Passear pelo Alentejo, para um turista, pode ser algo de fantástico. Não sei por que raio há-de ser, mas vá, concedo que constitua uma experiência agradável. Para mim – e, acredito, para quem conheceu outro Alentejo, é apenas deprimente. Percorrem-se quilómetros de estrada sem encontrar qualquer veículo, não se avista vivalma nos campos e atravessam-se lugarejos e aldeias outrora repletos de vida hoje praticamente desertas. Depois são as ruínas e as casas abandonadas, tanto em zonas rurais como urbanas, quase a fazer lembrar um cenário fantasmagórico digno de um filme pós apocalíptico. A continuar assim bem podem as entidades promotoras do turismo na região esforçarem-se mas num futuro próximo, por mais milhões que gastem a divulgar o Alentejo, nem os turistas aqui vão querer vir. A não ser, talvez, para ver uma espécie em vias de extinção. O alentejano.
A este propósito refiro apenas dois dados. Do meu concelho, para não ir mais longe. Na década de sessenta, do século passado, residiam aqui mais de vinte sete mil pessoas. No final de dois mil e dezasseis, no mesmo espaço territorial que o concelho não aumentou nem diminuiu de tamanho, restam menos de treze mil habitantes. E, mesmo de entre entre estes, um número bastante significativo apenas será residente em termos estatísticos. Desconfio que este constitui o nosso maior problema. Do meu concelho, do Alentejo e do país. Mas isso sou eu, que tenho a mania de me preocupar, em primeiro lugar, com o que está perto. Uma parvoíce. Devia era estar raladíssimo por causa do Trump.
Houve um grande êxodo para as cidades. O meu pai e os meus tios, por exemplo, são de Odemira mas vivem todos fora do Alentejo. Às vezes falam do «outro tempo», de bailes e de povoações que hoje estão ao abandono. Quando se põem a falar dos jovens da época, chego à conclusão que só um ou dois resistiram por lá, o resto veio para Lisboa ou emigrou.
ResponderEliminarÉ um problema de difícil solução, este da desertificação. Ou mesmo sem solução, talvez. Mas, pelo menos, devia tentar-se qualquer coisa. Infelizmente ninguém quer saber. Não dá votos e custaria muito dinheiro.
ResponderEliminarConcordo totalmente contigo e olha que não é só no Alentejo que para mim sempre foi uma zona que gostava imenso de ir, das gentes tão disponíveis e simpáticas. O mesmo acontece por aqui porque é igualmente uma zona muito envelhecida, excepto mesmo no "centrinho" da vila sempre atulhado de turistas.
ResponderEliminarMuitos, mas muitos partiram em busca de um futuro melhor.
Quem sempre governou apostam nas grandes cidades em detrimento do que referes.
Um abraço de bom dia
Mas olhe que está assim no Minho também... uma desolação. Estes bandidos conseguiram acabar até com as escolinhas primárias lindíssimas. Isto é uma tortura para mim Kruzes... medonho!!!
ResponderEliminarÉ um mal generalizado a praticamente todo o interior. Algumas projecções apontam para que dentro cinquenta anos o país tenha sete milhões de habitantes. Todos nas cidades grandes, presumo...
ResponderEliminarNeste aspecto considero que a culpa é de todos. Desde os que preferem ter cães em vez de filhos até aos que não penalizam a construção em áreas já saturadas, passando por aqueles que querem ir Lisboa, Porto ou o estrangeiro só porque sim...que isto não é só quem não tem emprego que se vai embora, há muita gentinha que não não fica no interior por uma questão de "status".
ResponderEliminarHomessa! Antão nã tá ralado com o Trump? Pois devia!
ResponderEliminarMas sofro de uma maleita que nem médicos nem bruxas sabem como tratar. Vejo as coisas às ondas: agora é assim; há 50 anos foi assado; daqui a dez anos será frito. Vira-se o disco e toca o mesmo...
Nisto da demografia não há volta a dar e daqui a 50 anos também acredito que será diferente. Para muito pior. O Trump?! O mundo já sobreviveu ao Staline...
ResponderEliminarTadinho do está-lyne. Não conseguiu matar o mundo.
ResponderEliminarAliás, ninguém poderá matar o mundo.
O mundo é quem os matará, sempre.