sábado, 16 de março de 2019

Apanhados do clima

Uns quantos gaiatos resolveram fazer gazeta às aulas por, alegadamente, estarem muito preocupados com as alterações climáticas. Compreendo-os. Também me dava jeito uma alteração do clima. Que chovesse, nomeadamente. Que isto o quintal está todo seco e as culturas em risco de murchar. Mas, sim, fazem bem em abraçar esta causa. E outras, que as causas são cenas bué carentes que gostam de ser abraçadas. Eu próprio, nos meus tempos de estudante, abracei também umas quantas.


Para além da comunicação social, que se babou com o tema, a iniciativa mereceu uma estranha simpatia da intelectualidade em geral e da classe política em particular. Vá lá saber-se porquê. É que, daquele espalhafato todo, não saiu uma proposta concreta para melhorar o estado das coisas contra as quais se manifestaram. Não se me consta que tenham exigido que os papás deixassem de os transportar até à porta das respectivas escolas. Não me recordo de ter ouvido a reivindicação do direito a usar a roupa que deixou de servir ao irmão ou primo mais velho. Nem, tão-pouco, propostas para boicotar os restaurantes de fast-food que, desconfio, devem poluir como o caraças. Ou, numa de grande malucos, tentarem convencer os progenitores a mudarem-se com a família para o campo, onde a vida é muito mais saudável e de acordo com os padrões de sustentabilidade que garantem ser necessários praticar.


Mas isto sou só eu a dizer. Um gajo que para além de andar a pé, fazer de tudo para reduzir a factura energética e não comer “comida de plástico”, se está nas tintas para essas macacadas das alterações climáticas.

8 comentários:

  1. Eu também não tenho pachorra para estas manifestações, tenho uma adolescente em casa, que nos está a "chagar" todos os dias para termos atitudes que protejam o ambiente. Perguntei-lhe se iria à manifestação, pois não existe pessoa com maior consciência ambiental que ela. Respondeu-me que o trabalho faz-se diariamente e que até apoia estas manifestações, com a intenção de chamarem à atenção dos "distraídos", mas o que importa é o que se faz no dia-a-dia. Gostei muito do seu post!

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  2. Muito obrigado!

    Uma proposta séria - e agora é mesmo a sério - seriam os incentivos fiscais a tudo o que fosse poupança energética ou preservação da natureza. Painéis solares, por exemplo. Ou a empresas e particulares que se mudem dos grandes centros para o interior. Mas, se calhar, não dá votos...

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  3. Anónimo4:42 p.m.

    Percebo o seu ponto de vista, no entanto acho que é muito positivo esta mobilização estudantil. Para a GRANDE causa do clima, qualquer contributo é bom. Grande ou pequeno, este foi um contributo que eu aplaudo e que, na minha opinião, não é de desvalorizar. Pelo contrário!

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  4. Eu concordo com a sensibilização, mas constato tudo o que escreveu.
    Aliás, nesse dia, à tarde acompanhei a minha mãe ao médico. Quantas gatas com o cio, em pequenos grupos. Elas miavam alto, lançavam-se na passadeira de forma desnorteada... Depois falam dos programas da SIC e TVI.

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  5. Salvo raras excepções tendo a desvalorizar tudo o que é manifestação. E esta mais ainda. A mudança está em cada um e no seu comportamento. Esta rapaziada que se manifestou é só a geração mais consumista de sempre!

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  6. O tema, obviamente, merece a preocupação de todos e que todos façamos alguma coisa. Parece-me é que aqueles manifestantes fazem muito pouco...

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  7. Acho bem que os jovenzinhos se consciencializem - o ambiente e "tipo" coisas. Mas gostaria igualmente que alguém lhes fizesse umas contas nas costas de um guardanapo e lhes mostrasse que, por mais que esperneiem e inventem causas e manifestações, por mais impostos com que os insaciáveis burocratas de Bruxelas carreguem plásticos, latas, gasolinas e o metano das vacas, estão a ladrar à porta errada. Mesmo que, a pretexto de "conter a poluição", fizessem a já ultra-regulamentada Europa regressar à Idade Média - algo que algumas franjas políticas incentivadoras destas manifs não desdenhariam -, o impacto de tal seria diluído pela poluição gerada na China e na Índia, países que representam, juntos, um terço da população mundial (o sêxtuplo da União Europeia) e estão a incentivar o crescimento das respectivas indústrias.

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  8. Pois... Mas essa é a verdade verdadeiramente inconveniente.

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