terça-feira, 22 de setembro de 2020

IRS - É a ignorância que os faz felizes

Tal como se esperava, a proposta da Iniciativa Liberal visando a criação de uma taxa única de irs não “incendiou” as redes sociais. Um fogaréu aqui ou ali e nada mais do que isso. Ainda se fosse um cão esquelético que urgisse salvar…


A ignorância generalizada relativamente a este assunto não me surpreende. Mas diverte-me. As pessoas não sabem fazer contas nem, a esmagadora maioria, tem sequer a mais pálida ideia do que se está a falar. Mesmo aquelas que, por força dos cargos que ocupam, tinham a obrigação de possuir um conhecimento, ainda que mínimo, daquilo que está em causa. Um bom exemplo foi o debate entre os representantes da Iniciativa Liberal e do Bloco de Esquerda, uma noite destas na SIC Noticias, sobre a taxa única de IRS. Foi algo assim:


(IL) - “Todos os portugueses vão pagar menos”


(BE) - “Isso é mentira, pois quem não paga nada não paga menos”


(IL) - ?!?!?!? (siderado perante a idiotice do argumento)


(BE) - “as pessoas não sabem que não pagam…”


A argumentação do esquerdista radical que sustenta o governo passou depois para as comparações. Para ele o grande beneficiado será um CEO qualquer que ganha dois milhões por ano que verá, de acordo com a proposta da IL, a factura do IRS reduzida de oitocentos mil para “apenas” trezentos mil euros. Já um trabalhador que aufere oitocentos euros mensais terá, segundo os cálculos do extremista, uma redução mensal de cinquenta euros. Curiosa esta maneira de fazer as contas. Ao ano para um e ao mês para outro. Podia ter acrescentado que no segundo caso era quase mais um mês de ordenado. Ou, mas isso já era pedir demasiada honestidade intelectual, quantos trabalhadores ganham por mês oitocentos euros – ou menos – e quantos CEO’s ganham por ano dois milhões – ou mais. E, já que estava com as mãos na massa, podia também ter dito por que raio sustenta no poder um governo que pratica esse tipo de discrepância salarial em entidades sob a sua responsabilidade.

18 comentários:

  1. Bem visto Kruzes

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  2. Boa tarde, embora compreenda o que a IL defende, acho que a forma de o publicitar é demasiado simplista e roça a má fé ao não explicar tudo o que implicam as suas medidas. Façamos umas contas "rápidas": actualmente o escalão mínimo de IRS é de 14,50 %, as pessoas com rendimentos baixos acabam por não pagar IRS por causa das deduções à colecta. Com uma taxa única de 15% e sem deduções (como a IL defende) todos pagávamos 15%, quer alguém que ganha 800 € brutos/mês como alguém que ganha 3.000 € brutos/mês e que pagava 45%. Isto faz com que o país cobre menos impostos (o que a IL defende). Havendo menos impostos não há dinheiro para educação nem saúde pública (o que a IL defende). Para as pessoas que ganham 3.000 € brutos/mês e que pouparam umas centenas de euros não há problema porque com esse dinheiro podem pagar o colégio do filho e o hospital privado. Mas os restantes, a quem a IL quer apelar ao voto lixam-se!! A questão não são os CEO's porque esses estão sempre bem. A questão é estratificar ainda mais a sociedade, com pessoas que podem pagar tudo e outras que não podem pagar nada. Claro que há países que pensam assim (os EUA são um deles), não é errado pensar-se assim, tudo depende como achamos que deve ser organizada a sociedade, por isso existe um espaço para partidos como a IL. Mas querer vender as maravilhas do sistema liberal prometendo mais dinheirinho a uma classe média (média-baixo-baixinha) como a portuguesa, num sociedade desigual como a nossa, onde os únicos beneficiados seriam os que já vivem bem, é de arrepiar os pêlos das orelhas.

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  3. Segundo os proponentes a taxa plana custaria cerca de 3 mil milhões de euros. Se eu fosse populista e demagogo diria "nem mais um cêntimo para a banca". Ou, como o Jerónimo, ia buscar-se a diferença ao grande capital. Talvez, até, como a Mortágua. Perdia-se a vergonha de o tirar a quem o tem. Assim limito-me a constatar que este valor será, mais coisa menos coisa, o resultado do brutal aumento de impostos do tempo da troika. Como, ao que me dizem, já virámos a página da austeridade não estou a ver por que raio havemos de continuar a pagar impostos como se ela ainda existisse.

    Mas tem razão. O problema não são os CEO's, como nos querem fazer acreditar. Está mesmo entre quem ganha um pouco mais que o SMN e os 2 ou 3 mil euros. Não será pobre mas paga como se fosse rico. O que é uma maneira de dizer, que esses pouco pagam...

    Cumprimentos e obrigado pelo comentário

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  4. Makiavel5:52 p.m.

    Vi o debate na diagonal.

    Retive aquela parte em que Cotrim falou da facilidade que a flat tax proporcionava no preenchimento do irs.

    Ainda não parei de rir.

    Também achei muito interessante os países que deu como exemplo, verdadeiros faróis de desenvolvimento humano e social.

    Parece que as contas da IL quanto à quebra de receita fiscal já sofreram um upgrade de 3MM para 4MM, Um erro de 33%, coisa pouca. O próximo desvio já será menor... em percentagem.

    Enfim, liberalismo tuga. Possidónio o mais possível.

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  5. Biltre6:26 p.m.

    Ana, sem a querer ofender e usando as suas palavras, deixe-me dizer-lhe que o seu comentario e demasiado simplista e roca a ma fe.

    Passo a explicar. A proposta da IL leva a uma quebra da receita proveniente do IRS ainda que eventualmente mitigada pelo consequente aumento da receita de outros impostos (por exemplo, se a Ana receber mais 50$ por mes pode usar esse dinheiro proveniente do seu trabalho para comprar qualquer coisa Geraldo receita fiscal por via do IVA). Mas isso o BE e os seus jograis nao dizem.

    Mais. Admitamos que o Estado, por ter menos receita, tem que fazer cortes. Porque motivo ha-de cortar na educacao e na saude? Nao pode antes cortar em BES, TAPS, TGVS e afins?

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  6. Anónimo6:27 p.m.

    Tem razão, é a ignorância que os faz felizes, mas isso em relação a vários assuntos. Também o "circo" e os assuntos insignificantes os faz felizes!

    Não compreendo porque razão perdem tempo a falar numa proposta que não passará disso, não será uma realidade.

    Não “incendiou” as redes sociais porque eles perceberam o que eu disse agora, é um não assunto que querem que seja visto.

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  7. Manuel da Rocha7:23 p.m.

    O seu desconhecimento é ainda mais interessante: o milionário poupa meio milhão de euros, o que recebe 800 euros poupa... 23,50 euros ou paga mais 56 euros. Não saberá vossa ultra intelectualidade que existem várias tabelas de IRS.
    Desculpe ter-lhe destruído a ideia liberal sobre só existir uma tabela... pois só acontece isso para rendimentos mensais acima de 2856 euros.

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  8. Que por acaso já nos ultrapassaram (excepto, por enquanto, a Bulgária) em termos de PIB per capita. Deve ser coincidência...

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  9. Claro que não passará de uma proposta. Mas é bom que estas coisas se discutam. Por enquanto ainda há liberdade para isso.

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  10. Além de que esta taxa podia ser introduzida gradualmente...

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  11. A sério?! E descobriu isso sozinho ou precisou de ajuda?

    Na minha "matemática" (800-650)*15%= 22,50. Se dá outro resultado você lá sabe. Quem sou eu para o contrariar.

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  12. O valor que refere, 3MM a 4MM, mais nao e que o custo do BPN.

    Custo que e meu e que e seu, que e do Kruzes e da Ana ali de cima. E por aqui que vai muita da receita fiscal.

    Se a medida da IL puder impedir que uma soma dessa natureza saia
    dos bolsos de quem trabalha para tapar buracos criados por trafulhas diversos, entao que venha quanto antes.

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  13. Penso q a discussão da flat tax é uma discussão importante. No entanto, os proponentes relativizam as desvantagens enquanto os opositores tipicamente maximizam a desigualdade que a mesma cria.
    Acho que se deveria começar por olhar para as deduções e ter a coragem política de começar a cortá-las, ao mesmo tempo que se baixava a taxa de IRS na proporção da poupança equivalente. Quando houver menos deduções, então eventualmente esta discussão fará mais sentido.

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  14. Algumas deduções, nomeadamente o incentivo ao pedido de factura, funcionam como combate á evasão fiscal e nesse sentido são importantes.

    Não sei se a proposta da IL será ou não a mais justa, provavelmente não, mas o actual sistema é sufocante. Um roubo, mesmo. Daí que está e todas as que visem diminuir a carga fiscal devam ser discutidas.

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  15. Makiavel9:50 p.m.

    Ah as maravilhas dos índices macroeconómicos. Estamos os dois à mesa, eu como dois bifes e tu ficas a ver. A macroeconomia dirá que estamos os dois muito bem alimentados.

    Sobre o desvio de 33% nas estimativas de perda de receita fiscal (por enquanto) tens alguma coisa a dizer ou ainda estás a tentar passar entre os pingos da chuva?

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  16. Makiavel9:56 p.m.

    Isso é o típico raciocínio para pobres de espírito, tipo chegófilos. Em que é que a medida iria impedir que se tapassem buracos dos bancos? Menos receita fiscal não implica que os buracos não existam, nem sequer que deixe de haver necessidade de os tapar. Por falar em buracos, o Cotrim não andou a pedir uns dinheirinhos para o BPP quando era lá gestor (ou lá o que ele foi)?

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  17. Como até o típico jogral bloquista poderá facilmente perceber, menos receita fiscal não impede a existência de buracos nos bancos. Contudo, até o Makiavel perceberá que menos dinheiro na mão do Estado implica menos capacidade de acudir a tais situações que é como quem diz, de tomar más decisões.

    Diz o Makiavel que há necessidade de tapar esses buracos. Não sei se há. Deve o contribuinte, com o dinheiro que é subtraído ao seu rendimento, ser penalizado por existirem bancos com má gestão, gestão criminosa ou um misto de ambas? Aparentemente o Makiavel acha que sim, que o contribuinte serve para isso. Eu acho que não.

    Mas não se preocupe Makiavel, não está só. O PCP e Bloco estão consigo, esquerda anti-capitalista e revolucionária que salva bancos.

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