá, só paga as dividas quem quer ou quem é parvo. Basta ser pobre – e quem ganha o salário mínimo ou pouco mais não pode ser considerado outra coisa – ou fiscalmente pobre, para praticamente se tornar impossível que alguém, graças ao tal limite de penhorabilidade, lhe cobre aquilo que deve. Daí que, graças às leis da República, qualquer um que cumpra estes requisitos, se possa transformar, com a maior das impunidades, um verdadeiro consumista inimputável. 
Tomemos como exemplo alguém que ganhe quinhentos euros mensais. Qualquer um nestas circunstâncias poder contrair na banca, na loja da esquina ou cravar de um incauto e igualmente honesto cidadão, dívidas de largos milhares de euros com a maior tranquilidade. Se quiser nunca pagará um cêntimo sem que daí surjam para si especiais consequências. Na pior das hipóteses, alguns anos e vários créditos depois, verá penhorada a parte do seu vencimento que exceda o salário mínimo nacional. Isto se tiver emprego, porque se estiver desempregado ou simplesmente não lhe apeteça trabalhar, nem isso.
Dir-se-á que a lei visa assegurar as condições minímas de subsistência ao devedor. Será, sem dúvida, um principio louvável. Pena que ao credor – e nem todos os credores são bancos, financeiras ou operadoras de telemóvel – não esteja garantido igual nível de protecção.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ninharias

Tantas vezes aqui expressei a necessidade de, em todas as circunstâncias, o exemplo vir sempre de cima, que não podia deixar passar sem uma referência o facto de a União Europeia, que não se tem cansado de incitar os governos dos Estados membros a baixar os salários aos seus funcionários, proceder também ela a cortes nos vencimentos dos que prestam serviço nas instituições europeias. Corte radical, diga-se, que isto dos exemplos de quanto mais de alto vêm mais exemplares devem ser. Por isso as altas instâncias europeias decidiram reduzir em 0,4% o salário de cada um dos seus trabalhadores. O que se traduz num corte de dez euros, para quem ganha menos e recebe actualmente dois mil e seiscentos euros, ou de setenta e dois para quem está no topo e recebe agora dezoito mil euros... Dá que pensar quando por cá, se rouba cinco vezes mais a quem ganha cinco vezes menos. Coisas.
Entretanto comemorou-se a República. Diz que completou cem anos. Está, portanto, velha. Ainda assim os festejos – em que os intervenientes tinham quase todos cara de enterro e ar de quem estava a fazer um bruto frete – ficaram-nos em dez milhões de euros. Uma ninharia, dirão alguns. Nada de mais, garantirão outros enquanto asseguram que o povo quer é festas. Muito, digo eu, quando se trata de gastar o que não temos. Principalmente com uma velha.

domingo, 3 de outubro de 2010

A fome é, quase sempre, má conselheira...

Um deputado do Partido Socialista – de que outro podia ser?! - terá solicitado a abertura da cantina do parlamento à noite para permitir que os representantes da nação lá possam jantar. Queixa-se o senhor que o vencimento – três mil e setecentos euros, recorde-se – não dá para tudo e que a classe que integra tem sido a principal vitima das medidas de austeridade promovidas pelo governo. Provavelmente sonha com a possibilidade de engolir uma sopinha e degustar um croquete - que à noite convém não encher o bandulho - a preços mais em conta, enquanto se debruça sobre os importantes assuntos da nação. O que só lhe fica bem, pois o exemplo tem de vir de cima e a prestação de mais umas quantas horas de trabalho aliadas à poupança de uns quantos euros na refeição pode contribuir para incentivar outros, deputados ou não, a fazer o mesmo. 
Pena que o homem esteja apenas a ser irónico. Quase tão irónico como Almeida Santos quando, há poucos anos, garantia que sempre que um deputado estendia a mão para chamar um táxi alguém lhe dava uma moeda. Isto para defender a necessidade de aumentar significativamente o vencimento dos políticos. Felizmente desde que se começou a falar de crise este tipo de discurso, que nos pretendia fazer crer na necessidade de termos uma classe politica bem remunerada de forma a atrair os melhores para dirigir os destinos do país, saiu de cena. Os seus protagonistas eram os mesmos, curiosamente ou talvez não, que agora nos pretendem convencer que é inevitável esta politica miserável que nos conduzirá – oxalá esteja errado - à tragédia social e económica. É por estas, e também por outras, que nutro um profundo desprezo por políticos, comentadores e outros analistas da treta que não se cansam de estar errados e que ao contrário de qualquer outra besta tropeçam sempre na mesma pedra.

sábado, 2 de outubro de 2010

Os gloriosos malucos das máquinas gastadoras

Ao que se pode ler em diversas redes sociais a vinda do grupo musical U2 a Portugal terá custado aos cofres da Câmara Municipal de Coimbra, localidade onde se realizam os espectáculos da banda, a simpática quantia de duzentos mil euros. Isto apenas em pagamentos directos, porque os custos com a limpeza da cidade ascenderão a mais trinta mil euros. Ao invés de se mostrar envergonhado com estes valores obscenos, um vereador da autarquia, a fazer fé no que publicou um jornal on-line, terá defendido o investimento – recuso-me a acreditar que o homem tenha usado esta palavra, afinal um autarca não pode ser tão ignorante - frisando que, se assim não fosse, os dois concertos “da melhor banda do mundo” que vão levar à cidade 100 mil pessoas “podiam muito bem-estar em Lisboa ou Madrid”. O que, calculo, teria sido uma tragédia que a Câmara lá do sitio tratou de evitar. 
Estou verdadeiramente estarrecido e com os poucos cabelos que me restam em pé. Nada justifica que uma entidade pública - se fosse privada era lá com eles – assuma o pagamento, seja por si ou através de uma empresa municipal, de uma importância desta grandeza para assegurar a realização de dois espectáculos musicais. Nem o argumento que estas coisas estão decididas há muito tempo e que a crise é só de agora. Digam o que disserem a decisão de assumir uma despesa desta natureza – a confirmarem-se os números postos a circular – ultrapassa em muito o bom senso, o rigor e o equilíbrio que devem estar sempre presentes na gestão do dinheiro que é de todos, com crise ou sem ela, e revela-se perfeitamente consentânea com a loucura generalizada que se verifica no reino da demência em que parecem viver muitos autarcas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Remédiozinhos


Um pouco por todo o país as farmácias têm estado cheias de gente. Principalmente de pessoas com alguma idade. Ao contrário do que possam pensar os menos atentos aos telejornais e noticiários em geral não se trata de nenhuma epidemia que tenha atacado, em especial, os mais velhos. Trata-se apenas da consequência da entrada em vigor da nova regulamentação que acaba com a gratuitidade de alguns medicamentos quando comprados por idosos. Ao que parece verificar-se-iam abusos na prescrição destes fármacos e que, segundo a própria ministra, estariam a lesar o Estado numa pipa de massa. Nada que surpreenda por aí além porque, como é amplamente reconhecido, não há português que não tente a todo o custo lesar o Estado nem que não reclame contra os poucos recursos que este coloca ao  seu dispor. O que, também, não admira porque a coerência nunca foi o nosso forte. 
Andam, por estes dias, felizes os nossos velhotes. Carregam sacos repletos de medicamentos – à borla ou a preços módicos para eles mas pagos por todos os parvos que pagam impostos – e exibem um sorriso de satisfação por terem tido oportunidade de enganar o malandro do Sócras. Com a esperteza própria de quem já viveu muitos anos, tiveram a lucidez de antecipar a compra dos remédios e assim poupar dois ou três euros. Sempre dá para um maço de tabaco ou para beber um copito no quiosque xungoso. 
Provavelmente muitas das embalagens vendidas nos últimos dias vão, pelas mais variadas razões, acabar no lixo. Algumas por ultrapassagem do prazo de validade. Delas ou de quem as adquiriu.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Outro Peczinho...

Desta vez é quase a doer. Mesmo que o anunciado hoje pelo engenheiro (eheheh) não resolva grande coisa no combate ao deficit do Estado e contribua para afundar ainda mais a economia, as medidas que nos próximos meses entrarão em vigor vão fazer-se sentir a sério nos bolsos e, provavelmente, no estilo de vida dos portugueses. 
Diz o homem, todo ufano, que a consolidação orçamental  prevista vai permitir reduzir o défice em cinco virgula um mil milhões de euros. O que é, assim à primeira vista, um número astronómico e difícil de imaginar. Mas não. É quase ridículo. Principalmente se pensarmos que são apenas seiscentos Robertos.

Eles que ponham mas é a mãe deles a render

Não consigo evitar um sorriso quando deparo com comentários a defender, como mais uma medida de redução da despesa, a extinção de Municípios do interior como Barrancos, Borba ou outros de reduzida expressão populacional. A opção é, quanto a mim, curiosa e revela uma opção simplista ao melhor estilo socrático de acabar com o que é pequeno e, em termos financeiros, irrelevante. 
Todas estas localidades tem um identidade própria, um território perfeitamente demarcado e são as Câmaras Municipais, quase sempre, as únicas instituições que mantém viva a terra e são elas a razão de ainda ir restando alguma população por estas paragens do interior. Se calhar, digo eu assim de repente, era capaz de fazer mais sentido e causar um impacto muito mais significativo no equilíbrio das contas públicas extinguir os municípios da Amadora, de Odivelas ou da Moita. Até porque, como não serão muitos os que sabem onde começam ou acabam estes concelhos, seriam poucos os que notariam a diferença se os mesmos deixassem de existir e fossem, provavelmente com vantagens de toda a ordem, integrados nos concelhos limítrofes. 
O que parece estar fora de questão, pelo menos ninguém ousa mencioná-lo, é o encerramento de instituições públicas, daquelas que desempenham um papel importantíssimo – quiçá decisivo - na sociedade portuguesa. Como, por exemplo, a Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género ou o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural. Que seria de nós sem eles?!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Assobiar para o lado e deixar arder


Nem coloco a hipótese de as autoridades competentes nestas matérias não estarem, se calhar até já estão há muito tempo, a investigar o curioso fenómeno que origina uma espessa nuvem de fumo negro e que se repete com  inusitada frequência num bairro situado numa das entradas da cidade. Não que o local da deflagração seja particularmente suspeito ou que o facto de arder alguma coisa naquele lugar provoque algum sentimento de preocupação a alguém. Nada disso. No entanto a persistência com que o estranho fenómeno se repete, tenho a certeza, não pode deixar de merecer a atenção de quem tem por missão zelar pela ordem pública. 
Não acredito que na origem de tamanha fumarada esteja um qualquer churrasco nem, tão pouco, a queima do lixo que os moradores recusam colocar nos contentores. Trata-se, obviamente, de outro tipo de material combustivel. Qual e o motivo porque parecem ter tanta necessidade de o queimar é que deve ser investigado – reitero que não tenho nenhuma razão para pensar que não haja investigações a decorrer – e, se neste comportamento se verificar a prática de algum ilícito, punir os prevaricadores de acordo com o que dispõem as normais legais relativamente a este tipo de comportamento. Pelo menos é  o que  é expectável acontecer num país onde as leis são iguais para todos. Ainda que, também nestas coisas, uns pareçam menos iguais que outros.

domingo, 26 de setembro de 2010

Ganhar dinheiro na internet



Os sites PTC – páginas que pagam por visualizar anúncios por eles sugeridos – não estão ainda muito divulgados entre nós, ao contrário do que acontece em muitos outros países de poder de compra inferior ao nosso, onde constituem uma fonte de receita interessante para muitos internautas. As imagens acima são o comprovativo de alguns recebimentos que obtive com estes esquemas e demonstram que, apesar das muitas fraudes que ocorrem por essa internet fora, também há negócios mais ou menos honestos... 
O funcionamento da coisa é relativamente simples. Começa-se por criar uma conta no Paypal ou no Alertapay. Pode optar-se por outro meio de recebimento mas este é o mais simples. Por muitas razões. A começar pelo anonimato e as óbvias razões que daí decorrem...De referir que através do Paypal ou do Alertapay é possível efectuar pagamentos online, associar um cartão de crédito ou até mesmo transferir dinheiro de ou para uma conta bancária. 
Após o procedimento descrito no parágrafo anterior basta escolher entre a muita oferta existente aqueles sites que oferecem uma maior garantia de cumprimento das condições propostas, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento. Deve sempre desconfiar-se da fartura e ter muitas reserva em relação àqueles que oferecem lucros milionários. Embora seja possível obter resultados interessantes ninguém, a menos que viva no Burundi ou na Etiópia, fica rico ou poderá viver à conta destes esquemas. 
Utilizo e recomendo o BeRuby, que paga cinco cêntimos para visitar sites como o “Sapo”, “A Bola” ou o “facebook” - coisa que toda a gente faz de borla – o Neobux, que paga quatro cêntimos por dia para clicar em anúncios e o Bux.to que diariamente nos propõe cerca de vinte páginas publicitárias que rendem outros tantos cêntimos. Isto enquanto noutra janela do nosso navegador podemos ir consultando outras páginas com muito mais interesse como, nomeadamente, o Kruzes Kanhoto. 
Visto assim pode – e de facto é – parecer pouco. No entanto se multiplicarmos estas quantias irrisórias por trezentos e sessenta e cinco dias chegaremos a valores que facilmente ultrapassam os cem dólares de rendimento anual.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Discriminações maquiavélicas

Mais do que saber se vou ficar sem subsidio de Natal, de Férias ou parte de ordenado no próximo ano, o que me tem intrigado e deixado verdadeiramente perplexo é a insistência com que a comunicação social, economistas e parvos em geral apresentam esta hipotética medida, supostamente anti-crise, como sendo de aplicação exclusiva à função pública. A ser assim seria um acto claramente discriminatório e provavelmente desprovido de qualquer legalidade, do qual resultaria a condenação do Estado por qualquer tribunal e a obrigação de indemnizar quem fosse abrangido por ela. 
Tal medida, para ter algum efeito prático, apenas poderá configurar um novo imposto que incida sobre essas remunerações. Logo, sendo uma nova contribuição, terá de ser aplicada a todo o universo de pessoas que trabalhe por conta de outrem e nunca apenas a um grupo restrito de contribuintes. Por outro lado, caso não se trate de um imposto, se o governo entender modificar a legislação laboral e imponha uma alteração legislativa que lhe permita, definitivamente ou durante um certo período de tempo, não pagar determinadas importâncias – Subsídio de Natal, de Férias ou outra coisa qualquer - aos seus funcionários, com o intuito académico de cortar na despesa pública, a eficácia dessa medida – atrevo-me desde já a diagnosticar – será praticamente nula. Só um tolinho acreditará que, a nível do Estado central, a verba disponibilizada nas rubricas orçamentais do pessoal não será usada para aqueles pequenos caprichos que todos sobejamente conhecemos. Ou, nas autarquias locais, para fazer mais um inolvidável espectáculo com o artista do momento, construir umas quantas rotundas e atribuir generosos subsídios. 
Numa ou outra circunstância, a todos ou apenas aos funcionários públicos, retirar ainda mais dinheiro à economia será dar o passo que falta em direcção ao abismo. A mim, que tal como Jesus Cristo não tenho biblioteca nem percebo nada de economia, parece-me que quem não receber subsidio de natal não vai comprar presentes e se não tiver subsidio de férias fica em casa. O que não seriam boas noticias para o comércio nem para aquelas regiões onde, tradicionalmente, os portugueses gozam férias. A menos que – e não sou eu que vou excluir essa hipótese por mais maquiavélica que me pareça - se pretenda que recorramos ao crédito...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ca'ganda ideia!


Embora não seja integralmente visível na fotografia, o arranjo urbanístico em redor da imagem religiosa colocada no pequeno largo situado em frente do quartel dos Telheiros está muitíssimo bem engendrado. Umas quantas arvores, flores de espécies várias, bancos para qualquer transeunte mais cansado gozar uns momentos de repouso e o pavimento calcetado, conferem ao espaço um aspecto aprazível. Nomeadamente para quem vai passear o cãozinho. É que o projectista levou em linha de conta as necessidades do melhor amigo do homem – às vezes também da mulher – e reservou pequenos recantos, revestidos a pedra solta, para que os canitos possam aliviar a tripa sem que as consequências deste acto sejam excessivamente visíveis. Bem pensado, sem dúvida. 
A execução desta obra, concluída mais ou menos a meio do ano anterior, demorou cerca de três anos. Mas, reconheça-se, valeu a pena. Está ali uma coisa jeitosa, sim senhor.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Reorientação laboral

Andam por aí uns malandros, anti-comunistas primários na certa, que nos querem fazer acreditar que o Estado cubano terá intenção de se livrar de muitos dos seus funcionários. Quinhentos mil, mais coisa menos coisa. Ora, numa deliberada distorção daquilo que são as intenções do governo de Cuba, as forças mais reaccionárias – provavelmente ao serviço do capitalismo mais selvagem – trataram de intoxicar a opinião pública catalogando esta situação como despedimentos na função pública daquele país socialista e, ao que parece, democrático. 
Obviamente que não se trata de nada disso. Antes pelo contrário. Está, isso sim, em curso um processo - amplamente democrático, esclareça-se desde já – de reorganização de actividades com a reorientação laboral de trabalhadores para outros postos de trabalho e outras formas de relação laboral não estatal. O que é, como toda a gente percebe, algo de muito diferente daquilo que muitos arautos ao serviço do grande capital andam para aí a proclamar. 
Já agora saliente-se que as novas modalidades de subsistência serão, entre outras coisas, o arrendamento, o usufruto ou, até mesmo, o trabalho por conta própria. Naturalmente que nada disto poderá ser conotado com o exercício de qualquer actividade capitalista. Era só o que faltava que, de ora em diante, quem na ilha do camarada Fidel passar a viver do arrendamento ou do usufruto de qualquer bem, possa ser rotulado de parasita ou explorador capitalista. Se tudo correr bem e a reorientação em curso for um sucesso teremos a ilha cheia de exploradores e parasitas revolucionários. O que, só um porco-fascista não vê, é completamente diferente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Jornalistas da treta

Nos últimos dias têm-se sucedido noticias na comunicação social que me fazem ter vontade de esmurrar o rádio do carro, rasgar o jornal ou atirar qualquer coisa ao televisor. Não, propriamente, pelo conteúdo informativo mas antes pela forma como as noticias nos são transmitidas. Claro que eventuais actos de violência sobre os meios que trazem até mim a informação revelar-se-iam inúteis, despropositados e apenas capazes de me causarem avultados prejuízos financeiros. Daí que opte apenas por chamar parvos aos jornalistas que as redigiram. Se é que ainda são estes profissionais que tratam destas coisas. 
A manipulação jornalística em torno das noticias que envolvem os ciganos são absolutamente revoltantes e revelam algo que, para ser simpático, vou apenas considerar como mau profissionalismo. Quando pessoas daquela etnia são, alegadamente, vitimas de qualquer injustiça – porque, naturalmente, também o são tal como qualquer outro cidadão – não há profissional da informação que não repita até à exaustão a palavra “ciganos” para identificar as presumíveis vitimas. Veja-se o caso francês ou qualquer escola portuguesa onde os pequenos ciganitos não sejam tratados como príncipes. 
Já na situação inversa, que ocorre na maior parte das ocasiões, em que são os estes os causadores dos mais variados desacatos, não há jornal nem jornalista que ouse pronunciar a palavra “ciganos”. Na melhor das hipóteses, muito timidamente, um ou outro atrever-se-á a mencionar que se trata de cidadãos de etnia cigana. Podia citar inúmeros casos, mas fico-me apenas pelos dois mais recentes. Os “pais de um aluno” - palavras do jornalista – entraram numa escola pública e malharam barbaramente uma professora que devia estar mesmo a pedi-las e, hoje, uma rixa envolvendo duas “familias” provocou dois mortos. 
Todos os cidadãos envolvidos nestes actos cívicos representativos de uma certa cultura só serão “ciganos”, segundo os modernos critérios jornalísticos, se alguns racistas e xenófobos lhes arrearem uma valente carga de porrada. Ou então algum Sarkosy os meter na linha. Nem que seja do TGV.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Estremoz?!


Algum bom motivo haverá para que esta rua, no meio de um bairro residencial de vivendas de luxo em Oceanside no Estado norte-americano da Califórnia, tenha o nome de “Estremoz”. Ou então é apenas por acaso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Solidários ou gente que só quer é aparecer?

Até há pouco tempo era politicamente correcto odiar George Bush. Quem não o fizesse não passava de um analfabeto politico, um indigente mental, quiçá, até, uma verdadeira besta. Claro que não foi nada disso que impediu o homem de obter a confiança dos eleitores americanos, ser reeleito e apenas ter deixado o poder porque não podia, legalmente, candidatar-se. A justificação, fácil e óbvia, é que aquela malta lá da América é toda estúpida. Pelo menos é o que garantem uns quantos iluminados que abominam tudo o que vem dos States. Embora, nesta como noutras matérias, a sua voz não suba a alturas significativas.
Órfãos do inimigo Bush e ainda sem coragem para atirar a primeira pedra ao seu sucessor – dizer mal de um preto, mesmo que seja Presidente do país que mais odeiam, é quase um sacrilégio - encontraram finalmente um líder ocidental - condição sine qua non para ser merecedor do ódio da intelectualidade - em relação ao qual podem destilar todo o azedume que os consome. 
Enviar de regresso ao seu país cidadãos estrangeiros que se dedicam a práticas ilegais, não trabalham e são potencialmente geradores de insegurança parece-me uma prática de todo louvável. Que, de resto, se impõe. Até porque não há alternativa. Não acredito que a França ou qualquer outro país tenha possibilidade, queira ou seus habitantes aceitem sustentar um número cada vez maior de mendigos, oportunistas ou mesmo gente séria e honesta de outros países. Embora, com a actual facilidade de circulação de pessoas no espaço europeu, a eficácia desta politica seja altamente questionável. 
Curiosa é a maneira como esta malta, simultaneamente culta, humanista e quase sempre de esquerda, escreve sobre estas coisas nos jornais e blogues ou discursa quando lhes aparece um microfone por perto. Para eles o Sarkozy é um imbecil e esta é uma politica criminosa destinada a aumentar os seus níveis de popularidade. Ou seja, eles não duvidam que estas medidas são do agrado da esmagadora maioria da população francesa que, portanto, padecerá igualmente de imbecilidade. 
Desconfio, no entanto, que todas estas criticas não são mais que a necessidade que este tipo de gente sente de marcar a sua posição. Lá bem no fundo, quando ninguém os ouve, eles estarão de acordo com o Sarko. É que não se consta que em França andem a esconder romenos ou búlgaros nos quintais, nem que por cá já alguém se tenha oferecido para acolher uns quantos expatriados. Afinal Aristides Sousa Mendes houve só um e parece não ter deixado seguidores. Pelo menos daqueles que se deixem de conversas e acolham em casa um desses cidadãos encantadores.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A falar é que a gente se entende


Tal como já escrevi num post anterior acerca da quantidade obscena de telemóveis que foram vendidos no primeiro semestre deste ano, somos uns tagarelas. Nem o facto de conduzir um veiculo automóvel nos impede de dar dois dedos de conversa - uma mão é capaz de ser mais adequado, pelo menos a julgar pelo tempo que por vezes demoram estes encontros - ao amigo, companheiro, camarada, amante ou outra coisa qualquer no âmbito do relacionamento, que encontremos no nosso trajecto. Nosso e dos outros, diga-se. Mas esses, ou outros que às vezes até podemos ser nós, que esperem. Ou, se não quiserem, que vão para o raio que os parta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tropa fandanga

Não me importo absolutamente nada de pertencer ao com certeza reduzido número de pessoas de Estremoz para quem a presença do Regimento, bem no centro da cidade, seria dispensável. De todos os serviços públicos que têm encerrado, ou que se prevê venham a encerrar nos próximos anos, o quartel seria aquele que menos saudades me deixaria. O prejuízo económico, eventualmente causado pela sua saída, seria largamente superado em vantagens pela devolução à sociedade civil de um imenso espaço que o exército ocupa na zona mais nobre da cidade. 
Ainda assim insuficiente, pelos vistos. Anualmente por esta altura, durante vários dias, ocupam o Rossio Marquês de Pombal e, por largos períodos, as artérias adjacentes para comemorarem o seu dia. Não é que me incomode – aborrece-me um bocadinho, vá – ficar vários minutos à espera que desfilem umas centenas de magalas, umas dezenas de cavalos ou uma dúzia de máquinas guerra daquelas que fazem sorrir qualquer accionista da Galp. Mas que passava bem sem todo esse aparato, lá isso passava. Até porque esse espalhafato podia muito bem ser feito dentro dos muros do quartel onde não incomodavam ninguém. Deve ser para palhaçadas deste género que serve a gigantesca parada existente no seu interior.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Populismo autárquico

À semelhança do governo, relativamente a toda a função pública, também muitos autarcas elegeram os funcionários do municípios que transitoriamente dirigem – todo o poder é efémero, convém ter sempre presente – como alvo de discursos populistas. Depois das pausas para o café, que apelidou de excessivamente e contra as quais tomou medidas restritivas, Macário Correia voltou a atirar-se como gato a bofe aos funcionários da autarquia que dirige. Nomeadamente àqueles que, alegadamente, estarão de baixa médica graças a favores obtidos, também alegadamente, junto de médicos amigos. Saliento que os alegadamente anteriores são meus porque, tanto quanto sei, o edil não terá achado necessidade de os introduzir no seu discurso. 
Mesmo desconhecendo em absoluto a realidade farense, acredito piamente que o homem tenha toda a razão. Perde-a, no entanto, quando opta por trazer para a praça pública, com o aparente intuito de ganhar a simpatia da opinião pública, um problema que podia – mais do que isso, tinha obrigação de o fazer – resolver dentro do seu gabinete. Se há, e de certeza que haverá, quem não queira trabalhar, o que o senhor Presidente da Câmara tem a fazer é indicar-lhes o caminho da saída. Para isso dispõe de múltiplas opções. Pior é que depois, quando as coisas não correrem tão bem como o desejado, fica sem bodes expiatórios...