segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Juros à Lagardère

Uma das frases que mais me apraz ler ou ouvir é que isto ou aquilo vai colocar mais dinheiro no bolso das pessoas. É uma cena fixe, essa de aumentar o pecúlio do cidadão. Tenho, no entanto, muita dificuldade em perceber como é que alguns desses anúncios se concretizam e a maçaroca chega à minha algibeira. Deve ser problema meu. Por exemplo, esta coisa da descida dos juros por parte do BCE. Apesar dos especialistas da especialidade garantirem que o corte nas taxas faz com que as pessoas tenham mais dinheiro disponível ao fim do mês, não estou a ver como é que isso se traduz em realidade para a esmagadora maioria das pessoas. Beneficiará no curto prazo, quando muito, quem possui crédito à habitação com taxas variáveis. Ou seja, provavelmente menos de vinte por cento da população. No longo prazo e se a tendência se mantiver, pelo facto dos encargos com a divida diminuírem, pode libertar recursos públicos para despesas sociais ou assim. Mas nem isso é garantido e, caso aconteça, também não é seguro que beneficie muita gente.


Dito isto e perante os dados do Banco de Portugal, que evidenciam sucessivos recordes do montante investido pelas famílias em depósitos a prazo e certificados de aforro, parece-me que restarão poucas duvidas acerca da maneira como a queda dos juros afectará o bolso da maioria dos portugueses. Mas isso não interessa nada. Seria uma chatice a verdade estragar uma boa história.

2 comentários:

  1. Como bem sabes não tenho casa própria e como tal não terei o que dizes. Os aumentos que este governo tem dado (ainda não me deu nada) e como tal continuo no mesmo estilo de vida a poupar no que posso mas constato que muita gente enchem os restaurantes e cafés já para não falar nos carrões. Na declaração do IRS em 2025 sobre este ano vai ser lindo!
    Beijos e um bom dia

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  2. O IRS de 2024 a entregar em 2025 vai refletir a diminuição das retenções mensais e, principalmente, os dois meses em que a retençõ foi zero para muita gente ou, para outros, bastante inferior aos restantes meses. É como dizia a minha sábia avó: "Quem o come em chibo não o come em bode"!!! Por mim costumo dizer que se o dinheiro é meu, então que esteja no meu bolso. Até porque isto, na prática, o IRS é um imposto que pagamos adiantado e muitas vezes em excesso.

    Quanto aos juros é tudo muito bonito, mas a queda dos juros do BCE apenas beneficia quem tem creditos indexados à Euribor e, como de costume, os bancos.

    Cumprimentos

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