Maioria silenciosa é um conceito que parece não estar a ser muito bem entendido por alguns génios auto-proclamados. Eu explico. Com o exemplo nacional, que é para não ir mais longe. Nos idos do pós-25 de Abril o PCP fazia grandes comícios. Mobilizava magotes de gente. Centenas de milhares em cada manifestação, segundo as próprias contas. Na rádio, televisão e jornais as posições amplamente dominantes eram as do partido comunista. Nem sequer havia contraditório, que isso da democracia pluralista era coisa de reaccionários e burgueses. Mesmo nas ruas poucos eram os que se atreviam – como hoje, quase – a exprimir opiniões contrárias à verdade vigente. O politicamente correcto da época, portanto. Criou-se, por causa disso, no país a sensação que as eleições dariam uma estrondosa vitória aos comunistas. Até porque, nessa altura, ainda não havia sondagens. O pior foi aquilo do voto. Tiveram doze por cento. Uma minoria esmagadora. Por mais esganiçados que tivessem sido os seus arautos.
A história é uma coisa lixada. Mostra uma preocupante tendência para se repetir, a marota. Embora, por mais que se repita, haja sempre burros que não a entendem.
Então na minha freguesia de naturalidade haviam 17 adeptos da marreta e foicinha, indefectíveis, jurados e arregimentados por um prócere da UEC de Coimbra, estudante de Direito. O problema é que depois de todos terem votado e no balanço final, só 13 é que foram validados no PCP. Imaginem só o ambiente pós eleitoral a chamarem traidores uns aos outros. Muito tempo depois e anos passados, mantém-se os rancores, mas o hoje advogado já foi deputado pelo partido rosa-choque, e a militância destes (hoje septuagenários ou quasi) tem vindo a decair tal como a virilidade, em progressão aritmética, afora aqueles que já prestaram contas ao Criador.
ResponderEliminarMuitas histórias se podiam escrever acerca das convicções do pagode. Por aqui variam muito em função do partido que manda na Câmara. Agora os antigos "camaradas" são quase todos "independentes"...
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