domingo, 12 de setembro de 2010

Conversa fiada


Nos primeiros seis meses do ano foram vendidos em Portugal três milhões de telemóveis. Para um país com dez milhões de habitantes, dos quais mais de vinte por cento a viver abaixo do limiar da pobreza e muitos outros lá perto, com uma taxa de desemprego nunca vista e que ocupa os últimos lugares da União Europeia em quase todos indicadores de desenvolvimento económico, social e humano, o número dá, forçosamente, que pensar. 
Por outro lado, sendo nós um povo de tagarelas e onde a ordem das prioridades há muito que anda ao avesso, esta elevada quantidade de “telélés” acaba por não constituir grande surpresa. Afinal pode não haver dinheiro para os manuais escolares do puto, que estão caros como o caraças, mas para investir em novas tecnologias da comunicação é que não pode faltar. De resto, mesmo que a descendência seja mais burra que um asno, há coisas onde não pode ficar mal vista. Isso seria fazer figura de urso. 
Mas não são apenas os mais jovens a contribuir para este sucesso de vendas. Nada disso. Muito boa gente, já com idade para ter juízo, revela o mesmo tipo de necessidade. Contactar e ser contactada através da mais moderna tecnologia é hoje um imperativo que só os parvos não percebem. Mesmo que não se tenha nada de jeito para dizer, a carteira esteja vazia a maior parte do mês, a conta bancária abaixo de zero ou se fuja dos credores e dos carteiros a sete pés. Sorte as notificações não virem ainda por SMS!

sábado, 11 de setembro de 2010

Passear na relva


Gosto da malta que opta por passear sobre a relva em lugar de utilizar o passeio. Que, para aqueles que não conhecem o local, está mesmo - mas mesmo - ao lado da zona relvada. São opções e isto nada como ser diferente. Seja a passear o canito ou a abanar o traseiro. É que se não fossem elas não tinha nada para postar por aqui. O que era uma chatice. Ainda caía uns quantos lugares no ranking. 
Ah! E antes que alguém analise detalhadamente a foto e insinue que foi a transparência da fatiota de uma das senhoras que me chamou a atenção, esclareço desde já que apenas dei por tal quando fazia a sua edição para a publicar aqui no blogue. Até porque –  a fotografia nem deixa margem para grandes dúvidas – não há por ali nada que mereça um olhar mais atento. E, além disso, este é um espaço sério que não se dá a poucas vergonhas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fogo sagrado

Apesar de poder vir a enfrentar as mais terríveis ameaças e a condenação geral, vou mesmo fazê-lo. E de hoje não passa. Ainda que a indignação de muitos figurões que ninguém conhece e de outra gente que todos conhecem mas preferiam não conhecer se abata sobre o autor deste blogue, vou mesmo queimar uma quantidade de livros religiosos. Sagrados, talvez. 
Descansem todos os que por estes dias tem manifestado o seu temor por causa das intenções pirómanas de um norte americano maluco. Não vou desrespeitar nenhuma religião importante. Daquelas que nem podemos contar anedotas. Vou apenas incendiar uns quantos catecismos em segunda mão, que ninguém quer em lado nenhum e que estão a contribuir para que a prateleira da estante apresente um preocupante estado de cansaço que ameaça ceder a qualquer momento. 
Garanto que me irei inteirar cuidadosamente que apenas arderão os manuais que, em vão diga-se, tiveram por missão instruir-me – e aos meus descendentes - nas coisas do catolicismo. Juro pelas alminhas dos que já lá estão e de todos os que para lá irão que não queimarei nada que, mesmo ao de leve, contenha referências a outras religiões. Muito menos daquela que prega a paz e os seus seguidores, quando não estão a fazer bombas, passam parte significativa do seu tempo de rabo para o ar. Esses vou reservá-los para quando grelhar umas febras. Ou assar um leitão.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dia de queimar o corão

Dia onze, depois de amanhã portanto, não vou queimar nenhum exemplar do corão. Até porque não tenho esse livro na minha biblioteca. Faz-me, no entanto, alguma espécie o histerismo que por aí vai apenas porque um obscuro líder religioso de uma não menos obscura comunidade, perdida algures nos Estados Unidos da América, se lembrou de organizar em encontro de malta que gosta de pegar fogo a livros. No caso – irrelevante, acho eu – o corão. “Ah e tal é o livro sagrado dos muçulmanos” argumentará uma imensa legião de adeptos do politicamente correcto e da alegada tolerância para com as diversas formas de adorar os deuses. E daí?! Conheço alguns para quem o “Avante!” é uma bíblia sagrada e isso não os impede de queimar uns quantos para, na Festa do dito, acender a fogueira onde grelham as febras e os coiratos. 

(Começo a dar razão àqueles que garantem que o software livre é coisa de comunistas e de outra gente com ideias igualmente manhosas. Então não é que o corrector ortográfico do OpenOffice manda-me escrever corão com letra maiúscula mas não faz o mesmo se digitar bíblia em minúsculas?!) 

Que é feito daquelas magnificas expressões, assim tipo “isso é lá com eles” ou “vivemos num país livre por isso cada um faz o que quer”, que é costume ouvir quando em causa estão outros valores que nos deviam ser muito mais queridos do que a merda de um livro de que há, até, exemplares em demasia?! 
Trata-se de “respeito”, dirão. Pois sim. Numa sociedade – refiro-me ao ocidente em geral – que não respeita os seus próprios valores, onde não se demonstra respeito por nada nem por ninguém, evocar esse sentimento é risível. Até porque se eventualmente se tratasse de uma queima da bíblia não faltaria gente a achar que se trataria de um acto de fino recorte cultural. A verdade é que estão borrados de medo não venha um daqueles barbudos que reza de cú para o ar, fazer-se explodir numa qualquer cidade do tolerante e respeitador ocidente e lhes rebente com o coirão. 
O medo nunca nos levou a lado nenhum. A cobardia menos ainda. Por isso amanhã quem quiser queimar um livro que queime. Seja o corão, a lista telefónica ou o Almanaque do Tio Patinhas. Ficaria triste apenas pelo último...Mas, porra, vivemos numa sociedade livre e fazer um fogaréu com uns quantos livros ridículos não constitui nenhum crime.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lágrimas de crocodilo

As lágrimas que hoje se derramam, um pouco por todo o interior do país, a propósito do encerramento de várias centenas de escolas não passam de lágrimas de crocodilo. Não havendo crianças, em número que o justifique, obviamente que não faz qualquer sentido manter aberto um estabelecimento de ensino. E insistir nisso, mesmo que sejam necessários tantos postos de trabalho quantos os alunos para ter a escola aberta, é uma atitude pouco sensata e reveladora de um profundo desprezo pelo erário público. 
A culpa pela situação a que chegámos – triste, concordo – é de todos. A começar por nós que, seguindo os modelos ocidentais, deixámos de querer ter filhos e optámos por viajar até destinos exóticos, endividar-nos, ter um cão ou, simplesmente, não ter de aturar fedelhos. Tudo opções legitimas e que devíamos assumir sem vir agora com as lamechices do costume porque o resultado das nossas escolhas não podia, naturalmente, ser muito diferente daquilo a que estamos a assistir. 
Claro que também governo e autarquias tem um elevado grau de responsabilidade na matéria. Se o primeiro foi retirando serviços públicos e canalizando investimentos para o litoral, potenciando o despovoamento do interior, já as autarquias, com as suas opções tresloucadas e baseadas em critérios que não lembram nem ao diabo, têm-se mostrado absolutamente incapazes de contribuir para a criação de emprego. Excepto aqueles empregos de utilidade duvidosa que ainda vão arranjando aos mais chegados. 
Veja-se, por exemplo, o esbanjamento de avultadas verbas em festivais de música, festas da juventude, comezainas diversas e eventos ridículos que de norte a sul é feita pelos municípios de terriolas onde o publico alvo desses festins mal dará para compor uma plateia de um teatro de província. No fim da festa, depois de larguíssimas dezenas – centenas, não raras vezes - de milhares de euros terem mudado de conta, o que é que fica na terra? Quantos postos de trabalho gerou esse evento, por maior que tenha sido o seu sucesso? E isto ano após ano, mandato após mandato e seja qual for a cor com que a edilidade se pinte. 
Tanto dinheiro era coisa para, ao fim de algum tempo, ser suficiente para construir um lar de idosos. Coisa que não falta, os velhos, por este Portugal fora. Mesmo que isso escape ligeiramente àquilo que é o quadro de atribuições das autarquias, estou convicto que a prodigiosa imaginação dos nossos autarcas havia de encontrar forma de ultrapassar qualquer impedimento. E, para além de resolver um problema que se coloca cada vez com maior acuidade, era um investimento gerador de emprego. Digo eu, que gosto muito de dizer coisas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Olhó foguete...

O senhor JPS não gostou da minha dissertação acerca do foguetório matinal de Domingo último. Está no seu direito de não gostar que eu não tenha gostado. O barulho incomodou-me e o facto de ter tornado publico esse meu incómodo desagradou ao senhor JPS que, muito legitimamente, deixou um comentário aqui no Kruzes manifestando a sua estranheza e  desagrado perante o meu aborrecimento. Provavelmente o senhor JPS não aceita que outros tenham gostos diferentes e, pior, se atrevam a tecer criticas acerca de coisas que gosta. 
Por distracção – outro motivo não seria, certamente – enganou-se no texto que pretendia comentar e acabou por deixar o seu protesto, a atirar para o mal-educado diga-se, no post onde abordo um aspecto relacionado com Cuba. Não foi por isso que o comentário, que a seguir transcrevo, deixou de ser publicado nem de merecer a devida resposta que igualmente publico de seguida. 
“JPS disse... 
É engraçado o senhor queixar-se de uma coisa, digamos, banal, vulgar, e acima de tudo enraizada nas tradições das várias festas e romarias não só em estremoz, como em todo o lado. Querem ver que os foguetes em estremoz são diferentes daqueles que lançam por exemplo á meia noite do dia 25 de abril? Tambem são barulhentos, e tambem são a uma hora algo indesejável para quem já está a dormir. Ou estou enganado? É que desses por exemplo, nunca o vi aqui queixar-se na blogosfera. Talvez seja um tipo de foguetes novos e silenciosos. E tambem me causa alguma estranheza e admiração, ver aqui pela primeira vez neste blog uma queixa sobre os foguetes em Estremoz. Não vi aqui mais ninguem a queixar-se. Será que o meu amigo não terá uns ouvidos algo sensiveis? É tudo uma questão de decibéis. É que pelos vistos, muita gente se incomóda por tudo e por nada. Agora, até dos foguetes se queixam. Incrivel....... Ah, já agora, disse que se iria logo levantar e dirigir-se ao recinto á alvorada dos foguetes? É que por acaso eu estava lá nessa altura, e não o vi lá chegar. Talvez fosse o transito que estava complicado. Deixava-lhe um conselho. Se não gosta de festas populares, ninguem o obriga a isso. Mas respeite quem ainda gosta delas, e quem gosta de tradições. E um foguete, nada mais é que uma peça tradicional das festas, destas e de todas as outras. Como dizem "os outros": não há festa como esta. É especial porque é a nossa. Aguente-se quem não gosta.” 
“KruzesKanhoto disse... 
Ora, ora... então o meu estimado leitor JPS – um dos poucos que, pelos vistos, lê blogues - fica aborrecido por causa de uma opinião critica em relação a um (apenas um!) aspecto da festa da paróquia?! Como diria o outro “não havia necessidade..” De facto não gosto de foguetes. Principalmente daquela parte em que o foguete rebenta e acorda as pessoas que num Domingo às nove da manhã ainda estão dormir. (Mandriões! Por isso que este país não avança). São barulhentos. E caros, também. Dizem, porque eu nunca comprei nenhum. Prefiro gastar o pouco dinheiro que ganho em coisas mais úteis. Quanto ao foguetório do 25 do A, é capaz de ter razão. Que me lembre nunca por aqui os critiquei. O que até nem admira. Um gajo anda sempre metido nessas coisas dos partidos, não convém andar a dizer mal não é? Quanto à sensibilidade dos meus ouvidos nem me diga nada. Veja lá que não ouvi foguetes nas madrugadas de Domingo e Segunda-feira. Ou então tinham algum dispositivo silenciador, sei lá."
Como passadas mais de vinte e quatro horas achou que a sua réplica não tinha merecido honras de publicação insistiu, pouco cortesmente, no tema e desta vez ameaçando - huuuuu – pedir a publicação do seu indignado comentário noutro blogue conforme, bem como a minha resposta, se pode ver em baixo.
“JPS disse... 
Já percebi que tenho de pedir num outro blog para publicarem o meu comentario uma vez que aqui só se publica o que é conviniente, e o que não lhe agrada não interessa. Tem medo de publicar o meu comentario porque? Não tenha. Deixe lá. Vou pedir a um outro blog para o publicar.”
“Kruzes Kanhoto disse... 
Senhor JPS. Ainda não percebeu que pôs o comentário no post errado?! Ó homem o comentário está publicado desde ontem seguido da minha resposta! Arre..” 
De facto no Kruzes Kanhoto publico o que quero. Nada me obriga a publicar seja o que for. Neste caso, apesar da manifesta pouca cortesia do comentador – que não faço a mais parva ideia quem seja nem, tão-pouco, estou interessado em saber – entendi por bem publicar dado ser uma reacção deveras curiosa. 
Também não tenho especial interesse em alimentar polémicas desta natureza. Respeito quem gosta de foguetes mas obviamente que não vou prolongar esta discussão. Se o JPS – ou outro qualquer leitor – quiser, por exemplo, discutir a qualidade das minhas fotos de merda de cão aí sim teremos assunto.


Vergonha nacional

Dados recentes apontam para que a economia paralela represente, em Portugal, cerca de vinte por cento do Produto Interno Bruto. Embora não seja um valor que cause estranheza, uma vez que está entre nós fortemente instalada uma cultura de fuga ao pagamento de impostos, surpreende-me que estes números sejam unanimemente negligenciados pelos comentadores e analistas que dedicam parte significativa do seu tempo a debater e a procurar soluções para as crises que ciclicamente vamos vivendo. Discute-se a produtividade, o endividamento, a redução da despesa – factores importantes e que, obviamente, é necessário controlar – e exigem-se mais sacrifícios aos que estão dentro do sistema, sem que se avancem medidas a sério para incorporar todos aqueles que, embora beneficiem da despesa, nada contribuem para a receita do Estado. 
Estes números, reconhecidos como próximos da verdade por fontes oficiais, foram em diversas ocasiões considerados como minudências por diversos especialistas em diagnosticar os males da nação. Estou a lembrar-me, nomeadamente, de Medina Carreira e Silva Lopes para apenas mencionar dois dos mais citados e aplaudidos arautos do “rigoroso controlo da despesa pública” pela via do corte de salários, pensões e demais direitos – regalias injustificadas no entender deles – dos portugueses. Afinal, se vinte por cento do PIB nacional é perfeitamente irrelevante, porque raio é que nos devemos preocupar com uns reles nove por cento de deficit?!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um post do c******

Não tenho nada contra as pessoas do Norte. Nem, sequer, o facto de algumas delas terem como ídolo o Pinto da Costa. Mas, confesso, passava bem sem a sua presença por perto. Que vão de férias aos magotes e se amontoem aos catorze num T1 é lá com eles. E elas, porque aquilo parece ser tudo ao molho e envolver diversas gerações. Agora que falem aos gritos, mesmo quando estão a escassos centímetros uns dos outros e o interlocutor não dê sinais de ser portador de qualquer deficiência auditiva, já é coisa para me incomodar. 
Para além do elevado nível de decibéis emitidos, a própria linguagem que utilizam para comunicar entre si é, quase sempre, porca e desprovida de sentido. Veja-se a insistência de, em cada frase, pronunciar pelo menos duas vezes ou três vezes a palavra c******. Berrar, para toda uma vasta plateia ouvir, “Zé, c******, faz tempo que não te bia, c******! Tás mais magro, c******!” é, para ser simpático, redundante. Embora estúpido também fosse uma boa definição. Primeiro porque o Zé não terá como apelido c******. Segundo porque, como toda a gente, o Zé não anda nú e, por último, ainda que esteja mais magro essa ausência de tecido adiposo não terá reflexos ao nível do c******. 
Agora que já escrevi um post com um nível de ordinarice quase tão grande como a linguagem que utilizam, deixo um apelo aos meus leitores do norte. Tirem o c****** da boca, c******!

domingo, 5 de setembro de 2010

Fidel e os maricas

Embora não constitua grande surpresa – não haverá, provavelmente, muita gente que não o soubesse - Fidel Castro terá confidenciado recentemente numa entrevista que concedeu, ser ele o responsável pela perseguição movida aos paneleiros Cubanos. A noticia, calculo, terá horrorizado a malta de uma certa esquerda que vê no ditador, agora aposentado, um dos seus últimos heróis e nas politicas que implementou na ilha das caraíbas um dos seus derradeiros mitos. 
Não sei se esta revelação constituirá ou não mais um revés nas crenças daqueles que acreditam ser Cuba o exemplo da sociedade ideal. Talvez não. Vão ver são gajos para argumentar que a paneleiragem lá do sitio é toda contra-revolucionária. Ou, pior ainda, são maricas exportados para o território pelos imperialistas americanos. Seja como for esta confissão demonstra que até mesmo um ditador maluco pode ter, ainda que esporadicamente, um ou outro momento de lucidez.

Foguetório

Acabo de acordar. Assarapantado. Pensei estar sob um intenso bombardeamento de forças invasoras que numa atitude tresloucada tivessem resolvido atacar-nos. Mas não. Tal seria completamente estúpido. Tanto país jeitoso que há por aí para invadir não faria sentido sermos nós os invadidos. 
Tratou-se, afinal, de foguetório. Mais que muito. Barulhento. Insuportável. Desagradável. Há festa numa das paróquias da cidade e a melhor maneira de nos lembrarem disso – aos paroquianos e aos restantes – é fazer uma algazarra monumental às nove da manhã. De um Domingo. Deve ser porque a festa vai começar e reclamam a nossa entusiástica presença no recinto da mesma. Embora estremunhado e ainda aturdido pelo banzé, vou já a correr para lá mal acabe de escrever este post. Como são divertidas estas coisas. Ou parvas, sei lá.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Piquenique

Mesmo não sendo um fervoroso adepto do piquenique não me esquivo a, muito de vez em quando,  saborear uma refeição ao ar livre. Quando o faço procuro não deixar vestígios da minha refeição e se não existe nas proximidades nenhum recipiente para o lixo carrego com os restos para casa. Prática normal que, certamente, quase todos seguem. Como em tudo na vida, há sempre excepções. E neste caso estamos perante uma delas. Alguém, dotado de pouco civismo, resolveu deixar os restos do seu lauto banquete em pleno centro da cidade. Pareceu-lhe bem, certamente. Achar-se-á muito importante e com certeza deve pensar que outros terão por obrigação limpar o que ele, javardo, deixou sujo. 
Apesar de muita gente ficar com urticária quando ouve falar em videovigilância, não me chocaria que todos os lugares públicos, de todas as cidades, tivessem cobertura de câmaras de vídeo através das quais fosse possível identificar criminosos e gente que tivesse este tipo de comportamento. Se calhar, para além do que se ganhava em segurança, umas multas por práticas deste género eram capazes de contribuir para poder baixar a carga fiscal. Tal como aconteceu com aquela senhora que deitou a gatinha para o caixote do lixo e acerca da qual se discute apenas a atitude parva da criatura e ninguém questiona, ao contrário do que acontece noutras circunstâncias, a legitimidade das filmagens ou o direito à privacidade da pessoa em causa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crise, dizem eles

Muitas têm sido as vozes a fazer-se ouvir alertando para a crise que afectará de forma preocupante a região norte do país e, em particular, o chamado grande Porto. Há mesmo quem dramatize e garanta que podemos estar à beira de assistir a uma revolta popular das gentes do norte. Que, continuam, quase de certeza acontecerá se, segundo alegam, a região continuar a ser preterida em termos de investimento público em relação a Lisboa, o desemprego continuar a subir e não houver politicas que o combatam ou se o governo levar avante a sua intenção de cobrar portagens em algumas vias onde agora se circula à custa do contribuinte. Uma verdadeira catástrofe social que, profetizam, poderá ter consequências tenebrosas. 
Deve ser por isso – e provavelmente, também, por outras coisas – que os voos charteres com partida do Porto tiveram no mês que passou, comparativamente a idêntico período do ano anterior, um aumento bastante significativo de passageiros. O crescimento cifrou-se em dezoito por cento o que representa, em termos absolutos, mais três mil e setecentos viajantes. Palma de Maiorca, Tenerife, Fuerteventura, Ibiza, Lanzarote, Las Palmas, Menorca, Antalya, Punta Cana, Cancun, Tunísia e Cabo Verde foram os destinos de quase todos eles. 
Com o desemprego em alta e a região mergulhada em profunda crise não surpreende que assim seja. Historicamente é nestas épocas conturbadas que se verificam fenómenos de emigração em massa. E se os portugueses, sejam do norte ou do sul, não encontram na sua terra as condições de vida que julgam merecer é natural que as procurem noutro lugar. Digo eu que gosto muito de dizer coisas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Remate kruzado

Pouco escrevo acerca de futebol. E ainda tenho menos vontade de o fazer agora que o glorioso, longe do fulgor evidenciado na época passada, manifesta uma confrangedora incapacidade em me dar alegrias e os restantes clubezecos, por enquanto, parecem seguir-lhe as pisadas. No caso destes, perdendo. Como é óbvio.
Mas desta vez não resisto. É mais forte do que eu. Comove-me e enternece-me ao mesmo tempo a candura e a compreensão que os anti-Benfica – ou seja os apaniguados das restantes agremiações – manifestam relativamente aos sucessivos frangos consentidos pelo guarda-redes benfiquista. De repente cada golo sofrido pelo glorioso passou a ser analisado até ao mais ínfimo pormenor. O que não deixa de ser curioso, visto que o ano passado escrutinava-se até à exaustão cada lance que resultava em golo marcado pelo benfas à procura de algo que pudesse ser, ainda que vagamente, suspeito de indiciar uma qualquer ilegalidade. Agora analisa-se cada jogada ao detalhe e encontram-se sempre justificações para os inacreditáveis falhanços do homem, cada uma mais rebuscada que a outra e que nem ao Gabriel Alves ocorreriam, que terminam invariavelmente a ilibar de qualquer responsabilidade o guardião espanhol. 
Têm estes analistas de pacotilha, provavelmente, a esperança que o Roberto “Frango” Gimenez se mantenha na defesa da baliza encarnada e que, consequentemente, o Benfica continue a acumular maus resultados por muitos e, para eles, bons jogos. Duvido que assim possa ser. A sua posição é cada vez mais insustentável e só um louco, ou alguém com vontade de ser despedido, insistirá na sua continuidade na baliza dos campeões nacionais. 
Quanto àqueles que nutrem um ódio visceral pelo Glorioso, para quem estas primeiras jornadas da Liga tem proporcionado momentos de imenso gáudio, recordo que normalmente quem ri por último ri muito melhor. E eu acredito que ainda vou rir muito. Por exemplo – e apesar da vitória – aquele keeper da cidade da padralhada é gajo para ainda me proporcionar mais algumas gargalhadas. Ontem já começou a mostrar que é gajo para isso.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Melancia

Segundo alguns estudiosos a melancia possuirá propriedades afrodisíacas. Desconheço se os autores dos alegados estudos serão especialistas em melancias ou se estarão mais ligados a outras áreas de estudo que envolvam o comportamento humano perante o consumo  de determinadas substâncias ou alimentos. Seja como for tenho sérias reservas que possa existir neste fruto alguma coisa capaz de despertar a libido aos seus apreciadores. Antes pelo contrário. A necessidade de verter águas, que normalmente se segue à sua ingestão, comprometerá irremediavelmente a sustentabilidade de qualquer tese que defenda a melancia como algo a incluir nos preliminares gastronómicos de uma queca. 
Não sei se os responsáveis por uma grande superfície comercial de Estremoz – que obviamente não vou aqui identificar nem, sequer, afirmar que é frequentada diariamente por centenas de cidadãos possuidores de características mentais que aconselham a sua permanência numa jaula - acreditam ou não nessas teorias disparatadas. Nem isso interessa muito. Nem pouco. Mas foi lá que um destes dias encontrei um exemplar do fruto em questão nestas condições deploráveis. Este, de certeza, não dá tusa a ninguém.

domingo, 22 de agosto de 2010

Eles "andem" aí...

Um papel igual a este apareceu hoje de manhã colado à porta de muitas residências na cidade. Podem os seus autores ter a melhor das intenções, lá isso podem, agora que dá para desconfiar, também dá. Tudo, mas mesmo tudo, dá ares de um qualquer esquema manhoso. Cuidado, portanto.

sábado, 21 de agosto de 2010

Os piores cegos...

Desde dois mil e cinco que venho sistematicamente a reiterar a opinião que as opções seguidas pelo governo no combate ao défice não conduziriam a resultados palpáveis no sentido de recuperar as finanças do país e que, antes pelo contrário, conduziriam a resultados catastróficos a nível social, da economia e da qualidade de vida dos portugueses. Fi-lo em imensos posts que, desde então, publiquei aqui e na anterior versão do KK alojada no sapo, em numerosos comentários que fiz noutros blogs onde esta matéria era abordada e em inúmeras conversas onde este tema, por menos que se queira, acaba sempre por vir à baila. 
Nem sempre os meus argumentos foram bem aceites, reconhecidos como válidos e, por vezes, mereceram mesmo alguns comentários pouco abonatórios. Parvos, como o tempo se encarregou de demonstrar. Os apaniguados do engenheiro e os apoiantes deste PS – e sublinho deste PS – lembravam-me invariavelmente que pensava assim porque estariam a moralizar os injustificáveis privilégios de que tinha desfrutado até então. Alguns achavam até – se calhar são tão burros que ainda acham - que se devia ir mais longe e que o governo estaria a ser condescendente. Outros ainda que os meus argumentos não passam de conversa de taxista e que as opções tomadas nos últimos anos resultam de aprofundadas análises e aturados estudos, reflectindo a opinião de conceituados economistas e de outros especialistas de não menos reputado mérito. 
Reconheço que nestas matérias não passo de um ignorante que gosta de mandar uns bitaites. O pior é que, no caso, tenho razão. O que, em lugar de me deixar satisfeito, me deixa preocupado. Qualquer pessoa com o mínimo senso comum e alguma experiência de vida enxerga com relativa facilidade o que o futuro nos reserva em consequência das politicas sócretinas que vem sendo seguidas desde 2005. O que nos leva a outra conclusão preocupante. Somos governados por rapazolas loucos e ignorantes. Umas verdadeiras bestas que não conseguem prever aquilo que qualquer taxista dá como certo vários anos antes. 
Os indicadores recentemente divulgados confirmam amplamente tudo o que sobre a matéria tenho escrito. Apesar de todos os cortes, da redução de salários na função pública – no meu dicionário é o que significa receber menos ao fim do mês – dos encerramentos de tudo e mais alguma coisa e dos cortes onde já parecia impossível cortar mais, a despesa pública continua a subir, as contas do Estado não saem do vermelho, o desemprego não pára de aumentar e todos os dados continuam a apontar para um agravamento do nível de vida da esmagadora maioria da população. 
Não constituem, pelo menos para mim, nenhuma surpresa as previsões agora divulgadas dando conta do empobrecimento do país e da sua queda nos diversos rankings que medem o índice de desenvolvimento. Já falta pouco para sermos os mais pobres entre os vinte sete da União Europeia. Estou, no entanto, convicto que conseguiremos chegar a tão humilhante posição.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Solidariedade hipócrita

A indignação da intelectualidade europeia - e até da portuguesa - com a expulsão de ciganos romenos e búlgaros para os seus países de origem, decretada pelas autoridades francesas, é, entre outras coisas, despropositada e hipócrita. Embora esta ideia do governo gaulês, diga-se, seja tão estúpida quanto parece. Basta atentar no ar satisfeito que os alegadamente expulsos exibem quando são filmados pelas televisões seja à partida de França ou à chegada ao sitio de onde nunca deviam ter saído. O que não admira. Ganham uma viagem à borla para ir matar saudades dos parentes, receberam trezentos euros e antes que o Sarko dê duas quecas com a Carla Bruna já eles roubaram um automóvel e encetaram o caminho de regresso. Quem sabe, até, acompanhados de mais uns quantos primos que cresceram durante a sua ausência e já têm agora idade para praticar uns actos de solidariedade cá pelo ocidente. Como assaltar casas e isso. 
Mas esta aparente solidariedade revela também uma grande dose de hipocrisia. Sabe-se que são frequentes as rixas entre famílias ciganas. É prática comum entre esta comunidade que, quando as divergências se mostram inultrapassáveis, todos os elementos das famílias envolvidas sejam expulsos e obrigados a deslocar-se, cada uma para seu lado, para localidades bastante afastadas da residência habitual. Em poucas horas velhos, mulheres e crianças são obrigados a reunir todos os haveres e desaparecer para bem longe. Onde, provavelmente, não conhecerão ninguém nem serão bem recebidos. E, vá lá saber-se porquê, nenhum ousa colocar em causa a mudança forçada nem, ainda menos, desobedecer. 
Isso, no entanto, não incomoda as selectivas consciências dos que agora vociferam contra esta pretensa repatriação. O que só pode significar que se estão – tal como toda a gente, afinal - completamente nas tintas para os ciganos e que apenas aproveitam estas ocasiões para exibir publicamente o seu multiculturalismo. Só querem é aparecer, eles. Os multiculturalistas. Que até chateiam de tão multiculturalistas que são.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O que assusta a gaja da foto?

Rolos de papel higiénico – camuflados em habilidosas peças bordadas ou simplesmente como foram retirados da embalagem – almofadas, cd's pendurados do retrovisor ou terços e imagens da senhora de Fátima para os mais religiosos, são objectos mais ou menos fáceis de encontrar a bordo de um automóvel que tenha um português como proprietário. Já a fotografia de alguém, com aspecto entre o tresloucado e o aterrorizado, estampada no pára-brisas não é coisa que se encontre todos os dias. De tal modo é estranho que leva-me a questionar os motivos que terão motivado o dono – ou dona, sabe-se lá – a fazê-lo. Se para os artigos mencionados em primeiro lugar é mais ou menos fácil arranjar uma explicação relativamente lógica, para isto não encontro uma resposta que se encaixe nos limites da razoabilidade. Provavelmente será apenas porque sim. Ou, para quem é do contra, porque não?!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fumaças

Há quem diga que é do calor. Outros garantem que está tudo doido. Por mim acho que é do fumo. Não daquele fumo que os muitos incêndios ocorridos nos últimos dias tem libertado para a atmosfera, mas o resultante das substâncias que muito boa gente – se calhar não tão boa assim – anda por aí a fumar. Refiro-me às declarações que, ultimamente, uns quantos figurões não se tem coibido de proferir acerca da vaga de fogos que assola o país. 
Comecemos pelas causas. Parece que a culpa é dos malandros dos proprietários - esses fascistas latifundiários - que não limpam as matas e os terrenos de que são donos. Talvez. Um espaço desabitado, coberto pelo matagal, situado num ermo e sem acessos fáceis, constitui de facto um potencial foco de incêndio. Nomeadamente por volta das três da madrugada. Hora a que, mais coisa menos coisa, ocorrem inúmeras ignições. O que se compreende. A natureza tem destas coisas e depois o matagal está ali mesmo a pedi-las. 
As soluções preconizadas revelam igualmente uma preocupante presença de alucinogéneos a influenciar o discurso daqueles que as emitem. A começar pelo Ministro da Agricultura. A ideia de nacionalizar os terrenos que os desleixados, mas legítimos - convém recordar – proprietários, não limparem vai ficar para a triste história das patetices protagonizadas pelo actual governo. 
Não menos hilariante – até um pouco mais, sejamos justos – é a proposta do Bloco de Esquerda. O que não constitui surpresa dada a propensão daquela maralha para fumar coisas esquisitas. Só alguém com uma imaginação delirante – parvo, pronto – imaginaria um banco de terras público para prevenir os incêndios. Assim uma espécie de reforma agrária dos tempos modernos em que a terra voltaria a ser de quem a limpasse. O Bando de Esquerda não adianta pormenores acerca de quem iria trabalhar os terrenos que passariam para o tal banco mas, conhecendo-se a sua posição acerca do assunto, desempregados e malta do RSI não seriam de certeza.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A anti-aérea

Esta foto foi obtida, embora da sua apreciação não resulte claramente essa percepção, junto á estrada nacional dezoito, na entrada - ou saída para quem vai em sentido contrário - de Estremoz. O local é problemático e altamente propicio a investidas contra o património alheio feitas, normalmente, por terra. Mas nem sempre. Algumas aves - passarões, vá – atacam também pelo ar e deitam o bico a tudo o que podem. Para se defender, um morador da zona adoptou uma peculiar estratégia de defesa e montou uma verdadeira anti-aérea à base de garrafões de água. 
Desconheço se o estratagema funcionou e o objectivo de preservar os figos do ataque da passarada terá sido atingido. Acredito que sim. Os rapinantes de duas asas não terão ainda descoberto quanto inofensivo é o plástico. O mesmo não se pode dizer de outras aves, que há muito descobriram que sapos – usados noutro tipo de defesa de bens colocados mais próximos do solo – são manifestamente incapazes de evitar os avanços dos amigos do alheio. Nem mesmo os de uma certa e determinada espécie.

domingo, 15 de agosto de 2010

Pontapés na gramática

Errar, já dizia o outro, é humano. Quando o erro é de ortografia podemos estar perante um caso de distracção ou, pior, de ignorância. Embora daí, reconheça-se, não venha grande mal ao mundo. Agora dois erros na mesma palavra e na mesma montra, o que revela uma elevada probabilidade de o autor ser o mesmo, ultrapassa o domínio do erro e entra no da burrice.
A legislação aplicável ao sector da restauração prevê coimas para quem não tenha ementas em português, como ainda há não muito tempo acontecia em alguns restaurantes algarvios. Mas, lamentavelmente, parece ter esquecido as calinadas e os maus tratos que são infligidos à nossa língua por parte dos diversos operadores, deste e de outros ramos, que expõem a sua burrice perante milhares de pessoas que diariamente passam diante dos seus estabelecimentos. Uma multazinha, se calhar, não ficava nada mal. Digo eu que gosto muito de dizer coisas.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Osgas e outros pitosgas

Calculo que as osgas possuam sistema nervoso central. Tracção às quatro patas e ventosas de elevada aderência em piso seco – no molhado são um fracasso – têm de certeza e é isso que faz delas ágeis trepadoras capazes de se escapulir a quem, enojado com o seu aspecto asqueroso, de vassoura ou outro objecto contundente em punho as tenta esmagar. 
Já o airbag não constituirá equipamento de série deste bicharoco. Digo isto porque este magnifico exemplar, segundos depois de ter sido fotografado, deu uma aparatosa queda de consequências trágicas. Pressentindo a proximidade do utensílio doméstico acima mencionado mergulhou para o vazio e estatelou-se no solo. Atordoado, acho eu. De tal forma que bastou uma pisadela para o esborrachar e deixar de vísceras à mostra. Facto que apesar de documentado em termos de imagem e de me sentir tentado a partilhar para impressionar os amiguinhos dos animais que por aqui populam – populam muito mais que os defensores do Sócrates, diga-se – não vou fazer. Não que me incomode a susceptibilidade dessa malta mas porque é realmente nojento. 
Nem vale a pena recordarem-me quanto as osgas são importantes no controlo dos insectos. Que, esses sim, não vem equipados com sistema nervoso. Nem central nem lateral. São, digamos, uma espécie de insecticida natural. Mas são também uma praga que se reproduz a um ritmo alucinante. Anualmente extermino mais de uma vintena e nem quero pensar na multidão  de osgas que se acumulariam pelas paredes do quintal se não o fizesse. 

(Pronto, eu sei que as piadolas são fraquinhas mas pode ser que os amiguinhos dos animais, desta vez, percebam. Embora revelem uma gritante falta de sentido de humor e uma preocupante incapacidade em  reconhecer algo escrito em tom irónico. O que até nem me surpreende. Porque, há que dizê-lo com toda a frontalidade, são umas bestas).

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Outsorcing e outros privilégios


José Sócrates construiu muita da sua popularidade à custa dos funcionários públicos. Desde que chegou ao poder tem usado reiteradamente a demagogia – coisa em que é especialista – para retirar direitos e, pior do que isso, fazer uma perseguição a estes profissionais como se toda a culpa do calamitoso estado do país fosse deles e não dos políticos – javardolas, a maioria - que nos tem governado desde o vinte cinco do A até hoje. 
Esta é, sem dúvida, uma prática popular. A gamela da intriga, da inveja e da instigação contra alegados privilégios é generosamente recheada pelo primeiro-ministro e seus sequazes e o bom povo, ignorante e imbecil, serve-se até à saciedade. Engole tudo o que lhe põem na boca e arrota a sua indignação porque os funcionários públicos, para além de malandros o que não constitui novidade, são uma cambada de privilegiados que urge meter na linha. Ganham mais que os privados, não podem ser despedidos e, até, pasme-se perante tamanho escândalo, tem um sistema de saúde muito melhor. Admito tudo isso. Até a parte dos malandros. O que não aceito é que os meus concidadãos não percebam o logro que lhes está a ser servido, nem percebam que se trata apenas de uma táctica de dividir para reinar. 
Noticias acerca de novos ataques aos funcionários públicos já começaram a surgir na imprensa. Outras mais se seguirão ao mesmo ritmo que o Zézito for caindo nas sondagens. Enquanto isso os portugueses continuarão a verberar os seus compatriotas que escolheram trabalhar na administração pública. Ninguém, excepto, talvez, os parolos ou os apaniguados deste governo – o que, bem visto, é mais ou menos a mesma coisa – acredita que as acções de verdadeiro terrorismo social perpetradas contra os trabalhadores da função pública visem, em primeiro lugar, a redução do défice, o controlo do despesa pública ou uma melhor gestão dos recursos do país. Exemplos como os que a imagem documenta não faltam e ilustram na perfeição a preocupação que esta gente tem em gerir eficazmente as finanças nacionais. Pena que aqueles parvos que nos mais variados palcos destilam o seu ódio contra os privilegiados funcionários não se manifestem com igual ira contra estes saques.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cem palavras e sem caixotes

A julgar pela quantidade de embalagens meticulosamente arrumadas, a venda não tem corrido mal aos que por aqui se dedicam ao comércio de fruta e outros vegetais. Ainda bem. Mesmo com a reconhecida ausência de condições de higiene, do calor a que estão expostos vendedores, compradores e bens, estes últimos quase todos rapidamente deterioráveis, o negócio vai fluindo, pelo menos aparentemente, com sucesso. Apesar de me ser difícil imaginar como será passar uma tarde de calor alentejano dentro de uma barraca de lata onde, desconfio, a temperatura não se ficará pelos amenos quarenta graus do exterior. Juízo teve o proprietário desta barraca – ou deverei dizer barricada?! - que em boa hora fechou o estaminé e pode agora aproveitar as tardes para passar pelas brasas...

domingo, 8 de agosto de 2010

Desemprego em queda...

Não vivêssemos nós aquela época do ano a que se convencionou chamar selly-season e teríamos de certo o primeiro ministro, bem como os optimistas de serviço, a enaltecer o facto de no concelho alentejano de Alvito não existir um único desempregado. Graças à magnifica intervenção da Câmara local no apoio às populações assoladas por este flagelo, reivindica o edil lá do sitio, ou às medidas implementadas pelo governo no âmbito da criação de postos de trabalho e de apoio às empresas, garantirá o engenheiro no que será corroborado pelo apaniguados do regime.
Alvito é um pequeno concelho do Baixo Alentejo e tem pouco mais de dois mil e setecentos habitantes. Provavelmente muitos deles reformados. Apesar de ser um aspecto positivo não ter ninguém na condição de desempregado, o facto não tem grande relevância face ao diminuto número de residentes. Acredito até que esta será uma tendência que se irá acentuar nos próximos anos não apenas no Alentejo mas na maioria dos concelhos do interior. A crescente diminuição da população em idade activa e o aumento dos que, por razões de índole cultural, não são considerados pelas estatísticas como empregáveis encarregar-se-á de ir aproximando a taxa de desemprego para valores próximos do zero. É uma questão de tempo.

sábado, 7 de agosto de 2010

O chumbo é inimigo do ambiente

Como sabem todos os que tem filhos em idade escolar, pelo menos aqueles que não são fiscalmente pobres e não beneficiam por isso dos presentes generosamente distribuídos pelo Estado e autarquias, esta é altura do ano em que as carteiras sofrem um rombo assinalável graças à necessidade de adquirir toda uma panóplia de livros e tudo o resto que,  cada vez mais, nos é impingido por acréscimo como fazendo parte integrante do preço por que compramos os manuais escolares. 
Mas em breve felizmente tudo isso pertencerá, espera-se, ao passado e não constituirá mais do que uma longínqua recordação do tempo em que andar na escola implicava coisas chatas, desagradáveis e desinteressantes como estudar, ler ou até mesmo fazer cabulas. Assim a oposição se deixe de demagogias, populismos, campanhas negras, bota-abaixismos e resolva, de uma vez, puxar pelas energias do país, aceitando a sábia proposta, da não menos sábia Ministra da Educação, que visa acabar com os chumbos. Essa instituição decadente, que não motiva os alunos e através da qual ainda, todos os anos, se impede que meia dúzia de burros que mal sabem ler entrem na universidade. Há, de facto, que acabar com tão hedionda  prática. E quanto antes. 
Num futuro próximo, a ser assim, poucos comprarão livros. Só um parvo irá gastar duzentos e tal euros num monte de papel inútil de nula relevância para o percurso escolar do seu rebento. Que, como é óbvio, estará sempre condenado ao sucesso. Toda esta essa massa, que não é pouca, ficará disponível para emborcar umas bejecas, comprar aqueles trapinhos que ficam mesmo a matar ou para, finalmente, fazer aquelas férias na Tailândia. Tudo, como é fácil de perceber, coisas muito mais interessantes do que comprar livros para o fedelho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Estacionamento tuga

Longe vai o tempo em que se dizia, com alguma piada, que numa boa sombra se encontraria certamente um policia. Hoje infelizmente não é assim. Policias encontrar-se-ão, com certeza, na esquadra ou em locais de ambiente mais refrescante e nas sombras apenas será possível encontrar reformados ou automóveis. Nestas, como não há bancos, vão estando ocupadas pelos segundos. 
O automobilista tuga, desesperado por um lugar a escassos centímetros do ponto de destino e de preferência à sombra, está cada vez mais ousado. Acredito que dentro de pouco tempo também esta zona vai estar repleta de carros. Isto apesar de a cinquenta metros se situar um dos maiores espaços para estacionamento no centro de uma cidade e de essa cidade nem apresentar especiais dificuldades em matéria de arrumação automóvel. Mas o tuga gosta de prevaricar. De transgredir. Aprecia o conforto. Se interpelado pela policia alegará que é só um instantinho, que está com pressa ou que vai ali e já volta. 
Em muitas ocasiões tenho manifestado a opinião que este local da cidade ficaria catita com a instalação de uns quantos quiosques e esplanadas. Pensando bem é melhor não. Estou mesmo a ver que o número de carros estacionados seria multiplicado por muitos e que não faltariam tugas a querer beber o café dentro das suas viaturas.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Talibans

Para quem não possui o carrinho equipado com um aparelho de GPS, o Google Street View constitui uma ajuda preciosa sempre que estão em causa deslocações a locais pouco conhecidos ou, até mesmo, desconhecidos de todo. Não entende assim a Comissão Nacional de Protecção de Dados, que resolveu proibir o anunciado regresso das viaturas do Google às nossas ruas por considerar estar em causa o anonimato de pessoas e veículos. Das pessoas que andam nas ruas, sublinhe-se, porque os carros ao serviço daquela empresa não fotografam o interior das residências. 
A seguir-se à letra a cartilha dos senhores que compõem a dita comissão, filmar ou fotografar na via pública será, mais dia menos dia, proibido. Ou até, quem sabe, será proibida a recolha de imagens de satélite sobre o território nacional, não vá o monte de sucata esvoaçante fotografar alguém importante a fazer o que não deve ou captar umas quantas imagens de gente a apanhar banhos de sol no terraço ou no quintal. Se depender deles, leis como as que se pretendem implementar noutros países visando proibir que as mulheres usem burka em lugares públicos, impedindo a sua identificação, nunca terão aplicabilidade por cá. 
Num tempo em que toda a gente, independentemente da idade, expõe a sua vida – muitas vezes até ao mais ínfimo, desinteressante e desnecessário pormenor - de livre e espontânea vontade, parece absolutamente ridículo que se impeça o desenvolvimento de uma importante ferramenta tecnológica. Até porque as questões de privacidade já estão mais que acauteladas, uma vez que matriculas e caras aparecem sempre desfocadas impossibilitando o seu reconhecimento.
O progresso, a evolução tecnológica e a colocação à disposição de todos de novas ferramentas que nos proporcionam mais conforto e conhecimento, parecem incomodar muita gente. Principalmente velhos do Restelo, ciosos vá lá saber-se do quê, que deviam fazer as malas e mudar-se para países onde reinam mullahs e ayatollahs. Seres intrigantes com quem revelam admiráveis semelhanças de pensamento.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os bons malandros

Diz que o Presidente da algarvia Câmara de Faro, Macário Correia, pretenderá despedir, pôr no olho da rua por assim dizer, uns quantos trabalhadores que não apresentam – alegadamente, como convém nestas ocasiões - um nível de produtividade do agrado do autarca. Parece, portanto, que a anunciada medida de reduzir as pausas para café não terá produzido os efeitos desejados e haverá que tomar medidas mais drásticas. 
Também a preocupante situação financeira da autarquia e a necessidade imperiosa de reduzir custos contribui para a vontade do edil em diminuir a folha salarial do Município que, segundo as suas declarações, contará com cerca de mil funcionários. É, de facto, um número assustador. Principalmente se acontecer como na generalidade dos municípios, em que, para executar as mesmíssimas tarefas, existem agora o triplo ou o quadruplo dos funcionários que há vinte anos atrás. Todos os que tem idade para isso facilmente identificarão dois ou três lugares onde, ainda não há tanto tempo, havia um ou dois trabalhadores e hoje estão oito ou dez sem que se vislumbre actividade que justifique tamanho acréscimo. 
É verdade que as autarquias do interior promovem o emprego como forma de combater a desertificação humana e, em muitos casos, na tentativa de adiar a morte do seu concelho. Uma opção legitima e, afinal, a única que podem tomar se querem manter alguma população na área da sua circunscrição. Ainda assim isso não justifica que quem é contratado para trabalhar não o faça. Pelo contrário. Deve contribuir para que a sua terra seja melhor, tenha futuro e, sobretudo, pensar que o seu ordenado não cai do céu mas que alguém pagou impostos para que o possam receber. 
Àqueles que alarvemente ainda dizem que “se quisessem trabalhar não iam para a Câmara” deve ser apontado o caminho da saída. Para esses não pode haver lugar na Câmara de Faro nem em nenhuma outra. Sem nunca perder de vista, no entanto, que o exemplo tem de vir de cima. Como dizia o outro.

domingo, 1 de agosto de 2010

Fim ao massacre dos insectos

Os alegados defensores dos animais regozijam com a medida das autoridades regionais da Catalunha que proíbe a realização de touradas naquela província espanhola. É um anseio antigo de um grupo de gente, minoritário mas ruidoso, que defende um conjunto de ideias bastante originais e, no seu entender, muito avançadas que a serem adoptadas representariam um enorme progresso civilizacional. Acham, entre outras coisas, que aos animais devem ser reconhecidos um conjunto de direitos, maior ou menor conforme o grau de parvoíce do proponente, que a serem seguidos não defeririam muito daqueles que são os direitos das pessoas. 
Não gosto de touradas nem da maior parte dos espectáculos com animais. Apesar disso não posso estar mais em desacordo com aqueles que os contestam. Até porque, no caso dos espectáculos taurinos, os animais que eles tanto querem proteger nem existirão se deixar de haver touradas. Mas isso, provavelmente, pouco importará às bestas urbano depressivas ávidas de abraçar uma qualquer causa que dê sentido às suas vidas. 
Continua a surpreender-me a discriminação que essa cambada pratica em relação às diferentes espécies. Quase todas tem os seus protectores e defensores que as defendem e protegem dos malvados humanos que as torturam, matam ou ingerem. Mas, enquanto isso, milhões de mosquitos e insectos de diversas marcas e modelos continuam diariamente a ser massacrados sem que ninguém se importe. Atente-se nos pára-choques e zona frontal de qualquer automóvel e veja-se o morticínio a que estão a ser condenados esses seres alados que, inocentemente, por aí esvoaçam. É urgente acabar com a indiferença e pôr fim a esta matança. Ambientalistas, ecologistas, defensores dos animais e outra gente igualmente culta e de elevado QI, façam qualquer coisa, porra! Os insectos também têm direitos. Ou não?