A cada mês que passa
acentua-se o descalabro orçamental português. Nada de mais. Nem de surpreendente.
Se exceptuarmos os apaniguados do partido no poder e os paineleiros dos
programas de televisão, todos sabíamos que ia ser assim. Até o governo sabia.
Sempre o soube. Fez, no entanto, esta opção ideológica. Nesse aspecto as coisas
estão a correr-lhe de feição. Nesse e noutros. Por exemplo, a nível autárquico,
uma das poucas receitas que estará a ter um comportamento positivo é a que
envolve a gestão dos cemitérios. Estarão, tudo indica, a morrer mais pessoas do que em anos
anteriores. Lamentavelmente este não tem sido um indicador devidamente valorizado pelos
nossos brilhantes analistas de economia nem pelos não menos iluminados dirigentes políticos. Apenas por esquecimento, quero acreditar.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Amigos da onça
A generosidade dos
patrões portugueses continua a comover-me. A sua preocupação com o bem-estar
dos seus trabalhadores atinge níveis inusitados e que poucos suspeitariam ser possíveis.
É verdade que querem mais liberdade para despedir. Não é menos certo que pretendem
reduzir – ou mesmo extinguir – as indemnizações por despedimento. Estamos
fartos de saber que pagam cada vez mais baixos salários e que tentam eximir-se
a toda a espécie de obrigações. Mas, surpresa das surpresas, estão visceralmente
contra a aplicação de qualquer imposto sobre os subsídios de férias e de natal
dos seus colaboradores. Que é como eles chamam agora à malta a quem não podem,
por enquanto, por a trabalhar de borla nas suas empresas. São uns porreiraços,
em suma.
Desconfio sempre da
generosidade. E desta, vinda de quem vem, ainda desconfio mais. Quanto a mim os
patrões – recuso-me a considerá-los empresários – apenas estão contra a
aplicação de um imposto aos subsídios dos seus criados porque teriam de entregar
ao Estado o imposto retido. Mais uma despesa, portanto. Nomeadamente para
aqueles que não fazem intenção de os pagar. Mas claro que fica sempre bem vir
para as televisões explicar, como se fossemos muitos burros, que reduzir custos
no Estado – leia-se vencimentos – é bom para a economia. Só se for para a deles,
porque para a minha é péssimo. E para aqueles a quem eu “entregava” a parte que
entretanto me foram roubando, também não me parece que esteja a ser
suficientemente bom.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Olha a renda, Mexia, olha a renda!
Já escrevi sobre isto
tantas vezes que, confesso, o assunto me aborrece. Mas declarações como a do
senhor Mexia ainda me causam um aborrecimento muito maior e fazem-me, ainda que
a contra gosto, voltar ao tema. Garante o cavalheiro que mais impostos sobre o
sector privado não fazem sentido. Isto a propósito da eventual necessidade de
estender os cortes nos subsídios de férias ou de natal à generalidade dos
trabalhadores. Acrescentou ainda, embora a isso não tenha sido dado destaque,
que o roubo dos subsídios aos funcionários públicos e reformados se trata de
uma medida de contenção de custos e que isso é completamente diferente do que
taxar salários.
Será tudo o que ele
quiser. Agora o que os muitos “Mexias” deste país que defendem dever ser apenas
quem trabalha para o Estado a ver o seu ordenado reduzido deviam explicar, pelo
menos de forma a que um gajo de QI reduzido como eu perceba, é porque razão
alguém com um vencimento de mil e cem euros por mês deve ficar sem dois meses
de vencimento enquanto certas empresas privadas – assim de repente ocorre-me
logo a EDP - continuam a receber muitos milhões do Estado. Ou, tantas outras, a
não pagar impostos.
Ainda que todos tenham
direito a emitir a sua opinião, indivíduos com a posição desta criatura e
ordenados para lá de obscenos deviam abster-se de mandar este tipo de postas de
pescada. O homem pode ser um génio da gestão, será até o melhor pau-mandado que
os chineses podiam ter encontrado, mas não sabe o que é a vida real. Obviamente
que sobrecarregar ainda mais o trabalho – privado ou público - com impostos é
errado e só vai servir para agravar a tragédia que estamos a viver. Há, no
entanto, muitas alternativas. Que o digam todos aqueles que já mandaram retirar
os terminais de pagamento automático dos seus estabelecimentos …
domingo, 19 de agosto de 2012
Solidariedade selectiva
Ser solidário é uma coisa
bonita. E está na moda, também. Pena é que uma observação mais atenta das
causas que motivam verdadeiras ondas de solidariedade e, bem assim, daqueles
que se apressam a manifestar o seu espírito solidário, constitua um exercício que
poucos fazem.
Repare-se no caso da
recente condenação, pela justiça russa, das “Pussy Riot” por terem invadido um
local de culto, alegadamente em protesto contra o governo lá do sítio,
perturbando quem estava a fazer as suas rezas. Verdade que meter as mocitas na
choça durante dois anos, só por causa das cantorias manhosas num templo, que
aborreceram umas quantas beatas e desagradaram aos manda chuva lá da terra é,
convenhamos, um bocado exagerado. Por isso, ou por outra coisa qualquer, não
falta gente a anunciar a sua solidariedade, pelas mais diversas formas, para
com as cantoras (!) e a manifestar a mais convicta reprovação pela actuação das
autoridades russas.
Parece-me no entanto –
mas isso sou apenas eu a desconfiar - que caso o palco do protesto tivesse sido
outro, ainda que o objectivo exactamente o mesmo, a história teria contornos muito
diferentes. Nomeadamente ao nível do movimento solidário. Admitamos que as
jovens teriam tido a coragem – isso sim, seria corajoso – de ir protestar para
uma mesquita ou, apenas, para um local onde meia dúzia de muçulmanos estivessem
entretidos nas suas práticas religiosas. Se calhar, até pelos antecedentes que
se conhecem, os mesmos que agora se solidarizam com as condenadas estariam a
demonstrar a sua reprovação pela intolerável provocação que as mesmas teriam
cometido. A solidariedade, quase de certeza, iria direitinha para a mourama e
os cartazes anti-Putin, como da outra vez das caricaturas, seriam substituídos por
pedidos de desculpa…
É por estas e por outras
que não suporto a gentalha dos movimentos de solidariedade. Nisto, bem como
noutras coisas, a coerência deve vir em primeiro lugar. Mas isso parece
importar pouco àqueles que apenas querem é aparecer.
sábado, 18 de agosto de 2012
O rei dos javardos passou por aqui
Mijar para a parede,
ainda que constitua um acto reprovável, é do mais corriqueiro que há. Qualquer
amigo das bjekas o sabe. Cagar em plena rua já não é assim tão comum e, tirando
os cães, são poucos os que o fazem. A menos que uma inconveniente trovoada intestinal
se abata subitamente sobre um incauto cidadão e a casa de banho mais próxima se
encontre a mais de um quilómetro de distância, não haverá motivos para arrear o
calhau em plena via pública. Já aliviar a tripa na rua, em direcção à parede –
ainda para mais em pleno centro da cidade – constitui uma proeza digna de um
verdadeiro contorcionista e é, por isso, um acontecimento muitíssimo mais raro
do que os anteriormente referidos. Digamos que, no âmbito da javardice e má
educação, o gajo – ou gaja, vá lá saber-se – que cometeu este feito notável, será
o supra sumo dos javardos e merecia um prémio daqueles à antiga. Assim tipo
limpar aquilo com a língua.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A impunidade. Lá como cá.
Não gosto de ladrões. De nenhuma espécie. Tenho, por isso, alguma dificuldade em compreender a entusiástica admiração que alguns, aparentemente pessoas honestas, vão manifestando relativamente aos roubos que têm vindo a ser perpetrados pelo presidente comunista de uma Câmara da Andaluzia. Uns poderão alegar que não será o único a fazê-lo e que, ao menos, este não o faz em proveito próprio. Outros acreditarão estar em presença de um acto revolucionário, onde os pretensos pobres se apropriam legitimamente dos bens a que têm direito de forma a garantir a sua subsistência.
Por mim o homem não passa de um ladrãozeco reles e cobardolas. Trata-se de um inimputável que, graças ao seu estatuto de político, pode fazer o que muito bem lhe dê na real gana. Isto porque, pasme-se, gozará de uma espécie de impunidade que o colocará a salvo de qualquer percalço de carácter jurídico. A criatura não difere em nada de um banal meliante que sabe estar fora do alcance da lei. Pena que pessoas mais ou menos inteligentes não percebam que neste comportamento não há nada de revolucionário, de construtivo, nem, sequer, de solidário. Só marginalidade. A revolução vai continuar adiada. Temos pena.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Sugestão I ( Ou II...ou mais, não sei ao certo)
Escrevi outro dia sobre o
inusitado número de associações que, parece, existem cá pela terrinha. De uma
conversa acerca do assunto conclui que estou errado. Ainda não há as
suficientes. Falta, entre outras, a Associação dos Amigos da Bjoka. Algo que
incentive os seus associados e associadas, população em geral e residentes em
particular, à prática da beijoquice. Teria, de certeza, muito mais utilidade do
que outras agremiações de carácter badalhoco que apenas existem por causa
daquilo que quase todos sabemos. Fica a sugestão. E o incentivo, também.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
O local perfeito para a festa certa.
A mudança do local da
festarola que assinala aquilo a que se convencionou chamar a rentrée politica
do PSD, do calçadão de Quarteira para o Aquashow, faz todo o sentido. O medo
dos assobios e de outros protestos mais ou menos ruidosos não terá tido, de
certo, influência nenhuma na transferência do ponto de encontro dos veraneantes
laranjas. Até porque dificilmente os sociais-democratas encontrariam um sítio
mais indicado para se reunirem em torno do seu líder. Num Pais afogado em dívidas,
a escorregar em direcção ao abismo e com o governo a meter água, um parque
aquático é, de facto, o lugar apropriado para o chefe do partido do governo
garantir que o caminho é frente. Contra o local escolhido apenas a concorrência
da vizinhança. Ali por perto habitam papagaios, araras e outras aves canoras, com
um discurso muito mais coerente.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Os do costume em primeiro lugar
A imprensa noticiava hoje
que os serviços competentes para apreciar o assunto estariam a demorar cerca de
trinta dias para decidir os pedidos de aposentação apresentados pelos deputados
quando, para a restante plebe, o tempo médio de espera estará a demorar doze
meses. Não consigo encontrar nesta noticia nada de preocupante nem
especialmente perturbador ou criticável. Antes pelo contrário. É, isso sim, de
elogiar a celeridade com que tal matéria é tratada. Pelo menos em relação a
alguns. Mas também não se pode querer tudo. O esforço, louvável e revelador da dinâmica
actual da administração pública, ainda não será suficiente dar resposta às
solicitações de todos, mas demonstra, a ser verdade o que se publica, uma
prática cada vez mais em uso no que diz respeito às prioridades no atendimento.
Os ciganos, por exemplo, também são quase sempre atendidos em primeiro lugar nos
espaços, públicos ou privados, onde não seja necessário tirar senha. E
compreende-se porquê.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A cultura da bjeka
Discordo em absoluto
daqueles que asseguram estar a sociedade portuguesa adormecida, apática e pouco
motivada para participar em movimentos de carácter cívico ou social. Não posso
estar mais em desacordo. Senão vejamos o caso de Estremoz. Apesar de se tratar
de um concelho do interior, com uma população de catorze mil habitantes
espalhada por treze freguesias, maioritariamente idosa e em acelerado ritmo de
desertificação, terá ainda assim, provavelmente, mais de uma centena de
associações dedicadas a tudo o que se possa imaginar.
Poderá discutir-se, em
relação à maioria delas, o mérito das suas actividades - muitas vezes
circunscritas a comezainas – ou se a finalidade da sua constituição envolverá
aspectos mais ou menos nebulosos. Pode, eventualmente, haver outras que terão
tão poucos sócios que facilmente podiam reunir a assembleia-geral ao jantar e a
direcção na cama. Haverá, até, algumas cuja existência será apenas do
conhecimento daqueles que as constituíram e dirigem. Ainda assim o número impressiona, quer face ao
reduzido número de habitantes ou à diversidade das áreas a que as
colectividades alegam dedicar-se.
Não sei se a “Associação dos
Amigos da Bjeka”, agremiação de índole cultural e recreativa com sede nesta
cidade, se inclui ou não nos itens atrás referidos. Presumo que contribua para
o bem-estar dos seus sócios, desenvolva actividades e promova iniciativas. Tudo
relacionado, espera-se, com o objecto alvo da sua predilecção. Apoios, estou
desconfiado, não hão-de faltar.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Haja quem corte nas gorduras!
A acreditar na franqueza
dos argumentos utilizados, a opção do Presidente da Câmara de Sousel de
exonerar a sua chefe de gabinete revela-se do mais elementar bom senso. Em tempos
de crise - embora o dinheiro público devesse ser sempre gerido como se vivêssemos
em permanente crise – se há cortes a fazer é precisamente por esse tipo de
coisas que se deve começar. Para, se outra razão não houver, dar o exemplo. O
que constitui motivo mais do que suficiente para parabenizar o autarca que assim
decidiu.
Refira-se, contudo, que
no município em causa o gabinete de apoio pessoal custaria aos souselenses antes desta medida – a acreditar
nos dados disponíveis no site da entidade - no total dos quatro anos de
mandato, bastante mais do que o valor do IMI pago num ano pelos proprietários
de imóveis do concelho. Nada que, certamente, preocupe os pagantes deste
imposto. Até porque poucos devem ser os que sabem disso.
Obviamente que ter um gabinete de apoio pessoal não se
trata de nenhuma ilegalidade. Nem, sequer, algo de ilegítimo ou condenável a qualquer título. De certeza, também,
que a população sairá amplamente beneficiada pelo desempenho das pessoas que o compõem
e que em muito auxiliarão os eleitos a decidir melhor nas grandes – e pequenas –
questões que diariamente se colocam a quem tem por missão gerir o município.
Nada disso está em causa nem, tão-pouco, me interessa ou diz respeito se assim
não for. Acho apenas piada aos números. Que, por mais voltas que se lhes dê,
não mentem.
domingo, 5 de agosto de 2012
Equidade ou lá o que é...
Em muitas circunstâncias
tenho, aqui no Kruzes, escrito acerca dos políticos em geral e dos autarcas em particular,
o que Maomé não diria de um prato de couratos. Nomeadamente quando em causa
está a péssima gestão de recursos, financeiros e outros, a que essa malta nos
tem habituado. Mas, reconheço, nem todos são esbanjadores incorrigíveis. Um ou
outro sabe gerir com prudência e dentro dos limites do rigor as finanças da
entidade que governa.
Entre este pequeno grupo
estará o Presidente da Câmara da Mealhada. O município não deve um cêntimo a
ninguém, tem uma situação financeira invejável e, por lá, não se embarca em loucuras
como as que se podem apreciar de uma à outra ponta do país. É por isso que
agora está em condições de, em contra-ciclo com a esmagadora maioria das outras
autarquias, proceder a uma baixa generalizada dos impostos municipais.
Para o ano, quando
recebermos o aviso para pagar o IMI, a maioria dos portugueses terá uma
surpresa capaz de lhes causar um ataque de brotoeja. Só então muitos irão
perceber que são eles que pagam todos os desvarios que nos últimos trinta anos
as câmaras municipais têm vindo a cometer. Nessa altura não valerá a pena esganiçarem-se,
nem desatar a gritar impropérios contra o respectivo presidente ou bramar pela
falta de equidade. Gostam de muito alcatrão, obras por todo o lado e de andar
sempre em festa?! Então paguem a conta e
não refilem.
sábado, 4 de agosto de 2012
Já não alega mais nada...
Um meliante terá sido
hoje alegadamente morto. Ao que parece quando, alegadamente, fugia da PSP. A
razão para a fuga teria a ver com alegados roubos que o alegado morto acabara alegadamente
de efectuar. O repórter no local informou-nos que o alegado criminoso terá,
alegadamente, falecido na sequência de um balázio certeiro alegadamente
disparado por um alegado agente da alegada força policial. Isto porque,
alegadamente, não terá parado quando o mandaram ficar quieto. Seria,
alegadamente, um jovem muito irrequieto. Hiperactivo, até.
Em jeito de conclusão o
jornalista que fazia a cobertura noticiosa do incidente lamentou a forma
trágica como o mesmo terminou. Uma dúvida, de imediato, me assaltou o espírito.
Ou melhor, uma alegada dúvida. É que isto quando envolve assaltos o melhor será
ficarmos sempre no campo das alegações. Seja como for fiquei a cogitar –
cogitar é bom, hão-de experimentar - se a tragédia não estaria antes no facto
de os outros quatro compinchas do alegado defunto ainda andarem por aí…
Com isto dos jogos olímpicos
e outros afazeres que não vêm ao caso – embora pudessem perfeitamente vir se para
isso fossem chamados, mas como não é o caso não vêm – o Kruzes tem andado
negligenciado. Uma negligência directamente proporcional ao meu nível de
desinformação. Não tenho visto notícias, não sei o que se passa em meu redor e
isso desagrada-me profundamente. Presumo que o mundo não tenha mudado por aí
além, que os cães continuem a cagar em todo o lado, os autarcas a esturrar
dinheiro como se não houvesse amanhã e as eleições fossem hoje e que a
generalidade do pagode persista em não entender que estamos lixados com um F de
todo o tamanho. Vou informar-me e depois digo mal de qualquer coisa. Motivos,
desconfio, não devem faltar.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Os abrunhos da crise
É, por esta altura, a
fruta da época lá pela propriedade. Já que a agricultura da crise se tem
revelado ultimamente um verdadeiro fiasco cá pelo quintal, valha-me ao menos a
generosidade das árvores que vão tentando sobreviver na courela da família. Ou,
quem sabe, a capacidade de antecipação relativamente aos fregueses do costume.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Vou ali e já venho
Não demoro. Apenas um ou
dois dias. Dito de outra forma, o tempo estritamente necessário para tirar
um curso. Ou equivalente.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Porque raio não vão estes gajos cagar estacas para os países deles?!
Acho alguma piada às
ideias, papagueadas pela comunicação social nacional, de um estrangeiro
qualquer que resolveu mandar uns bitaites – cagar umas estacas, como diria a
minha avó se fosse viva - acerca dos vencimentos que se praticam na função
pública. Segundo a cavalgadura em questão, a tabela salarial deverá ser revista
de maneira a aproximar o ordenado de quem trabalha para o Estado, daquilo que
se pratica no sector privado.
Se, assim à primeira
vista, a intenção até pode nem parecer de todo descabida, quando se olha mais
de perto, para os pormenores, então percebe-se toda a patetice e, mais do que
isso, o desconhecimento do que é hoje a realidade do país. A ideia seria
aumentar o ordenado aos técnicos especializados, que no Estado ganharão,
segundo o idiota, menos que no privado, para que estes não tenham a tentação de
abandonar a função pública. Aos outros seria reduzido o vencimento porque, na
cabeça da besta, auferem mais do que na iniciativa privada e, assim, seriam
estimulados a procurar outra vida que não trabalhar para o Estado.
No primeiro grupo
estarão, com toda a certeza arquitectos, engenheiros, médicos, economistas,
enfermeiros e outros licenciados, mestrados ou doutorados. No segundo, entre outros, canalizadores,
electricistas, carpinteiros, pedreiros e auxiliares de serviços gerais. Para
demonstrar o ridículo da proposta não me vou socorrer do exemplo recente
daquela empresa – privada, por sinal – que pretendia recrutar um arquitecto por
quinhentos euros ao mês. Nem lembrar que jovens licenciados a ganhar o salário mínimo
é coisa que não escasseia. Prefiro antes sugerir que, o fulano da ideia e os
muitos seguidores que abundam por cá, tentem encontrar quem lhes conserte uma
torneira, mude uma lâmpada, repare um armário, dê uns retoques na parede ou,
até mesmo, lhes esfregue a casa de banho, por quatro euros à hora.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Ainda que mal pergunte
Para que raio precisa o
presidente de uma assembleia municipal de ter um telemóvel de serviço? Para nada,
obviamente. As funções de presidente do órgão deliberativo municipal são
meramente decorativas e, para além de convocar e presidir às reuniões, não faz
mais nada de útil à sociedade. O que, como se calcula com relativa facilidade,
não parece envolver a necessidade de dar uso a um telefone móvel.
Ora não terá sido isso que
pensou um tal Miguel Relvas. A criatura, quando exerceu o cargo de presidente
da assembleia municipal da sua terra, terá tido ao dispor um desses aparelhos e
terá feito tantas ou tão poucas chamadas que a conta suportada pelos munícipes lá
do sitio ultrapassará os trinta mil euros. Coisa para, em média, durante os dez
anos que o homem ocupou o lugar, andar pelo 367 euros por mês. Isto a fazer fé
nas noticias recentemente divulgadas acerca do assunto.
Tudo terá, quero
acreditar, uma explicação plausível. Se é que, por esta altura, já existe. Seja
ela qual for, excluo liminarmente a hipótese de as chamadas envolverem assuntos
particulares. Naturalmente coloco fora de questão que um telemóvel de serviço, pago
com o dinheiro dos contribuintes seja usado – por este cavalheiro ou por
qualquer outro – para tratar de matéria da sua vida privada. Cruzes canhoto! Eu
seja careca se tal ideia me passa, sequer de raspão, pela cabeça.
Estou mais inclinado a
pensar que o homem convocaria as reuniões por telefone e, para poupar no papel,
trataria de ler a acta e demais documentação pela mesma via a cada um dos
membros do órgão autárquico a que presidia. O que, bem vistas as coisas, poderá
ter representado uma poupança assinalável ao município em questão. E, quem
sabe, pode ainda render ao figurão em causa uma licenciatura em ciências da
comunicação. Por equivalência. O que se afigura mais do que justo para quem a comunicação
não tem qualquer ciência.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Que se lixe a coerência
Parvus Coelho, tal como o
outro que lá estava antes, gosta de dizer coisas. A sua tendência para produzir
múltiplas declarações peremptórias, acerca de um qualquer assunto, é por demais
conhecida bem como a pluralidade de opiniões convictas que pronuncia acerca do
mesmo. Trata-se de uma gajo que, frequentemente, assegura como verdade uma coisa e o seu contrário. Neste aspecto coerência não lhe falta. Há que reconhecer.
Será, portanto, neste
âmbito que deverão ser interpretados os seus desabafos acerca dos actos
eleitorais que se avizinham. Todos se recordarão daquilo que o homem dizia
antes das eleições que o levaram ao poder e o que diz agora relativamente a
impostos, gorduras, subsídios e assuntos correlativos. Daí não ser de estranhar
este tipo de discurso. O fulano está a adoptar a mesma estratégia para as autárquicas
que, no futebol, o clube do Porto utiliza em relação à taça da Liga. Ou seja,
fingir que não lhe dá importância nenhuma para melhor engolir a derrota.
Por falar em eleições –
lembrei-me agora, mas não vem nada a propósito – parece que as senhas de
presença atribuídas aos membros das mesas eleitorais irão sofrer uma redução
significativa ou, até mesmo, desaparecer. Caso volte a ser de borla e os
membros escolhidos entre os eleitores, tal como acontecia há poucos anos atrás,
sempre quero ver se os candidatos à prestação deste serviço de carácter cívico continuam
a ser às centenas. Provavelmente nunca mais iremos ver nas mesas de voto os garganeiros
do costume.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Amiguinhos mas só até certo ponto
A pretensa protecção e
direitos dos animais estão, cada vez mais, na moda. Tenho aguardado, por isso,
com alguma expectativa que as associações de defesa dos animais mobilizem os
seus associados, apoiantes ou todos os que fazem questão de exibir publicamente
a sua infindável estima pela bicharada, para uma iniciativa em grande estilo
que chame, ainda mais a atenção da opinião pública para a sua causa. Assim do
tipo estabelecer um dia nacional de limpeza da merda de cão que polui as nossas
vilas e cidades. Podiam, também, aproveitar a ocasião para sensibilizar os
donos dos animais a recolher os dejectos que os seus canitos vão largando. Era
coisa que, não sei onde é que fui buscar esta ideia, talvez contribuísse para
dar um pouco de credibilidade a esta gente.
Desconfio – para não
garantir que tenho a certeza – que tal iniciativa estará foras das cogitações
de todos os que se reclamam apaixonados pelos animais e se manifestam
intransigentes defensores dos seus direitos. Podem ser, tadinhos, muito
sensíveis ao bem-estar dos seus bichinhos mas isso não os impede de ser porcos.
Javardos, vá.
domingo, 22 de julho de 2012
Importa-se de repetir?!
Receio não estar a
perceber plenamente o conteúdo da notícia. A acreditar no texto publicado na
página on-line de um jornal da região centro, um político da zona terá
confessado uma infracção à lei para, segundo o próprio, uns quantos comensais
poderem almoçar. Acrescentando ainda, segundo a mesma fonte, que o faz
repetidamente. Referindo-se ao acto de infringir, claro. Embora eu manifeste
desde já – ainda que sem provas – as mais convictas suspeitas que o homem
também é gajo para almoçar todos os dias mesmo sem, por isso, violar qualquer
tipo de legislação.
Ora, a ser verdadeira,
esta declaração é deveras inquietante e revela-se de particular gravidade. Significa
que as leis da república são desprezadas e que o seu incumprimento não constitui
motivo para preocupações. Antes pelo contrário é exibido publicamente como se
quem o pratica fosse uma espécie de herói. Recorde-se que um dos artigos da lei
que o autarca em causa alega ter violado diz, textualmente, o seguinte: “Os
titulares de cargos políticos, dirigentes, gestores ou responsáveis pela
contabilidade que assumam compromissos em violação do previsto na presente lei incorrem
em responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira, sancionatória e
ou reintegratória, nos termos da lei em vigor.”
Se calhar o senhor terá
sido mal-interpretado. Ou, tratando-se de um almoço, poderá ser algo a falar
por ele. Quiçá, até, o problema possa ter estado no gravador. Sabe-se que esses
aparelhos são muito traiçoeiros. Um certo deputado - cujo nome não me recordo,
mas que também não interessa nada - que o diga.
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