
Há quarenta e oito anos a edição da revista Time ostentava esta capa que nos devia fazer corar de vergonha. Todo este tempo depois ainda há quem tenha saudade desses tempos. Embora poucos, que a maior parte já quinou e dos que restam quase todos perceberam o logro em que estiveram prestes a cair. Um ou outro mais pateta continua a acreditar que aquele teria sido o caminho. Não os censuro. O obscurantismo era enorme e a propaganda comunista maior ainda. De lamentar é que, apesar de tudo o que aquela tríade representava ter falhado redondamente em todo o lado, de ter destruído o tecido produtivo do país e de quase ter provocado uma guerra civil sejam hoje cada vez mais os que se revêem em princípios parecidos aos que aqueles três tristes idiotas nos tentaram impingir. Felizmente, nessa altura, no Partido Socialista primavam os valores da liberdade e da democracia. Hoje apenas os do oportunismo. Daí que não me surpreenda muito se, daqui por meia-dúzia de anos, aquela revista nos volte a dedicar uma capa parecida. Desta vez com a fotografia do próximo líder do PS.
Sugiro os textos de Manuel de Portugal (um pseudónimo ) no Portugal no nevoeiro no blogspot( são posts de anos anteriores,mas fazendo o scroll down encontra).
ResponderEliminarOlhe que não! Já na altura no Partido Socialista primavam os valores do oportunismo. É ver donde veio o dinheirinho. A resposta acha-se por aí…
ResponderEliminarJá tivemos mais des-honras de capa da Time: o palhaço do Secretário nas águas do Pacífico. O gajo que disse que era só fazer as contas.
ResponderEliminarMas no tempo da outra senhora tivémo-la na tal capa (1946).
Apesar de todas as maleitas de que nos queixamos - menos os apaniguados do PS, para quem estamos no melhor dos mundos - estamos muitissimo melhor do que estariamos se aquela tríade, especialmente o camarada Otelo e o companheiro Vasco, tivessem conseguido os seus intentos.
ResponderEliminarOportunistas sempre houve e sempre haverá, mas se não fosse o PS de então o PREC teria teria vingado e as consequências teriam sido terriveis. Hoje, não tenho dúvidas, os socialistas estariam do outro lado da barricada.
ResponderEliminarPois já, mas estes estiveram a um pequeno passo de incendiar isto tudo!
ResponderEliminarO texto a seguir é uma análise posterior(publicada no livro Crónicas e Cartas de Manuel de Portugal em 1976) à crónica originalmente publicada em 1 de Novembro de 1975 com o título "Carta Aberta ao Pacóvio Pagante" : "A indisciplina das Forças Armadas,em Novembro,atingia o auge da rebaldaria bandalhesca. Caído o Gonçalvismo procuravam os adeptos do "camarada" Vasco minar o que ainda restava daquilo que fora,em tempos,o Exército Português. Soldados de alpargatas,de lenço ao pescoço,cabelos desgrenhados,a vergonha de uma tropa fandanga que se pavoneava nas ruas alardeando um revolucionarismo de porcaria,um socialismo de pouca vergonha. Na zona do Intendente militares e prostitutas formavam,nas características do abandalhamento,um quadro digno de Zola. Havia unidades onde as ordens se discutiam em plenários sem fim. O povo pagava esta opereta de cordel,este espectáculo de bonifrates fardados. Surgiu,deste modo,a "Carta ao Pacóvio Pagante",ao Zé Povo que alomba,que geme,que paga e que sofre. Não sabe o povo que o Grémio Literário que servia Lagosta Thermidor ao sr Tenreiro,cozinhava agora Linguado au Meunier para o sr Rosa Coutinho. Mas o povo pressentia,aqui e além,que houvera uma revolução que em nada o beneficiaria em termos de valores reais para lhe satisfazer as necessidades básicas. Os hospitais eram os mesmos,mas com menos médicos, Os géneros encareciam ou rareavam. As escolas ou não abriam,ou ensinavam pouco. Dizia-me um economista sueco que "nunca tinha visto um Povo caminhar tão alegremente para uma bancarrota suicida". O que era verdade. Não sei se haverá alguém capaz de calcular os milhões de horas de trabalho que se perderam,inutilmente,em plenários sem fim.Falava-se muito na independência nacional. Esquecendo que a primeira independência nacional é a independência económica.E esta só se obtém com o trabalho da grei. Não é assim sr Professor Sousa Franco?Os mais capazes,os mais sérios,os mais trabalhadores assistiam revoltados ao batuque grotesco de uma minoria barulhenta que falava,falava,falava. Gastámos em perdigotos,em cuspo e em chorrilhos de asneiras,milhões e milhões de contos. Rico e perdulário País. Pediu-me o Salazar sacrifícios e para "produzir e poupar". Para o futuro. Pediu-me o "camarada" Vasco mais sacrifícios e que entrasse na "Batalha da Produção". Para garante do porvir da "feliz sociedade socialista". Canta-me o Pinheiro de Azevedo a música das "medidas de austeridade" e do "trabalhar mais e comer menos".Para sobrevivermos.
ResponderEliminarQue geração,que século,que País. Ao que chegámos...
Era nesses tempos um teenager inconsciente, mas recordo-me perfeitamente das maluqueiras que se viveram aqui no Alentejo. Isto era um regabofe pegado, uma animação diária e pancadaria quase dia sim dia não!!!
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