sábado, 1 de novembro de 2025

Limpem o cocó dos vossos filhos, pá!

 


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Noutros tempos — quando eu vivia no campo e a sanidade mental ainda não era artigo de luxo — os meus cães passavam largas horas do dia sem que eu soubesse do seu paradeiro. Os meus e os da restante vizinhança. Faziam a vidinha deles e ninguém se ralava com isso. 


Hoje, graças à epidemia de maluqueira que tomou conta das pessoinhas, um pobre cão já não pode ir dar uma volta — nem que seja até ao fundo da rua para esticar as patas — sem que um palerma qualquer decida que o bicho está perdido, abandonado ou em risco de depressão. Segue-se, invariavelmente, o alerta dramático para o Facebook, a que se sucede uma procissão de almas caridosas que partilham a preocupação. Centenas de malucos em desespero por causa de um rafeiro que só queria cheirar uma árvore.


Curiosamente, os mesmos anjinhos que entram em histeria com o cão alegadamente abandonado não se impressionam com os cagalhões que os seus próprios bichos vão deixando nos passeios. Estão habituados a conviver com isso, lá em casa. E o mais giro é que estas oferendas fecais são deixadas sob o olhar atento e complacente dos donos. Gente que se indigna com um penico deixado ao lado do contentor, mas acha perfeitamente natural não apanhar a merda que o seu filho peludo largou no espaço público. Ora, se o animal é mesmo um membro da família ou, segundo alguns, o rebento de quatro patas então cumpram o vosso dever de pais e limpem. Tal como limparam - espero eu - a do irmão pelado.

4 comentários:

  1. Concordo contigo porque por aqui é o mesmo cenário!
    Beijos e um bom domingo!

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  2. POis o IRA (Intervenção e Resgate Animal) já está autorizado a usar pirilampos e sirenes (tal como as forças policiais e bombeiros em marcha de urgência) quando vai resgatar um bicho, creio que também se aplica para acudir a estas emergências (o IRA vai resgatar o animal, porque o dono não tem condições higiénicas para o deter,)

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  3. É uma javardice. E depois queixam-se do lixo na rua...

    Cumprimentos

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  4. Ao que tenho lido essa coisa do IRA não é flor que se cheire...

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